quarta-feira, março 04, 2026

SOBRE OS MORALEIROS QUE AINDA SE LEVAM A SÉRIO

Como de costume, não faltam os justiceiros pacifistas a dizer que os Ianques não têm nada que ir bombardear os coitadinhos dos Irão (e/ou-de-qualquer-outro-país-muçulmano). 
Sintomaticamente, os que expressam esta condenação com mais visceral indignação moralista estão invariavelmente entre os que se calam mui disciplinadamente quando quem invade outros países é inimigo do Ocidente. Sempre. 

A moralice anti-americana costumava parecer «ter a sua razão» aqui há vinte anos, quando as águias de ferro do Tio Sam eram lançadas em incursões aqui e ali, como quando foram deitar fogo no Iraque por causa das armas de destruição maciça, por exemplo, e então os americanófobos ainda não se calaram com essa, e portanto é verdade que, nessa altura, ainda conseguiam posar como gente séria. 
Só que isto a vida, já se sabe, obedece muito aos provérbios & dichotes populares, e um deles diz que quem o alheio veste, na praça o despe, pelo que andar armado naquilo que se não é acaba sempre por dar barraca, do mesmo modo que «a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima», sobretudo, acrescento, quando a verdade é azeiteira, que é o que agora se vê quando os ditos moralistas apoiam sem pudor a invasão putineira da Ucrânia, e/ou, saliento, e/ou, com um supra-sumo de sonsice, arengam que enviar mais armas «para lá» é «prolongar a guerra!», e este «lá» é a Ucrânia, o que significa que o que este pessoal está a dizer é que se deve deixar a putinagem militarizada esmagar o Povo Ucraniano e acabou-se a história, «enfim, paz!». 
Claro que nem piaram quando a nova horda dourada violou a fronteira ucraniana, nessa altura a cena era um bocado «confusa» para eles, e o regime de Kyiv era um bocado duvidoso e nazi e tal e assim e pronto... agora atiram-se ao ar quando a Águia Ianque se farta finalmente de um Estado bully que abertamente financia o terrorismo para aniquilar um Estado democrático que nem sequer faz com ele fronteira, para além de já ter assassinado mais de mil americanos desde 1979...

Como seria que pessoal deste agiria durante a II Guerra Mundial... às tantas, estaria a favor da rendição de todos os países às forças do Eixo Roma-Berlim-Tóquio, assim teria morrido muito menos gente... 
Claro que certas minorias étnicas iam c'o carvalho, tais como Judeus e Ciganos, mas esses todos juntos não chegariam a uma dúzia de milhões em solo europeu, e a verdade é que na Segunda Guerra morreram pelo menos sessenta milhões de pessoas contando com russos e chineses (vitimados pelo Japão), ora então os pacifistas moralistas seriam a favor de deixar quinar apenas doze milhõezitos de indivíduos, e os demais safavam-se, oprimidos e tal, mas vivos... e, se somos todos iguais, então só contam os números, e era menos mau falecerem nove milhões de judeus e um milhão de ciganos do que várias dezenas de milhões de europeus e asiáticos...
As populações europeias poderiam vir a ser ligeiramente oprimidas, ou substancialmente, de ligeira a substancialmente oprimidas pela autoridade nazi e fascista, mas era melhor isso do que haver milhares de crianças e mulheres alemãs a serem bombardeadas a trouxe-mouxe, como aconteceu em Dresden... é a mesmíssima lógica de quem agora diz que não se deve atacar o Irão porque as iranianas, enfim, estão a passar um mau bocado, mas antes «isso» (torturadas, violadas e assassinadas com tiros nos olhos por protestarem na rua) do que estarem mortas com bombas americanas!, porque as bombas americanas matam mais indignamente do que as outras!...

O que vale é que Trump nem sempre faz asneira e, apesar de tudo, mostra alguma firmeza, enquanto Israel não se deixa dormir e faz o que tem a fazer para salvaguardar o coiro judaico, como é seu dever, e, nisso, presta um serviço precioso ao Ocidente, no sentido de minar um aliado valioso da Rússia e da China e de dar ao Povo Iraniano uma hipótese de se libertar, a qual só existe a sério quando há algumas armas do seu lado, pois que, até agora, todas as armas no espaço iraniano têm estado contra o povo que protesta.