quinta-feira, setembro 16, 2004

A RAÇA BRANCA, A MISTURA RACIAL E A SIDA

Mais um motivo, a somar aos outros, para evitar a mistura racial.

Estudo: Porque são os Caucasianos Menos Susceptíveis à SIDA?

Uma equipa de investigadores nova-iorquinos pode ter encontrado a explicação para o facto de, nos EUA e Europa, a transmissão heterossexual do VIH ser rara entre caucasianos e mais comum entre asiáticos e indivíduos de ascendência africana.
O Dr. Harold Burger e sua equipa do Wadsworth Laboratory, sito em Albany, estado de Nova Iorque, encontraram um conjunto de diferenças genéticas estatisticamente significativas entre mulheres americanas infectadas e não infectadas. O seu estudo incidiu sobre 2047 mulheres seropositivas, comparadas com um grupo de 558 mulheres de idades e etnias similares mas seronegativas. Foi isolada uma mutação genética que havia sido previamente associada a protecção contra a infecção pelo VIH, em homens.
O gene mutado, denominado delta-32, quando herdado de ambos os progenitores, codifica para um receptor, neste caso anormal e protector, chamado ccR5, situado à superfície das células individuais. Uma vez que o VIH não consegue reconhecer a forma mutada deste receptor não consegue infectar a célula. Alguns indivíduos herdam o gene de apenas um dos progenitores e podem ser infectados com VIH, mas alguns estudos realizados em indivíduos do sexo masculino indicam que estes são menos susceptíveis ao aparecimento de SIDA após infecção pelo vírus.
O estudo de Burger é o primeiro a examinar um largo grupo de mulheres em busca do gene e a comparar estas mulheres segundo a sua raça. No final, o estudo revelou que a probabilidade de encontrar o gene protector delta-32 era duas vezes superior nas mulheres não infectadas comparativamente às infectadas. Segundo Burger, “Isto é muito simples. O gene na sua forma heterozigótica (herdado apenas de um progenitor) confere apenas protecção parcial contra o VIH. Portanto, se o possuirmos estamos parcialmente protegidos. Se fizermos parte de um grupo populacional que não dispõe de tal protecção genética corremos maior risco.”
As mulheres caucasianas apresentam a forma heterozigótica do gene delta-32 muito mais frequentemente do que as de raça negra. Cerca de 1,2 por cento de todas as caucasianas seronegativas são portadoras do gene mutado. Apenas 0,6 por cento das mulheres caucasianas infectadas são portadoras. No entanto, apenas 0,2 por cento das mulheres afro-americanas seronegativas são portadores do gene delta-32. Entre as seropositvas a frequência do gene mutado é de apenas 0,1 por cento.
Numa apresentação, na quarta-feira, na nona Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, Burger afirmou, “Estas conclusões apoiam as previsões matemáticas que indicam que uma baixa frequência da forma delta-32 em indivíduos não caucasianos pode tronar estas populações vulneráveis a epidemias maiores e mais explícitas de VIH. E pode, em parte, explicar a rápida progressão da doença na Ásia e África.”
Newsday (New York) (02.28.02)::Laurie Garrett


Fonte: http://www.aidsportugal.com/article.php?sid=1303



Outro texto, desta feita em Inglês, informa que a característica genética que concede a imunidade ao vírus do sida já se desenhava nas veias germânicas há milhares de anos:

Bronze Age link to AIDS
By Leigh Dayton, Science writer
July 15, 2004
DNA extracted from the bones of ancient Germans reveals that a genetic mutation that protects against HIV/AIDS first appeared in the Bronze Age.
Just why the mutation existed 3000 years before the emergence of the modern scourge remains a riddle, says the leader of the team that discovered the unexpectedly old lineage of the mutation, known as R5.
Today, one in five Europeans carry R5, with lower percentages in caucasian populations worldwide, including Australia.
According to Susanne Hummel, a molecular anthropologist with the University of Gottingen in Germany, R5 probably appeared as a result of random genetic changes and selective pressure from a disease associated with rheumatoid arthritis.
"But that's just a speculation," said Dr Hummel, who presented her team's findings yesterday at DNA7, an international conference on ancient DNA held at the University of Queensland.
Previously, scientists suggested that R5 arose in the Middle Ages and protected people from either smallpox or the Black Death, bubonic plague.
But Dr Hummel and her colleagues found the protective mutation in four of 17 skeletons from a burial site in Lichtenstein Cave.
The skeletons were among a collection of 40 - dating to about 900BC - excavated by Stephan Flindt, a government archaeologist.
Further genetic analysis showed that the mutation had to be "much older" than 3000 years, said Dr Hummel whose group also studied genetic material from 72 skeletons exhumed from four 14th-century German burials.
Those graves included a mass grave for victims of the Black Death, a famine mass grave and two "control" burial sites not associated with disease or famine.
The mutations appear to either prevent infection altogether or slow the progression of AIDS symptoms.


Fonte:
http://www.theaustralian.news.com.au/common/story_page/0,5744,10139457%255E23289,00.html


E agora, algo de quase completamente diferente... fala-se do surgimento em Portugal de uma variante do sida, vindo da África negra. Notícia retirada do Forum Nacional, por sua vez retirada da Sic Online:

NOVO VÍRUS DA SIDA

Mutação do vírus VIH-1 pode ter origem em Portugal
7 de junho 2001
Uma equipa da Faculdade de Farmácia de Lisboa e do Instituto Superior de Ciências da Saúde descobriram uma variante do vírus da Sida VIH-1 que terá origem em Portugal, divulgou hoje o semanário Expresso.
Efeito da mistura entre raças, a nova espécie do VIH-1 chama-se GB, pois resulta da combinação genética de dois tipos do vírus: o B e o G. O tipo B é o mais frequente em Portugal e nos restantes países europeus enquanto o tipo G está mais disseminado em países como o Senegal, Togo, Gana, Nigéria ou República Centro Africana.
"O vírus G terá chegado a Portugal através da imigração da Guiné-Bissau, de guineenses ou de outras nacionalidades próximas", disse o coordenador da equipa ao Expresso.
O novo vírus só foi ainda encontrado em Portugal e na Galiza, para onde se desconfia ter sido exportado por toxicodependentes portugueses.
Segundo o geneticista Nuno Taveira, coordenador da equipa de investigação, esta variante terá sido desenvolvida por contacto sexual, na zona do Intendente, em Lisboa. "A primeira pessoa que sabemos ter sido recombinante foi uma toxicodependente portuguesa, branca, que se prostituía. Terá provavelmente sido infectada por um cliente que tinha contacto com outra prostituta africana, que são bastantes naquela zona", explicou.

Uma variante misteriosa
Os investigadores estão ainda longe de concluir os estudos e pouco sabem sobre o vírus para além do nome. Não sabem se é mais forte que os outros, se é mais ou menos resistente aos medicamentos ou se é mais ou menos activo no organismo, pois ainda não foi acompanhado nenhum caso clínico.
Mas duas coisas já sabem: uma "pista" e uma consequência. Sabem que a nova variante é muito difícil de detectar e que muitas vezes as análises ao vírus VIH-1 nem chegam a revelar a sua presença. Sabem também que esta descoberta vai ter influência na criação da vacina contra a Sida, que terá também de ter em conta esta variante.
"Já avisámos os laboratórios, agora esperamos que os norte-americanos nos ajudem a estudar esta nova espécie", declarou o investigador.
A primeira divulgação deste estudo junto da comunidade científica internacional foi feita hoje em Edimburgo, na Escócia, na 6ª Conferência de Sida Experimental.