quarta-feira, dezembro 05, 2012

CONFERÊNCIA EM UNIVERSIDADE ATENIENSE - «PAGANISMO NAZI E IGREJA ORTODOXA»

Realizou-se a 26 de Novembro na Escola de Lei de Atenas uma conferência denominada «Paganismo Neo-Nazi e Igreja Ortodoxa», organizado pela Fundação Artos Zois e o Programa Graduado de Sociologia e Ciência Política do Departamento de Ciência Política e Administração Pública da Universidade de Atenas.
O evento foi moderado por Stavros Zoumboulakis e contou com a participação de sua eminência o Metropolita Anthimos de Alexandroupolis; Fr. Vasileios Thermos, teólogo e psiquiatra, Stavros Yangazoglou, teólogo, conselheiro do Ministério de Educação e director do jornal Teologia; Stavros Zoumboulakis, secretário-geral do quadro de directores da Fundação Artos Zois. Presentes estiveram também, entre outros, sua eminência o Metropolita Ignatios de Demetrias;  George Kalantzis, secretário-geral dos Assuntos Religiosos; Manolis Drettakis, anterior ministro; o deputado Akis Gerontopoulou, professores universários, além de muitos clérigos e laicos.
Entre os vários discursos, destaca-se a observação de Yangazoglou sobre a ligação do fenómeno dito neo-nazi na Grécia, e no resto da Europa, com vários rituais pagãos; Yangazoglou destacou além disso o contraste entre as posições doutrinais do Neo-Nazismo na Grécia, como a santificação do poder e uma compreensão étnica e nacionalista da religião, e os aspectos essenciais da fé ortodoxa, diametralmente opostos, a saber, o critério do amor na pessoa de Jesus Cristo e a universalidade da Igreja.
No final, Zoumpoulakis fez questão de citar versos traduzidos de uma canção de uma banda estrangeira escritos originalmente por um militante e deputado da Aurora Dourada (AD), a insultar Cristo do modo mais provocatório. Destacou seguidamente o modo como a tradição bíblica é antes de mais nada contrária ao Paganismo, condenando-o incessantemente. O Paganismo, a seu ver, é muito mais vasto do que a idolatria propriamente dita - além do culto «ingénuo» aos ídolos e imagens, é também algo de enraizado: o culto indígena da Terra e da Tribo, dos laços de sangue, da divisão das pessoas em «nós» e «eles», amigos e inimigos. A forma mais extrema de paganismo na História é, sempre segundo Zoumpoulakis, o Nazismo. Salientou por isso, Zoumpoulakis, o facto de que o movimento neo-nazi disfarça o seu carácter profundamente anti-cristão por motivos oportunistas. Declarou, na sequência, que a Igreja Ortodoxa Grega tinha obrigação de confrontar a AD.
Depois de todas as intervenções, o secretário-geral dos Assuntos Religiosos, Kalantzis, teceu alguns comentários contra o partido da AD e sublinhando a necessidade de permitir a edificação de uma mesquita para os imigrantes...
Incitando a Igreja à condenação da AD por parte da Igreja Ortodoxa esteve também o anterior ministro, Drettakis. O deputado Gerontopoulos finalizou o evento citando vários exemplos do comportamento da AD.

A verdade vem pois cada vez mais ao de cima e a coerência natural da própria realidade faz com que os opostos acabem por se revelar como tal, independentemente das alianças circunstanciais do passado - tal como, segundo dizem os matemáticos, duas linhas aparentemente paralelas acabam por se interceptar nalgum ponto do plano, também dois sistemas de valores intrinsecamente opostos entre si acabam por se confrontar, tarde ou cedo. E nunca houve nada de tão oposto à mundivisão antiga, pagã, naturalmente etnicista, como a mentalidade cristã, raiz da sensibilidade universalista e, mais modernamente, anti-racista.
Os dados estão pois lançados.
E só uma posição integralmente identitária, portanto, etnicista e pagã - pro aris et focis, pelos altares e pelos lares, já diziam os antigos - se opõe ao mais alto nível à principal raiz da decadência ética actual, que é o veneno inoculado pela Cristandade nas veias da Europa.

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