quarta-feira, janeiro 07, 2026

DO QUE PRECISA A EUROPA? DE ARMAS NUCLEARES


Não basta fazerem-se mais armas convencionais ou gastar mais com a sua manutenção. Urge que a União dos Europeus possa verdadeiramente garantir a sua segurança e a protecção dos Estados Europeus que a queiram, como é o caso da Ucrânia, o que só se faz por completo com a posse de armamento de vasta destruição.
É escusado vir-se falar da «saúde, dos salários!, da educação!!!!» e de tanta pomba assassinada para desviar a conversa. Podeis bem cagar de alto em todas as vossas conquistas civilizacionais se não as puderdes proteger. Se, no nosso dia-a-dia, não nos acontecer nada de especial nas ruas ou nos bairros onde andamos quotidianamente, não é porque «não nos metemos com ninguém», é porque existe polícia, mesmo que não esteja à vista, e basta fazer constar que em tal parte não há bófia para de imediato se começar a exercer aí o poder do mais forte.
Aplica-se exactamente o mesmo na política internacional quando há grandes Estados que só respeitam a força e colocam as suas pretensões «multipolares» acima das fronteiras dos países mais fracos, ou seja, quando os impérios estão de volta, sejam quais forem as narrativas que disseminam para explicarem ao mundo porque é que outros Povos se devem submeter ao seu poder. A UE, neste contexto histórico, afigura-se quase como um milagre, na medida das possibilidades - uma associação de países estabelecida, não com base no poderio de um sobre os outros todos, como sempre foram todos os impérios, mas sim tendo por base uma procura de bem comum em condições de tendencial igualdade pacífica, quando qualquer pequeno e pobre país europeu pode falar de igual para igual com Estados cujo poder militar é avassaladoramente superior mas que de modo algum irão utilizá-lo para silenciar ou subjugar o país mais fraco. É, já se vê, uma invenção europeia, muito europeia, e ninguém fora da Europa percebe uma coisa destas, aliás, muitos na Europa não percebem e, sobretudo, não gostam que as coisas possam ser assim, dado que a visão do mundo de tal gente é hierarquizante por princípio. Não deve permitir-se que tal minoria saudosa de impérios e sequiosa de «homens fortes» possa minar o esforço de defesa da Europa dos Europeus Livres.