terça-feira, junho 12, 2018

OITENTA ANOS (E NOVE DIAS) DE SUPER-HOMEM


(3 de) Junho de 1938 foi a data em que nos EUA dois jovens judeus, Jerry Siegel e Joe Shuster, apresentaram na banda desenhada a figura do Super-homem, grande «judeu» salvador vindo do espaço, mais concretamente do moribundo planeta Kripton; por ter nascido à beira de uma estrela rubra, veio a adquirir colossais poderes supra-humanos quando chegou à Terra só porque aqui o sol é uma estrela amarela (ou branca azulada, disse o Gagarine). De seu verdadeiro nome Kal-El (que em Hebraico significaria algo como «Pequeno Deus»), assumiu na sociedade humana o nome perfeitamente banal de Clark Kent (os nomes próprios dos alter-egos dos super-heróis começam muitas vezes pela mesma letra que os seus apelidos, é assim), na discreta profissão de jornalista, fulano tímido e apagadito. Ou seja, um menino-prodígio vem de um mundo explodido quase como muitos judeus chegavam à América deixando para trás os seus lares perdidos na Europa... lares perdidos na Europa porque na Europa crescia o poder de um Estado que de alguma forma fazia o culto de uma espécie de super-homem, mas mais nietzschiano... Arquétipo do super-herói, esta espécie de Sansão começou por ser um vilão mas cedo resolve usar a sua força hercúlea e outras capacidades para defender a humanidade contra toda a espécie de perigos, do simples assaltante de bancos ao mais calamitoso dos vilões inter-galácticos. O facto de o único disfarce da sua cara como Kent consistir num par de óculos torna-se incomodativamente idiota, mas enfim, talvez há umas décadas as pessoas reparassem menos em detalhes, ou então trata-se de uma maneira de simbolizar o modo como a mediocridade do anonimato nas grandes cidades faz parecer de todo inverosímil qualquer eventual heroísmo da parte do comum anónimo... Afigura-se difícil elaborar enredos interessantes tendo por centro uma personagem virtualmente invencível, não é tarefa para qualquer um, daí que muitas das historietas do kriptoniano se situem entre o ligeiramente insípido e a seca total, mas a relevância desta figura no seio da cultura de massas contemporânea é incontornável, trazendo para a grande metrópole contemporânea uma adaptação colorida e carnavalesca de antigos vultos do mundo antigo, entre o brilho apolíneo e o heroísmo hercúleo.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Palhaçada!

13 de junho de 2018 às 19:25:00 WEST  

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