quarta-feira, julho 29, 2015

NA MAIOR NAÇÃO BRANCA DO MUNDO - CELEBRAÇÃO EM HONRA DE ANTIGO DEUS PAGÃO DO TROVÃO GANHA POPULARIDADE

Adoração de Perun no Seu templo de Gamayunshchina, em Kaluga, Rússia.

Na Rússia, o dia 20 de Julho não aparece assinalado no calendário oficial como feriado, mas cada vez mais russos se reúnem nesta data para celebrar um dos festivais folclóricos mais antigos da Nação, acendendo fogueiras, dançando e lutando.
Isto porque vinte de Julho é o Dia de Perun, Deus do Trovão e da Guerra, Divindade soberana do panteão eslavo, equivalente a Deidades de primeira grandeza doutros panteãos indo-europeus, tais como os indo-arianos Indra e talvez Parjanya, o báltico Perkunas, o germânico Thor, eventualmente também os hititas Tarhunt e possivelmente Pirwa, o céltico (gaulês) Taranis, possivelmente o ilírio e albanês Perëndi, isto tudo a partir de um hipotético Deus indo-europeu original do Trovão, *Perkwunos; funcionalmente, é também equivalente ao helénico Zeus e ao latino Júpiter. 
Acredita-se que neste dia os antigos eslavos sacrificavam um galo ou um boi de modo a lavar as suas armas no sangue do animal. Actualmente não se faz isso, como explica a co-fundadora do grupo eslavo de reconstrução histórica Bely Bars («Leopardo Branco»), Yelizaveta Timoshkina: «Lembro-me que alguém trouxe certa vez um cordeiro para o festival. A ideia era abatê-lo de noite e cozinhar shashlyk (espécie de «shish kebab» comum na Rússia) ou um guisado. Alguns tipos do acampamento foram então celebrar e outros ficaram a cozinhar. Quando toda a gente estava de volta, à noite, viram o cordeiro a saltitar alegremente junto às tendas. Ao fim ao cabo nenhum dos participantes foi capaz de abater o animal.»
A moderna reedição do Dia de Perun inclui o acender de grandes fogueiras, seguido de combates homem a homem. Aos vitoriosos são oferecidos talismãs especiais, nomeadamente crachás feitos de bronze, cobre ou prata, com motivos baseados em amuletos encontrados por arqueólogos durante escavações em antigos túmulos sitos em outeiros. Assim que o dia fica escuro, todos os homens presentes formam um khorovod (círculo de dança) em torno de um dos fogos e começam a circular, mantendo as mãos dadas. Tentam atingir o máximo de velocidade sem caírem no fogo, o que serve para mostrar a sua força e agilidade.
Timoshkina acrescenta: «Se eu tivesse de nomear as cinco datas eslavas mais populares ainda hoje celebradas, diria que a mais popular é a Maslenitsa - dia em que toda a gente come panquecas, dizendo adeus ao Inverno e saudando a Primavera, isto a 20 de Março. Há também o Ivan Kupala (vinte e quatro de Junho), celebração do solstício de Verão, o Karachun, que marca o solstício de Inverno (celebrado de 12 a 22 de Dezembro, dependendo do ano), o Dia de Perun e o Dia de Veles, a meio do Inverno (11 de Fevereiro)

Um historiador de Artes Marciais, Alexei Leshachkov, explica que, embora os antigos eslavos não tivessem nenhuma expressão equivalente a «arte marcial», a verdade é que praticavam o combate corpo a corpo desde cedo. Os rapazes aprendiam-no desde cedo, envolvendo-se em jogos tais como o «Parede para Parede» (competição entre dois grupos que tentam empurrar-se para fora de uma certa zona) e o «Rei da Colina (quando alguém tenta ficar no topo de uma colina enquanto outros o tentam tirar daí, procurando substituí-lo). Enquanto algumas escolas dizem ensinar a «arte marcial russa» na actualidade, Leshachkov explica que na verdade a dita «arte marcial russa» é uma amálgama de Sambo (genuína arte marcial russa, espécie de luta livre), Pugilismo e técnicas de Karaté.
A antiga sabedoria eslava serve para mais do que lutar. Um centro de «coaching» (aconselhamento psicológico, por assim dizer) em Moscovo, o Ladoga, diz aplicar antigos ritos em novas actividades. A psicóloga Olga Kolyada, uma das gerentes do centro, explica do que se trata: «Descobrimos os caminhos dos nossos ancestrais. Por exemplo, revivemos o canto tradicional eslavo. Os Eslavos usavam as suas vozes para ultrapassarem a dor - o choro das mulheres durante os funerais vem à mente. Usamos essas técnicas hoje em dia para ajudar as pessoas a aguentar acontecimentos traumáticos através da sua voz». Como por cá diz o povo, quem canta seus males espanta...
De acordo com Kolyada, a adesão a mundivisões tradicionais ajuda as pessoas modernas a escapar à depressão: «Os costumes da Antiga Rússia eram assim - a Primavera era para sonhar e preparar-se para criar, o Verão era para agir e correr riscos, o Outono era para colher os frutos, o Inverno era para uma pessoa se concentrar no seu mundo interior.» «Quando as pessoas descobrem isto e começam a viver de acordo com o ritmo da Natureza, e não de acordo com a sua agenda de férias, estão disponíveis para endireitar uma data de coisas na sua vida.»

Um professor de Sociologia na Escola Superior de Economia de Moscovo, Alexei Levinson, afirma que a restauração de tradições constitui tendência crescente: «Isto é uma tendência internacional - processos similares estão a verificar-se em Inglaterra, Escócia e Escandinávia. As sociedades precisam de recursos simbólicos para manterem a sua identidade.» «Na Rússia está muito na moda ser patriótico e o apelo à cultura do passado dá às pessoas uma oportunidade para ser parte da tendência. Além disso, os jovens simplesmente gostam de usar alguns elementos do vestuário tradicional eslavo - é bonito e incomum, ao fim ao cabo.»
É também uma questão de estética ancestral, digo eu, do sentido de centralidade e de grandiosidade que certa indumentária antiga induz, seja na Rússia ou noutros países europeus, contra o reducionismo/minimalismo das roupas da época contemporânea.


O texto que se lê na página fonte fala relativamente pouco da religião propriamente dita. Não deixa de ser verdade que o cerne da coisa tem um sentido religioso, muito ou pouco lembrado, mas de qualquer modo lembrado. É assim o retorno ao culto das Divindades que norteiam a herança étnica, corolário do processo de re-europeização natural no seio dos Povos europeus - cada vez mais livres do jugo de um credo alógeno, que vai decaindo e ficando para trás, o que estava por baixo desse verniz vem ao de cima, lenta mas inexoravelmente, pelo menos enquanto continuar a haver europeus. 

CULTO A ÍDOLOS PRIMITIVOS - OLHA QUEM FALA...


«O AL-ANDALUS FOI ATERRORIZANTE»

«Hoy en día nadie, ni los historiadores arabistas, creen que Al-Andalus fue un crisol; fue una época terrorífica», argumenta con vehemencia Serafín Fanjul (Madrid, 1945), catedrático de Literatura árabe, miembro de la Real Academia de la Historia y látigo de los intelectuales complacientes con el Islam y con los nacionalismos periféricos españoles. Fanjul desmonta con sus estudios la idealización de la armonía de las Tres Culturas durante la época de convivencia en la Península de moros, judíos y cristianos. «Los que defienden esa majadería no han leído nada», responde sin contemplaciones antes de enfilar a Juan Goytisolo, «un señorito que ha vivido de creerse un escritor maldito» que no ha superado las teorías de Américo Castro. Exmilitante del PCE, Fanjul desgrana severas descalificaciones hacia Podemos en esta entrevista en exclusiva con Epipress porque considera a este partido «algo poco serio que puede dar grandes disgustos». Insta a las autoridades a que obliguen a los musulmanes residentes en nuestro país a cumplir las leyes y la Constitución y recrimina el silencio de las feministas respecto a la matanza de niñas cristianas en países como Nigeria.
Señor Fanjul, ¿qué tiene que ver el Estado Islámico (EI) con Al Qaeda y con el asesinato de Bin Laden?

El Estado Islámico y Al Qaeda son rivales aunque ambos sean suníes y son, sobre todo, antioccidentales. Sin embargo, poca gente presta atención al movimiento de rechazo a Occidente más peligroso, que es Arabia Saudí. Es de ahí de donde sale Al Qaeda, Bin Laden y el propio EI que bebe de su ideología y vive de su financiación. Arabia Saudí, Emiratos Árabes y Kuwait sustentan a estos radicales aunque vendan que los persiguen, eso sí, siempre que actúen en sus territorios.
¿Por qué se produce ahora una escalada de ataques contra Occidente?

Porque no hay interés en acabar con esos radicalismos con contundencia. Lo que importa ya no es el petróleo, sino los flujos de capitales que hay entre Arabia Saudí y Estados Unidos. Hay demasiados intereses financieros manejados por grandes inversores americanos.
Así que Occidente se queda de brazos cruzados ante esta barbarie, ¿no?

Los radicales islámicos han visto la debilidad de Occidente y ven, sobre todo, a Europa acobardada. Yo creo que se equivocan porque Europa sigue siendo una gran potencia económica y cultural y Estados Unidos una gran potencia militar y económica.
Yihad significa combate por la fe. ¿Qué tiene que ver esa guerra santa con el Corán?

En el Corán se exhorta a hacer la guerra por Dios para difundir la fe musulmana. Yihad significa dos tipos de esfuerzo: uno es el interior y el otro el del combate físico contra los enemigos del Islam. Para el 90% de los musulmanes, la yihad tiene que ver con ese combate. Es una obligación de todo musulmán luchar contra los enemigos del Islam.
¿Qué tenemos que temer entonces los occidentales?

Los occidentales tenemos que temernos a nosotros mismos, a la debilidad que tenemos y que mostramos. Nuestra sociedad, sobre todo la española, se ha vuelto muy blandita porque se ha acostumbrado a vivir demasiado bien y no nos percatamos de que hay otras sociedades que viven mal y que no tienen el concepto del valor de la vida que tenemos nosotros. Cuando se vive en situaciones precarias se relativiza mucho lo que se hace, aunque la mayor parte de los terroristas tan solo cumplen órdenes de dirigentes.
¿Qué tipo de dirigentes?

Personas que no son pobres como ellos, gente acomodada que actúa por venganza, rencor, revancha y resentimiento personal. Son personas que viven entre nosotros resentidas con la sociedad y que atisban si no hacen algo un futuro frustrado y un presente muy feo.
Pero no todos los resentidos se hacen terroristas.

No, pero sí que vemos que se unen a partidos como Podemos que critican al sistema, algo que por cierto, ya hacían los neonazis.
¡Oiga, no me compare a los terroristas islámicos con Podemos!

No. Podemos es una cosa muy poco seria en origen que puede darnos muchos disgustos en el futuro. ¿Qué se puede esperar de un partido liderado por unos profesores universitarios de tercer nivel que en vez de estudiar se fueron a Venezuela?
Algo habrá hecho mal Occidente para que se dé ese peligroso caldo de cultivo entre los resentidos musulmanes, ¿no cree?

Por supuesto. La retirada colonial de los años 50 dejó un vacío político y administrativo en los países que se hicieron libres que ocupó el Islam desde las mezquitas como fuerza de cohesión. Los europeos se replegaron y renunciaron a su influencia cultural e ideológica en esos países y además la religión cristiana, eje de las políticas europeas, dio paso a movimientos laicos y nos quedamos sin retaguardia moral en la que refugiarnos. Las convicciones religiosas siempre dan seguridad y cohesión a los grupos humanos. A todo esto hay que unir la eclosión demográfica de los países musulmanes que ha sido importada como mano de obra por muchos países de Europa. Tras la guerra del Yom Kippur del 73, muchos países se encontraron con un dinero del petróleo con el que jamás habían soñado, luego pasaron a los flujos financieros y de inversión con Suiza, Inglaterra, Alemania y Estados Unidos y ahora dan la calderilla que les sobra a los radicales. Para un ejército de desarrapados, el dinero que recibe de Arabia Saudí es agua de mayo.
¿De dónde viene esa atrocidad de degollar a las víctimas sin el más mínimo escrúpulo?

De la bestialidad del ser humano. Si no se les diera tanto pábulo en los medios de comunicación, otro gallo cantaría.
Y ahora está internet.

Es cierto. Lo hacen para aterrorizar y someter a la población árabe musulmana que tienen subyugada.
Dicen los expertos que nuestro temor es exagerado, que el odio a muerte es dentro del propio Islam, entre chiitas y suníes…

Será exagerado en Monforte de Lemos donde apenas hay musulmanes, pero no lo es en Granada donde ya hay más de 20.000, o en el Raval de Barcelona donde quieren imponer sus normas. Lo que tenemos que hacer en España es tener cuidado y dejar claro a los musulmanes que tienen que acatar nuestras leyes y nuestra Constitución. Eso es lo que no se hace.
¿Se puede hacer peor de lo que hicieron Bush, Blair y Aznar al liquidar a Sadam Hussein y abrir la caja de Pandora que tantas desgracias nos ha acarreado?

Con la distancia que da el tiempo se pueden hacer todo tipo de juicios. Creo que en esa actuación hubo errores de cálculo y errores de información. Aznar fue víctima de esos errores y los tres actuaron engañados por la CIA. Lo que sí está claro es que Irak empleó armas de destrucción masiva en algún momento, luego accedió al desmontaje de esas armas y no le creyeron. Al trío le metieron un gol, como se lo metieron a Bush el 11-S. Es cierto que Sadam Hussein era una bestia, pero era nuestra bestia, como se soporta al rey de Marruecos porque la alternativa es cruda y es el islamismo radical. En Libia pasó lo mismo porque Gadafi era otra bestia, pero también una pieza clave para la estabilidad en el Mediterráneo. En Egipto, centro del mundo árabe, estaba otro tirano, Mubarak, un ladrón y un abusón, pero que daba cierto equilibrio con Israel y Estados Unidos. En Siria ya vemos lo que está pasando. Bachar al-Asad es otro tirano, musulmán alauí, que se puede llevar bien con los chiíes de Irán antes que con los suníes. Todo ese descontrol ha sido aprovechado por los radicales que dicen: somos musulmanes y vamos a poner el Reino de Alá sobre la Tierra.
Poca solución se ve a semejante lío, ¿verdad?

Tendrá que ser Arabia la que acabe con el califato de EI que tan bien suena en los oídos de un musulmán. Supongo que en esa confrontación será el EI el que salga exterminado.
¿Cómo se puede integrar a los islamistas en nuestro suelo occidental para que acepten las normas de convivencia de los países de acogida?

Obligándoles a cumplir las leyes como las tenemos que cumplir el resto de mortales. No hay fórmulas mágicas.
Pero es que los terroristas surgen de nuestras escuelas y universidades. ¿Por qué no se integran con nosotros?

Porque no les da la gana y porque, insisto, no se les obliga a acatar las leyes. Yo tengo que cumplir las reglas de tráfico y no me siento por ello nada oprimido.
¿Cómo hay que tomarse la amenaza del islamismo radical desde aquí, desde Al-Andalus?

Depende de nosotros y de las ganas que tengamos de garantizar la apertura y la tolerancia de nuestra sociedad que da cabida a todas las religiones. Lo que no tiene que haber cabida es a la intolerancia.
¿Cómo debe comportarse España con nuestro vecino Marruecos para evitar los problemas de la inmigración ilegal, el tráfico de drogas y la reclamación de Ceuta y Melilla que amenazan nuestras relaciones con el mundo musulmán?

El problema de la inmigración pasa por defender seriamente nuestras fronteras. Yo no puedo entrar en Nigeria por donde quiera y sin documentación. Hay que presionar a Marruecos desde la diplomacia porque cuando ayuda en este problema se ven pronto los resultados. Lo que está claro es que en España se trata bien a los inmigrantes. Otra cosa es lo que sucede en Ceuta y Melilla. Hay que hacer ver a Marruecos mediante hechos que son territorios nuestros y eso se hace con más inversión en esas ciudades e impidiendo que la proporción de musulmanes crezca como está creciendo. Los gobiernos españoles han demostrado una gran inopia con este tema. Si no se actúa, la balanza en pocos años puede estar a favor de Marruecos. Donde sí funcionan las relaciones entre España y Rabat es en el tema de la seguridad para frenar el islamismo radical.
Usted afirma que España vive un momento histórico grave porque se están fomentando de forma irresponsable los localismos basados en inventos pseudohistóricos.

Y así es y ¡menos mal que en Andalucía no cuaja de forma seria! Pero ya hemos visto a los catalanes, a los vascos y a los gallegos. En Andalucía es ahora el PSOE el que enarbola la bandera de un nacionalismo artificioso y están como locos buscando hechos diferenciales e incluso los hay independentistas. Hay filólogos que hasta quieren inventar una lengua andaluza. Blas Infante encontraba el hecho diferencial andaluz en que en esa tierra estuvieron los musulmanes.
Juan Goytisolo, flamante premio Cervantes, acaba de escribir que usted ha cambiado de bando y que en las últimas décadas ha puesto su talento al servicio de desmontar el mito de Al-Andalus y de la España de las Tres Culturas.

Esa es la respuesta que ha dado a un artículo que escribí hace unos meses. No me parece que Goytisolo se merezca el Cervantes. Eso es más bien una majadería del secretario de Estado de Cultura, José María Lassalle, un pepero que quiere hacerse el progre por lo que pueda pasar en el futuro.
¿Va por usted eso de que quien abandona una fe tiende con frecuencia a refugiarse en otra y vengarse de su pasado?

Goytisolo nunca ha sido de izquierdas y ha jugado siempre a la ambigüedad. Es un personaje que se aprovecha de España para lo que le conviene y cuando no le conviene la desprecia y dice que le da asco. Siempre ha sido un señorito que ha vivido de hacerse la víctima y de creerse un escritor maldito. ¡No puede darme lecciones de antifranquismo alguien que se ha pasado la vida viviendo en París y Marrackech!
Lo que viene a decir es que usted antes atacaba desde la izquierda y ahora lo hace desde la derecha, ¿no?

Si ser de izquierdas es ponerse tras una pancarta con UGT, CCOO y Podemos, yo no soy de izquierdas. Fui militante del Partido Comunista y no me arrepiento, ni me jacto, ni me avergüenzo. ¡Eso sí! Nunca fui progre ni me sumé al PSOE para buscar una poltrona. No estoy afiliado a ningún partido y resulta que ahora Goytisolo dice que soy facha porque no me trago su bola árabe y su retórica majadera de Américo Castro. Goytisolo, que no lee nada, se ha quedado con Américo Castro y no se entera de nada.
¿Cómo hay que interpretar hoy la afirmación de Américo Castro de que lo español se formó en el crisol de la proximidad-rechazo de las tres castas: cristianos judíos y musulmanes?

Le recomendaría a Goytisolo que leyese a Sánchez-Albornoz. Hoy en día, nadie, ni los historiadores arabistas se creen eso de que Al-Andalus fue un crisol.
¿No era una especie de paraíso?

Fue una época terrorífica y las pervivencias que quedan de ella en España son escasísimas. Como digo esto, Goytisolo siente que le rompo el juguete. También soy crítico con Sánchez-Albornoz porque no creo que lo que somos hoy sea continuidad de la Cueva de Altamira.
¿No venció don Pelayo a los moros en Covadonga?

No sé si se produjo la batalla de Covadonga, lo que sí sé es que en el siglo VIII entraron unos 100.000 árabes en la Península y entre los años 730 y 740 se dieron unas hambrunas tremendas en las zonas de Asturias y Galicia que obligaron a los musulmanes que se habían asentado en el Norte a regresar a su tierra bereber. Fue un éxodo obligado por el hambre más que una heroica batalla de don Pelayo, que desde luego aprovechó esa huida para impulsar la monarquía astur-leonesa.
¿Qué opina entonces de la corriente de intelectuales que idealizan la etapa de Al-Andalus?

Que no saben de lo que hablan.
Son los que ponen a Maimónides como ejemplo de convivencia de las Tres Culturas.

A Maimónides y a Averroes y resulta que los dos fueron personajes perseguidos por los musulmanes. Los que dicen eso no tienen ni idea, son políticos y escritores aficionados como Goytisolo. Maimónides era judío y cuando la ocupación almohade se tuvo que islamizar a la fuerza. Se fue a Marruecos y luego a El Cairo donde vivía como criptojudío hasta que fue procesado por apóstata. Tuvo la suerte de que un amigo suyo le ayudase durante el proceso y le absolviesen. Maimónides maldice en su epístola a los judíos de Yemen al islam y a los cristianos.
¿Hubo armonía o no entre las Tres Culturas?

Nunca hubo armonía, eran tres comunidades yuxtapuestas con intercambios comerciales, económicos y administrativos. Lo que había eran dos culturas y tres religiones porque los judíos tendieron a adoptar la cultura romance o la árabe. Era lo más parecido al Apartheid de Sudáfrica.
Profesor, ¿no se ha pasado usted al decir que si la ablación, una práctica ancestral del Valle del Nilo de la época de los faraones, fuera defendida por todos los árabes las feministas multiculturalistas se apresurarían a calificarla de excelente?

No digo exactamente eso. Lo que creo es que las feministas occidentales tienden a ser grandes defensoras de otras culturas y por razones políticas toman o no partido por una cosa u otra. No les veo alzar mucho la voz por las mujeres cristianas que están matando en Nigeria, pero pronto enarbolan la bandera de la libertad religiosa si a una musulmana no la dejan entrar en un espacio público con el pañuelo puesto por razones de seguridad. Son feministas y progres que tienen una doble vara de medir. ¿Por qué se hace la vista gorda con las niñas españolas que se llevan a Senegal para mutilarlas? Eso hay que perseguirlo penalmente. Las feministas son sumamente laxas para unas cosas y tremendamente intransigentes para otras. En España hace falta un poco más de objetividad.

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Fonte: http://www.laopiniondemalaga.es/sociedad/2015/07/27/epoca-andalus-terrorifica/784091.html

* * *

Não concordo, evidentemente, com a passagem a dizer que o Cristianismo seria (ou deveria ser?) um eixo das políticas europeias ou que constituísse uma retaguarda moral na qual os Europeus pudessem encontrar abrigo, antes pelo contrário. O Cristianismo tem sido na verdade pior que um simples inimigo - funcionou e funciona cada vez mais como um falso abrigo, uma vez que disseminou e ainda fomenta (embora cada vez mais fracamente) a mentalidade universalista, anti-fronteiras, que está na raiz da maior ameaça ao Ocidente. Aliás, todas as igrejas estão na linha da frente do combate universalista, anti-racista, a favor da iminvasão. É verdade, por outro lado, que as convicções religiosas dão segurança e coesão aos grupos humanos. Mas é mesmo a partir daí que se percebe qual foi o maior mal que o Cristianismo fez à Europa, para além da disseminação do universalismo militante e também, note-se, da mentalidade totalitária - o maior mal, ainda assim, foi o de destruir os altares das religiões étnicas europeias, que essas sim, constituíam um verdadeiro bastião identitário. Constituíam e voltam, a pouco e pouco, a constituir, dado que os Paganismos retornam, embora de forma ainda muito limitada.

Quanto ao resto, as palavras do historiador devem ser tão divulgadas quanto possível.

A TURQUIA ESTÁ CONTRA O CALIFADO? NÃO MUITO...

Agradecimentos ao camarada RC por me ter dado a conhecer esta notícia: http://finance.yahoo.com/news/links-between-turkey-isis-now-195700510.html
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Uma incursão dirigida por tropas norte-americanas a um posto do califado ou Estado Islâmico da Síria e do Iraque permitiram a recolha de provas de que há oficiais turcos a manter contactos directos com militantes do dito califado.
Nesta incursão morreu o oficial do califado Abu Sayyaf, responsável por dirigir as operações do petróleo e do gás do califado na Síria. O califado ganha mais de dez milhões de euros por mês ao vender o petróleo no mercado negro. 
Os documentos apreendidos neste ataque indicam ligações «tão claras» e «inegáveis» entre a Turquia e o califado «que poderiam acabar por ter profundas implicações políticas para o relacionamento entre nós (Ianques) e Ancara», segundo o oficial ocidental responsável pela operação declarou à imprensa.
Há muito que a Turquia tem sido acusada por especialistas, pelos Curdos e até por Joe Biden (vice-presidente dos EUA) de apoiar o califado ao fazer vista grossa relativamente ao contrabando de armas e de combatentes na fronteira durante a guerra na Síria, o que terá a ver com a intenção do partido turco no poder, o islamizante AKP, de precipitar a queda do regime do presidente laico Bashar al-Assad. Em Novembro, um ex-membro do califado declarou à imprensa que ao seu grupo era dado livre trânsito pelo exército turco: «comandantes do califado disseram-nos que não tivéssemos medo de nada porque havia total cooperação da parte dos Turcos» (...) «o califado via o exército turco como aliado, especialmente no que tocava a atacar os Curdos na Síria.»
A Turquia chegou até a permitir o estabelecimento por parte do califado de uma presença em território turco. O analista contra-terrorista do Departamento de Tesouro norte-americano, Jonathan Schanzer, explica que «quanto mais tempo isto durar, mais difícil será para os Turcos deitar abaixo [o califado] porque há o risco de um contra-ataque.» «Agora há montes de gente que investiu no negócio do extremismo na Turquia. Se isso começar a ser desafiado, levanta questões significativas se os militantes e os seus benfeitores e outros que ganham com a guerra poderiam tolerar essa alteração.»
Um diplomata ocidental convergiu: «A Turquia está agora numa armadilha - criou um monstro e não sabe como há-de lidar com ele.»
Ancara deteve já quinhentos suspeitos de extremismo nos últimos seis meses; a 20 de Julho, um bombista-suicida matou trinta e dois activistas curdos num atentado levado a cabo no sudeste da Turquia. Subsequentemente houve manifestações nas ruas turcas - de turcos ou de curdos? - para protestar contra a política governamental, que permitiu tal ataque. Entre os brados do protesto ouviu-se «ISIL assassino, AKP colaborador», sendo «ISIL» o Estado Islâmico (Islamic State of Irak and Levant) e AKP o partido islamizante que está no governo turco. O presidente turco, Recep Erdogan, aceitou então colaborar numa campanha norte-americana contra o ISIL, enviando caças de combate para a Síria e permitindo o uso norte-americano de uma base área militar no sudeste turco, importante para o lançamento de ataques contra o califado. Ao mesmo tempo, a Turquia bombardeou também abrigos curdos do PKK no norte do Iraque.



CAMPANHA EUROPEIA PARA PROIBIR TESTES EM ANIMAIS PARA PRODUTOS DE HIGIENE

Organizações de protecção dos animais lançaram ontem uma campanha europeia que visa proibir os testes em animais para produtos de higiene doméstica, uma iniciativa que será desenvolvida em Portugal pela associação Animal.
A campanha promovida pela Coligação Europeia para a Abolição das Experiências com Animais (CEAEA), da qual faz parte a Animal, pretende colocar a questão dos testes em animais para produtos de higiene doméstica na agenda política da União Europeia (UE), tendo como "objectivo final" a "proibição europeia destes testes".
Para isso, pretende angariar o apoio de eurodeputados, da Comissão Europeia e dos Governos dos vários estados-membros, refere a associação portuguesa em comunicado.
A Animal lembra que em Março de 2013, "depois de 20 anos de 'lobbying'", a coligação europeia liderou, com sucesso, a campanha pela proibição do uso de animais em experiências com fins cosméticos na UE.
"O nosso objectivo agora é conseguir o mesmo com os produtos de higiene doméstica", afirma Rita Silva, da Animal, sublinhando que "coelhos, porquinhos-da-índia, hamsters, ratos e outros animais sofrem e morrem para testar ingredientes que todos os dias se usam em detergentes da louça, da roupa, ambientadores e 'sprays' de limpeza para a casa de banho.
Estas experiências incluem testes de toxicidade em que os animais são forçados a engolir altas doses de substâncias tóxicas ou serem expostos a elas.
"Os efeitos vão desde vómitos e convulsões a hemorragias internas e falhas dos órgãos. Mesmo quando o teste em si não é fatal, normalmente os animais são mortos em seguida", alerta a associação.
Rita Silva adianta que o objectivo da campanha é que "a Europa mande uma mensagem aos líderes mundiais e limpe a crueldade, proibindo os testes em animais para estes fins".
Para atingir esse objectivo, as organizações lançaram uma petição e apelam às pessoas que assinem para ajudar "a fazer a diferença nas vidas dos animais que sofrem nos laboratórios".

A petição pode ser assinada em https://www.change.org/p/martin-schulz-the-president-of-the-european-parliament-end-animal-testing-for-household-products

A Animal salienta que, cada vez mais, os grandes vendedores estão a responder positivamente às preocupações dos consumidores nesta matéria.
"Um número crescente de marcas e empresas já estão certificadas com o nosso 'Leaping Bunny', assegurando que nenhum tipo de teste em animais teve lugar para que aquele produto fosse feito, e, além disso, demonstrando que é possível vender produtos destes que são seguros e eficazes sem infligir dor e sofrimento em animais", acrescenta.
A coligação foi formada em 1990 por várias organizações europeias com o intuito de acabar com as experiências em animais com fins cosméticos e actualmente encabeça o 'lobbying' europeu em todas as áreas da experimentação animal.
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Fonte: http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2015-07-28-Campanha-europeia-quer-proibir-testes-em-animais-para-produtos-de-higiene-domestica   (artigo originariamente redigido ao abrigo do acordo ortográfico de 1990 mas corrigido aqui à luz da ortografia portuguesa)

SOBRE OS ARGUMENTOS DAS PRIVATIZAÇÕES E O REAL RESULTADO DAS MESMAS - O POVO ENFRAQUECIDO, A ELITE PLUTOCRÁTICA FORTALECIDA

Fontes: 
 - http://resistir.info/e_rosa/privatizacoes_14abr10.html
 - http://apodrecetuga.blogspot.pt/2015/07/os-falsos-argumentos-para-privatizar.html#.VbkK1rNVhHy
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RESUMO DESTE ESTUDO 

No passado, os governos do PSD e do PS utilizaram diversas razões para justificar, perante a opinião pública, a privatização de empresas públicas. A experiência depois mostrou que essas razões não eram válidas. Neste momento, o governo defende a privatização de mais empresas públicas, com o argumento de que isso é necessário para reduzir a divida pública. No entanto, a experiência e a análise objectiva mostram que não é com a venda de empresas públicas que se consegue reduzir a divida. Muito contrário, até se agrava como se prova neste estudo. 

Entre 1987 e 2008, os governos de Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso e Sócrates, procederam à privatização maciça de inúmeras empresas públicas, obtendo uma receita de 28.039,6 milhões de euros a preços nominais. No entanto, no mesmo período, a Divida Pública passou de 19.049,4 milhões de euros para 110.346,6 milhões de euros, ou seja, aumentou 5,8 vezes (+ 91.297,2 milhões de euros). Até 2013, o actual governo tenciona privatizar totalmente cinco empresas (INAPA, Edisoft, EID, Empordef, Sociedade Portuguesa de Empreendimentos) e parcialmente sete empresas (GALP, EDP, TAP, CTT, ANA, Companhia de Seguros Fidelidade-Mundial e Império-Bonança, e EMEF), e arrecadar desta forma cerca de 6.000 milhões de euros. No entanto, em 2013, o governo prevê no PEC: 2010-2013 que a Divida Pública atinja 89,8% do PIB o que corresponde a cerca de 163.860 milhões de euros, ou seja, mais 53.513,5 milhões de euros do que em 2008, e mais 144.811 milhões de euros do que em 1987. É claro o fracasso desta politica de venda de empresas públicas para resolver o problema do aumento rápido da divida pública. 

Ao vender empresas públicas o Estado perde uma importante fonte de receitas para o Orçamento do Estado. Só no período compreendido entre 2004 e 2008, o Estado recebeu das empresas com capitais públicos que ainda escaparam à fúria das privatizações dos governos PSD, PSD/CDS e PS, de dividendos e de remunerações de capital, 2.251,1 milhões de euros. É uma parcela significativa desta fonte de lucros que o governo de Sócrates pretende agora vender aos grandes grupos económicos. É evidente que, se o Estado abdicar desta fonte importante de receitas, o défice orçamental e a divida pública certamente aumentarão. 

Muitas das empresas privatizadas eram uma fonte muito importante de receitas para o Estado. Apenas três – a GALP, EDP e PT – obtiveram lucros líquidos no período 2004-2009 que somados atingiram 13.384,9 milhões de euros. E estas três empresas valiam, em 12 de Abril, com base no valor de cotação de bolsa, 30.620,2 milhões de euros. Entre 2004 e 2008, oito grupos económicos privados, quatro deles estrangeiros, que controlam já 43% do capital da Portugal Telecom receberam desta empresa 1.330,8 milhões de euros de dividendos. Na EDP, oito grupos privados que controlam 32,96% do capital da EDP receberam 864,6 milhões de euros de dividendos. Na GALP, também entre 2004 e 2009, dois grupos económico, um parcialmente estrangeiro (Amorim energia) e outro totalmente estrangeiro (a italiana ENI), que controlam 66,68% do capital desta empresa, receberam, de dividendos, 1017,4 milhões de euros. 

Face a estes números retirados dos relatórios e contas publicados por estas empresas, as quais representam apenas uma pequena amostra das empresas privatizadas, conclui-se que as privatizações têm representado um fabuloso negócio para os grandes grupos económicos, incluindo estrangeiros, e um mau negócio para o Estado que perdeu assim uma importante fonte de receitas que poderia aliviar as dificuldades orçamentais e reduzir o défice orçamental. 

Alex Jilbeto e Barbara Hogenboom mencionam na obra colectiva Big Business and Economic Development  que se assistiu nas décadas 80 e 90 do séc. XX, em muitos países a um gigantesco movimento de privatizações maciças de empresas públicas, de desregulamentação e de liberalização, iniciado nos EUA de Reagan e na Inglaterra de Tatcher que depois se estendeu a muitos países com o apoio do FMI e do Banco Mundial que deixou o Estado fragilizado, submetido ao poder económico, incapaz de promover o desenvolvimento e o crescimento sustentado, e que conduziu o mundo à primeira grande crise global. Portugal também não escapou àquele movimento, e o actual governo parece não ter aprendido nada com essa experiência e com a actual crise pois tenciona continuar a politica de privatização de empresas públicas.


Os sucessivos governos têm utilizado justificações diversas para privatizar as empresas públicas. Os argumentos utilizados pelos governos de Cavaco Silva e Guterres, assim como pelos defensores das privatizações, eram que as privatizações seriam necessárias para criar grupos nacionais competitivos, o que seria bom para o País, e para aumentar a concorrência interna o que beneficiaria os consumidores porque levaria à baixa de preços. O que efectivamente veio a acontecer foi precisamente o contrário. A maioria das empresas privatizadas acabaram parcial ou mesmo totalmente por cair sob o controlo de grandes grupos económicos estrangeiros, por um lado, e, por outro lado, os preços praticados por essas empresas em Portugal são actualmente superiores aos preços médios da União Europeia (combustíveis, electricidade, telefones, etc.). 

No PEC: 2010-2013 consta a intenção do actual governo de privatizar total ou parcialmente mais 15 empresas (uma parte significativa das que ainda restam). E a justificação agora é que isso é necessário para reduzir a divida pública. Por isso, tem interesse analisar se este argumento tem alguma coisa de verdadeiro É o que se vai fazer seguidamente. 

ENTRE 1987/2008 AS PRIVATIZAÇÕES DERAM AO ESTADO UMA RECEITA DE 28.039 MILHÕES €, MAS A DIVIDA PÚBLICA AUMENTOU 91.297 MILHÕES € (5,8 vezes mais) 

Apesar das privatizações maciças de empresas públicas no período 1987/2008, a Divida Pública não parou de crescer. E de uma forma vertiginosa como revelam os dados oficiais seguintes. 

QUADRO I – Receitas das privatizações e evolução da Divida Pública em Portugal no período 1987/2013 
ANO
Receitas geradas pelas privatizações
Milhões €
DIVIDA PÚBLICA
Milhões euros

GOVERNOS
(que privatizaram)
19874,819.049,4
Cavaco Silva /PSD
19889,122.629,6
Cavaco Silva /PSD
1989393,425.866,6
Cavaco Silva /PSD
1990845,830.631,8
Cavaco Silva /PSD
1991875,838.307,8
Cavaco Silva /PSD
19921.564,039.091,9
Cavaco Silva /PSD
1993401,144.753,9
Cavaco Silva /PSD
1994938,349.081,6
Cavaco Silva /PSD
19951.814,254.379,0
Cavaco Silva /PSD
19962.415,257.332,8
Guterres/PS
19974.324,654.920,8
Guterres/PS
19983.853,255.485,2
Guterres/PS
19991.607,958.695,0
Guterres/PS
20003.344,561.746,4
Guterres/PS
2001555,668.404,1
Guterres/PS
2002260,475.301,0
Barroso-PSD/CDS
2003164,078.852,9
Barroso-PSD/CDS
2004953,084.026,5
Barroso-PSD/CDS
2005647,794.842,5
Sócrates - PS
20061.469,6100.573,6
Sócrates - PS
20071.440,6103.700,8
Sócrates - PS
2008157,0110.346,6
Sócrates - PS
Receitas Totais já obtidas, privatizações 1987-200828.039,6
Aumento Divida 1987/2008, em % e em Milhões €479,3%
( +91.297,2 Milhões €)
2013 (Previsão: 89,8% do PIB, PEC:2010/2013)163.860
Sócrates - PS(?)
Receitas Privatizações previstas, 2010-20136.000,0
Sócrates - PS(?)
Receitas Totais Privatizações, 1987/201334.039,6
Aumento Previsto Divida Pública, 1987/2013 (%)+760,2%
Aumento Divida Pública 1987-2013, em Milhões €+144.810,6
Fonte: Divida Pública: 1987/1996 : Relatório OE1997; 1997/2008: Eurostat; 2009/2013: PEC:2010-2013
Receitas das privatizações – Sector Empresarial do Estado - Direcção Geral do Tesouro - MFAP

As privatizações realizadas no período 1987/2008, pelos governos de Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso e Sócrates, deram uma receita ao Estado que, de acordo com dados divulgados pela Direcção Geral do Tesouro do Ministério das Finanças, atingiu, a preços correntes, 28.039,6 milhões de euros, Durante esse período, isto é, entre 1987 e 2008, a Divida Pública passou de 19.094,4 milhões de euros para 110.346,6 milhões de euros também a preços correntes, ou seja, aumentou 5,8 vezes (mais 91.297,2 milhões de euros).

Apesar destes resultados, e de ser claro que não é através da venda, muitas vezes aos desbarato, de empresas públicas a grandes grupos económicos que se resolve o problema da divida pública, o actual governo anunciou, no PEC:2010-2013, a intenção de proceder a uma nova vaga de privatizações. Pretende arrecadar desta forma mais 6.000 milhões de euros. Mas apesar desta receita o governo também prevê, no PEC: 2010-2013, que a Divida Pública atinja, no fim de 2013, 89,8% do PIB o que deverá corresponder a cerca de 163.860 milhões de euros, ou seja, mais 53.513,5 milhões de euros do que em 2008, e mais 144.811 milhões de euros do que em 1987. É claro o fracasso desta politica de venda de empresas públicas para reduzir a divida.

AO VENDER AS EMPRESAS PÚBLICAS O ESTADO PERDE UMA IMPORTANTE FONTE DE RECEITA

O quadro seguinte, com dados da publicação "Sector Empresarial do Estado " da Direcção Geral do Tesouro do Ministério das Finanças revela que as empresas públicas, apesar das privatizações maciças, ainda são uma importante fonte de receitas para o Orçamento do Estado.

QUADRO II – Dividendos e remunerações de capital estatutário recebidos pelo Estado das empresas com capitais públicos 
ANO
Milhões euros
2004
482,7
2005
120,2
2006
532,8
2007
556,3
2008
559,0
SOMA
2.251,1
Fonte: Sector Empresarial do Estado -2005-2009 - Direcção Geral do Tesouro

Só no período 2004´-2008, o Estado recebeu das empresas com capitais públicos que ainda escaparam à fúria das privatizações dos governos PSD, PSD/CDS e PS, de dividendos e de remunerações de capital, 2.251,1 milhões de euros. É uma parcela significativa desta fonte de lucros que o governo de Sócrates pretende agora vender aos grandes grupos económicos. É evidente, que o Estado se vender esta fonte importante de receitas, o défice orçamental e a divida pública certamente aumentarão. E tenha presente que é uma fonte continua de lucros e não apenas num ano. É como "matar a galinha de ovos de ouro" da fábula popular.

SÓ A EDP, GALP E A PORTUGAL TELECOM DERAM AOS SEUS ACCIONISTAS 13.384,9 MILHÕES € DE LUCROS LIQUIDOS EM 6 ANOS E VALIAM NA BOLSA, EM ABRIL DE 2010, 30.620,2 MILHÕES €

Para que fique claro como tem sido utilizadas as empresas publicas que foram privatizadas, vamos analisar três casos paradigmáticos: EDP, GALP e PT. O quadro seguinte construído com dados constantes dos seus Relatórios e Contas mostra de uma forma clara como elas estão a ser utilizadas pelos grupos económicos para acumular riqueza.

QUADRO III – Lucros Líquidos e capitalização bolsista da EDP, GALP e PT 
ANOS
LUCROS LIQUIDOS - milhões €
EDP
GALP
PT
2004271,6331,1623,0
20051.971,1442,0654,0
2006940,8754,8866,8
2007907,3776,6741,9
20081.212,0116,9576,1
20091.168,0347,0683,9
SOMA LUCROS LIQUIDOS (2004/2009)6.470,82.768,44.145,7
CAPITALIZAÇÃO BOLSISTA
(Valor da empresa calculada com base na cotação da bolsa de 12/04/2010)
11.866,211.232,37.521,7
Fonte: Relatórios e Contas -2004/2009, e informação disponível no "site de cada empresa 

Em seis anos, os lucros líquidos da EDP somaram 6470,8 milhões de euros; a GALP, no mesmo período, obteve 2.768,4 milhões de euros de lucros líquidos, e a Portugal Telecom 4.145,7 milhões de euros. Só estas três empresas que foram privatizadas deram, no período 2004/2009, lucros líquidos que somaram 13.384,9 milhões euros. Por esta pequena amostra fica-se já com uma ideia clara da importância como fonte de receitas para o Estado que eram estas empresas. E elas são apenas três de um conjunto grande de empresas públicas que foram privatizadas pelos governos de Cavaco Silva, Guterres, Durão Barroso Sócrates. Basta lembrar toda a banca e seguradoras, com poucas excepções, que foram também privatizadas que constituem actualmente para os grupos económicos, incluindo estrangeiros, um instrumento importante de exploração e de acumulação de riqueza. Só a PT distribuiu aos seus accionistas, no período 2004/2009, dividendos no valor de 3102,2 milhões de euros. E cerca de 43% desses lucros foram parar às mãos de apenas 8 grupos económicos, sendo metade estrangeiros. 

QUADRO IV – Lucros da PT no período 2004/2009 distribuídos, sob a forma de dividendos, aos grupos económicos 
PRINCIPAIS ACCIONISTAS
(grupos económicos)
% Capital da PT pertencente aos grupos económicos
Dividendos recebidos pelos grupos económicos
Milhões €
Dividendos recebidos por grupos estrangeiros
Milhões €
Telefónica (Espanhola)10%310,2310,2
Brandes Investments7,52%233,3233,3
Grupo BES7,99%247,9
Ongoing S. Inv.8,74%271,1
Grupo Visabeira2,01%62,4
Black Rock2,35%72,972,9
Controlinvest2,28%70,7
Norges BanK2,01%62,462,4
8 GRUPOS PRIVADOS43%1.330,8678,8
CGD7,30%226,5
Fonte: Relatórios e Contas da PT e informação disponível no seu sítio web

Portanto, oito grandes grupos económicos privados, sendo quatro estrangeiros, receberam dividendos da Portugal Telecom no valor de 1.330,8 milhões de euros (deste total 678,8 milhões de euros de dividendos foram recebidos por grupos económicos estrangeiros). O accionista Estado, por possuir, através da CGD, uma participação de apenas 7,3% recebeu somente 226,5 milhões de euros de dividendos. Situação semelhante também se verificou na GALP e na EDP, assim como em todas as outras empresas que foram privatizadas, as quais deixaram de ser fonte de receitas para o Orçamento do Estado, e passaram a ser para os grupos económicos privados um instrumento importante de acumulação de riqueza e de domínio sobre o poder politico.

QUADRO V – Lucros da EDP e da GALP no período 2004/2009 distribuídos, sob a forma de dividendos, a grupos económicos 
EDP
GALP
Accionistas
% Capital
da EDP
Dividendos recebidos
Milhões €
Accionistas
% Capital
da GALP
Dividendos recebidos
Milhões €
Iberdrola9,50%249,2Amorim Energia33,34%508,7
Caja Ahorros Astúrias5,01%131,4ENI33,34%508,7
Jose Mello, SGPS4,82%126,42 GRUPOS PRIVADOS66,68%1017,4
Grupo BCP3,39%88,9
BES3,05%80,0
Picket Asset Management2,86%75,0
Sonatrach2,33%61,1
International Petroleum Investments2,00%52,5
8 GRUPOS PRIVADOS32,96%864,6
PARPÚBLICA20,49%537,5PARPÚBLICA7,00%106,8
CGD9,50%249,2CGD1,00%15,3
ESTADO29,99%786,7ESTADO8,00%122,1
Fonte: Relatórios e Contas - 2005-2009 - EDP e GALP

Entre 2004 e 2009, na EDP oito grupos económicos privados (Iberdrola, Caja Ahorros Astúrias, José de Mello, BCP, BES, PAM, PIPIC), receberam 864,6 milhões de euros de dividendos e na GALP, durante o mesmo período, dois grupos económicos privados (Amorim Energia e a italiana ENI) receberam também de dividendos 1017,4 milhões de euros. O Estado, devido às participações que ainda tem nestas duas empresas, através da PARPÚBLICA e da CGA, recebeu na EDP 786,7 milhões de euros de dividendos, e na GALP 122,1 milhões de euros no período 2004 e 2009. Mas é uma parte destas participações já minoritárias que, apesar de tudo, ainda dão elevados lucros, que o actual governo pretende privatizar até 2013.
Finalmente há ainda um outro aspecto que interessa também referir. É o valor actual destas três empresas com base no valor de bolsa. De acordo com as cotações da bolsa de 12.4.2010, só estas três empresas (EDP, GALP, PT) valiam 30.620,2 milhões de euros (quadro I), portanto certamente um valor muito superior ao obtido pelo Estado com a sua privatização.
Não resta dúvida que os grupos económicos fizeram um grande negócio com a privatização destas três empresas. Elas são uma fonte permanente de elevados rendimentos anuais para eles, por um lado, e, por outro lado, quando quiserem vender obterão por elas certamente um valor gigantesco. Para a maioria da população as privatizações das empresas publicas, transformou estas em instrumentos importantes de exploração a que está submetida, através dos preços elevados que têm de pagar pelos bens essenciais produzidos por essas empresas.

UMA ONDA DE LIBERALISMO E DE PRIVATIZAÇÕES QUE ATINGIU E AINDA ATINGE PORTUGAL

Alex Jilbeto e Barbara Hogenboom na obra colectiva Big Business and Economic Development  verificam que nas décadas 80 e 90 do séc. XX se assistiu, em muitas partes do mundo, a um gigantesco movimento de privatizações maciças de empresas públicas, acabando muitas destas empresas por serem adquiridas imediata ou pouco tempo depois por grupos multinacionais. Só entre 1988 e 1995, estes autores calcularam que num total de 88 países desenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, cerca de 3.801 empresas públicas acabaram por serem vendidas a grupos multinacionais. Isto também se verificou em Portugal.
Este movimento global de privatizações em larga escala, de desregulamentação e de liberalização económica e financeira, que se verificou inicialmente nos EUA com Reagen e na Inglaterra com Tatcher, que rapidamente se alastrou por quase todo o mundo, apoiada pelo FMI e pelo Banco Mundial, com base nos mitos da auto-regulação e da eficiência dos mercados, como os instrumentos mais adequados para fazer uma afectação eficiente dos recursos e para garantir um crescimento económico elevado, deixou os Estados, os países e as populações totalmente indefesas, mas permitiu aos grandes grupos multinacionais consolidar o seu domínio à escala global, e impor uma globalização capitalista que agravou as desigualdades a uma escala nunca antes vista, e que conduziu o mundo capitalista a uma das suas maiores crises da sua história.
Portugal não conseguiu escapar a esta onda de neoliberalismo, de desregulamentação, de privatizações maciças, sendo os sucessivos governos meros instrumentos desta politica neoliberal global, que aumentou o poder dos grandes grupos económicos no nosso País deixando o Estado profundamente enfraquecido, submetido ao poder económico e incapaz de defender os interesses da população trabalhadora e de promover o desenvolvimento e o crescimento económico sustentado. Infelizmente, o actual governo parece não ter aprendido nada com a experiência do passado e com a grave crise actual, e teima em continuar a politica de privatizações que não resolve os problemas, até os agrava e enfraquece ainda mais o poder de intervenção do Estado.

O governo actual ao tencionar continuar a politica de privatizações, significa que Estado vai abdicar de um instrumento importante de politica económica e de defesa dos interesses da população e do País, ficando ainda mais à mercê e submetido ainda mais ao poder dos grandes grupos económicos, permitindo a estes controlarem os instrumentos mais importantes no mundo actual, por um lado, para imporem um crescimento económico de acordo com os seus interesses e, por outro lado, para submeterem a maioria da população a uma exploração desenfreada com base em preços leoninos de bens essenciais, como são a electricidade, os combustíveis, as telecomunicações, etc., que se assiste neste momento em Portugal. 

Por Eugénio Rosa, economista, em 2010. 

De há cinco anos para cá não parece que a coisa tenha melhorado, muito antes pelo contrário, enquanto o povo, os Povos, não se revoltam.