segunda-feira, março 15, 2021

LEMBRAR A TOMADA DE SANTARÉM - MARÇO DE 1147

                                                  


Santarém era uma cidade muito rica. Já no séc. X o escritor árabe Razi escreveu: "No distrito de Santarém a terra é muito abundante e rica; e os campos podem dar duas sementeiras por ano, querendo-se, tão boa é a terra de sua natureza".
Em 1147, D. Afonso Henriques preparou-se para atacar e conquistar Santarém.
Enviou Mem Ramires à cidade com o fim secreto de estudar o local e ver por onde seria mais fácil a escalada dos muros. Mem Ramires entrou em Santarém com o pretexto de tratar de negócios. Observou tudo cuidadosamente, tal como o rei lhe recomendara.
Quando regressou a Coimbra contou tudo ao rei. Ofereceu-se para ser o primeiro cavaleiro a trepar os muros e levantar o estandarte real no interior do castelo.
Com um plano traçado, o rei saiu de Coimbra a uma 2ª feira, dia 10 de Março de 1147. Ia na companhia dos seus cavaleiros, entre os quais Fernando Peres, Gonçalo Gonçalves, Lourenço Viegas, Pero Pais e Gonçalo Sousa.
No segundo dia de marcha, D. Afonso Henriques ordenou a Martim Mohab que fosse com mais dois homens a Santarém. Partiram com a missão de anunciar aos mouros que as tréguas ficavam suspensas por três dias.
Na madrugada de 6ª feira a pequena hoste acampou em Pernes.

O rei falou com os seus cavaleiros:
"Combatei por vossos filhos e descendentes, que convosco eu próprio estarei (...) e nada haverá, na vida ou na morte, que de vós me possa apartar".

Em seguida confiou-lhes o plano para o ataque a Santarém. Quando os cavaleiros compreenderam que D. Afonso Henriques os queria acompanhar no ataque, tentaram dissuadi-lo. O rei respondeu que preferia morrer a não tomar Santarém naquele ano. Para sossegar os ânimos, o rei lembrou que em Coimbra, os monges de Santa Cruz rezavam pela vitória.
O rei ordenou que se escolhessem cento e vinte soldados, que se fabricassem dez escadas e que a cada dúzia de homens se confiasse uma escada.

Assim, com as escadas, a escalada dos muros da cidade seria mais rápida e segura.

Ao anoitecer, puseram-se em marcha rumo a Santarém, conduzidos por Mem Ramires. Perto da cidade, seguiram por um vale entre o monte Iraz ou Motiraz e a fonte de Tamarmá. Junto da cidade ouviram as vozes de dois mouros, as atalaias.
A hoste escondeu-se numa seara, esperando que os vigias mouros adormecessem.
 Quando os vigias adormeceram, Mem Ramires utilizou a ponta de uma lança para prender uma escada ao topo do muro. Esta, no entanto, caiu com estrondo sobre o telhado de uma casa. Reagindo com rapidez, Mem Ramires ordenou a Moqueime, um moço de alta estatura, que lhe trepasse para os ombros e amarrasse a escada nas ameias. Logo que a escada ficou presa, os cristãos subiram sem hesitar e um hasteou o pendão real. Mas os mouros acordaram com o barulho e perguntaram:
      
 "Manhu? Manhu? (Quem é? Quem está aí?)". Quando perceberam que estavam a ser atacados, gritaram: "Anaçara! Anaçara! (Nazarenos! Nazarenos!)".

Mem Ramires respondeu com o grito de guerra:

"Santiago e rei Afonso!".

 Fora dos muros, ouvia-se a voz do rei invocando Santiago e a Virgem Maria e dando a ordem de matança:
"Matai-os a todos! Que nenhum escape ao ferro!".

 Os que já tinham subido as escadas tentaram arrombar as portas, mas sem o conseguirem. Então, os que estavam do lado de fora, atiraram-lhes um malho de ferro por cima dos muros, com o qual os de dentro partiram os ferrolhos. Todos entraram, correndo.
Logo que passou a porta, o rei ajoelhou-se por um momento, agradecendo a Deus aquela vitória. Muitos mouros morreram nessa noite. Outros foram feitos cativos. Quando se fez dia, nesse Sábado 15 de Março de 1147, já o rei D. Afonso Henriques era senhor de Santarém.
Desde então, a cidade de Santarém ficou sempre na posse dos portugueses.

Trabalho realizado pelos alunos da Escola EB 23 de Alexandre Herculano (5ºB), ano lectivo de 1996/97 e sob a orientação da prof. Teresa Pacheco.
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Fonte: http://portugalglorioso.blogspot.pt/2015/03/15-marco-1147-d-afonso-henriques.html

Cidade antiga, esta, cuja fundação mergulha na noite dos tempos.

Santarém tem abrigado várias lendas acerca da sua origem. Uma delas está relacionada com a mitologia Greco-Romana e conta que o príncipe Abidis, fruto de uma relação do Rei Ulisses de Ítaca com a Rainha Calipso, foi abandonado pelo avô – Gorgoris, Rei dos Cunetas – que o lançou às águas do Tejo, dentro de uma cesta. Como por milagre a cesta que albergava o príncipe aportou na praia de Santarém, onde uma serva o criou. Tempos depois, Abidis foi reconhecido pela sua mãe, Calipso, tornando-se assim legítimo ao trono. A Santarém deu o nome Esca Abidis (“manjar de Abidis) e daí teria vindo o nome Escálabis. Outra das lendas mais reconhecidas pelos Scalabitanos é a da Santa Iria. Esta lenda conta que Iria, uma donzela, um dia viria a ser violada, e posteriormente morta e atirada ao rio Tejo. O seu corpo fez-se chegar à Ribeira de Santarém e mostrou o seu corpo afastando as águas à sua volta. Por este pequeno “ milagre”, esta donzela tornou-se Santa, a Santa Iria.
Fonte: Wikipedia

Já agora é de digno de nota que a cidade foi tomada sem auxílio das tropas estrangeiras de além Pirinéus, que já tinham partido para Jerusalém.