SOBRE A GENÉTICA DE PORTUGAL E DAS DEMAIS NAÇÕES EUROPEIAS
Agradecimentos a quem aqui trouxe este texto, que vou colocar a itálico, fazendo depois comentários a escrita normal:
Vou deixar aqui umas referências a 2 estudos que podem interessar a quem quiser ler, o primeiro, do Gretzinger 2025, um gráfico de Admixture interessante, como se sabe os povos europeus são na sua essência a famosa mistura de três populações antigas (WHG, Yamnaya e os Neolithic Farmers), dentro da mesma, o estudo identifica componentes genéticos modernos que dominam em determinadas populações.
O componente que domina nos portugueses é classificado neste estudo como Continental Southern European (CWE), também domina nos espanhóis, franceses, sardos/sardenhos e bascos, mas sobretudo nos sardenhos, se é verdade que os europeus todos partilham estes segmentos, nuns mais, noutros menos, noto que os portugueses têm praticamente os quase os mesmos componentes que os franceses, terem parecidos aos espanhois não é surpresa, como é natural, dos franceses a similaridade é notável. Componentes por ordem do que mais têm os portugueses: 1º Continental Southern European (que domina nos sardenhos, espanhois, franceses e em nós) 2º Western British Irish (WBI) que domina nos irlandeses, escoceses etc, 3º "West Asian" (WAS) que não é bem west asian, mas que domina nos gregos, cipriotas etc 4º Continental Northern European (CNE) que domina nos dinamarqueses e norte alemães, 5º Norse (nórdico NOR) que domina nos suecos e noruegueses. O resto é residual ou não tem expressão, baltico etc, não marcamos adn subsariano.
Imagem do estudo: https://postimg.cc/CzKV9wXj
Portugal é o país do sul da Europa, só atrás da França, com mais adn nórdico ou germânico, o que não é uma surpresa, mas ao mesmo tempo acaba por ser.
Fonte da imagem acima e do estudo:
https://www.nature.com/articles/s41586-025-09437-6
O segundo estudo, é este: "As origens do consumo do leite cru na Península Ibérica e no território português: Arqueogenética e Zooarqueologia" https://ophiussa.letras.ulisboa.pt/index.php/ophiussa/article/view/193
Mostra que apesar de haver produções e consumos de leite desde tempos muito antigos, a tolerância à lactose (mutação genética que permite a mesma) em Portugal, e em linha com o resto da Europa só se tornou mais comum na idade média, a primeira amostra encontrada com LP (tolerância) na Península Ibérica foi na idade do Bronze, e em Portugal a 1º amostra é do período romano. Claro que isto vale o que vale, porque depende do nº de amostragem.
Ao contrário do que algumas agendas diziam, não existe adn subsariano nos portugueses, ou é considerado ruído 0-1, os portugueses são 55% Neolithic Farmer, 30-35% Steppe Yamnaya, 10-12% WHG e depois têm 5% de adn proto-berber, isto é os valores médios nacionais. No passado, tentavam dizer que os portugueses tinham adn subsariano, porque tinham encontrado marcadores de Mtdna como L em Portugal, só que uma linhagem de mtdna não é sequer 1% do adn de alguem (mas isto não explicavam isto como é obvio), diz-te pouco ou nada sobre mistura genética (autosomal) que é todo o adn. CAPA DE JORNAL: «os portugueses e os espanhois têm adn subsariano» Nada mais falso, porque primeiro isso não é sequer 1% do adn de alguem, é uma linhagem uniparental, nem é 0,5% do adn de alguem, segundo, nem todos os marcadores L (mtdna) são subsarianos, uns existem nos berberes, outros existem localmente nos europeus, terceiro, não só já foi encontrado em toda a Europa (até na Noruega, Russia, Inglaterra), como se provou que entrou na peninsula ibérica há milhares e milhares de anos atrás, o que também desmistificou parte de outro mito, só que nada disto foi explicado às pessoas, nem isto que se veio a descobrir depois: 1) http://dienekes.blogspot.com/2018/01/eurasian-origin-of-mtdna-l3-and-y.html Ou isto 2): https://postimg.cc/d7mQ3xns
O estudo do Gretzinger 2025, à semelhança do também recente estudo do John Lerga-Jaso (2025): https://postimg.cc/Yhzw1WYZ
ambos adn autosomal, mostra os componentes ancestrais (WHG, Steppe, Ymanya etc que dominam nos europeus) distribuídos por marcadores modernos e que dominam em determinadas regiões, neste caso do Gretzinger deu-lhe uma distribuição regional: CWE, NOR, WBI etc. Por exemplo na imagem do Gretzinger os portugueses não estão a marcar o proto-berber, que têm 5%, porque não existe uma amostra de tal, mas ele existe como podes ver no do Lerga Jaso, ou seja, esse valor estará certamente dentro do WAS ou assim. Já amostra subsariana (para comparar) existe no estudo, e como se pode ver os portugueses marcam zero, o que está em linha com outros estudos recentes: Claire 2019: https://postimg.cc/DSv4g7Xx
ambos adn autosomal, mostra os componentes ancestrais (WHG, Steppe, Ymanya etc que dominam nos europeus) distribuídos por marcadores modernos e que dominam em determinadas regiões, neste caso do Gretzinger deu-lhe uma distribuição regional: CWE, NOR, WBI etc. Por exemplo na imagem do Gretzinger os portugueses não estão a marcar o proto-berber, que têm 5%, porque não existe uma amostra de tal, mas ele existe como podes ver no do Lerga Jaso, ou seja, esse valor estará certamente dentro do WAS ou assim. Já amostra subsariana (para comparar) existe no estudo, e como se pode ver os portugueses marcam zero, o que está em linha com outros estudos recentes: Claire 2019: https://postimg.cc/DSv4g7Xx
Mas calma, o estudo diz que o L é subsariano, ainda que se tenha desenvolvido na Europa.
Sim e não, parte do L como o L3 etc é de origem eurasian, como podes ler: http://dienekes.blogspot.com/2018/01/eurasian-origin-of-mtdna-l3-and-y.html E parte das outras linhagens do L (L1, L2) entraram na Europa há imenso tempo e divergiram das que dominam nos SSA.
Ou seja, no passado quando diziam que Portugal marcava 5% mtdna subsariano L, e recordo que isto diz pouco ou nada sobre mistura, porque nem é 1% do adn de pessoa x, na verdade era menos de metade disso: https://postimg.cc/fkvWDpy1
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Não encontrei neste estudo
https://www.nature.com/articles/s41586-025-09437-6
https://www.nature.com/articles/s41586-025-09437-6
a primeira imagem, a de cima, que mostra as diferentes componentes genéticas dos países europeus, mas não me custa acreditar que corresponda à verdade, depois de todos os anteriores estudos que têm sido revelados aqui ao longo das décadas.
Que os Portugueses tenham mais «sangue» norte-europeu que os demais países do sul europeu, tirando a França, que nem é bem sul, não me surpreende, desde a infância que tenho essa impressão, mormente no que respeita à comparação do modo de estar dos Portugueses com o de «Espanhóis» e italianos», mas, muito mais do que isso, pela diferença dos sons dos idiomas, dado que a sonoridade lusa é geralmente considerada como semelhante à dos países de leste, ou seja, a gentes do «frio», mais fechadas e sóbrias, em contraste com a abertura de sons das gentes meridionais.
Quanto ao elemento da Ásia Ocidental (AO), é curioso que haja mais em Portugal do que em «Espanha», imagino que a cifra referente a este último país seja uma média nacional, pois que o sul espanhol terá recebido muito mais influência de Povos mediterrânicos do que a área que é hoje Portugal, a menos que este elemento AO tenha permanecido mais em território português do que no sul espanhol devido às matanças que ocorriam no lado espanhol durante a Reconquista, aparentemente muito mais sanguinárias do que as cometidas pelos Portugueses, e há também a eventualidade de este elemento AO ser abundante nos judeus que vieram parar à Ibéria e foram depois muito mais escorraçados e expulsos de Espanha do que de Portugal.
No que toca à presença quase total do elemento báltico em toda a Europa, inclusivamente no outro extremo da Europa, ou seja, Portugal, não deixa de ser curiosa, podendo talvez dever-se ou a um estrato indo-europeu arcaico pré-céltico, ou a alguma componente genética balto-eslava em vários dos Povos do grupo oriental dos Germânicos - Visigodos, Ostrogodos, Longobardos, Hérulos, Burgúndios, Vândalos - que, oriundos da área que é hoje a Polónia, invadiram a Europa Ocidental a partir do final do mundo antigo.
A título de curiosidade etnográfica, é interessante constatar que a Nederlândia parece ser o país com mais componente germânica ocidental propriamente dita («North Sea Zone» ou «Zona do Mar do Norte»), nicho onde mais se preservou a herança genética do grupo ocidental dos Germânicos, que incluía três sub-grupos, os Irminones (das margens do Elba, como os Suevos, e, ainda, a raiz principal da actual língua alemã), os Istvaeones (das margens do Weser, que incluíam sobretudo os Francos e estão na origem da actual língua holandesa) e os Ingvaones (da margem sul do Mar do Norte, ou seja, do norte da Alemanha e da antiga Dinamarca, incluindo os Saxões, os Anglos, os Jutos e os Frísios, e estão na origem essencial da língua inglesa, daí que a língua frísia, hoje falada por uns milhares de pessoas em solo maioritariamente holandês, seja, de todos as línguas do mundo, a que está mais próxima do Inglês antigo).
Entretanto a população da Alemanha não é exclusivamente de raiz germânica, longe disso, tem aliás componentes célticas e balto-eslavas notórias.
Quanto à Inglaterra, é notório como aqui se confirma na genética a sua raiz germânica, contrastando com os seus vizinhos territoriais mais próximos, nomeadamente os Galeses, na medida em que os Ingleses têm notoriamente menos sangue céltico e mais sangue germânico do que todos os outros Povos das Ilhas Britânicas, aliás, os Ingleses têm até mais do elemento germano-nórdico do que os Alemães, o que confirma uma outra suspeita minha já desde há umas décadas.
Entretanto a população da Alemanha não é exclusivamente de raiz germânica, longe disso, tem aliás componentes célticas e balto-eslavas notórias.
Quanto à Inglaterra, é notório como aqui se confirma na genética a sua raiz germânica, contrastando com os seus vizinhos territoriais mais próximos, nomeadamente os Galeses, na medida em que os Ingleses têm notoriamente menos sangue céltico e mais sangue germânico do que todos os outros Povos das Ilhas Britânicas, aliás, os Ingleses têm até mais do elemento germano-nórdico do que os Alemães, o que confirma uma outra suspeita minha já desde há umas décadas.


5 Comments:
alemaes e obvio os balto eslavos iam ate a longitude do sudeste da jutlandia ou seja tudo a leste e sul foi germanizado..agora ingleses dizem que muitos sao morenos igual celtiberos..
"Não encontrei neste estudo
https://www.nature.com/articles/s41586-025-09437-6
a primeira imagem, a de cima, que mostra as diferentes componentes genéticas dos países europeus"
Está no mesmo, dentro do supplementary information lá em baixo, carregas no link e ele dá-te o documento (docx).
Sobre o adn Báltico, é completamente residual em Portugal, o báltico aqui neste estudo, a sua presença na maior parte da Europa (sobretudo de leste) é sinal de adn eslavo como referiste, em teoria seria só báltico mesmo, mas como não tens uma fonte somente eslava, por exemplo da Ucrânia ou da Polónia, ele dá o báltico como proxy. Sobre o WA - ou AO, é o que referes, é uma média nacional, esse segmento domina nos gregos, os resultados regionais na península ibérica este tem valores + elevados nas ilhas baleares, em castela la mancha, murcia, valencia, andalusia, mas como é uma média, vai reduzir porque tem amostras também de áreas que têm muito pouco como as Astúrias, Catalunha, mesmo Castela Leão e Madrid e não esquecer que o adn proto-berber, mesmo sendo ele residual nos portugueses e espanhóis, normalmente abaixo dos dois dígitos, está certamente aqui integrado por proxy
" e há também a eventualidade de este elemento AO ser abundante nos judeus que vieram parar à Ibéria e foram depois muito mais escorraçados e expulsos de Espanha do que de Portugal."
Não me parece, que tenha algo a ver com isso, pelo menos de substancial, até porque a maior parte dos judues também acabou por sair de Portugal paulatinamente nos séculos seguintes, e porque as amostras que temos por exemplo do período romano-visigodo e mesmo da idade do bronze já tinham já tinham esses valores, até mais elevados no período romano que no presente. Até na idade do bronze esses segmentos já por cá andavam: https://pasteboard.co/DuGmSMIo0FgS.jpg
Muito obrigado. Já agora, o que dizes de um outro estudo, que refere a presença significativa de ADN norte-africano no sul de Portugal?
Este: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12360031/
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