ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2026
Contra o grosso da elite reinante, ou seja, quase todos os políticos do chamado arco da governação, contra a imprensa «livre» em peso, a maralha intelectual «mainstream», as igrejas em registo indirecto sonso, pois contra tudo isto, viu-se que o mais influente representante do Nacionalismo e da causa anti-imigração em Portugal, André Ventura (AV), não só passou à segunda volta das eleições presidenciais, fazendo, só por isso, história, como também alcançou mais de um terço dos votos (33,9%), chegando assim a ultrapassar a percentagem com que o actual partido do governo, PSD, foi eleito.
Se o voto no seu adversário foi, em muitos casos, um voto anti-AV, não é menos verdade que o voto em AV foi, numerosas vezes, um voto contra o sistema, seja qual for a razão de queixa de cada um dos seus eleitores.
Mais de um milhão e setecentos mil portugueses acordaram para perceber a necessidade de se defenderem, de forma civilizada, do que lhes está a ser impingido pelas classes dominantes. Compreende-se, assim, que a maioria dos eleitores com estudos universitários votasse no oponente, muito menos motivados pelo mérito reconhecido do dito oponente, António José Seguro, do que por ódio a AV - quanto mais se está sujeito à influência cultural da elite reinante, mais se recebe também a sua influência ideológica, razão pela qual o maior foco de ódio, no Ocidente, ao Nacionalismo, ao racismo, ao próprio Ocidente e, por extensão, a Israel, está precisamente nas universidades ocidentais. Verifica-se, em contraste, que, no seio da massa popular, o impulso mais forte é o apelo tribal, que não desperta em pleno de um dia para o outro, pois que Roma e Pavia não se fizeram num dia, mas faz-se notar com cada vez mais impacto político, porque quanto mais o povo ouve em discurso directo a mensagem nacionalista anti-imigração, mais nela vota. Nunca será demasiado dizer que este é o motivo pelo qual quanto mais democrática for uma sociedade, ou seja, quanto mais nela se exercer a vontade popular, mais politicamente influente será aí a política nacionalista, como se está a ver um pouco por todo o Ocidente desde há algumas décadas.
O que AV fez agora já o bretão e patriota francês Jean-Marie Le Pen tinha feito em 2002, quando passou à segunda volta das eleições presidenciais francesas, mais uma vez contra tudo e contra todos, tendo do seu lado «apenas» o instinto tribal do povo, ou seja, o factor mais influente em Democracia. Le Pen entendeu que a Democracia é de facto a melhor das vias políticas e marcou uma época ao enveredar definitivamente pela via democrática, o que lhe granjeou alguma hostilidade nos meios da Extrema-Direita «purista» ou cretinamente anti-democrática. Conforme disse o bretão, é óbvio que, se falharmos um golpe de Estado, somos presos ou mortos, enquanto uma falha em eleições permite-nos muito simplesmente voltar a tentar daí a quatro anos, tendo então mais tempo para despertar, galvanizar e arregimentar consciências, pois que é exactamente este o terreno em que o Nacionalismo se move, o de ter de trabalhar a massa telúrica para daí retirar o diamante em bruto e trabalhá-lo como é devido. O papel do Movimento Nacionalista é o do mitológico Anteu - receber forças da «terra».
Note-se que AV teve percentagem superior ao seu homólogo de França, o qual se ficou pelos vinte por cento dos votos, enquanto a sua filha, Marine Le Pen, está agora a chegar aos quarenta por cento nas eleições presidenciais francesas. É também verdade, por outro lado, que o Portugal de 2026 tem menos tempo para se defender da iminvasão do que a França de 2002...
Entretanto, talvez tenha sido bom para o Nacionalismo em Portugal que AV não tivesse ganho ontem as eleições. Faz mais falta como primeiro-ministro do que como presidente - faz mais falta, antes de mais nada, como líder da oposição. Pode acontecer que, dentro de cinco anos, já haja no seu partido alguma figura suficientemente destacada e carismática capaz de representar o Nacionalismo nas próximas eleições presidenciais, entre Rita Matias, Cristina Rodrigues, Bruno Nunes, Pedro Pinto e outros que possam surgir. Por agora, o trabalho nacionalista não escasseia e revela-se, até ver, cada vez mais frutífero.


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