segunda-feira, julho 28, 2014

CALIFADO DO MÉDIO-ORIENTE IMPÕE MUTILAÇÃO GENITAL AO SEXO FEMININO

Está a crescer.

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Os militantes do Estado Islâmico (ISIS) emitiram um decreto religioso a obrigar todas as mulheres e raparigas de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, a serem submetidas a mutilação genital.
A informação foi avançada pelas Nações Unidas, com a representante e coordenadora humanitária da organização no Iraque, Jacqueline Badcock, a adiantar que a ordem será aplicável a mulheres entre os 11 e os 46 anos de idade, representando um risco para cerca de 4 milhões de mulheres e raparigas, dentro e à volta da cidade no Norte do Iraque.
"Trata-se de algo completamente novo no Iraque, particularmente nesta área. Não se trata da vontade da população iraquiana ou das mulheres nestas regiões vulneráveis que caíram nas mãos de terroristas", disse a responsável aos jornalistas em Genebra, numa videoconferência emitida a partir de Irbil, capital do Curdistão iraquiano.
Entretanto, alguns media - como o i100, publicação online vinculada ao "The Independent" - têm citado fontes no terreno e especialistas que garantem que a informação avançada por Badcock se baseia num documento falsificado. Um porta-voz da ONU em Genebra disse à Reuters que a organização estava a tentar obter confirmação das suas fontes.
A prática ritual inclui a remoção parcial dos órgãos genitais femininos por motivos não de ordem médica mas fundados em crenças sobre o que é considerado um comportamento sexual adequado, constituindo um passo na preparação de uma rapariga ou mulher para a vida adulta e casamento, e funcionando como garantia do ideal de "pura feminilidade". No fundo, o que está em causa é retirar às mulheres a capacidade de sentirem prazer sexual, comportando uma série de riscos para a saúde feminina, incluindo hemorragias graves, problemas em urinar, infecções e ainda um aumento do risco de nados-mortos.
Segundo o "International Business Times", ao anunciar o decreto, o líder do autodeclarado Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, justificou-o como um passo para que as raparigas iraquianas se "distanciem da devassidão e imoralidade". E um porta-voz da polícia de Mossul, Ahmed Obaydi, afirmou que "a decisão de Baghdadi de ver todas as mulheres circuncidadas é uma forma de promover as atitudes islâmicas entre os muçulmanos", constituindo um "presente para a população".
NOVO PRESIDENTE ELEITO Também ontem, os deputados iraquianos elegeram Fouad Massoum, político veterano curdo e ex-guerrilheiro no levantamento contra o regime de Saddam Hussein, como o novo presidente do país. A medida foi saudada como um passo importante na formação de um novo governo que tanto a comunidade internacional como as autoridades religiosas têm defendido como crucial para fazer frente à ofensiva sunita no Noroeste do país.
Aos 76, Massoum substitui Jalal Talabani, que ocupava o cargo desde 2005 e que era visto como uma das raras figuras unificadoras entre as várias facções do Iraque, mas que tem estado arredado da cena política desde que sofreu um AVC no final de 2012.

Desde 2003, o presidente do Iraque tem sido um curdo, enquanto o primeiro-ministro é um xiita e o presidente do parlamento é eleito de entre o bloco árabe sunita.