sexta-feira, outubro 27, 2006

A RELIGIÃO E OS SEUS PRODUTOS




Eis que vos trago, ciberleitores, um artigo religioso que tem a sua utilidade, embora deva ser tomado «cum grano salis».

O seu autor, Dinesh D’Souza, começa por registar a perplexidade dos intelectuais inimigos da Religião perante o vigor actual da Religião em todo o mundo.
Vários cientistas ateus escrevem livros nos quais consideram a fé como algo de inteiramente irracional, um «vírus da mente», para usar uma expressão do biólogo Richard Dawkins, comparando a crença em Deus com a crença no coelho da Páscoa, e mostram-se chocados pelo facto de haver tanta gente em todo o mundo que continua a professar crenças religiosas que não têm qualquer sustentação racional.
O biólogo E. O. Wilson, por exemplo, afirma que deve haver qualquer explicação evolucionária para a universalidade e presença da crença religiosa.

E é aqui que bate o ponto em que Dinesh D'Souza quer insistir.

Narra D'Souza que um certo reverendo de nome Ron Carlson, muito popular nos E.U.A., costuma apresentar à sua audiência duas visões do mundo: uma, ateia, a outra, religiosa (cristã).

Na primeira, «cada um de nós é descendente de uma minúscula célula do protoplasma primordial que foi dar a uma praia vazia há três mil milhões e meio de anos. Somos apenas um punhado de partículas atómicas, uma conglomerado de substância genética. Existimos num minúsculo planeta num sistema solar de curta duração, num canto vazio dum universo sem sentido. Viemos do nada e para o nada voltaremos

Na segunda, «somos a criação especial dum Deus bom e todo-poderoso. Somos o clímax da sua criação. Para além de sermos únicos como espécie, cada um de nós é único, como indivíduo. O nosso Criador ama-nos tanto e deseja tão intensamente a nossa companhia e afeição que nos deu a vida do Seu filho único de modo a que possamos passar com Ele a eternidade

Imagine-se agora dois grupos de pessoas, uma tribo de ateus e uma tribo de religiosos.
Qual deles tem mais hipóteses de sobreviver, prosperar e multiplicar-se?
A tribo dos religiosos é feita de pessoas que têm um senso de propósito dinamizador.
A tribo ateia, por seu turno, é feita de pessoas que nem sequer sabem ao certo porque é que existem.
A tribo religiosa é composta de indivíduos que vêem cada um dos seus pensamentos e acções como tendo um propósito.
A tribo ateia é feita de pessoas que não sabem sequer explicar porque é que pensam.

De acordo com o autor, não é pois de admirar que as «tribos religiosas» proliferem por todo o mundo. Em todo o planeta, a religião está a crescer e as pessoas religiosas estão a ter mais filhos. Em contraste, as convicções ateias só produzem um punhado de almas amargas, e o estilo de vida ateia parece produzir «tribos» que nem sequer se conseguem reproduzir.





Dinesh D'Souza aduz como argumento da sua perspectiva uma facto que a mim parece uma coincidência no mínimo curiosa, favorável à sua argumentação - diz ele que a Rússia, um dos países mais ateus do mundo, tem igualmente uma das mais altas taxas de aborto existentes - o número de abortos supera o de nascimentos em dois para um. A taxa de natalidade do Urso Eslavo caiu tanto que a população russa perde cerca de setecentas mil pessoas por ano.

Ainda segundo D'Souza, deve-se reparar que a Europa, é o continente com mais ateísmo e, de facto, está decadente em termos demográficos.

Vários estudiosos tentaram dar uma explicação economicista ao fenómeno da quebra de natalidade, argumentando que a melhoria do nível de vida leva a que as pessoas tenham menos filhos, enquanto as famílias mais pobres preferem produzir mais prole para terem mais braços de trabalho a sustentar o lar.

No entanto, observa D'Souza, também é lógico que as famílias mais abastadas possam sustentar mais crianças. No passado, as famílias ricas costumavam engendrar números consideráveis de filhos.

Meto agora a minha colherada porque me estou agora a lembrar que conheço pelo menos dois casos de indivíduos pertencentes a famílias distintas que vivem desafogadamente e têm, cada um deles, precisamente cinco filhos. Por coincidência ou não, são ambos bastante religiosos, coisa rara na actual sociedade portuguesa urbana.

Voltando a D'Souza, é de notar que os analistas que tudo interpretam pela lente da Economia costumavam também dizer que a Religião era típica das pessoas mais miseráveis; e que a melhoria constante das condições de vida iria levar à extinção do culto religioso... facto é que a maior potência do mundo, inequivocamente mais rica do que todas as outras, sobejamente evoluída ao nível tecnológico, vê crescer no seu seio uma religiosidade galopante.

A Índia, por seu turno, desenvolve-se a olhos vistos, estando cada vez mais próxima de alcançar o estatuto de potência mundial, já não apenas regional - e é bem conhecida a importância da Religião nesse país, provavelmente o mais religioso do mundo.

O Islão, por seu turno, salienta-se hoje como semdo uma das mais dinâmicas religiões do mundo, disseminando-se exponencialmente por toda a parte... inclusivamente na Europa, continente no seio do qual as mulheres muçulmanas têm em média quatro vezes mais filhos do que as mulheres europeias (dados de França).
E é aqui que o autor comete a aberração de dizer que a melhor hipótese que a Europa tem de prosperar no futuro é através da importação de mais muçulmanos religiosos. Uma atitude destas seria quanto a mim bem definida pela conhecida e irónica frase «a operação foi um sucesso, mas o paciente morreu», uma vez que, em boa verdade e salutar discernimento, sem Europeus autênticos pura e simplesmente não há Europa.
Enfim, o autor do artigo é cristão, não admira que seja tão anormalmente indiferente para com a etnicidade.

Mas, por outro lado, o pessimismo dele é o meu optimismo quando declara que o Cristianismo se tornará em breve numa religião não ocidental e terá uma presença cada vez mais minoritária na Europa.

D'Souza lança a sua conclusão em jeito de contra-ataque: quem precisa de ser explicado pelo evolucionismo não são afinal os religiosos mas sim os ateus, pois para que é que a Natureza iria produzir uma classe de pessoas que não vêem um propósito para a vida no universo e que em muitos casos passam o seu tempo de existência a tecer mesquinhos comentários contra toda e qualquer crença no trans-humano?

13 Comments:

Blogger Arqueofuturista said...

Amigo Caturo, escreveste um interessante artigo e que possibilitaria um ainda mais interessante debate, o qual não irei alimentar por não crer que isso nos ajude ou benificie naquilo que considero ser o combate pelo essencial.

Ainda assim deixa-me dizer que os argumentos de que os crentes são pessoas criativas e os ateus não o são é em absoluto falacioso, até porque a religiaão em geral e e as religiões do deserto em particular são evidentemente castradoras da liberdade criativa humana na exacta medidia em que obedecem a rigorosos dogmas.

Além do mais, poderiamos explorar a ideia de Deus ou Deuses, exigindo dos crentes que comprovassem a existência dos mesmos, e ainda que provassem essa "existência", muito nietzscheanamente diria que esses Deuses então seriam ainda menos dignos da minha crença.

Caro amigo, Deus necessita do homem para existir, o homem não necessita de Deus para existir.

A luta continua, mas noutro campo. Abraço.

28 de outubro de 2006 às 11:25:00 WEST  
Anonymous A.H. said...

Muito bem amigo Caturo.

Durante séculos até ao tempo de Galileu, a terra era por decreto religioso, o centro do universo.
Um erro de Aristoteles, que se pagou caro!
E ái dos faxistas que dissessem o contrário.
Mas depois passou a ser o sol.
Parece então que os faxistas tinham afinal razão!

Durante milénios o homem como criação de deus era o centro do universo. Mas a realidade, mais uma vez ultrapassa-nos: O homem é um producto da evolução natural e portanto não é obrigatóriamente um fim em si. Depois de Darwin e Nietzsche ficou mais claro.
Terá de desaparecer para dar origem a outras espécies. E estas sendo dotadas de capacidade de raciocínio, colaborarão entre si, aproveitando as aptidões que as tornam específicas para o domínio conjunto das forças da natureza, mas já para além dos límites deste pequeno planeta!
É mais uma das razões porque a raça é um valor importante, pois é o início dessa natural diferenciação evolutiva (e adaptativa).

De facto o homem ainda não passa de um ser de "terceira" categoria!
Só mesmo idiotas chapados é que podem pensar que tal amostra de macaco poderia alguma vez viver em democracia! Terá acontecido uma vez, na altura da sua criação à quase 3 mil anos atrás.
É falso que vivamos em democracia, vivemos na realidade numa forma de ditadura encapsulada, virada para o consumismo. Que só subsiste porque alimenta todo o tipo de vícios e egoismos dos que detêm o poder de decisão. Pão e circo, diziam os romanos!
A democracia exige educação e sentido de responsabilidade, coisas que entre nós estão em vias de extinção.

O artigo deste post é falacioso, e destina-se a justificar as crenças do autor nas religiões semitas (ou até mesmo com objectivos mais sórdidos e obscuros, tão característicos destes "eleitos" por "deus"), porque fala no ateismo mas não fala no paganismo.

Ora o paganismo era a identificação do homem com a natureza, e os deuses eram também um reflexo das aspirações humanas. Assim nascia a ordem, assim nasceu a grécia antiga! Assim viveram os povos nórdicos tão famosos pela sua eficiente organização social e espírito de grupo. Assim viveram os Celtas em comunhão com a natureza.
De tal forma que mesmo o cristanismo ao penetrar no mundo indo-europeu, se transformou adoptando todo o tipo de conceitos e ritos absolutamente pagãos!
É certo que haviam ritos e crenças pagãs absolutamente inaceitáveis, e completamente irracionais, chegando à aberração e ás (artes) divinatórias do prufissor karamba!: Como ver o futuro nas entranhas de um animal! Entre outras.

Muito mais se poderia dizer, mas terei de ficar por aqui!

28 de outubro de 2006 às 12:52:00 WEST  
Blogger Caturo said...

Camarada Arqueofuturista, de facto o tema dá pano para mangas e falta cá o camarada Miazuria para dizer de sua justiça, ele que sempre foi crente. E é quanto a mim salutar que haja entre nós este tipo de debates, mesmo que não contribuam directamente para a Causa Nacionalista, uma vez que uma visão do mundo integral acaba por incluir a necessidade duma definição da postura perante o significado último e superior da própria existência.

Não abordei nem abordaria o artigo de D'Souza (reescrevi o texto, acrescentando em várias passagens o nome do seu autor) na perspectiva do conflito entre criativos e não criativos, mas sim entre
- sentido do sagrado e do religioso
e
- sentido dessacralizado da existência.

E aqui tenho de dizer que as coincidências factuais apontadas pelo autor parecem bastante convincentes.

Concordo, como sabes, em que as religiões do deserto são especialmente castradoras da liberdade humana, devido à sua imposição de dogmas que exigem a submissão a si de mentes e de tendências naturais. Discordo no entanto quando, antes de te referires a estes credos em particular, generalizas o fenómeno a toda a religião, coisa que, manifestamente, não corresponde à verdade. Em termos mitológicos, filosóficos, artísticos, culturais em geral, nenhuma outra época do Ocidente foi tão profícua como a Antiguidade Clássica, cujos frutos e mentalidade alimentam e sustentam ainda aquilo a que se pode chamar o coração da civilização ocidental. E esse período histórico foi, como sabes, dominado por uma religiosidade bem evidente, que se fazia sentir em todos os níveis da actividade humana.

Quanto à ideia da existência ou não do Divino, área do pensamento filosófico denominada Teodiceia, trata-se de tema que daria mais um debate ainda. De qualquer modo, faço desde já notar que o ónus da prova cai sobre aqueles que querem alterar o estado de coisas primordial - e, tanto quanto se sabe, o homem sempre foi religioso. Não se conhecem culturas humanas, por mais primitivas que fossem, que não tivessem uma forma de religiosidade no seu âmago e vértice superior.

O Divino era e é experimentado, na Natureza e em si próprio, pelo Homem Tradicional, do Lusitano ao Romano, do Viking ao Grego, do Japonês ao Aborígene Australiano. A dada altura da História surgiu então alguém que quis afirmar que todas as incontáveis experiências pessoais, individuais e colectivas, de incontáveis gerações de todos os povos da Terra... que quis afirmar que tudo isso não passava de aldrabice.

Ora, apesar de todos os raciocínios ateus aparentemente credíveis, o que é facto é que nunca por nunca surgiu um só argumento a conseguir provar com alguma solidez a inexistência do Divino.

Dizes tu que Deus necessita do homem para existir - mas como sabes tu o que se passa nas esferas superiores do Ser, tu que, provavelmente, nem sequer reconheces a existência dessas modalidades de existência?

Ou seja, como podes garantir que não existe uma Entidade um hoste de Entidades com existência própria além e independentemente da existência humana?

Houve quem pensasse isso mesmo que tu dizes e que, consequentemente, acreditasse que se podia matar Deus - o tal Nietzsche, cujo pensamento referiste, foi um dos promotores dessa perspectiva ateia. Também os positivistas do final do século XIX e princípio do século XX assim pensavam, e, no entanto, a Religião está hoje de boa saúde e recomenda-se.

Vale a pena lembrar, a propósito desse filósofo, uma anedota de alto valor simbólico...

Nietzsche escreveu, como sabes,
«Deus morreu!
Assinado: Nietzsche
».

Consta que, numa parede do hospital onde Nietzsche morreu, apareceu escrito o seguinte:
«Nietzsche morreu.
Assinado: Deus
»

;)

Saudações Nacionais

29 de outubro de 2006 às 01:13:00 WET  
Blogger PlanetaTerra said...

///

--- Pois é, tudo indica que a decadência demográfica dos europeus... esteja associada à decadência da religião na Europa...

--- Mas a realidade 'nua e crua' é óbvia... para quem todos os dias anda 'por aqui e por ali' ouvindo pessoas:
-> Os europeus estão-se a 'cagar' para isto... querem é curtir... e quem vier 'que feche a porta'.

--- E ,como quem não quer a coisa, aproveitam para:
-1- andar no Planeta a Curtir mão-de-obra servil imigrante ao 'preço da chuva'.
-2- andar no Planeta a Curtir a existência de alguém que pague as Pensões de Reforma [ apesar de... nem sequer constituírem uma Sociedade aonde se procede à Renovação Demográfica!!! ].


CONCLUSÃO: Como é óbvio, o caminho a seguir não é andar a 'lamber-as-botas' à Maioria (vulgo Parasita Branco)... mas sim ... declarar 'guerra' à Maioria (vulgo Parasita Branco)!... Ou seja: antes que seja tarde demais... é urgente reivindicar o LEGÍTIMO Direito ao SEPARATISMO!!!

///

29 de outubro de 2006 às 09:52:00 WET  
Blogger Arqueofuturista said...

Caro Caturo, eu não nego o interesse de um debate desta índole, apenas tenho por vezes receio que tais debates provoquem clivagens díficies de ultrapassar. Ainda assim, em jeito de curta resposta, quero dizer que não duvido da importância do papel das religiões na milenar marcha da humanidade, tal como não ponho em causa a força que o mito teve, e continua a ter, na evolução das mentalidades e cultura europeias, e o contributo que esse teve na afirmação da singular especificidade europeia.

Porém, o que eu, enquanto ateu, coloco em causa é a própria existência do divino, e, nesse particular caso, considero que quem afirma a sua existência é que tem por obrigação provar a sua real e efectiva existência, e não o contrário. Ainda assim não deixo de ser crente... na não existência de entidades superiores.

Não pondo em causa que a história da humanidade tem tido como fiel companhaira a religião, não posso deixar de dizer o ateísmo é indubitavelmente uma genial e particular criação dos europeus e somente poderia ter surgido na Europa devido à extraordinária concepção do mundo e da vida que nos é própria. Aliás a convivência entre crentes e ateus foi algo perfeitamente aceite e normal na Antiguidade Clássica...

Por fim, quero apenas referir o seguinte: Deus ou os Deuses, para deterem essa condição, obrigatoriamente têm de ser seres perfeitos. Contudo sabemos que o Universo não é perfeito, que o nosso planeta está longe de o ser, e que os seres vivos ainda mais. Logo, surge aqui uma questão incontornável; Se Deus/Deuses criaram o universo, porque motivo não é este perfeito? Do perfeito apenas poderá advir a perfeição!

Enfim, o cerne da questão está, pela sua impossibilidade, na própria génese da ideia do divino e na imperfeição da sua construção. As religiões, essas são uma criação humana e como tal também elas imperfeitas, mas convenhamos, desde sempre muito úteis aos Estados e a todos os poderes instalados.

Forte abraço.

29 de outubro de 2006 às 10:52:00 WET  
Blogger Ioldanach said...

Saudações Caturo, achei deveras interessante seu blog e aproveito para fazer o convite para visitar o Canal Celta em :

http://worldceltic.blogspot.com/

Em um adendo gostaria de fazer o comentário a respeito de que também existem religiões ´atéias´ tal como o budismo e o taoismo bem como também há ´´religiões seculares´´ a citar o marxismo e o positivismo.

De resto, há o ateísmo que é resultante de pura e simples decrença tal como existe formas de ser ateu onde o conjunto de convicções surgiu de uma conclusão racionalmente elaborada.

Ah, sim......... e o que dizer a respeito dos agnósticos ou meramente céticos que ´ficam no muro´ sem deliberar se existe ou não um plano divino e espiritual no universo.

29 de outubro de 2006 às 22:25:00 WET  
Anonymous Duarte said...

O que significa cum grano salis?

29 de outubro de 2006 às 23:18:00 WET  
Blogger Caturo said...

«Cum grano salis» é Latim e significa «com um grão de sal». A expressão traduz a ideia de reserva relativamente a algo - aceitação limitada, ou só até certo ponto.

30 de outubro de 2006 às 13:55:00 WET  
Anonymous Duarte said...

Agradeço o esclarecimento. Hei-de cá vir mais vezes, e não só para aprender latim;)

Saudações.

30 de outubro de 2006 às 14:16:00 WET  
Blogger Caturo said...

Camarada Arqueofuturista, a respeito de determinar a quem cabe o ónus da prova da existência ou não existência de Divindades, basta-nos concordar em discordar.

Quanto ao significado do surgimento do ateísmo, tenho para mim que, independentemente da racionalidade e até da coragem que por vezes o motiva, trata-se dum dos maiores flagelos ideológicos da humanidade - refiro-me aqui ao ateísmo materialista (que nega tudo além da matéria), origem ou agravante da angústia humana. Sem embargo, trata-se duma questão de foro pessoal que não põe em causa nem a harmonia social nem a camaradagem ideológica nacionalista, uma vez que a sua escolha diz respeito à esfera privada, não tendo necessariamente consequências exteriores em termos sócio-políticos.



Quanto ao argumento da incompatibilidade entre a perfeição Divina e a imperfeição do mundo, acho-o muitíssimo certeiro... mas para criticar o Cristianismo e outras religiões nas quais o Divino seja concebido de modo omnipotente.

Antes de mais, tenho de deixar claro que a condição Divina não implica obrigatoriamente a perfeição. Veja-se, por exemplo, o caso dos Deuses gregos, que, muitas vezes, eram concebidos como tendo as suas falhas morais.

Mas enfim, também eu considero que o Divino é moralmente perfeito. Mas, e aqui é que bate o ponto, a perfeição moral não implica nem omnipotência nem criação de tudo. Os Deuses podem pois ser perfeitos sem serem responsáveis pelo mal do mundo, uma vez que nem o criaram nem têm poder para o aniquilar completamente.

Recordo que, nas cosmogonias pagãs europeias conhecidas (a nórdica e a grega), os Deuses não criaram o mundo; quando muito, deram-lhe forma, mas os Deuses não são nem as forças primordiais nem os únicos intervenientes na tapeçaria da existência.

Qual é então a origem do mal?
Parte do Destino, força superior a tudo, inclusivamente aos próprios Deuses (era assim que os Nórdicos e os Gregos pensavam, vide Eddas e Ilíada respectivamente)?
Ou de algum princípio sobrenatural malévolo?
Ou simplesmente da imperfeição humana?

Não sei. Nem necessito de o saber para poder ser religioso.

As religiões são algo de humano, efectivamente, porque se trata de uma ponte humana para o Divino; e, como disseste, foram e são úteis aos Estados e aos poderes instalados (excepto, claro está, aos Estados e poderes instalados ateus...), e, antes de mais nada, às pessoas, colectiva e individualmente.

Saudações Nacionais

30 de outubro de 2006 às 15:06:00 WET  
Blogger Caturo said...

Obrigado pelo convite, Ioldanach. Saúdo a sua contribuição informativa.

30 de outubro de 2006 às 15:08:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Obrigado pela visita em nome da LV, e o elogio do emblema (nem todos diriam emblema!)
Estava a ler este "post" e comentários e veio-me à memória uma frase mais ou menos assim: - Tudo que aponta para cima tende a convergir.
Não me recordo do autor.

Saudações
Legionário

30 de outubro de 2006 às 15:49:00 WET  
Blogger Caturo said...

Renovadas saudações, Ioldanach, pelo teor e qualidade geral dos textos sobre a religião céltica.

Recomendo, se não conheceres já, o santuário de Lug:
http://www.newtara.org/lugh_home.asp
que tem óptimos textos sobre o Deus Mestre de todas as Artes, nomeadamente o de Alexei Kondratiev, «Lugus - The Many-Gifted Lord».

Este site tem ligação para uma mailing-list só dedicada ao Samhildanach.

Subuta Tei...

30 de outubro de 2006 às 16:05:00 WET  

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