INGLATERRA - O REI SIMPATIZA NOTORIAMENTE COM O ISLÃO
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Há já uns anitos li que o presente monarca britânico é apreciador da obra de René Guénon, o mais famoso tradicionalista de todos, defensor do chamado «perenialismo», a ideia de que existe uma Tradição única, ancestral, expressa em várias religiões; Guénon foi um espiritualista convicto, inimigo do materialismo moderno, e da Democracia... Guénon ão se envolveu em política e acabou por se afastar de Julius Evola, outro autor tradicionalista (e campeão da meta-política de Direita anti-democrática, tendo declarado em tribunal que não era fascista porque o Fascismo não era suficientemente de Direita). Outro facto - Guénon converteu-se ao Islão e foi viver para o Egipto (não sei se foi por esta ordem), casou com uma egípcia, teve filhos egípcios e aí morreu...
Conforme diz a IA, o rei Charles (não confundir com Ray Charles) é o patrono oficial da Temenos Academy no Reino Unido. Esta instituição educacional é dedicada ao estudo da filosofia perene e das tradições espirituais antigas, servindo como um bastião de ideias alinhadas com o pensamento de Guénon, Frithjof Schuon e Ananda Coomaraswamy. [1, 2, 3, 4] O rei já escreveu e enviou discursos para a Sacred Web, uma das revistas académicas mais importantes do mundo dedicadas ao Tradicionalismo. Nela, abordou temas como a necessidade de construir pontes espirituais entre o Islão e o Ocidente. [1, 2] Charles defende que as diferentes religiões ortodoxas (como o Islão Sufi, o Hinduísmo e o Cristianismo Tradicional) contêm a mesma verdade metafísica universal sob formas exteriores distintas. [1, 2, 3, 5]
Quanto ao texto do Jihad Watch, parece um bocado alarmista e exagerado, como é típico das narrativas da Direita conservadora. Bate certo com o facto de que é neste quadrante político que se encontra o pessoal mais queque e afectado, os «betos», por assim dizer, independentemente de o autor do artigo, Robert Spencer, não ter propriamente essa pinta, embora seja beato, tal como o protótipo do beto.
Para já, os muçulmanos não constituem mais de seis por cento da população total do Reino Unido, segundo o censo de 2021-22. O Islão é, de facto, a religião que mais cresce neste país, mas isto sucede sobretudo pela via da natalidade, pois que um filho de pai muçulmano é contado automaticamente como muçulmano. Os Povos Inglês, Galês, Escocês, dificilmente se convertem ao credo de Mafoma, salvo algumas excepções, parece que os conversos britânicos são 5200 por ano (já chegavam a cem mil em 2013), que se encontram sobretudo no campo da marginalidade sócio-cultural, a saber, nas militâncias de Extrema-Esquerda, e, também, nas pildras, onde alguns brancos britânicos têm sido forçados por gangues muslas a adoptar o culto de Alá. Dezoito por cento dos reclusos do país é oficialmente muçulmano.
Entretanto, a segunda geração de imigrantes muçulmanos já tem menos filhos do que a primeira, sobretudo porque as mulheres desta comunidade são influenciadas pela cultura ocidental e ascendem mais do que nunca à universidade e a uma vida individualista, cada vez menos dada a gerar extensa prole.
Isto fez-me pensar que os imigrantes muçulmanos em solo britânico se estão a tornar menos religiosos. A IA respondeu que nâo:
Ao contrário do que acontece com o Cristianismo e com a população nativa britânica, a religiosidade entre os muçulmanos no Reino Unido não tem vindo a diminuir. [1, 2]
Estudos sociológicos e demográficos consistentes apontam para a manutenção ou até para um aumento da observância religiosa, especialmente entre as gerações mais jovens. [1, 2]
Enquanto o Reino Unido se tornou um país de maioria não-religiosa ou secularizada (com quedas acentuadas na frequência das igrejas), a comunidade muçulmana demonstra uma forte resiliência cultural. De acordo com sondagens recentes do Institute for Impact and Faith in Life (IIFL): [1, 2]
Cerca de 92% dos muçulmanos britânicos afirma que a sua fé tem um impacto significativo na forma como vive a sua vida diária. Entre os cristãos britânicos, essa percentagem é de apenas 47%. [1]
Surpreendentemente, 80% dos muçulmanos no Reino Unido refere estar mais interessado e focado na sua fé hoje do que quando era mais novo. [1]
Em muitas comunidades imigrantes de outras religiões, a segunda e a terceira gerações tendem a afastar-se da fé dos pais. No Islão britânico, ocorre o oposto. Sondagens da Savanta ComRes focadas na Geração Z (jovens entre os 16 e os 24 anos) mostram que: [1, 2]
- Quase 90% dos jovens muçulmanos britânicos reza em casa e 75% frequenta a mesquita regularmente.
- Para a maioria destes jovens, a identidade religiosa ("ser muçulmano") surge frequentemente à frente da identidade nacional ("ser britânico") em termos de valores morais e lealdade comunitária. [1, 2, 3]
Sociólogos da religião explicam que este fenómeno não é apenas teológico, mas também socio-político. Sentindo-se frequentemente marginalizados ou sob escrutínio na sociedade ocidental, muitos jovens muçulmanos nascidos no Reino Unido utilizam a religião como uma âncora de identidade e orgulho cultural. Isto leva-os a adoptar práticas visíveis (como o uso do véu pelas mulheres, a exigência de comida halal ou a rejeição pública do álcool) com maior vigor do que os seus próprios pais ou avós, que preferiam a discrição. [1, 2]
Depois perguntei como é a questão das proporções raciais de convertidos. Em termos teóricos, é habitual parecer-me que há mais potencial de conversão ao Islão no seio da raça negra do que na branca, devido à associação actual entre o credo de Mafoma e a não-Europa, o que faz com que a religião muçulmana esteja conotada com identidade(s) não branca(s), atraindo portanto pessoal não branco que tenha andado a ser incitado a odiar o branco desde há umas décadas.
Eis as partes da respostas da IA que mais interessam:
Cerca de 6% de todos os muçulmanos residentes no Reino Unido (mais de 230 mil pessoas) declaram-se formalmente de etnia branca. [1]
Cerca de 25% a 30% de todos os convertidos ao Islão no país são de etnia negra (de origem afro-caribenha ou africana). Como a população negra representa cerca de 2,5% a 4% da população total do Reino Unido, o facto de garantirem quase um terço das conversões anuais demonstra que, proporcionalmente ao tamanho da sua própria comunidade, os negros convertem-se ao Islão a um ritmo extremamente elevado. [1] Esta tendência é muito influenciada pelo impacto histórico da cultura urbana, movimentos de identidade afrodescendente e a forte presença de comunidades muçulmanas africanas estabelecidas (como as comunidades da Somália e da Nigéria) em bairros multiculturais de Londres e Birmingham.
A População Branca representa a esmagadora maioria do país (cerca de 81% da população [1]). Embora contribua com cerca de 55% do total de convertidos, este número representa apenas uma fracção minúscula (menos de 0,3%) de toda a população branca britânica.
A População Negra representa uma minoria muito mais pequena (cerca de 4% da população total do país [1]). No entanto, como contribui com quase um terço (cerca de 25% a 30%) de todos os novos convertidos, isto significa que a probabilidade de um cidadão negro se converter ao Islão no Reino Unido é, proporcionalmente, várias vezes superior à de um cidadão branco.
Historicamente, muitos jovens de origem afro-caribenha encontram no Islão uma forte mensagem de igualdade racial, disciplina e oposição às estruturas coloniais ou eurocêntricas tradicionais, associando-se a um sentimento de pertença a uma comunidade global (Ummah). Sociólogos britânicos apontam que uma percentagem relevante de jovens negros em contexto urbano é atraída por correntes salafitas mais puritanas e literais. Este movimento oferece uma estrutura de regras morais muito rígida e uma ruptura total com o passado urbano (rejeição do álcool, drogas e criminalidade), o que funciona como um forte mecanismo de reabilitação e disciplina pessoal.
Será então que, daqui a escassas décadas, está a velha Albion a rezar de rabo para o ar, com tudo o que isso implica de contribuição axial para a queda do Ocidente, até porque, nessa altura, já a França e a Alemanha estarão tão islamizadas ou mais?
Parece-me francamente pouco provável. Sucede simplesmente que, como já disse noutras ocasiões, o que está em causa é demasiadamente importante para que se desvalorize o perigo. O alarmismo a mais pode ser traiçoeiro, como na história de Pedro e o Lobo, mas, como diz o povo, nunca as cautelas fizeram mal a ninguém.


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