quarta-feira, outubro 25, 2017

SOBRE O CRESCENTE NACIONALISMO NA CORNUALHA


Já existe um partido nacionalista na Cornualha - o Mebyon Kernow (MK), ou «Filhos da Cornualha» na língua céltica desta pequena nação céltica britónica. Nas eleições locais deste ano, manteve quatro vereadores no «County Hall», espécie de câmara municipal local, que os nacionalistas deste partido põem entre aspas porque não aceitam que o ducado da Cornualha possa ser um simples condado. É curioso que esta pequena nação tenha as fronteiras mais antigas da Europa ocidental. 
O MK não se diz separatista, mas considera o rio Tamar como uma fronteira nacional. Há, entretanto, nacionalistas córnicos que consideram a Cornualha como «a primeira colónia de Inglaterra». Originalmente, os invasores Anglo-Saxões não chegaram à Cornualha, deixando-a aos seus habitantes pré-germânicos, do grupo britónico do ramo céltico, tal como os seus vizinhos Galeses e Bretões, diferentes dos outros celtas, os Goidélicos (Irlandeses, Maneses e Escoceses). É de notar que ainda no tempo dos Tudors a Cornualha era vista como uma das quatro nações da Britânia, em conjunto com Gales, Escócia e Inglaterra, cada qual com o seu próprio idioma. A Reforma Protestante veio alterar isto - as novas traduções da liturgia (em vez de serem ditas em Latim, passaram a ser ditas em Inglês) foram mal recebidas na Cornualha, onde o Inglês era visto como tão estrangeiro ou mais que o Latim. Chegou a haver uma rebelião córnica, a Rebelião do Livro de Orações, mas os seus cabecilhas foram executados, naquilo a que os separatistas córnicos chamam «genocídio esquecido» e a língua local começou a declinar. A resistência permaneceu, contudo, e isso ajudou a que a Igreja Metodista aí tivesse sucesso, uma vez que a concorrente Igreja de Inglaterra era considerada uma imposição alógena; outro sinal da resistência existente foi a continuidade do partido liberal, dissidente do regime, até ao século XX. Hoje, o partido Lib-Dem, liberal-democrata, recebe políticos córnicos que querem «evoluir» na carreira política...
Na Cornualha há mais outro partido nacionalista, aliás, mais concretamente nacionalista - o Partido Nacionalista Córnico, que já quis abertamente a secessão desta nação.



Um dos problemas do nacionalismo córnico é que a sua economia depende em grande medida do turismo inglês. Os partidos nacionalistas da Cornualha não têm pois, ainda, o atrevimento separatista do seu congénere escocês SNP ou mesmo do igualmente congénere galês Plaid Cymru, que tem uma forte componente ecologista, a qual, na Cornualha, já está monopolizada pelos liberais...
O Nacionalismo cresce todavia neste corno ocidental da Grã-Bretanha - em sondagens sobre a identidade nacional, metade da população já se descreve como «córnica, não inglesa» e um quarto da mesma como «mais córnica que inglesa». A bandeira da Cornualha, cruz branca em fundo negro - a cruz de S. Piran - está por toda a parte do cenário urbano: emblemas diversos, símbolos de empresas e de um supermercado, tatuagens... Ao mesmo tempo, há cada vez mais placas com nomes de localidades redigidas na língua nacional desta nação céltica.Uma deputada declara orgulhosamente que os seus filhos são os primeiros, em duzentos anos, a terem o Córnico como primeira língua.
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Fonte: https://www.spectator.co.uk/2017/06/duchy-original-cornish-national-consciousness-gets-stronger-by-the-year/

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É mais uma Nação europeia que desperta - em regime de liberdade e paz, ou seja, naquilo a que se poderia chamar «normalidade» de um ponto de vista ocidental actual, o Nacionalismo cresce naturalmente à medida que no seu seio houver quem o promova, isto enquanto houver um Povo homogéneo, bem entendido...