segunda-feira, novembro 23, 2009

SOBRE O FILME «2012»

Fui ver o filme «2012». Os efeitos especiais e a magnitude dos cenários catastróficos são o se esperaria de uma produção norte-americana com mil e um meios e fundos que se lhe adivinha, a avaliar pelo «marketing» que propagandeia a película, daí que os bilhetes para as sessões nocturnas se esgotem sucessivamente. O épico dura quase três horas e nem se dá pelo tempo a passar, tal a catadupa de acontecimentos esmagadores e monumentais que se enfiam pelos olhos adentro do espectador.
E pronto, o que a coisa tem de bom é basicamente isto. De resto, não vai além da habitual americanada, plena de sentimentalismo e politiquice correcta até à náusea. É um épico, sem dúvida, mas um épico pimba, além de altamente previsível desde o seu início, inclusivamente ao nível do humor, como na cena em que o namorado diz à namorada «há algo que nos separa» e repentinamente um tremor de terra abre um vasto sulco entre ambos. O ecrã oferece quase continuamente um panorama multicultural, aliás, multirracial, pejado que está de negros e de não brancos. O herói principal da história é negro, o digno e corajoso presidente dos EUA também, e mais a sua filha; o mau da fita é um subalterno do presidente dos EUA que é cínico e egoísta, e claro, branco. Aparece pelo meio um multimilionário russo estereotipado, bruto e igualmente egoísta, que ironicamente morre num acto de altruísmo.
Não é difícil supor que o realizador julga de algum modo relativizar qualquer crítica ao sentimentalismo da película quando a dada altura põe o branco cínico a dizer ao herói negro «o que é que queres, pôr toda a gente a bordo (da nave de salvamento) e depois cantamos todos o kumbayala?» Mas é inútil esta frustre tentativa de tirar de antemão valor ao sarcasmo, porque, quer o realizador queira quer não, aquilo descamba mesmo numa coisa desse género, ao estilo dos anúncios da Coca-Cola dos anos oitenta, todos os vivos muito felizes uns com os outros, de mão dada, a celebrar a sobrevivência da humanidade e tal.
E depois as cenas de acção... tudo se resolve in extremis, tudo o que se salva é sempre no último segundo, isto ao longo de quase três horas acaba por enfastiar. O cúmulo mentecapto do sentimentalismo é que mesmo quando faltam escassos minutos para «salvar a humanidade», ainda há tempo para umas despedidas melodramáticas do mais baratucho que se vai encontrando por aí. Demoras daquelas numa situação real, atraíria sobre os «heróis» um chorrilho de insultos, de «atraso de vida» a «filhadaputa-lamechas-que-vamos-morrer-todos-por-causa-dele».
Em suma, poupe-se o dinheiro do bilhete, espere-se pela sua exibição na televisão, sempre se deixa de contribuir para alimentar uma politicada correcta... além do multirracialismo quase constante, há ainda, recorde-se, a dimitude, submissão respeitosa para com o Islão, ou puro cagaço perante a intolerância islâmica, como o próprio realizador admitiu: filma a destruição de símbolos cristãos da mais alta relevância, o próprio realizador diz que mostra aquilo com gosto porque é ateu e inimigo das religiões organizadas, mas depois abstém-se de criar cenas similares para a Caaba muçulmana, que permanece intacta... já que não queria atrair sobre si a violência muçulmana, ao menos suprimia todas as cenas relativas ao Islão - mas não, em nome da banalizante vontade de exibir culturas de todo o mundo, pretendeu mostrar o seu respeitinho pela religião de Mafoma ao deixar passar um cena de Meca, atulhada de crentes, mas sem qualquer maleita...

26 Comments:

Blogger Ludovico Cardo said...

Façam bom uso das torrents... ;)

23 de novembro de 2009 às 11:25:00 WET  
Anonymous CiscoKid said...

Não percebo porque berras, ó chorão. Não é ficção haver não-brancos bons (Obama) e maus (Cheney/Bush) a nivel da presidência dos EUA. Também não é ficção o facto dos EUA ser um pais multiracial. A parte de ficção é tudo o resto.

O que tu querias, sem dúvida, era que um grupo de brancos neo-nazis, como tu, o Mário Machado e mais alguns, sobrevivessem enquanto que todos os outros (especialmente os não-brancos) morressem, de forma a criar uma sociedade só com brancos.

Acho que é melhor para a tua saúde ver os filmes dos anos 20, 30 até 70, onde não havia não-brancos, ou se os houvesse, eram burrinhos. Afinal, tu vives numa realidade alternativa, porque a realidade como ela é, é demasiado dura para ti.

23 de novembro de 2009 às 11:43:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

caturo, s.f.f. podias dar-me o linque da noticia sobre a mulher portuguesa que foi obrigada a passar o negocio dela para um muslo?
não consigo encontrar o linque.
obrigado.

23 de novembro de 2009 às 12:49:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

E estás a esquecer a cena final, quando eles descobrem que a Africa foi o único continenete que não foi submerso. Tá-se mesmo a ver qual é o futuro para a humanidade que esta gente anseia.

23 de novembro de 2009 às 13:07:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

O filme é multirracialista?
E porquê?

23 de novembro de 2009 às 14:56:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Andava à procura deste filme há cerca de 10 anos. Lembro-me de quando o vi pela primeira e última vez, em finais dos anos de 1980. Não conhecia o seu nome, recordava-me apenas da sua história e do choque que me causou o seu visionamento. Recordo-me vagamente que nessa “fatídica” noite tive um sono intranquilo e que, durante algum tempo, olhei desconfiado para o chamado “melhor amigo do homem”. Afinal, este filme não é para ser visto por todos, muito menos por um rapaz de 12 anos que na altura não compreendeu o seu significado e/ou a sua mensagem.


White Dog (1982) é o seu título. Realizado por Samuel Fuller, esta obra-prima narra a história de uma actriz que adopta um pastor alemão branco, para depois descobrir que este foi treinado para matar pessoas com pele negra. Premissa simples, mas altamente controversa como podem imaginar…
Alvo de polémica logo aquando da sua saída, nunca chegou a estrear nas salas de cinema norte-americanas, aparecendo mais tarde reeditado como um thriller televisivo em que as vítimas dos ataques do canino pertenciam a todas as raças. Só em Dezembro de 2008, o filme foi finalmente lançado em DVD na sua versão original pela The Criterion Collection, editora especializada em lançar títulos de autor clássicos e contemporâneos.


Apesar do filme centrar-se inteiramente no racismo contra os negros (os tumultos raciais da década de 1960 nos Estados Unidos ainda estavam bem presentes no princípio dos anos de 1980), trata-se de uma película que fala sobre o racismo numa vertente muito mais ampla. O racismo como uma “doença social” que pode atingir qualquer um, independentemente da sua nacionalidade ou raça, fruto dos mecanismos associados ao preconceito e à discriminação. O pastor alemão, elemento inocente, surge como um símbolo dessa problemática da sociedade, como se se tratasse de uma criança que, desde muito cedo, assimila atitudes raciais. Por isso mesmo, White Dog é o único filme de Fuller onde um animal tem um papel significante. É também a primeira vez que simplifica o carácter das personagens da história com o objectivo de criar imagens de racismo mais fortes, sem nunca falar directamente acerca da sua realidade ou origem.


Refira-se que, nesta experiência cinematográfica a elevada reputação de Fuller acabou por funcionar contra si mesmo – esta foi mesmo a sua última longa-metragem realizada nos Estados Unidos – embora White Dog continue a ser um dos mais importantes e desafiantes filmes da sua prolífica carreira como realizador.

23 de novembro de 2009 às 16:32:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

http://www.youtube.com/watch?v=dg-jabBZGq0

"White Dog",superior a "America Proibida" e "Romper Stomper".):

23 de novembro de 2009 às 16:37:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

http://www.youtube.com/watch?v=YXa-nAYdjrk

"Romper Stomper",com um muito jovem Russel Crowe.

23 de novembro de 2009 às 16:41:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

http://www.youtube.com/watch?v=tY8s5sooMsI


"America Proibida"

23 de novembro de 2009 às 16:47:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

http://www.youtube.com/watch?v=7LMrdcs4ucc

Racismo ou não ,heis a questão.):
Que pensais vós disto?

23 de novembro de 2009 às 16:55:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Típico filme racista antiracista: Mississipi em Chamas



" Mississipi em Chamas", realizado em 1988, trata do assassinato de três ativistas (um deles negro) e dos direitos humanos no Sul dos Estados Unidos por remanescentes da KKK na década de sessenta. As vítimas são jovens militantes: suas mortes agitam a imaginação do povo, e o governo federal é obrigado a intervir. O FBI é convocado para conduzir as investigações através da pele de Willem Dafoe, auxiliado por um agente local, personificado por Gene Hackman, que conhece bem a região. O primeiro conflito estabelecido é o daquele velho chavão da cooperação entre dois policiais completamente diferentes que tem de se suportar até cada um descobrir o valor do outro e passarem a colaborar efetivamente. Dafoe é o policial certinho e acadêmico que busca resolver tudo através da mais estrita legalidade e da utilização de aparato técnico e científico. Hackman é o típico matuto, conhecedor da sua terra e da sua gente. Indiferente a todo o aparato, ele vai recolhendo informações através de conversas informais nos bares e nas ruas até que, em um salão de cabeleireiros, conhece uma mulher que depois descobre ser esposa de um dos principais líderes racistas. O segundo conflito fica sendo, então, o interesse amoroso entre o policial durão e charmoso e aquela mulher submissa que tem medo de se libertar daquela vida. O conflito maior, logicamente, é o da luta entre os policiais "bonzinhos" que defendem a Justiça contra os malvados KKK que atacam os negros.

Apresentados os personagens, reconhecidos os conflitos, faz-se necessário o ponto de virada, aquele que dá uma guinada geral para toda a história e a leva para o final. Dafoe finalmente reconhece que seus métodos não levam a nada, e fica revoltado com a surra que a mulher recebe do marido quando este desconfia de que ela está passando informações para a polícia. Passa o bastão das investigações para Hackman que, afinal, usa o aparato do FBI para pressionar de forma dura os bandidos e fazer com que caiam em armadilhas não muito legais. Será que é muito difícil prever o final?

Mississipi em Chamas é um filme muito bom: a direção é forte e segura, o roteiro é bem escrito e emocionante, os atores são espetaculares. Parker conduz muito bem a trama e, para realçar o sadismo dos racistas, recheia o filme de cenas de violência. O espectador chega a ter ódio dos brancos racistas. Porém, é esta a questão que eu gostaria de ressaltar: este é um filme anti-racista? E a resposta é: sim e não. Se, por um lado, é uma contundente denúncia das atrocidades racistas, por outro a forma como ele realiza esta denúncia é, em si mesma, racista. Em primeiro lugar, a ação se passa no começo da década de sessenta, e é interessante observar o que o filme NÃO mostra: o início dos grandes processos de mobilização negra que já estavam eclodindo em todos os Estados Unidos. Os negros de Parker são uma massa amorfa e sem personalidade, que sofre quieta, com pouquíssimas reações e sem resultado. A investigação, portanto, é conduzida, levada, resolvida e concluída por brancos de uma entidade governamental, o FBI, que, conforme sabemos, nunca primou exatamente pela resolução de conflitos sociais.

Mas o que me parece mais claro é o momento de revolta do jovem policial idealista interpretado por Dafoe. Depois de passar dias e dias observando os negros sendo discriminados e espancados, suas igrejas sendo queimadas e enforcamentos assinados com a tradicional cruz em chamas enterrada de ponta-cabeça no chão, ele só percebe realmente o quanto o mundo é cruel e violento quando a mulher (branca) é espancada pelo marido. Caem, nesse momento, as últimas ilusões do protagonista. Podem cair, também, as expectativas do público quanto à mensagem de Parker, que substitui um racismo do tipo "olha como o negro é inferior, devendo ser maltratado" pelo tipo paternalista que diz "olha como uma parte dos brancos é malvada e como os negros são

23 de novembro de 2009 às 17:04:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Há racismos e racismos

Raramente o racismo no cinema atinge proporções tão explícitas e militantes. Geralmente, é adotada uma posição de meio termo, de um racismo um tanto envergonhado, embora consciente e assumido, condescendente, onde o negro pode ser até homenageado, desde que em seu devido lugar. Houve, por exemplo, The Jazz Singer, onde o tal cantor de jazz negro é interpretado por um branco pintado com uma ridícula tinta preta. Porém, mesmo quando o negro interpreta a si mesmo, a situação não muda muito. Em ...E O Vento Levou, Hattie Mcdonalde ganhou um Oscar de Atriz Coadjuvante interpretando a negra de olhos e beiços grandes. Billie Holliday, a grande dama do Jazz, participou do cinema, interpretando uma empregada doméstica que ensina a patroa branca a cantar. Tudo isso dista anos-luz até o dia em que um Sidney Poitier dá um bofetão em um branco racista em pleno Sul em O Calor da Noite, e mais ainda de quando um personagem histórico é retratado como herói em uma produção predominantemente negra e dirigida por um diretor negro consagrado: Malcom X, de Spike Lee.

Uma característica geral dos filmes que citei até agora é a total explicitação de suas prerrogativas raciais. Seja por um lado ou por outro, não há dúvidas sobre a intenção das idéias do realizador do filme. Em Griffith e Spike Lee não há ambigüidades, e o que me interessa discutir aqui são justamente filmes onde esta ambigüidade é profunda. Filmes, inclusive, que assumem uma postura de até certa contestação e proporcionam uma imagem de que são contra o "sistema"; no entanto, a própria adoção do esquema do cinema clássico trai essas suas primeiras pretensões, ou então revelam suas verdadeiras intenções.

23 de novembro de 2009 às 17:05:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

O Racismo Sofisticado

Forrest Gump é uma produção bem mais complexa. Seu roteiro, multifacetado, rico, repleto de signos e representações norte-americanas, volta-se para estes mesmo signos com ironia inteligente e corrosivamente satírica, não deixando nenhuma, ou quase nenhuma, instituição em pé. No entanto, todos os elementos do cinema clássico estão presentes: o personagem-identificador, os vários conflitos, os muitos "ganchos" e viradas, até resultar em um final que "ordena" o mundo e lhe dá sentido.


Pois bem, ao assistirmos este filme pela primeira vez, nos deliciamos com a crítica feroz ao Welfare State, ao American Way of Life, a essa auto-gozação cáustica. Torna-se necessária uma segunda olhada (e terceira, por que não? É um filme que merece ser visto várias vezes) para percebermos o quanto esta crítica é superficial. Na maior parte, reacionária. Quando não, diretamente racista. Para comprovar este argumento, discutamos o personagem de Bubba, o irmão gêmeo espiritual e intelectual de Forrest. Eles se conhecem na Guerra do Vietnã, em meio ao mesmo sofrimento de uma guerra, da repressão, da disciplina feroz e da batalha sem sentido. São absolutamente idênticos em espírito, mente , intelecto e disposição. A pergunta que martela a cabeça desde o primeiro momento é: por que Bubba morre? Vejamos bem, não estamos abstraindo a importância, a preponderância do personagem de Tom Hanks, o filme e Forrest; afinal, não estamos perguntando se ele poderia morrer no lugar de Bubba. A questão é simples: qual o sentido da sua morte dentro do universo criado por Zemeckis? Não existem acasos por aqui, muito menos sendo uma produção hollywoodiana; dizer que foi uma mera coincidência (como cheguei a ouvir em certa ocasião) seria zombar da inteligência do diretor, do público e dos produtores.
O personagem Bubba

Dizer que Bubba morreu porque era negro enquanto Forrest era branco, parece-me mais verdadeiro, porém insuficiente. Bubba morre não só porque era negro, mas porque dentro das atribuições, recompensas, sortilégios, azares e fortunas distribuídas neste mundo, ele comete o Pecado de ser negro - característica que não pode ser relevada, pois não existe purificação possível, como em outros personagens. Ele tem que morrer para restabelecer o equilíbrio exigido pela presença de Forrest.

23 de novembro de 2009 às 17:08:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

A resposta está na figura emblemática de Forrest Gump. Desde o primeiro minuto sabemos através da pena branca que ele é especial. Aliás, ele é muito especial.: é um pedaço de pureza, de inocência em estado bruto que o mundo não consegue alcançar, nem mesmo de raspão, Uma personagem bidimensional sem nenhuma profundidade, e se conseguimos sentir emoção na sua presença é somente pela força da atuação extraordinária de Tom Hanks As outras pessoas do filme não são assim: são humanas, possuem uma história, têm vontades, sonhos, desesperos e principalmente defeitos. Porque é justamente esta a característica que entra em choque direto com Forrest: ele não possui defeitos por ser puro, e com isso faz ressaltar com força total todos os problemas morais dos que o circundam.
Bubba sendo salvo por Forrest Gump durante combate


Forrest Gump e sua mãe doente A pessoa mais lúcida e consciente de todo o filme é a mãe de Forrest. Ela sabe muito bem o que fez, o que precisou fazer para garantir a vida e a integridade de seu filho e o preço a pagar por isso. Afinal, ela pecou (transou com o diretor da escola para garantir a matrícula de Forrest e somos levados a crer que ela transaria com quem fosse necessário) e precisa "pagar". Ela morre tranqüila e satisfeita com os resultados. Marquemos isso, essa morte "tranqüila", que menos do que um castigo, seria mais um purgação.
Quanto à paixão amorosa de Forrest e o tenente, são casos mais graves.


A menina doa amores do personagem central foi conspurcada quando criança (o estado de inocência natural do ser humano), abusada sexualmente pelo pai e carrega esta marca consigo durante a vida inteira. Passa por todos os tipos de vícios, conhece todos os tipos de pessoas, pratica toda espécie de contestação, parece sentir prazer em se humilhar e se rebaixar cada vez mais. Para ela, não há possibilidade de remissão, nem mesmo pelo amor de Forrest. O breve momento de purificação ao seu lado não lhe dá o direito de recuperar a inocência, pois esta se foi para sempre. Ao pecado maior e mais extenso, o castigo pior: ela não pode ser feliz, pois morre de Aids.

Já o tenente é o senhor da guerra, que sente prazer na violência. A batalha, as mortes e a disciplina férrea: este é o seu mundo. Ficar paralítico é alucinadamente o pior castigo que poderia lhe ter acontecido. Se morresse, teria sido, pelo menos, um herói. A cena da sua purificação, com as águas da tempestade, é emocionante e lava sua alma. Porém, como vimos, uma vez conspurcada, a inocência não voltará nunca mais. O tenente não morre, mas terá que carregar sua marca: a perna metálica.

A cena mais significativa do filme, carregada de centenas de sutilezas e ambigüidades é a do casamento de Forrest. Ele, rico, abastado e feliz ao lado de sua amada, uma loira, típica representante da mulher americana, contempla entre eufórico e confuso ao tenente, com sua perna mecânica e casado com uma oriental. O rosto de Hanks/Forrest expressa milhares de pensamentos, o que não havia acontecido até então. E este é um dado fundamental. O não-conhecimento de Forrest garante o estado da sua pureza. Os outros não têm mais salvação, porque acima de tudo, além de terem pecado, sabem que pecaram.

E Bubba? Ele não pecou. Não cometeu nenhum ato ominoso consciente nem mesmo inconsciente. De Forrest, possui o mesmo grau de pureza, de inocência perante as pessoas, a natureza, o mundo. Não se drogava, não se picava, sequer fumava, era pacífico nem entendia a violência que ocorria a sua volta e com ele. Deve ter morrido virgem. Ele morre por ser e por ter nascido um Forrest Negro.

Mas o racismo do filme é dos condescendentes: se ele não pode evitar seu destino, existe uma certa compensação. Se ele não pode ter uma morte tranqüila como a da mãe de Forrest, sua família, pelo menos, vai ficar bem. Forrest doa metade de sua fortuna para a mãe de Bubba. E assim as consciências ficam sossegadas e o equilíbrio restabelecido.

23 de novembro de 2009 às 17:09:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Ana Cristina de Paiva foi presa por suspeita de racismo /Marcelo Bastos

Rio de Janeiro


A produtora Ana Cristina de Paiva, 40 anos, foi presa na noite de ontem, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, por suspeita de racismo. Uma atendente do cinema do Shopping Downtown alega ter sido chamada de "negrinha" pela produtora. Ana Cristina vai responder pelo crime de injúria por preconceito racial, cuja pena pode chegar a 3 anos de prisão.

De acordo com a vítima, que preferiu não se identificar, e com testemunhas, a confusão começou quando Ana Cristina entregou o cartão de crédito para pagar por pipocas que havia comprado.

"O pagamento não foi autorizado. Eu informei e ela disse que eu é que não estava sabendo usar o equipamento. Eu disse, então, para que ela mesma tentasse, já que pensava que eu não sabia trabalhar. Ela ficou furiosa, quis passar para o lado de dentro do balcão para me bater e disse que eu era uma negrinha e que devia estar morando na Rocinha", contou a jovem.

De acordo com testemunhas, a produtora gritava e a balconista chorava. "Foi um absurdo o que aconteceu. A mulher ainda perguntou: 'quer que eu a descreva como? Ela é negrinha da Rocinha mesmo, não é nenhuma princesinha da Barra.' Espero que ela seja punida, porque a impunidade deixa a gente ainda mais indignado", contou o professor de inglês Davi Ferreira de Pinho, uma das quatro testemunhas que foram à 16ª Delegacia de Polícia (Barra) acompanhar a vítima.

"Eu vim aqui cumprir meu papel de cidadã. Nós iríamos assistir ao filme O caçador de pipas, que fala sobre preconceito, e de repente acontece uma coisa dessas. Só de saber que essa mulher vai ficar presa, fico mais aliviada. Ela é uma criminosa. Não faz idéia do dano psicológico que pode causar a uma pessoa", disse outra testemunha, lembrando que a delegacia recebeu telefonemas para denunciar o caso.

Para a vítima, a sensação foi de constrangimento. "Não pensei que isso fosse acontecer comigo. Ela ameaçou me bater e disse que negrinha tem que morrer de trabalhar", disse.

O marido de Ana Cristina, que não teve o nome revelado, defendeu a mulher: "chamar uma negrinha de negrinha e um crioulo de crioulo é crime? Como é que eu diferencio? Acho que isso é síndrome de novela", comentou. Já a advogada de Ana Cristina não quis comentar o caso.

23 de novembro de 2009 às 17:12:00 WET  
Blogger Caturo said...

De facto, a Inquisição Antirra é há muito fortíssima no Brasil... mais um motivo para manter imigras brasucas à margem da sociedade portuguesa e tão longe de Portugal quanto possível.

23 de novembro de 2009 às 18:36:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"De facto, a Inquisição Antirra é há muito fortíssima no Brasil... mais um motivo para manter imigras brasucas à margem da sociedade portuguesa e tão longe de Portugal quanto possível."


Concordo.
São uma das maiores ameaças á nossa identidade.

Portugal aos portugueses

23 de novembro de 2009 às 18:39:00 WET  
Blogger Titan said...

Não percebo porque berras, ó chorão. Não é ficção haver não-brancos bons (Obama) e maus (Cheney/Bush) a nivel da presidência dos EUA.

A julgar pelo que se vê nas prisões americanas, os não-brancos são quase sempre os criminosos. E portanto os filmes deviam espelhar isso, assim como têm a obrigação, para alguns, de espelhar o multiracialismo da América.

23 de novembro de 2009 às 18:43:00 WET  
Blogger Caturo said...

«Não percebo porque berras,»

Eu não berro, desgraçadinho - quem berra histericamente és tu, que andas sempre aqui a querer desmobilizar o pessoal sem ninguém te chamar. Isso sim, é histeria, derivada do teu já bem conhecido e muitíssimo mal disfarçado medinho. :)



«Não é ficção haver não-brancos bons (Obama)»

Bons, um mulato que foi racista, que andou vinte anos a receber lições de um negro racista que incita ao ódio contra os brancos e contra a América, América essa que depois vem a ser liderada pelo mulato, mulato este que NUNCA se demarcou formalmente das palavras do seu pastor negro, antes tentou desculpá-lo ou desdramatizar o caso? Ó cisco, nessa já só tu mesmo é que dizes que acreditas...


«e maus (Cheney/Bush)»

Está por demonstrar que Bush fosse pior do que Obama, seja no que for.

Mas enfim, vindo isto de quem desculpa um negro que incita ao ódio contra os brancos, não admira nada. :)



«Também não é ficção o facto dos EUA ser um pais multiracial.»

Nem eu disse que era ficção, mentecapto. Não é isso que está em causa.


«O que tu querias, sem dúvida, era que um grupo de brancos neo-nazis, como tu, o Mário Machado e mais alguns, sobrevivessem enquanto que todos os outros (especialmente os não-brancos) morressem,»

Haveria coisas piores, sem dúvida. Mas o ideal mesmo, mesmo ideal, era que nós sobrevivessemos e a escumalha antirra perecesse, ou ficasse junta com os Africanos nalguma ilha donde não pudessem passar à Europa.


«forma a criar uma sociedade só com brancos.»

Sim, era bonito. Era e, se calhar, será. A ver vamos.



«Acho que é melhor para a tua saúde ver os filmes dos anos 20, 30 até 70, onde não havia não-brancos,»

Sim, é. Mas também não exageres, que recentemente tem havido grandes portentos cinematográficos praticamente só com brancos, como o Stardust, a Bússola Dourada, o magnífico Volkodav e os magistrais campeões de bilheteira e de qualidade «300» e «Senhor dos Anéis» (três brutais épicos como não há memória em toda a História do Cinema), que muito incomodaram malta da tua, e foi um mimo. Não me digas que não reparaste...


«Afinal, tu vives numa realidade alternativa,»

Não, tu é que vives numa realidade alternativa, porque tu é que tens de tentar falsificar a realidade só para não admitires que o Povo vota nos racistas. É porque a realidade democrática é mesmo muito dura para ti, desmente-te todo de cima a baixo, mostra o descomunal abismo que existe entre as tuas lérias anti-racistas e a tua pretensão a seres democrata: mostra que só podes escolher uma dessas manias, não podes ter as duas ao mesmo tempo, porque o Povo, o Povo da realidade real, não adere à tua tara antirra, pelo que, para te protegeres da eventual vitória dos racistas, só podes mesmo é tentar sabotar a Democracia. Por isso, TU é que vives numa realidade alternativa.

Aguenta que ainda vem mais. :)

23 de novembro de 2009 às 18:50:00 WET  
Blogger Titan said...

E pronto, depois destas duas "esfregas" no lombo do cisco, este já deve ter fugido para outro tópico, como a papoila saltitante que é.

23 de novembro de 2009 às 19:02:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"Mas o ideal mesmo, mesmo ideal, era que nós sobrevivessemos e a escumalha antirra perecesse, ou ficasse junta com os Africanos nalguma ilha donde não pudessem passar à Europa."


Exacto, e depois passados umas decadas iamos espreitar á ilha e certamente já se tinhamc omido uns aos outros. :)

23 de novembro de 2009 às 19:29:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Cisco ...

o futuro somos nós!
Porque sem nós simplesmente não há futuro para os EUROPEUS, percebes. Tu vais dizer que há futuro, mas sem nacionalismo, ou seja sem europeus não há EUROPA
nacionalismo sempre!

Viva a Portugal
Morte aos traidores

23 de novembro de 2009 às 19:32:00 WET  
Blogger Caturo said...

«caturo, s.f.f. podias dar-me o linque da noticia sobre a mulher portuguesa que foi obrigada a passar o negocio dela para um muslo?
não consigo encontrar o linque.
obrigado.»

http://gladio.blogspot.com/2009/10/portuguesa-ameacada-de-morte-e-raptada.html

23 de novembro de 2009 às 23:15:00 WET  
Blogger Silvério said...

Também fiquei com o rabo dorito de ver esse filme, então quando chega à parte das arcas de noé o que era mau pior ficou. Engraçada a cena de meca também comentei isso, havia de ser bonito se tivessem posto a kaaba a ser engolida terra a dentro direita aos infernos. Enfim no meio de tanta porcaria, o velhinho cliché de hollywood do presidente bronzeado nem chateia muito.

23 de novembro de 2009 às 23:57:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"De facto, a Inquisição Antirra é há muito fortíssima no Brasil... mais um motivo para manter imigras brasucas à margem da sociedade portuguesa e tão longe de Portugal quanto possível."


Concordo.
São uma das maiores ameaças á nossa identidade.

Portugal aos portugueses

23 de Novembro de 2009 18:39:00 WET

100% de acordo, e apesar de terem vindo para Portugal com todo esse sambinha do multiculturismo, multiracialismo e da diversidade como chave essencial para o sucesso dos países, apresentando o Brasil como um paraíso precisamente por toda essa riqueza multicultural, trazem com eles esse sistema de castas e mecanismos de conflituosidade étnico-racial já adquiridos e interiorizados com o qual se sentem bem e replicam-no com sucesso em Portugal com os portugueses, não habituados a essa miséria e imundice devido à coesão da nossa nação.

Os brasileiros pelo seu histórico de conflituosidade racial do qual vêm refugiados mais do se sentirem perfeitamente à vontade, como peixe na água, florescem como vermes e germes no lodo nesses ambientes que é terreno fértil para esses ressabiados se vingarem dos portugueses, acicatando outras comunidades de imigrantes e maneatando os portugueses impedindo-nos de alertar para o perigo da iminvasão brasuca, entre outras.

24 de novembro de 2009 às 00:57:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"Enfim no meio de tanta porcaria, o velhinho cliché de hollywood do presidente bronzeado nem chateia muito"


Ódio racial detectado.):

24 de novembro de 2009 às 09:55:00 WET  

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