terça-feira, fevereiro 14, 2006

PENSAMENTO PROIBIDO

O camarada Turno apresentou no Fórum Nacional um bom artigo que merece se lido e relido.

Revisionismos há muitos. Ou, pelo menos, dois: o bom e o mau. O primeiro pode ser qualquer um que se refira seja ao que for o que, convenhamos, não acrescenta muito.
O segundo, é o outro, o do lazareto, o que se esconde. A questão de saber se existiu um holocausto, em si, não é perigosa. Qualquer um está autorizado a colocá-la. Pior mesmo é questionar o Holocausto, o da maiúscula.
Os judeus preferem o termo Shoah, uma espécie de hiato, ausência de Deus da sua obra, como se tal lhe fosse permitido. Para eles, o termo holocausto reserva-se para o sacrifício que celebra a união entre o homem e Deus, interrompida durante o advento nacional-socialista.
O primeiro holocausto registado é o de Abraão, quando sacrificou a ovelha em substituição do filho, por suprema imposição de um Deus absurdo que lhe testava uma fidelidade que sabia existir.
O problema, aqui, está na arqueologia, na mitologia, na religião comparada, como se preferir. É a ciência a desmentir a tradição.
Para a Escola Bíblica de Jerusalém, fundada e mantida por frades franciscanos, e que se dedica a uma investigação rigorosa do mundo bíblico, Abraão não terá passado de um personagem mitológico. Um não-existente elevado à condição de homem real. Logicamente, o seu holocausto que celebraria a união com Deus, perde o seu efeito. Simplesmente, nunca se deu. Os judeus, portanto, sabem-no. Sabê-lo-ão os outros? Pergunte-se a qualquer crente se Abraão existiu e ele garantirá que sim. Tal como muitos ainda poêm as mãos no fogo por Adão e Eva.
Se este holocausto não existiu, que dizer do outro, o da maiúscula? Inquestionável e inquestionado Pode-se chegar à linha, mas nunca transpô-la. Quem o fizer é excomungado, é demonizado. É proibido perguntar.
O dogma. Não tenho ao lado um dicionário de teologia, mas é relativamente fácil aproximarmo-nos de uma definição. No dogma não se toca, não se estilhaça. Lá dentro repousa a verdade absoluta. O Holocausto é essa verdade, e quem o questiona recebe a punição. À boa maneira inquisitorial, judaísmo a aprender com o cristianismo. Em 1600, o dominicano Giordano Bruno foi queimado vivo. Era católico, mas era antes de mais um homem livre. Cometeu o erro de dizer que o universo podia ser infinito, que podia existir vida em outros planetas, que a terra não era o centro. Passou os últimos nove anos de vida na prisão. Foi torturado, mas não abdicou do que pensava certo. Quantos Brunos existem no revisionismo? Quantos já foram queimados, pelo menos social e academicamente? Quantos já foram encerrados em prisões? Bastantes. Porque perguntaram.
O revisionismo diz que não morreu nenhum judeu durante a 2ª Guerra Mundial? Não me parece. Morreram quantos? 1 milhão? 2? Os oficializados 6? 10? Não é o número que está em causa. O que está em causa é um direito à investigação, à pergunta. Algo tão simples como isso, mas que mete medo a muitos. Porque, com os outros revisionismos ninguém se preocupa. Arménia. Congo. Comunismo. Ninguém vai preso se disser que tem dúvidas. Aí são permitidas todas as dúvidas.
Durante a 1ª Guerra Mundial, os turcos chacinaram 1.500.000 arménios, muitos deles ao serviço do exército turco. Qualquer um pode investigar. Qualquer um pode dizer que não foi assim. Os turcos dizem-no. Defendem que não houve massacre nenhum e ainda recentemente levaram a tribunal um dos poucos historiadores turcos que afirma a existência do massacre.
Congo: desde a queda do regime de Mobutu, no final dos anos 90, morreram mais de 3 milhões de congoleses, vítimas da guerra civil. Se alguém disser o contrário, vai preso?
Comunismo: Em 1997 foi publicado O Livro Negro do Comunismo. Acusava os regimes comunistas de serem responsáveis por 100 milhões de mortos. O contra-ataque revisionista surgiu logo sob a forma de outro livro, O Livro Negro do Capitalismo, obra feita por encomenda e sem qualquer rigor científico. Entretanto, Nicolas Werth, um dos autores do Livro Negro do Comunismo viu a sua progressão académica impedida e a sua vida prejudicada.
Afinal, quantos revisionismos existem? Quantos são legais? Quantos podem perguntar? Quais os critérios?
Ensinam-nos na escola que devemos perguntar, ser curiosos, mas depois, cuidado com o que se pergunta. Pode alguma vez ofender os donos da verdade
.

De facto, uma vez dogmático, sempre dogmático...

5 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Ensinam-nos na escola que devemos perguntar, ser curiosos, mas depois, cuidado com o que se pergunta. Pode alguma vez ofender os donos da verdade."

Ninguém impede de perguntar se o holocausto existiu, e investigar mais sobre o assunto. A verdade pode ser oculta, mas acaba sempre por aparecer, a marota.

Assim, os turcos podem negar que houve um massacre, mas quando se mata um tão grande número de pessoas, existem sempre sobreviventes e provas da matança. O mesmo com os regimes comunistas.

Não há qualquer prova que indique que o holocausto não existiu. Pelo contrário, todas as "provas" dos revisionistas foi posta no seu lugar, ou seja, no caixote de lixo.

E será que o Turno têm seguido o caso do David Irving?

O revisionismo do holocausto tem apenas um objectivo, e não é descobrir a verdade.

14 de fevereiro de 2006 às 15:33:00 WET  
Blogger Caturo said...

Ninguém impede de perguntar se o holocausto existiu, e investigar mais sobre o assunto

Impede de se pronunciar sobre o assunto, e é disso que se fala. Porque a verdade incomoda alguns, a marota.



Assim, os turcos podem negar que houve um massacre, mas quando se mata um tão grande número de pessoas, existem sempre sobreviventes e provas da matança. O mesmo com os regimes comunistas.

Pois é. Mas ninguém os impede de falar, mesmo contra as evidências.



Não há qualquer prova que indique que o holocausto não existiu.

Isso, não discuto - não estou num País livre. Se quiseres falar sobre o assunto, vai a um dos muitos sites ou fóruns norte-americanos ou ingleses onde o assunto seja discutido (ah, liberdades anglo-saxónicas, que luxo civilizacional...).



Pelo contrário, todas as "provas" dos revisionistas foi posta no seu lugar,

Dizes tu, um inimigo dos revisionistas. De resto, não está em causa se as provas são boas ou não, mas sim se podem ou não ser livremente apresentadas. É isso que se afirma no artigo do Turno, e que prova, mais uma vez, que o regime actual não é livre. Mas tu, a defender os teus donos, queres desviar daí a conversa porque te interessa esconder os casos em que se vê a farsa que é a democracia imposta por quem te domesticou.

14 de fevereiro de 2006 às 16:22:00 WET  
Blogger miazuria said...

Ou se tem liberdade, ou não se tem!

Muito simples!

E olhe que até não sou revisionista, mas colocar pessoas na cadeia só por expressarem ideias
é absurdo, sob todos os pontos de vista.
Afinal, quem não deve não teme, não é assim?

Saudações

14 de fevereiro de 2006 às 16:27:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

digam-me uma pagina que resuma as razoes de nao haver holocausto tão grande como dizem.
É que muitas vezes tou a falar disso a amigos e não sei argumentar nem tenho conhecimentos. Por favor se souberem duma pagina que tenha as varias razoes de nao haver holoconto digam.

15 de fevereiro de 2006 às 13:38:00 WET  
Blogger Vanguardista said...

Visita o Dirlip (www.grupodirlip.org), que é uma pagina revisionista portuguesa que tem muito coisa. A partir da secção de links podes descobrir muitos sites internacionais.

16 de fevereiro de 2006 às 01:56:00 WET  

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