terça-feira, fevereiro 10, 2026

PATRIARCA DE LISBOA DECLARA QUE AUMENTO DOS ESTRANGEIROS EM PORTUGAL NÃO PÕE EM CAUSA A MATRIZ CRISTÃ E CRITICOU OS CATÓLICOS QUE SÃO CONTRA OS IMIGRANTES


O patriarca de Lisboa considera que o aumento dos estrangeiros em Portugal não coloca em causa a matriz cristã da sociedade portuguesa e
criticou os católicos que são contra os imigrantes, por desrespeitarem os ensinamentos de Cristo.
Em entrevista à Lusa, Rui Valério salientou que o catolicismo e a cultura cristã são "forte promotor da mentalidade universalista" e a presença de muitos imigrantes de outras religiões não diminui o cariz cristão e católico dos valores morais da sociedade portuguesa. "Porque essa tal matriz a que se refere está no coração das pessoas e não é isso que está em questão", resumiu o responsável do patriarcado.
Sobre o discurso contra os imigrantes, protagonizado por muitos que se dizem católicos e de movimentos conservadores, Rui Valério recordou que "o próprio Cristo se identificou como peregrino e como estrangeiro", citando o Evangelho: "Eu era peregrino e estrangeiro e vós me recolhestes, eu tive fome e deste-me de comer, eu estava no hospital e fostes-me visitar, eu estava na prisão e vós viestes em meu auxílio", recordou o patriarca católico de Lisboa, salientando que a diocese deve estar unida nesse sentimento de ajuda ao próximo e aos mais pobres, imigrantes ou nacionais.
No final de 2024, Portugal passou a ter 1,5 milhões de estrangeiros a residir do país, um aumento que criou problemas sociais e novas divisões, a par do crescimento da intolerância, admitiu o prelado. "O fenómeno da imigração apanhou-nos a todos de surpresa e não fomos preparados para ele", considerou Rui Valério, apontando "falta de preparação por um lado no acolhimento e, por outro, na preparação de nós próprios", enquanto sociedade.
A imigração é um "fenómeno complexo", mas, "numa perspectiva cristã e evangélica, nunca nós podemos deixar de tratar o outro, seja ele quem for, como um irmão ou como uma irmã", acrescentou.
Sobre os imigrantes de outras religiões em Portugal, Rui Valério saudou a convivência e o respeito que têm pela fé católica, dando o seu próprio exemplo pessoal, quando contacta com essas comunidades. Em ocasiões de distribuição de comida aos carenciados nas ruas de Lisboa, muitos crentes de outras religiões "olham para mim e vêm pedir a bênção", exemplificou, salientando que tem ouvido muitas histórias pessoais.
"A principal dificuldade é a legalização, encontrar documentos", num processo de exclusão social em que se confundem com os portugueses mais pobres, que também enfrentam o aumento galopante do custo de vida. "A tarefa pastoral da Igreja é ser ela própria uma comunidade de encontro que promove o encontro", disse ainda Rui Valério.
O patriarca de Lisboa acusou ainda alguns dos líderes mundiais mais poderosos de serem imaturos e de quererem fazer a guerra, promovendo uma corrida ao armamento que coloca em causa a paz mundial e o equilíbrio das nações. “Há da parte de alguns líderes de superpotências uma vontade explícita de fazer a guerra e, portanto, quando é assim, dificilmente chegamos a um acordo”, afirmou.
Rui Valério disse subscrever “linha por linha" a posição do Papa Leão XIV sobre o tema. “Quando ele nos fala de uma paz desarmada e de uma paz desarmante, ele quer contrariar exactamente esta cultura do armamento exacerbado”, afirmou o arcebispo de Lisboa, antigo bispo das Forças Armadas portuguesas.
A tensão mundial tem subido de tom após a invasão da Ucrânia pela Rússia, as mortes em Gaza ou a recente captura do chefe de Estado da Venezuela pelos EUA, cujo Presidente tem ameaçado derrubar, pela força, governos no Irão e Cuba, bem como invadir a Gronelândia.
"No capítulo da vontade, de facto, eu constato que na origem de todos estes conflitos existe vontade de fazer guerra. Não venham cá com outra conversa”, acusou, esperando que as tradições humanistas de muitos desses países venham a despertar a consciência das respetivas sociedades, porque “fazer guerra só provoca mais guerra, só provoca destruição”.
Para Rui Valério, alguns dos líderes mundiais — que nunca nomeia — correspondem a “gente não resolvida, gente que não amadureceu”. “São pessoas que não cresceram, que ficaram numa fase de desenvolvimento muito ali à beira da adolescência” e “têm de resolver qualquer coisa dentro delas”, pelo que usam o discurso bélico e a guerra para “afirmar as suas personalidades”, acrescentou ainda o patriarca de Lisboa.
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Fonte: https://expresso.pt/sociedade/religiao/2026-01-17-imigracao-nao-coloca-em-causa-matriz-crista-da-sociedade-portuguesa-defende-patriarca-de-lisboa-bd77f9e7?fbclid=IwY2xjawP1d6BleHRuA2FlbQIxMABicmlkETBlVGJFNlRlOEFZbHV6QW8yc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHpF73NoE7Hye83QqdUa3609J7LSsIJRA2d_ykK6VCBAe2VKrSdntKep23sPw_aem_be5fNnpDdY3W0BUFXiB9aA#Echobox=1768692186   (Artigo originariamente redigido sob o acordo ortográfico de 1990 mas corrigido aqui à luz da ortografia portuguesa).


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Com que então a paz boa é a paz desarmada, e todos os que falam em armas são culpados... falaria ele assim dos Cruzados e dos combatentes da Reconquista Ibérica, graças à qual ele pode sentar o coiro no supremo poleiro cristão da capital do País, que esteve séculos nas mãos dos muçulmanos e só passou para as dos cristãos à força de braço e espada?... E de quem resistiu aos Nazis de armas na mão, o que diria ele?...

Quererá entretanto o fulano desmobilizar o esforço europeu que faz frente à potência formalmente mais cristã da Europa, encabeçada por Putin?...


Quanto à questão da imigração, é o clérigo coerente. O Cristianismo sempre foi universalista, desde o próprio Jesus C., aliás, o cerne da moral cristã é inclusivamente o maior inimigo moral, ideológico, visceral do Nacionalismo. O supremo vigário lisboeta do Judeu Morto vem portanto confirmar o óbvio, que tenho denunciado aqui ao longo de vinte e poucos anos - a incompatibilidade incontornável entre Nacionalismo e Cristianismo. Só se engana quem quer. Note-se que a passagem por si referida é apenas uma das que atesta esta oposição insanável, dado que é a que mais directamente refere a questão, mas há várias outras, já aqui mencionadas, que mostram com afiada clareza o carácter visceralmente anti-nacionalista, anti-etnicista, anti-racialista, anti-racista, do culto ao carpinteiro que foi crucificado perto de onde Judas perdeu as botas.


Isto abala os católicos mais ingénuos que são nacionalistas, é bem notório.

Precisam de Deus, é natural. Precisam de uma herança religiosa familiar, é salutar. Precisam de uma religião simples, directa, prática, é normal.

Precisam de uma religião óbvia, sim. Têm-na ao seu alcance sem precisarem de renunciar ao Nacionalismo. É só isto: prestar culto a Deus. Deus sem Cristo, evidentemente. Fale-Se de Deus na raiz literal da palavra na nossa língua - «Deus» é uma palavra de raiz indo-europeia que designa uma Entidade do Céu brilhante. O Deus do Céu propriamente dito é o Deus Pai, que origina nomes como o latino Diespiter ou Júpiter, o grego Zeus, o ilírio Daipatures, provavelmente o germânico Tyr e seguramente o indiano Dyaus Pitar... É então o Pai Celestial luminoso, adorado pelos nossos ancestrais indo-europeus que nos deram a língua que falamos. Nada é mais óbvio, mais forte e mais simples que isto, e, em matéria de religiosidade popular, uma ideia que não é simples não é uma boa ideia. Renova-se destarte o cerne da mensagem integral nacionalista que já vem desde a noite dos tempos e que Cícero referiu no século I a.c. com o lema «Pro Aris et Focis», que é «Pelos Altares e pelos Lares», e que, já no século XX, se formulou como «Deus, Pátria, Família» e que quadra mal com o Cristianismo mas faz pleno sentido com a herança etno-religiosa da Grei.