terça-feira, dezembro 04, 2007

O ISLÃO NO SÉCULO XXI - OPINIÕES ISLÂMICAS EM TELEVISÃO POR SATÉLITE

É deveras interessante ler o que se diz num programa da televisão muçulmana de grande audiência Al Risala, com participação do público e de convidados, uma espécie de «Prós e Contras» lá do sítio.
A ou o Al Risala («A Mensagem») é dado como um canal de televisão por satélite islâmico moderno, moderado...

Leiam-se pois alguns excertos bastante esclarecedores a respeito da natureza do Islão e do modo como o Islão é hoje entendido por muitos, senão pela maioria dos seus seguidores...

Quando o tema é a questão da apostasia, isto é, da renúncia à religião que até então se professa, ouvem-se uma série de comentários muito sintomáticos, não apenas sobre os apóstatas em si, mas sobre os infiéis em geral:

(A itálico o texto do debate, a escrita normal azul os meus comentários):

Fátima (uma das convidadas) - (...) O Alcorão dividiu as pessoas em muçulmanos, infiéis e gente do livro (judeus e cristãos - nota do bloguista). Portanto há um grupo de pessoas que devemos declarar como infiéis.

(...)

Gamal 'Allam (um dos convidados)- No que respeita a matéria de fé, os estudiosos sunitas concordaram em que alguns actos levam à excomunhão duma pessoa. Se a pessoa comete algum destes actos, é considerada infiel. O primeiro caso(acto) é negar algo que é irrefutavelmente parte do Islão.

(...)

Gamal 'Allam - Outro caso é quando a pessoa proíbe algo que é irrefutavelmente permitido. Se Alá permitiu algo, e depois vem alguém que o proíbe...

Al-Sweidan (moderador) - Por exemplo, alguns países muçulmanos proíbem a poligamia.

Gamal 'Allam - Alguém que proíba a poligamia é um infiel, que deve ser excomungado, porque está a desafiar Alá no seu direito de proibir e permitir.


(...)

Gamal 'Allam - Quem quer que governe de acordo com uma lei que não aquela que foi enviada por Alá, e o faz inteiramente consciente e por convicção...

(Cuidado, muslos laicos... )

(...)

Gamal 'Allam - Se ele acredita que a sua lei é igual à lei de Alá, está a comparar Alá com seres humanos, e, portanto, é um infiel. Se acredita que a sua lei é melhor do que a lei de Alá, então ele prefere a criatura ao seu Criador, portanto é um infiel.

Gamal 'Allam - Quem quer que mande as pessoas prestar-lhe culto...

Al-Sweidan - Obviamente, tal como o Faraó.

Gamal 'Allam - Sim, quem quer que chame as pessoas ao culto de si mesmo... ou que diga ser o filho de Deus...

(Atenção, cristãos...)

Al-Sweidan - Isto é óbvio.

(...)

Gamal 'Allam - Um indivíduo é considerado infiel se amaldiçoar Alá, ou o Seu mensageiro, ou o Alcorão, ou que troce da família do profeta.

(...)

Gamal 'Allam - Quem quer que faça troça dos muçulmanos ou das muçulmanas por causa da sua religião... não quero com isto referir-me a uma pessoa que tem uma disputa com alguém e lhe diz: "Gozas comigo como muçulmano, és um infiel." Refiro-me a uma pessoa que faça troça ou amaldiçoe um muçulmano só porque este reza...

Al-Sweidan - Por outras palavras, que faça troça da religião.

Gamal 'Allam - Que faça troça dos ritos religiosos. Por exemplo, uma pessoa que faça troça duma mulher por ela usar o véu...


(...)

Gamal Al-Bana - Quem quer que diga: "Não há nenhum Deus além de Alá, e Maomé é o mensageiro de Alá" é um muçulmano. Fim de discussão. Não nos cabe o papel de nos debruçarmos sobre detalhes da sua crença. Efectivamente, a heresia e a fé são, em primeiro lugar, assuntos de Alá, e, secundariamente, são assuntos pessoais.

(...)

Al-Sweidan - Antes do intervalo, perguntei à audiência quais os seus pontos de vista a respeito deste assunto. Será que um muçulmano deve ter a liberdade ou o direito de mudar de religião?
Os resultados são os seguintes:
- 24% respondeu "Sim, tem o direito de mudar de religião."
- 76% respondeu "Não."
Vamos ouvir algumas opiniões e depois retornarei aos nossos convidados.


(...)

Membro da audiência - Se o senhor se tornar num apóstata, a sua punição é a morte. Há um grande problema porque a maioria de nós, 70%, são muçulmanos porque nasceram filhos de pais e mães muçulmanos. Antes de uma pessoa se converter ao Islão, tem a liberdade de escolher, mas é preciso lembrar que quem quiser sair do Islão, será punido com a morte. Portanto, há a liberdade de escolher, mas na condição de...

Al-Sweidan - Isso não é liberdade.

Membro da audiência - Tem condições...

Al-Sweidan - Aquilo que está a dizer é isto: «Tem o direito ser apóstata, mas eu mato-o.»

Membro da Audiência - Correcto. Não lhe direi para não o fazer.

Al-Sweidan: O que é que pode ser pior do que ser morto?

Membro da Audiência - É por isso que eu não serei um apóstata.
(...)

Al-Sweidan - Gostaria de dar novamente a palavra ao Dr. Gamal. 76% dos jovens aqui presentes acreditam que o muçulmano não tem o direito de mudar de religião. Como responde a isto?

Gamal Al-Bana - Isso é muito triste. Este resultado indica uma falta de conhecimento respeitante à essência do Islão, que é fé e liberdade. Se a crença não é baseada na consciência e na convicção, é inútil. Tal como diz o Alcorão: "Se tivesse sido vontade de Deus, todos acreditariam." Noutras palavras, todo o muçulmano tem o direito de alterar a sua religião como quiser, e ninguém tem o direito de o impedir, porque se trata de uma questão de liberdade de consciência, e é proibido intervir em matérias da consciência das pessoas. Fale-se com o indivíduo, tente-se persuadi-lo, tenha-se um diálogo com ele, mas não se force o indivíduo. Apresentaram-se aqui três opções: diálogo, matança, sistema legal. O que é que o sistema legal ou a matança têm a ver com a consciência das pessoas?

(...)

Gamal Al-Bana - É muito triste. A maior parte de vocês são jovens e não acreditam na liberdade.

Gamal 'Allam - Gostaria de saudar os nossos homens e mulheres pela sua crença natural e saudável e pelo seu zelo religioso. Ao mesmo tempo, foi triste ouvir o Sr. Gamal Al-Bana a apelar à «liberdade de pensamento», mas deixem-me fazer uma correcção - aquilo a que ele apela é na verdade à «liberdade de heresia» nos países muçulmanos.

Gamal Al-Bana - "Deixe-se que aquele que quiser acreditar acredite, deixe-se que aquele que quiser rejeitar rejeite."

(...)


Gamal 'Allam - O Islão é a única religião que começa com um imperativo, "Lê". É a única religião razoável e aceitável.
Al-Sweidan - E se uma pessoa não estiver convencida?
Gamal 'Allam - Então não está bem da cabeça.
Al-Sweidan - Isso é o que o senhor pensa, mas será que o indivíduo não tem o direito de ter alguma coisa errada na sua cabeça?
Gamal 'Allam - Quem quer que seja insano deve ser posto num asilo para doentes mentais, ou então a sua cabeça deve ser removida para não contaminar as cabeças de outros.
(...)
Al-Sweidan - Todos concordamos em que quem quer que viole a lei deve ser punido. Ninguém põe isso em causa. Estamos a falar duma matéria relacionada com a crença do indivíduo, não da violação da lei.
Gamal 'Allam - Se esta crença pertence apenas a essa pessoa, nesse caso não haverá problema. O problema é que essa pessoa está a prejudicar-me, a prejudicá-lo a si, a prejudicar a sociedade muçulmana...
Al-Sweidan - Não, se ele quiser ser infiel, é livre de ir para o inferno. Isto não me prejudica em nada. Por exemplo, Salman Rushdie, que se tornou num apóstata - boa viagem. Não me afectou em coisa alguma.
(...)
Gamal Al-Bana - Acredito que a liberdade de pensamento e de crença é absoluta, porque esta liberdade de pensamento leva à liberdade de oposição política, que estabelece a democracia e deixa para trás os reis e a tirania. Também leva à liberdade das ciências, o que tem levado ao progresso, e à liberdade da justiça, que levou ao tratamento justo dos trabalhadores e das mulheres. A liberdade de pensamento é indivisível, e o elemento mais importante da liberdade é a crença de um indivíduo, porque tem a ver com a consciência individual. Portanto, não pode ser restringida de nenhuma maneira.
Saiba-se agora que Gamal Al-Bana é um intelectual egípcio muito polémico devido às suas posições invulgares - é portanto um excêntrico no mundo islâmico, uma raridade lá do sítio... independentemente disso, é de notar que o sujeito apoiou os ataques terroristas do 11 de Setembro.
Ora o sujeito, juntamente com o jornalista apresentador, faz nesta discussão figura de moderado e respeitador da liberdade - perante si, tem uma maioria deaquilo que os ocidentais considerariam «fundamentalista», não apenas na pessoa do interlocutor Gamal 'Allam, mas sobretudo da maioria da audiência.
Ora isto sucede num canal alegadamente moderado - num canal televisivo por satélite alegadamente moderado, moderno, a maior parte da audiência apoia a repressão da liberdade individual e a matança dos apóstatas.
Quem pode querer gente desta a entrar e a viver no Ocidente?

11 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Anónimo disse...
Ó seboso, já lavaste o cabelo?

Terça-feira, Dezembro 04, 2007 3:23:00 PM


Cá para mim tens um fetiche de ser insultado ou então queres pela força que o Caturo te deixa lavar o cabelo dele??

4 de dezembro de 2007 às 15:53:00 WET  
Blogger Caturo said...

Sim, lá masoquista é ele, e apanascado idem; mas o que ele vem aqui fazer é tentar desacreditar o blogue como local de discussão sério. Truques rascas desses topo eu à légua.
Para cúmulo da estupidez, escolheu um tema em que provavelmente lhe daria lições em barda, visto que devo tomar mais vezes banho num dia do que ele numa semana - os antifas nunca foram amigos da água...

4 de dezembro de 2007 às 15:55:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

os antifas nunca foram amigos da água...


AHAHHAHHA

Faz-lhes alergia...

Como está no FN no post o camarada Roma " Não tenho pelos na boca porque tu não deixas" com as antifas era mesmo por não querer chatos e piolhos suas porcas...

4 de dezembro de 2007 às 16:38:00 WET  
Blogger Treasureseeker said...

Caturo,eu penso que a teologia Islâmica chegou a um ponto de retrocesso nos dias de hoje.Na Idade Média(Europeia),existiram várias correntes de interpretação e estudo corânico,que desenvolveram a fundo as especificidades e natureza do Islamismo,com nomes importantes como Averróis,ou Ibn Rushd,em árabe,ou mesmo Avicena,(Ibn Sina),situação que deixou de se verificar,passando muitos ideológos muçulmanos a adoptar discursos radicais e integristas,coisa que,de resto,sempre se encontrou na religião islâmica,desde o seu início.

4 de dezembro de 2007 às 17:51:00 WET  
Blogger Caturo said...

Será que esses que citas eram mesmo islâmicos «a sério», por assim dizer?...

Não estudei o assunto, mas quem o fez aponta para o facto de tanto Avicena como Averróis serem muito mais neo-platónicos do que propriamente islamistas... ver o link aqui: http://gladio.blogspot.com/2005/07/o-contributo-islmico-para-cultura.html

4 de dezembro de 2007 às 18:29:00 WET  
Blogger Caturo said...

situação que deixou de se verificar

E porque será que deixou de se verificar? Talvez porque o contacto com a cultura europeia tenha esmorecido?

4 de dezembro de 2007 às 18:30:00 WET  
Blogger Treasureseeker said...

Exacto.Tanto Avicena como Averróis inseriam-se numa corrente de pensamento muito impregnada da filosofia neo-platónica e Aristotélica,e isso diferenciou-os sobremaneira do Islamismo
tradicional.Na era medieval,os árabes tiveram contacto com a cultura grega clássica e isso influenciou as ciências árabes.

Quanto à radicalização do discurso teológico muçulmano,acho que isso será fruto de circunstâncias várias:confrontos violentos com europeus e outros povos;situações de natureza colonial no Médio Oriente.Não estou muito por dentro deste tema para poder responder com segurança.

4 de dezembro de 2007 às 18:50:00 WET  
Blogger Caturo said...

Só que esse confronto sempre existiu no mundo islâmico, contra tudo e contra todos, logo desde Maomé...

5 de dezembro de 2007 às 11:31:00 WET  
Anonymous fundamentalista ateu said...

"Ora o sujeito, juntamente com o jornalista apresentador, faz nesta discussão figura de moderado e respeitador da liberdade"

Gamal, o Caturo do Islão. Fonix, venha o diabo e escolha.

5 de dezembro de 2007 às 14:49:00 WET  
Anonymous fiscal da soc. portuguesa de autores said...

"Não estudei o assunto, mas quem o fez..."

Ora aí está, Aleluia, pela primeira vez o Caturo reconhece que não tem uma unica ideia original e se limita a verter aqui no blog "verdades" avulsas que vai descobrindo em titulos de artigos alheios. Embora só de títulos, a isto só lhe podemos chamar Plágio.

5 de dezembro de 2007 às 14:55:00 WET  
Blogger Caturo said...

Ora aí está, Aleluia, pela primeira vez o Caturo reconhece que não tem uma unica ideia original

Se não tivesse uma única ideia original, não punha tantos idiotas rancorosos e impotentes a espumar de ódio contra ele. :)


e se limita a verter aqui no blog "verdades" avulsas que vai descobrindo em titulos de artigos alheios. Embora só de títulos, a isto só lhe podemos chamar Plágio

Chama-se divulgação - o plágio consiste em tomar para si os créditos da autoria de algum trabalho, coisa que nunca fiz. Mas enfim, como não há absolutamente nada de mal de que me possam acusar, recorrem a acusações mentecaptas - é a prova dos nove de que andam realmente incomodados. :)

5 de dezembro de 2007 às 16:13:00 WET  

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