terça-feira, janeiro 03, 2006

A SUÁSTICA, A PROPÓSITO DO QUE SE PASSA NO TADJIQUISTÃO...




Depois de se libertar do Comunismo soviético, a classe governativa da Nação tem promovido activamente a ideia de que os Tadjiques são arianos, a ponto tal que já declarou que 2006 será celebrado como o ano dedicado à civilização ariana.

Esta promoção do orgulho árico faz-se especialmente necessária neste momento, uma vez que, depois da queda do antigo controle soviético sobre toda a região, o Tadjiquistão depara-se agora com uma situação geopolítica de «cerco» por parte de países turcófonos, os quais, mercê da comum identidade étnica, estão cada vez mais unidos entre si.

Como seria de esperar, há já vozes de protesto, fora e dentro do país, da parte de quem teme o Nazismo, etc.. Mas os governantes favoráveis à cruz gamada têm sabido debelar esses medos, dado que repudiam publicamente a doutrina de Hitler.



Quanto à suástica, tem sido, desde tempos imemoriais um signo particularmente usado pelos vários ramos da família indo-europeia (ou ariana, latu sensu), uma vez que se encontra gravada em artefactos arcaicos de várias partes da Europa e da Ásia. Crê-se que tal aplicação aos objectos - potes de cerâmica, armas, anéis - se prende com o poder benévolo desta cruz, dado que o seu nome sânscrito deriva da junção de «su», que é «bom», com «asti», que significa «ser». Tudo indica que, originalmente, representaria a energia, ou a acção da energia sobre o mundo, nomeadamente a ígnea, daí que commumente seja considerada como símbolo solar, mesmo que também estivesse ligada, no norte germânico, a Thor, Deus do Trovão e da Guerra, e, entre os Baltas, a Perkunas, também Deus do Trovão e da Guerra, ferreiro celestial, motivo pelo qual o símbolo tem, entre os Lituanos e os Letões, o nome de «Perkunskrust», ou «Cruz de Perkons». Chama-se «Fylfot» para os Anglo-Saxões, Hakenkreuz na Alemanha, Gammadion (porque formada por quatro letras gama) e Tetraskalion na Grécia, e, já fora do mundo indo-europeu, «Lauburu» em Euskadi (País Basco) e «Wan» na China. Voltando ao mundo indo-europeu, aparece profusamente gravada nos castros galaicos, à entrada das habitações (tal como em Euskadi, deduzindo-se daí uma influência indo-europeia sobre os Bascos). No mundo romano, é representada em tumbas, indicando talvez uma ascensão da alma do morto às alturas, além de ser também muito frequente como motivo decorativo em mosaicos e cerâmica (como se pode ver em Conímbriga, por exemplo).

Curiosamente, parece estar também na base da bandeira de Lisboa e de outros municípios portugueses...

Há variantes da suástica, tais como o tríscele, de três braços, especialmente frequente em terras célticas, e as de mais de quatro, comuns no leste eslavo, aí conhecidas com o nome de «Kolovrat».
O símbolo da EDP, por exemplo, foi até há poucos anos uma magnífica tríscele,

antes de a substituírem por uma enjoativa curvinha a evocar um sorriso, em estilo minimalista ou lá o que é aquela merda.

Tenho para mim que uma das inspirações do símbolo em questão é a forma das galáxias, as quais, em tempos muitíssimo recuados, seriam talvez visíveis a olho nu. A súastica afigurar-se-ia assim como um sinal celestial luminoso e, portanto, representante dos mais altos níveis do Divino, dado que o cerne da religiosidade indo-europeia é o céu brilhante.
Repare-se:


E, à procura duma imagem destas, encontrei esta página que me parece especialmente interessante.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Como seria de esperar, há já vozes de protesto, fora e dentro do país, da parte de quem teme o Nazismo, etc.."

Curioso, este povo é alvo do nacionalismo dos russos - segundo o teu link:

"... many Tajiks have had to work as illegal migrant laborers abroad, overwhelmingly in Russia. Many have been subjected to harassment and intimidation. Several have been killed by racist groups in recent years. The most prominent case was the murder, in February 2004, of a 9-year-old Tajik girl in St. Petersburg by a group of teenagers armed with chains, metal rods and knives. Khursheda Sultanova's father and her 11-year-old cousin were also savagely beaten."

Segundo consta, os grandes nacionalistas que fizeram este acto eram skinheads. Pelos vistos, o Mario Machado e co. não são os únicos que apelam à violência contra minorias, em nome do nacionalismo e preservação da raça.

3 de janeiro de 2006 às 16:14:00 WET  

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