quinta-feira, janeiro 19, 2006

O RAIO DIVINO E O RAIO DA CIÊNCIA



Uma notícia bizarra, que pode parecer absurda a princípio, mas que maravilha pela originalidade da ideia nela contida e pela possibilidade de combater o materialismo a partir «de dentro», ou seja, a partir do baluarte que donde os materialistas gostam de marchar nos seus ataques à Religião - a própria ciência.

No entanto, convém não embandeirar em arco por causa deste pequeno tiro no cientismo materialista. De facto, a Religião em si não tem de entrar em confronto com a Ciência, já que o seu objectivo não é, como pensam alguns, «explicar a realidade», mas sim o estabelecimento, ou melhor, a actualização dos elos entre homens/povos e Deuses. O conhecimento do universo está a cargo da Ciência. O ilegítimo conflito entre uma e outra só sucede, ou quando certos arautos da Religião pretendem condicionar a Ciência, ou quando, em reacção, os lacaios da Ciência tentam usurpar o papel da Religião.

E agora, cá vai o artigo por mim encontrado num dos grupos pagãos internéticos que frequento (um dedicado ao culto de Júpiter/Zeus, por acaso) e publicado neste blogue a uma quinta-feira, ou seja, Dies Iovis, que é «Dia de Júpiter» em Latim...


A origem inteligente do Trovão

O professor Michael J. Behe argumentou em Outubro do ano passado num tribunal da Pensilvânia que o fenómeno do trovão é demasiado complexo para ser explicado por meio de teorias sem substância envolvendo áreas de baixa pressão e descargas iónicas e por conseguinte sugere decididamente que outras explicações, talvez envolvendo algum tipo de «Deus do Trovão», passem a fazer parte do programa das escolas públicas.

O biólogo Kenneth R. Miller da Brown University tinha dito anteriormente num tribunal que tais sistemas eram facilmente explicáveis usando o método científico e que as circunstâncias que davam origem ao trovão eram realmente muito comuns. Planeou continuar o seu testemunho mais tarde nessa semana, mas foi apedrejado até à morte por ser «filho de bruxas» enquanto estava a almoçar.

A questão foi posta quando o conselho directivo de uma escola de Dover, na Pensilvânia, emitiu um requerimento para que os professores de ciência começassem a apresentar material relativo à concepção inteligente (trata-se de Criacionismo, ou seja, a versão científica da criação do universo por um princípio Divino) que lança dúvidas sobre a teoria do trovão tal como ela tem sido ensinada nas salas de aula desde há várias gerações.

«Se eles não podem explicar totalmente a origem da pré-descarga ou a implosão resultante da coluna de plasma, então têm a obrigação de dizer isso às crianças. Se lhe chamam “teoria”, por alguma razão é», afirma um dos pais das crianças de Dover.

Os oponentes da concepção inteligente vêem nisto motivos ulteriores. Um sociólogo que preferiu permanecer anónimo, dado que ainda estava a limpar sangue de carneiro da porta de sua casa, alegou que «Isto é uma tentativa de bastidores para infiltrar que o ensino da mitologia nórdica nas nossas escolas públicas».

Os aderentes rejeitam tal criticismo. «Tudo o que queremos fazer é com que as nossas crianças conheçam a história toda e não apenas o lado secular humanista que rejeita Odin», disse um membro da PTA de Dover. «Certo, talvez o trovão seja um produto da rápida ionização e expansão do ar, ou talvez seja o resultado de emanações místicas de Mjollnir, o poderoso martelo de Thor. Quem é que tem o direito de decidir qual delas é verdadeira?»

Entretanto, esforços similares estão a decorrer no Kansas de modo a trazer a questão de saber se a fusão protão-protão é capaz de ultrapassar a força de Colombo no interior do Sol sem a intervenção de algum tipo de agente inteligente.

«Donde é que as pessoas pensam que vem a permeabilidade do vácuo e o vector da força electrostástica?» perguntou um activista e oráculo místico-político.

«Achamos simplesmente que é já tempo de trazer Apolo para as salas de aula, que é onde Ele deve estar.

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Como os teus posts costumam ser absurdos e bizarros, pergunto-me se o teu post corresponde a uma sátira aos fundamentalistas cristãos dos EUA.

19 de janeiro de 2006 às 23:20:00 WET  
Anonymous Å said...

http://www.manoelgontijo.blogspot.com/

Já conheces?

20 de janeiro de 2006 às 07:34:00 WET  
Blogger O ISENTO said...

A história tem a sua graça. Contudo, só mesmo os americanos para não verem o óbvio. Ambas as 'explicações' são verdadeiras (e convivem uma c a outra)

20 de janeiro de 2006 às 15:54:00 WET  
Blogger Caturo said...

Como os teus posts costumam ser absurdos e bizarros,

Mais absurdos e nada bizarras são as tuas atoardas e lugar-comuns.

20 de janeiro de 2006 às 20:49:00 WET  

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