terça-feira, setembro 22, 2026

EKHLAS, VÍTIMA YAZIDI DO CALIFADO


Ela tinha apenas 14 anos quando viu o pai ser executado diante de seus olhos. O que aconteceu depois é um dos capítulos mais sombrios da história recente.
Em Agosto de 2014, o grupo extremista auto-denominado Estado Islâmico (EI) lançou um ataque devastador contra a região do Monte Sinjar, no norte do Iraque, onde vivia a minoria religiosa yazidi.
Milhares de homens foram assassinados.
Mulheres e crianças foram capturadas e levadas como prisioneiras.
Entre elas estava Ekhlas, uma adolescente de apenas 14 anos.
Enquanto a sua família tentava fugir pelas montanhas, ela viu o próprio pai ser morto pelos extremistas.
Pouco depois, foi capturada ao lado da mãe.
As duas foram separadas.
E nunca mais voltariam a viver a mesma vida.
Ekhlas foi levada para uma prisão improvisada, onde, segundo contou anos depois à BBC, o único som que se ouvia era o de gritos e choro.
Ela fazia parte de um grupo com cerca de 150 mulheres e adolescentes mantidas em cativeiro.
Então veio o momento que mudaria a sua vida para sempre.
Ela foi escolhida por um dos combatentes do Estado Islâmico.
Ao recordar aquele instante, descreveu o homem como alguém que lhe causava terror apenas pela presença. "Ele parecia um monstro. Tinha cabelos compridos, um cheiro muito forte e eu tinha tanto medo que nem conseguia olhar para ele."
A partir daquele dia, Ekhlas passou seis meses como prisioneira.
Segundo o seu relato, sofreu abusos repetidos durante todo o período em que permaneceu em cativeiro.
A oportunidade de escapar surgiu apenas quando o homem que a mantinha presa deixou o local para participar em combates.
Ela aproveitou aquele instante e fugiu.
Depois de dias de incerteza, conseguiu chegar a um campo de refugiados. Foi ali que conheceu a advogada norte-americana Jacqueline Isaac, que trabalhava ajudando mulheres e crianças yazidis sobreviventes a recomeçar as suas vidas em países europeus. Com este apoio, Ekhlas foi levada para a Alemanha.
Longe da guerra, iniciou um longo processo de recuperação.
Passou a viver num centro especializado no atendimento de crianças e adolescentes refugiados, onde recebeu acompanhamento psicológico e participou de terapias em grupo.
Em entrevista concedida à BBC em 2017, ela resumiu a sua dor numa única frase: "Eu já chorei tanto... que já não tenho lágrimas."
A história de Ekhlas, infelizmente, não é um caso isolado.
Entre 2014 e 2017, milhares de mulheres e meninas yazidis foram sequestradas, escravizadas e submetidas a violência pelo Estado Islâmico.
Diante das evidências reunidas, a Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas concluiu que a campanha promovida contra o Povo Yazidi constituiu um genocídio.
A história de Ekhlas não representa apenas a sobrevivência de uma jovem.
Ela representa a voz de milhares de meninas que nunca tiveram a oportunidade de contar o que viveram.
Porque algumas guerras terminam nos campos de batalha.
Mas outras continuam, silenciosamente, na memória de quem conseguiu sobreviver.
Na sua opinião, histórias como a de Ekhlas deveriam ser mais conhecidas para que atrocidades como esta jamais sejam esquecidas?
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Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=122340068432199301&set=a.122137836416199301