quarta-feira, agosto 20, 2014

PNR DENUNCIA O MAL QUE CAUSA O DESCALABRO DO BES E DA ECONOMIA LIBERAL-CAPITALISTA

Recentemente, temos assistido a mais um episódio desta trágico-novela abrileira que, de há umas décadas a esta parte, tem feito os impossíveis por transformar Portugal num mero acidente geográfico e o povo português numa amálgama de escravos bem comportados sob a mais grosseira chantagem económica. O outrora tão recomendado BES esteve próximo de repetir os mesmos passos do BPN, de tão má memória. Mas, desta vez, a Dª Inércia, ou a Dª Promiscuidade, actuaram um pouco mais, pressionadas pela opinião pública, mais do que pelas suas funções.
Ainda há poucos meses nos era assegurado que a banca estava de boa saúde. Depois, quando soaram os primeiros alarmes, foi posta água na fervura, com o argumento dos Fundos Estruturais, e só quando as labaredas estavam bem altas é que vieram tentar apagar o fogo, mas sem acautelarem o rescaldo, pois diariamente temos novos reacendimentos. Com efeito, assistimos todos os dias ao desenrolar de mais um pouco deste novelo, que ameaça assumir proporções avassaladoras. Já não há como tapar o sol com a peneira.
Falhou o Banco de Portugal porque não fiscalizou devidamente, falhou a CMVM porque não actuou em tempo útil, falharam as Finanças, porque permitiram a fuga de capitais e a fuga ao fisco sem as devidas penalizações. Falharam, inclusivamente, os serviços de informação e segurança do Estado, que ao verem o nome do BES envolvido em escândalos financeiros além-fronteiras nos últimos anos, deveriam ter colocado as manobras dos responsáveis do mesmo sob apertada vigilância. Ao fim e ao cabo, como se prova agora, tratava-se de um assunto que poderia afectar a segurança do nosso país, pelo que a discreta actuação do SIS teria feito todo o sentido.
A solução encontrada é mais uma manta de retalhos com buracos à vista e outros encobertos, que trazem um horizonte nebuloso e duvidoso.
Passámos pois a ter um banco “Bom”, salvo com dinheiros públicos pelos quais estamos a pagar juros avultados. O Novo Banco custou até agora aos portugueses 4500 milhões de Euros. Duas vezes e meia maior que o orçamento anual das Forças Armadas. Equivalente à totalidade das remessas dos emigrantes em dois anos seguidos; mais de seis meses dos juros da dívida soberana; 75% do imposto sobre as empresas e 40% do imposto sobre os rendimentos dos trabalhadores; E o triplo daquilo que todos os portugueses juntos gastam em educação.
Por outro lado, passou a haver um banco “Mau”, que arrastará consigo muitas empresas e accionistas. Resultado: face ao dinheiro empregue neste “salvamento”, e tendo em conta as novas regras impostas por Bruxelas, alguns economistas avançam que a dívida pública poderá crescer para os 150% tornando-se impagável, e que todo este lixo tóxico, todas estas perdas poderão fazer descer o PIB nacional em 5 pontos. Onde estão os “milagres económicos” que nos são diariamente anunciados pela classe política dos “iluminados” que repetem até à exaustão serem os únicos com competência para governar, o tal “arco do poder”, que mais não tem sido senão o “arco da bancarrota”?
Em todo este processo, continuamos incrédulos com outras revelações, que nos fazem pensar na Teoria da Conspiração (não acreditamos em bruxas, mas que as há…): os principais culpados deste descalabro não vão ser beliscados e vão poder continuar as suas vidas, pois é para isso que servem os paraísos fiscais. A Goldman Sachs vendeu atempadamente as suas acções, certamente avisada por que há muito sabia o que estava para acontecer, e a PT, talvez avisada pelos mesmos bufos, retirou todos os seus depósitos. Tudo isto só é possível devido à promiscuidade que existe entre o poder público e sector privado, esta vergonhosa troca de interesses de negócios de tachos.
O PNR, ao contrário da esquerda, não se opõe a que exista banca privada, desde que exista um banco público que exerça um papel regulador e desde que se criem leis mais apertadas para este sector. E que, sobretudo, as instituições encarregadas de fiscalizar actuem atempadamente e não estejam sujeitas a pressões políticas e económicas feitas ao sabor de interesses pessoais. Em caso de falha grosseira, como a que agora se verificou, tem de haver responsáveis: quem prevaricou e quem deveria ter fiscalizado e não fiscalizou. A culpa não pode morrer solteira e quem é pago a peso de ouro tem de fazer o seu trabalho, sob risco de acabar na prisão. O PNR acredita no efeito dissuasor das penas pesadas: não embarcamos em relativismos liberais e/ou marxistas.
Por outro lado, o PNR, ao contrário da direita liberal-capitalista, defende a importância da existência de pelo menos um banco do Estado, lembrando por exemplo o contributo decisivo da banca estatal para que Portugal saísse da iminente bancarrota na década de 1930, conseguindo-se então financiar o desenvolvimento industrial e agrícola com juros muitas vezes inferiores a 2%, algo que os bancos privados e o liberal-capitalismo intrinsecamente apátrida certamente não estariam dispostos a fazer, por estarem, ontem como hoje, sempre ávidos de muito lucro e a qualquer preço, ora aqui ora noutro local qualquer.
* * *
Fonte: http://www.pnr.pt/noticias/nacional/caso-bes-um-poco-sem-fundo/