terça-feira, janeiro 29, 2013

ESTADO INGLÊS PREPARA-SE PARA VOLTAR A FALAR MAL DO SEU PAÍS PARA AFASTAR A IMINVASÃO...

Chega ao fim em Dezembro o prazo de sete anos dado a países como o Reino Unido para aplicarem restrições à entrada a trabalhadores da Bulgária e da Roménia – os dois últimos Estados a aderirem à União Europeia (UE) em Janeiro de 2007. Se o tratado assinado com Bucareste e Sófia não for rasgado, o acesso ao mercado de trabalho passa a ser livre a partir de Janeiro de 2014. E não são muitas as opções ao dispor de um Governo Tory que está sob pressão da ala mais à direita do partido mas também de algumas figuras do Labour para impedir a entrada de imigrantes destes dois países.
Mas há uma, muito falada nos últimos dias: consistiria em afastar os imigrantes da Bulgária e da Roménia numa lógica exactamente inversa à de aproximar os investidores. Para tal, cartazes seriam espalhados nas ruas de ambos os países com uma mensagem: "não venham, o Reino Unido não é, como se pensa, um bom destino para viver e trabalhar".
O importante, chegou a dizer um ministro britânico, referido mas não citado na imprensa do fim-de-semana, é “corrigir a impressão de que as ruas aqui são ladrilhadas de ouro”. E a ideia é dizer que “aqui” chove quase todo o ano, o lixo transborda dos contentores, as fábricas têm as portas fechadas, os jovens abusam do álcool e os empregos não são tão bem pagos, ironizam o Guardian e o Economist.
A confirmar-se uma campanha de publicidade desse tipo, estaríamos perante um veemente gesto para limitar a liberdade de movimento para os trabalhadores da União Europeia, considera Yves Pascouau, director do programa Migração e Diversidade do European Policy Centre, um instituto de pesquisa independente sedeado em Bruxelas.
“Por outras palavras”, acrescenta numa entrevista ao PÚBLICO por e-mail, “seria um claro retrocesso”. E nota: “A União Europeia luta há mais de 60 anos por mais liberdade de movimento. O Reino Unido está a caminhar no sentido oposto ao reclamar menos liberdade de movimento.” Ao mesmo tempo, interroga-se: “Será coerente lançar uma campanha de publicidade que custará muito dinheiro em tempo de crise?”

E que não aparecesse um clérigo da Igreja Multiculturalista a criticar o mais elementar e desesperado gesto de auto-defesa de um país contra a iminvasão...

Downing Street não comenta, mas também não desmente. Mostrar uma imagem negativa numa campanha publicitária a lançar na Bulgária e na Roménia pode ser uma das opções, entre outras. Escreve o Guardian que o Governo liderado por David Cameron pondera dificultar o acesso aos serviços públicos para imigrantes ou deportar pessoas que não encontrem emprego ao fim de três meses de permanência no país.
“É verdade que opções estão a ser ponderadas mas nós não comentamos os exemplos específicos mencionados”, disse fonte do gabinete do primeiro-ministro David Cameron citado por este jornal.
Num discurso, aguardado desde o Verão e proferido na semana passada, Cameron prometeu realizar um referendo sobre a permanência na União Europeia, caso seja reeleito em 2015. A opção seria entre ficar dentro – renegociando um estatuto mais flexível – ou sair. Os parceiros europeus reagiram contra a ideia de uma Europa “à la carte”.
Já em Outubro, no congresso anual do seu partido, o primeiro-ministro britânico mostrou-se confiante de que seria possível incluir esta questão do fim do prazo das restrições impostas à Bulgária e à Roménia nas “competências” da UE a rever com Bruxelas. Na semana passada, a sua ministra do Interior confirmou à BBC o contrário.
Theresa May esclareceu que no fim deste ano terminam todas as restrições admissíveis no tratado assinado com Bucareste e Sófia e que, no âmbito da legislação e tratado em vigor, seria impossível rever esse ponto. (Além do Reino Unido, também Áustria, Alemanha, Bélgica, França, Luxemburgo, Malta e Holanda escolheram impor restrições.) Mas tanto nas bancadas tories como dentro do Partido Trabalhista, instala-se a ideia, como uma onda de fundo, de que haverá margem para negociação.    
O debate sobre imigração está sob intensa pressão em vários Estados membros e a emergência do eurocéptico UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) “certamente influencia” o discurso de David Cameron, considera Yves Pascouau. Mas esta não é uma questão exclusiva daquele país. São vários os estados onde "os partidos populistas ou de extrema-direita têm conseguido impor as suas ideias restritivas na agenda política.”
Os exemplos mais evidentes são a Holanda e a Finlândia – ambos em 2011 vetaram a entrada da Roménia e Bulgária no espaço Schengen, que permite a livre circulação sem passaporte entre os vários países e exige o consenso dos países-membros. Reino Unido e Irlanda estão fora por opção.
Na Holanda, Geert Wilders, o controverso líder do Partido da Liberdade, perdeu algum terreno nas últimas eleições, mas impôs na agenda o seu lema de campanha “contra a islamização do país”. Na Finlândia, Timo Soini, líder do nacionalista True Finns, quarto maior partido, tem empurrado a Europa, ou a sua visão eurocéptica da Europa, para o debate público em todo o tipo de eleições, incluindo as locais. E em França, pressionado pela subida da extrema-direita, Nicolas Sarkozy (que em 2007 venceu e no ano passado perdeu), endureceu nitidamente o discurso de campanha sobre a política de imigração.
No Reino Unido, salienta Yves Pascouau, além dos partidos, também os media “não favoráveis à União Europeia em geral e à mobilidade dentro da UE em particular” influenciam em larga escala a discussão.
Em Dezembro, o tablóide The Sun lançou o alarme sobre o levantamento de restrições à Bulgária e à Roménia ao dar voz ao deputado conservador Philip Hollobone dizendo que o número de residentes da Bulgária e Roménia no Reino Unido podia triplicar para mais de 425 mil. Desde 2007, tinha aumentado de 29 mil para 155 mil.
Oficialmente não existem estimativas de candidatos a empregos no Reino Unido vindos daqueles países. Mas esta semana, o Daily Mail, outro jornal tablóide, escreveu em título: “30 milhões de búlgaros e romenos prestes a ganhar acesso livre ao Reino Unido”. O jornal cita especialistas e um estudo publicado pelo Migration Watch (que se apresenta como uma entidade independente, apolítica e voluntária, apenas apoiada por donativos privados e preocupada com a actual escala da imigração no país), para dizer que serão muito mais as entradas de cidadãos destes dois países do que os verificados no caso da Polónia e dos outros nove países que entraram em 2004.
Já o Guardian, jornal de centro-esquerda, pediu aos leitores para enviarem sugestões de mensagens com imagens que sirvam o objectivo do Governo. "As ruas são ladrilhadas a ouro", sustenta uma com ironia; "Venham e limpem as sanitas – a Grã-Bretanha está cheia de maus empregos para os estrangeiros. Sejam bem-vindos!"; "É melhor onde estão"; "Grã-Bretanha: não se incomodem, estamos fechados" ou ainda "UK. Yuk" são alguns exemplos.
O mais intrigante é que não se trata da primeira vez que o Estado britânico faz este tipo de propaganda bizarra. Já nos anos cinquenta o Reino Unido tentava dissuadir a imigração oriunda das Caraíbas, como aqui se lê: http://www.islamversuseurope.blogspot.pt/2013/01/dont-come-to-britain-please.html

A elite reinante aparenta querer travar a imigração maciça só para tranquilizar o povo, avesso à imigração... ou será que os políticos eleitos são de algum modo autenticamente impotentes para travar esta invasão?



2 Comments:

Blogger legião 1143 said...

tenho visto o empenho e dedicação que dás as nossas lendas ancestrais , talvez tenhas interesse nisto

Contos e lendas vão atrair turistas na região transfronteiriça do Douro Internacional

http://www.destakes.com/redir/cf42ba2758e990a810b5ac3b1e8f54b7

29 de janeiro de 2013 às 19:53:00 WET  
Blogger Caturo said...

Obrigado.

30 de janeiro de 2013 às 00:41:00 WET  

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