UM BRANCO PRESUMIVELMENTE «ARIANO» NA MONGÓLIA DE HÁ MAIS DE CINCO MILÉNIOS
Reconstrução facial de um indivíduo que viveu há 5100 anos no seio da cultura Afanasieva, na Mongólia, com ADN autossómico (auDNA) semelhante ao da cultura Yamnaya. A reconstituição baseia-se em restos esqueléticos.
Tinha o haplogrupo J1a2b do cromossoma Y e o haplogrupo U5a1 do mtDNA. A sua linhagem materna, associada aos caçadores-recolectores europeus, estava disseminada entre os indo-europeus. A sua linhagem paterna, J1a2b, já tinha sido detectada na cultura de Khvalynsk; um ramo descendente deste haplogrupo domina também o cromossoma Y da cultura Kura-Araxes, sugerindo possivelmente uma dispersão do J1a2b do Cáucaso para a estepe, onde um ramo relacionado persistiu e se tornou no principal haplogrupo da cultura Kura-Araxes.
O homem, pertencente ao tipo paleo-euroide/proto-euroide, tinha aproximadamente 180 cm de altura (498 mm de comprimento do fémur) e possuía um crânio notavelmente maciço e robusto, com um comprimento craniano muito longo de 193 mm, uma largura craniana maciça de 151 mm e uma largura da maçã do rosto muito larga de 147 mm.
Na Ásia Interior, a Idade do Bronze começa com o aparecimento da cultura Afanasievo, que se espalhou por vastas regiões do Sul da Sibéria e da Ásia Central. Os seus sítios arqueológicos são conhecidos no oeste e centro da Mongólia, leste do Cazaquistão, Bacia de Dzungária e até mesmo no Médio Zarafshan, embora a maior concentração seja no Altai e na Bacia de Minusinsk. As datações por radiocarbono AMS situam o horizonte Afanasievo entre 3300 e 2500 a.C.. Tanto as evidências antropológicas como as de ADN antigo indicam que a cultura Afanasievo surgiu de uma migração de populações do Leste Europeu, especificamente da esfera cultural Yamnaya (Solodovnikov et al. 2023).
Os indivíduos Afanasievo de Altai estão entre as populações antigas mais altas da Eurásia (Solodovnikov et al. 2018). Uma estatura igualmente elevada é observada entre os indivíduos Afanasievo da Mongólia central, com base em material limitado do cemitério de Shatar-Chuluu (onde o indivíduo reconstruído foi encontrado), perto da cordilheira de Khangai (Tumen 1978; Solodovnikov, Erdene 2022).
Dois indivíduos Afanasievo publicados foram identificados como familiares de quinto grau. Um foi sepultado em Inskaya Dol, no noroeste de Altai (I11752, BARN-039) [Narasimhan et al. 2019], e o outro no cemitério de Shatar-Chuluu, na Mongólia central (SHT002, AT-25 (I6221, o indivíduo reconstruído)) [Jeong et al. 2020; Ringbauer et al. 2023]. Embora estes locais estejam a 1410 km de distância um do outro, ambos os indivíduos partilham o perfil genético característico de Afanasievo/Yamnaya e agrupam-se estreitamente com outras amostras de Afanasievo. O seu parentesco biológico implica que pelo menos um antepassado na sua linhagem familiar deve ter viajado várias centenas de quilómetros durante a sua vida.
- A imagem foi criada por Ancestral Whispers, uma organização especializada em tais reconstituições.
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Fonte: https://x.com/Sulkalmakh/status/1996144455372382600
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Reconstituição hipotética de um cenário típico da cultura de Afanasievo, na Sibéria, exposta no Museu Nacional da República do Altai (ou Museu Anokhin)
A maior parte dos vestígios genéticos desta cultura indica um predomínio do haplogrupo R1B, que é o mais típico dos Indo-Europeus da Europa Ocidental. É por isso altamente provável que esta cultura de Afanesievo fosse de raiz indo-europeia, levada para a região por migrantes da cultura de Yamnaya, raiz dos Indo-Europeus, segundo se pensa actualmente.
A cultura Afanasievo é creditada por vários autores como a origem da tradição pastoril na Mongólia e da cultura metalúrgica na China.
Movimentos dos migrantes portadores das línguas indo-europeias a partir da estepe euro-asiática que é hoje a Ucrânia e o sul da Rússia (já agora, e no que nos diz respeito, as culturas indo-europeias ocidentais de Germanos, Celtas e Italiotas são provavelmente provenientes da cultura da Cerâmica Cordada, ou Corded Ware, e, mais directamente, da cultura do Vaso Campaniforme ou Bell Beaker culture)
Ora este indivíduo, sendo do haplogrupo I1a2b, teria entretanto ancestrais de populações arcaicas do Cáucaso, que depois estariam na origem de grande parte senão da maioria das gentes semitas e não só:

2 Comments:
Mais uma razão para defender a Ucrânia, já que ela é o berço da Europa. Outro dia, discutia com um direitista brasuca que dizia que a base da civilização ocidental é o cristianismo. Eu nem tem mais paciência pra discutir isso.
Agora andam com isso na boca diariamente, e vão continuar nisso por mais uns anitos, talvez, só nunca têm resposta quando são confrontados com as declarações de JC sobre o amor a todos por igual, sobre o ódio que JC disse vir trazer no seio da família e sobre as constantes exaltações do dever de receber imigrantes por parte das Igrejas. Nessa altura, respondem os ditos «nacionalistas» que isso é «tirado do contexto» e que as Igrejas estão «minadas por judeus e maçons!», tudo «respostas» prenhes da mais ampla e devota parvoíce. Quando encostados à parede pelos próprios padres, nessa altura respondem «ah, eu cá não sou racista, mas coisa e tal as nossas tradições e a criminalidade e tal...», e mais bacoradas impotentemente defensivas sem alcance, próprias de quem já está moralmente derrotado.
A Ucrânia pode bem ser o berço étnico da Europa, sim, se não for o Cáucaso, de acordo com novos estudos que me esqueci de referir no artigo, mas, seja como for, é um foco crucial da identidade étnica europeia, pois que o grosso dos Indo-Europeus da Europa Ocidental veio de lá.
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