terça-feira, julho 28, 2026

DISTRIBUIÇÃO DA RAÇA BRANCA AO NÍVEL PLANETÁRIO NO SÉCULO



Vejamos o que diz a IA sobre este mapa (texto da IA colocado aqui a itálico):
Este documento é um mapa etnográfico do mundo intitulado "Prospetto di tutte le razze del globo e loro fogge di vestire" e foi publicado no ano de 1853. [1]
Detalhes Históricos do Mapa
  • Origem: Foi produzido em Milão, Itália, pela editora Litografía Corbetta.
  • Autores: Teve a colaboração de F. Corbetta, Giuseppe Civelli e Paolo Bezzera.
  • Contexto: A obra servia para acompanhar o livro educativo "La geografia a colpo d'occhio: ossia primarie nozioni di geografia storica e statistica". [1]
Este tipo de mapa reflete a visão antropológica e as teorias raciais do século XIX, ilustrando a distribuição das populações pelo globo e os seus trajes típicos da época. [1, 2]
A ausência de população branca na América do Sul neste mapa deve-se ao facto de, no século XIX, os cartógrafos europeus mapearem o mundo com base nas populações nativas originais (indígenas) e não nas vagas de colonização recentes.
Esta abordagem baseava-se em critérios específicos da época:
  • Foco no "Estado de Natureza": Os cientistas e cartógrafos do século XIX procuravam classificar a humanidade segundo a sua distribuição geográfica ancestral. Para eles, a população de origem europeia na América do Sul pertencia à "Raça Caucásica", cujo "berço" ou território original mapeado era a Europa.
  • Teorias de Classificação Antiga: Este mapa baseia-se fortemente em modelos como o de Johann Friedrich Blumenbach (pt.wikipedia.org), que dividia a humanidade em cinco grandes grupos taxonómicos associados a continentes fixos. Sob essa lógica, a América pertencia exclusivamente à "Raça Americana" (indígena) e a África à "Raça Negra". [1]
  • Demografia da Época: Embora a colonização portuguesa e espanhola já durasse há séculos, a grande vaga de imigração europeia em massa para o Brasil (en.wikipedia.org) (com a chegada de milhões de italianos, alemães e espanhóis) só ganhou verdadeira expressão demográfica a partir das décadas de 1870 e 1880, ou seja, anos após a publicação deste mapa em 1853. [1]
  • Percepção de Miscigenação: Muitos relatos europeus do século XIX viam a população colonial da América Latina como profundamente misturada (miscigenada (en.wikipedia.org)), preferindo focar a sua categorização "pura" nas tribos indígenas que ainda habitavam ou dominavam visualmente o interior do continente. [1]
A inclusão de população branca (cor azul/"Raça Caucásica") no leste da América do Norte deve-se ao facto de, a partir de meados do século XIX, os cartógrafos europeus considerarem que aquela região já tinha sido "substituída" e permanentemente integrada na órbita civilizacional e demográfica da Europa.
A diferenciação que os autores italianos fizeram entre as duas Américas baseou-se nos seguintes critérios ideológicos e políticos da época:
  • Soberania e Independência Anglo-Saxónica: Os Estados Unidos tornaram-se independentes em 1776 e, por volta de 1853, já se tinham afirmado como uma potência global emergente industrializada, governada e habitada predominantemente por populações de origem britânica e germânica. Para a mentalidade eurocêntrica do século XIX, o leste dos EUA já não era visto como uma "colónia", mas sim como uma extensão direta da própria civilização europeia ocidental.
  • Marginalização Demográfica dos Nativos: No leste da América do Norte, as populações indígenas americanas foram sistematicamente dizimadas ou empurradas para o oeste através de violentas políticas de deportação (como a Lei de Remoção de Índios (pt.wikipedia.org) de 1830). Como o mapa mostra a "distribuição actual" na época (1853), os autores pintaram o leste de azul porque os povos nativos já quase não existiam ali em termos numéricos.
  • A Visão Europeia sobre a América Latina: Em contraste, o Brasil e a América do Sul eram vistos na Europa como territórios de fronteira geográfica onde o interior profundo permanecia sob controlo ou forte presença de povos indígenas (daí a cor castanha da "Raça Americana"). Além disso, as elites europeias da época olhavam para as novas repúblicas hispânicas e para o Império do Brasil como sociedades maioritariamente miscigenadas (en.wikipedia.org) (com fortes componentes indígenas e africanas), recusando-se a classificá-las como "puramente" caucásicas, ao contrário do projeto de segregação estrita que observavam nos EUA.
Em suma, o mapa não é um reflexo demográfico rigoroso, mas sim um espelho dos preconceitos do racismo científico do século XIX, que considerava certas colónias de povoamento anglo-saxónicas como "Europa" e as regiões de forte herança indígena e africana como mundos à parte.
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É interessante que os autores «eurocêntricos» considerassem o Médio Oriente e até a Índia como pertencentes à raça caucasóide ou branca.