«NO JAPÃO, NÃO HÁ NEM MESQUITAS NEM MUÇULMANOS»
É o que se ouve por aí e não corresponde à verdade. Brota facilmente das mais ingénuas e indignadas mentes nacionalistas. Sucede demasiadas vezes que no nacionalista mora uma mistura de temor com raiva diante da ideia de que uma tribo alógena pode estar a ser mais forte do que a sua - facilmente diz o nacionalista «aqueles é que a levam direita!, enquanto nós somos para aqui uns pamonhas e estamos em risco de ficar para trás!» Na mente do mais ingénuo nacionalista, urge portanto fazer mais para defender a sua gente, e para não ficar atrás do alógeno, ao mesmo tempo que o exemplo do alógeno «que a leva direita!» serve para galvanizar o seu próprio povo na medida em que explica aos seus compatriotas que o mundo é mesmo assim, torna-se necessário usar a força, e quem o não fizer anda fatalmente enganado.
Ora a verdade é que, neste momento, as elites reinantes são basicamente iguais em todo o mundo, mais coisa menos coisa. No Japão também está a ser assim. Não foi por acaso que há uns anitos a Miss Japão foi uma jovem mulata (filha de soldado afro-americano com mulher japonesa), o que se afigurava altamente improvável no País do Sol Nascente, e suscitou viva indignação pública, mas lá que aconteceu, isso aconteceu, e não caiu do ar, alguém por lá o decidiu.
Neste momento, já há em solo japonês pelo menos 160 mesquitas e cerca de quatrocentos mil muçulmanos. O número destes últimos duplicou em cerca de cinco anos, devido à imigração oriunda do terceiro-mundo. A grande maioria dos muçulmanos no Japão é de origem indonésia; há, entretanto, cerca de cinquenta e cinco mil japoneses de origem que se converteram ao Islão, na maior parte dos casos são mulheres que se tornam muçulmanas por se casaram com imigrantes muçulmanos. Também há alguns homens japoneses que se convertem ao Islão por se casarem com mulheres imigrantes. Há, como resultado dos casamentos mistos, pelo menos vinte e cinco mil crianças mestiças, que contam automaticamente como muçulmanas.
Em Portugal a presença muçulmana é proporcionalmente maior, note-se.


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