sexta-feira, maio 26, 2017

«GUERRA DAS ESTRELAS»



A vinte e cinco de Maio de 2017 estreou no cinema uma das maiores sagas cinematográficas de sempre, que em Portugal se traduziu como «Guerra das Estrelas», épico de «space opera» baseado na história de Flash Gordon, aventureiro ianque a combater um tirânico «chinês» do espaço. Como se sabe, o norte-americano George Lucas queria inicialmente filmar um «Flash Gordon» mas o italiano Dino De Laurentis já tinha adquirido os direitos para o efeito, daí que Lucas tenha resolvido criar o seu próprio produto, que, tal como a aventura do supracitado loiro contra o oriental Ming, assenta na luta pela liberdade de um grupo de rebeldes contra um império autoritário. A diferença é que enquanto em Flash Gordon o vilão, Ming, é um asiático, em «Guerra das Estrelas» os maus da fita, os do «Império», são todos branquinhos do tipo nórdico ou do noroeste europeu e têm todos nomes de língua holandesa, que é a mais próxima possível do Alemão, e o capacete do malévolo Darth Vader parece um capacete nazi, enquanto do lado da «Aliança», a dos rebeldes, a salganhada «étnica» é uma evidência... e, correndo o risco de parecer entrar no campo da paranóia, é curioso que um dos comandantes da «Aliança» é castanho, tem os olhos afastados e carece de nariz, a fazer lembrar, coincidentemente ou não, um rosto negróide... De uma maneira ou doutra, o exemplo da luta contra o autoritarismo imperialista é sempre edificante e diz muito, obviamente, a todo o ocidental típico. Tal narrativa é, só por si, particularmente simpática para quem vive numa civilização que há muito diviniza a Liberdade. Não é para isso, todavia, que a esmagadora maioria dos que vêem a película a apreciam e sim, evidentemente, pelo apelo do fantástico que deslumbra as vistas e maravilha cabeças diversas. O fascínio religioso pela luminosidade e pelo que se passa no céu é eventualmente um traço comum a toda a humanidade, e, se houver aí um enredo de contornos vagamente mitológicos, melhor ainda. A propósito, para quem queira ver uma espécie de «Star Wars» mas só com brancos e com mais mulheres no ecrã, recomenda-se «Starcrash», de 1979... Para quem gosta de psicadelismo e brilhos vários, não há como os anos setenta, está visto.


1 Comments:

Blogger João José Horta Nobre said...

Não conhecia o "Starcrash", parece ser um clássico interessante. Vou tratar de ver.

26 de maio de 2017 às 01:44:00 WEST  

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