segunda-feira, março 13, 2017

NA HOLANDA - PARTIDOS DO SISTEMA UNEM-SE TODOS CONTRA PARTIDO DA LIBERDADE

Se a democracia fosse medida pelo número de opções de voto, a Holanda seria hoje provavelmente a nação mais democrática do mundo. Um recorde de 81 movimentos candidatou-se às eleições legislativas, e um novo recorde de 28 partidos foi aceite pela comissão eleitoral e constará, assim, do boletim de voto que será submetido aos holandeses esta quarta-feira, 15 de Março. Há escolhas para todos os gostos, incluindo um partido cuja única promessa eleitoral é nada fazer. Paradoxalmente, um dos que prometem receber mais votos será barrado à porta do poder.
À frente nas sondagens, ou muito perto disso, o Partido da Liberdade (PVV) confunde-se com o seu líder populista. Aos 53 anos, Geert Wilders (na foto), um admirador de Donald Trump e de Marine Le Pen, usa o mesmo louro platinado no cabelo e discurso inflamado contra os imigrantes.
Dissidente do Partido Popular para a Liberdade e Democracia (VVD), no poder, Wilders promete encerrar mesquitas e proibir o Corão, que diz ser um livro ideológico (não religioso) comparável ao "Mein Kampf" de Adolf Hitler e banido do país. E promete, sobretudo, travar a imigração, em particular a magrebina. "É claro, nem todos são escumalha, mas há muita escumalha marroquina na Holanda que deixa as nossas ruas perigosas, sobretudo jovens. Isso tem que mudar".
Segundo algumas sondagens, o PVV poderá duplicar os 15 lugares que controla no actual parlamento, onde já é a terceira maior força, e até ficar à frente do VVD (Centro-Direita), do primeiro-ministro Mark Rutte, que tem hoje 41 assentos. Mesmo que vença, não será, porém, governo: todos os principais partidos declararam-se indisponíveis para coligações com o PVV. O "cordão sanitário" em torno de Wilders impedirá assim, à partida, uma guinada mais radical e populista na Holanda que será o primeiro país da UE a ir a votos depois do Brexit e da vitória de Trump. Seguem-se os pesos pesados: França, em Maio, e Alemanha, em Setembro.
Com 17 milhões de habitantes e um Parlamento de 150 deputados (bem menos do que os 230 em Portugal onde vivem 10 milhões), a Holanda sempre teve um sistema político fragmentado. Nos últimos 100 anos, todos os governos foram de coligação de dois ou três partidos. Mas no novo Parlamento poderá figurar um outro recorde: 14 partidos, em vez dos 12 actuais, o que, tendo em conta a promessa de que o PVV será ostracizado, deverá forçar a soluções de governo ainda mais alargadas e difíceis de montar, de quatro ou mesmo cinco partidos, de modo a que possam abarcar o mínimo de 76 deputados capazes de suportar uma maioria.
Num país abastado (estatisticamente os holandeses são duas vezes mais ricos do que os alemães), conhecido pela tolerância e abertura multicultural (cerca de 5% da população é muçulmana), que, após dois anos de recessão, deu a volta à crise, cresce mais de 2% e pôs o desemprego abaixo de 6%, a dificuldade em integrar comunidades estrangeiras tem sido "o" tema da campanha. Após ter evitado esse terreno, no final de Janeiro o primeiro-ministro e líder do VVD entrou nele com os dois pés. 
Numa reinterpretação do lema "em Roma, sê romano", Rutte publicou uma carta aberta aos Holandeses na qual diz compreender e partilhar o "crescente desconforto" perante o "desrespeito das regras no trânsito, o lixo atirado nas ruas, o assédio aos homossexuais e a mulheres de mini-saia", convidando a sair os que "recusam adaptar-se e cumprir os nossos hábitos, e rejeitam os nossos valores". "Os que não gostam de um país devem partir. É uma escolha que todos temos quando vivemos num sítio cujo estilo de vida nos desagrada tanto". Comportem-se normalmente ou vão embora". Desde então, as sondagens dão a dianteira ao VVD, ainda que muito ligeira. 
(Correcção: holandeses são duas vezes mais ricos que os alemães, segundo levantamento do BCE)
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Fonte: http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/detalhe/holanda-megacoligacao-a-caminho-para-barrar-o-trump-do-norte

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Confirma-se, mais uma vez, mais outra, sempre mais outra, que o grande combate político do nosso tempo é entre o Nacionalismo e o Globalismo - de um lado, os partidos nacionalistas, do outro, a elite político-cultural reinante, que controla a maioria dos partidos, os grandessíssimos mé(r)dia dominantes, as igrejas, etc.. O que mete mais medo a esta elite é que a Democracia cada vez mais se revela como aliada potencial do Nacionalismo, porque o o povo não há maneira de rejeitar o «racismo!!!!!» e de aceitar pela goela abaixo a asquerosa iminvasão que a elite lhe quer impingir. O intelectualame dominante, todo ele devoto da Santa Madre Igreja Anti-Racista e Multiculturalista dos Últimos Dias do Ocidente, meteu nos cornos que é moralmente obrigatório deitar abaixo todas as fronteiras e leva muito a mal que «o povinho» não concorde com isso e mande bardamerda tão gabado ideal - vai daí, usa todos os meios para contornar e se possível falsificar a Democracia. É simbolicamente muito apropriado, no caso holandês, que desta feita o partido da resistência nacional ao globalismo se chame precisamente Partido da Liberdade...


11 Comments:

Anonymous João Santos said...

Depois de navegar pela internet: como é possivel a baixeza de certos comentários, que só prova a falta de cultura e de civismo, xenófobo de quem de cultura está muito baixa. Dizer que os ciganos nunca se quiseram integrar, que eram ladrões e tantos outros nomes, é de facto de mente baixa de quem não gosta dos ciganos. Mas não é assim tanto...ou por outra, contos da carochinha... antes do 25 de Abril, havia de facto perseguição aos ciganos e daí... o não poderem ir às escolas. Mas como é de ver, já havia ciganos integrados, que frequentavam a escola, muitos trabalhavam no campo; nas campanhas do tomate, da azeitona e nas vindimas, ao contrário do que é dito... ainda assim o sistema não os deixava integrar. Eu sou cigano, e antes do 25 de Abril frequentei o ensino primário, trabalhei no campo, fui militar e hoje estou ligado à agricultura. A falta de conhecimento, de formação, quando não se conhece os ciganos todos do país, leva à estupidez... comentários racistas e estereótipos. Falar de integração quando nos cortam todos os direitos, nos atacam por tudo e por nada... enquanto vós que fazeis os males maiores, como a pedofilia, os tubarões dos bancos, as offshores, o BPP, a Casa Pia, e tantos outros... vergonhosos para Portugal. A integração tem que ser vossa, pois a maioria de nós estamos integrados, ao contrário de vós que puseram o país como está. Benditos os comentários construtivos.

14 de março de 2017 às 00:28:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

http://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/tribunal-europeu-condena-hungria-por-deter-e-expulsar-refugiados?ref=HP_TickerCMAoMinuto

UE.lol

Fãs da UE.lol

14 de março de 2017 às 16:09:00 WET  
Blogger Caturo said...

Qual UE? A UE é o que dela se fizer. Alguns nacionalistas húngaros já perceberam isto: https://gladio.blogspot.pt/2016/06/partido-nacionalista-hungaro-ja-nao.html

Claro que neste momento a UE ainda não é o que devia ser. Não perceber contudo que pode vir a sê-lo - bastando que para isso haja boas votações nacionalistas no Parlamento Europeu - é típico de quem não vê um palmo à frente da cara. É de quem não percebe um caralho do que tem à frente, mesmo quando tem um potencial imenso para vencer, e continua a desperdiçar todas as possibilidades de ganhar poder; depois, se/quando as coisas correm mal, anda pelas esquinas a gemer que «isto está tudo perdido». Como diz o povo, a quem não sabe fornicar até os colhões atrapalham.

14 de março de 2017 às 21:24:00 WET  
Blogger Caturo said...

«enquanto vós que fazeis os males maiores, como a pedofilia, os tubarões dos bancos, as offshores, o BPP, a Casa Pia, e tantos outros... vergonhosos para Portugal. A integração tem que ser vossa,»

Não, a integração tem de ser vossa, só vossa, nada mais que vossa, porque o País é nosso, só nosso, nada mais que nosso. Se não estão contentes, ninguém vos impede de saírem daqui para fora, antes pelo contrário... e é preciso descaramento para falarem em roubalheira quando grande parte da comunidade cigana vive do ilícito. Quanto a pedofilias, vão-se calando, que ainda há-de haver muito por dizer sobre os vossos casamentos forçados de crianças...

14 de março de 2017 às 21:28:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Espera aí que os nacionalistas vão chegar ao parlamento europeu e mudar todos os tratados, regulamentos e instituições da UE, é que é já a seguir. lol

colossusfacepalm

14 de março de 2017 às 22:16:00 WET  
Blogger Titan said...

Eu cá acho engraçado os ciganos pensarem que têm argumentos contra os portugueses de modo a levarem a sua avante contra os últimos.

14 de março de 2017 às 22:47:00 WET  
Blogger Caturo said...

«Espera aí que os nacionalistas vão chegar ao parlamento europeu e mudar todos os tratados,»

Não, isso não pode ser mudado jamais, é sagrado, os eurodeputados não podem fazer nada contra isso, está inscrito com letras de ouro não sei onde que não se pode mudar, o melhor mesmo é dar já cabo da UE e já agora da Europa toda, lancem os mísseis nucleares e acaba-se já com isto que já está tudo perdido...

14 de março de 2017 às 23:25:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Não, é já amanhã que os nacionalistas vão ser maciçamente votados para o parlamento europeu, e depois metem-se todos de acordo em relação ao que deve ser mudado na UE, e a partir vai ser o paraíso ou vahalla ou que te der mais jeito na Europa.
lol

krakenfacepalm

15 de março de 2017 às 00:19:00 WET  
Blogger Caturo said...

«Não, é já amanhã que os nacionalistas vão ser maciçamente votados para o parlamento europeu, e depois metem-se todos de acordo em relação ao que deve ser mudado na UE, e a partir vai ser o paraíso ou vahalla ou que te der mais jeito na Europa.»

Não, nem amanhã nem nunca, nem daqui a vinte anos, o Povo não vai votar nos Nacionalistas porque não vai, porque nunca votou, há vinte anos dizia-se que os Nacionalistas não passavam da cepa torta e hoje nem é nada verdade que os Nacionalistas tenham já alguns dos países mais poderosos do continente europeu, nããão, nada disso é verdade, não aconteceu, e por acaso nem é nada verdade que os partidos nacionalistas europeus estão cada vez mais de acordo sobre o que é essencial alterar na UE, isto está mesmo tudo perdido e o melhor é poupar para comprar um bilhete na primeira nave espacial em direcção a Marte, vamos é já fugir todos...

17 de março de 2017 às 01:48:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

A Le Pen quer sair da UE, o Geert também, a Aurora Dourada também, está-se mesmo a ver que os nacionalistas querem mudar a UE.
lol


Hecatônquirosfacepalm

17 de março de 2017 às 02:38:00 WET  
Blogger Caturo said...

Claro, querer sair não é querer mudar nada, pois claro, é querer deixar tudo na mesma...
Entretanto já começa a haver nacionalistas europeus que percebem o valor potencial da UE - na Hungria, o partido do poder, de discurso formalmente etnicista, faz parte da maior família partidária do parlamento europeu; o partido mais à Direita já não quer sair da UE; e, na Áustria, o FPO diz que só quer tirar a Áustria da UE se esta se tornar mais centralizadora.
Mas não há evolução de mentalidade nenhuma em curso, é claro que nãããão...

17 de março de 2017 às 03:08:00 WET  

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