CONSEQUÊNCIAS GEO-ESTRATÉGICAS DA INTERVENÇÃO IANQUE NA VENEZUELA?
A súbita operação norte-americana na Venezuela apanhou moscovo de surpresa e alterou o equilíbrio geopolítico nas Américas. A queda de nicolás maduro não é apenas um abalo interno: marca a maior derrota estratégica da Rúzzia no hemisfério ocidental em décadas - e reconfigura, de forma indireta, o próprio tabuleiro da guerra na Ucrânia.
Nos últimos dias, começaram a circular no espaço informativo da Europa várias teses curiosas - por vezes até abertamente pró‑ruzzas - sobre a situação na Venezuela. Para compreender melhor o que está em jogo, vale a pena uma análise profunda do que realmente aconteceu.
1. Terá moscovo feito um acordo secreto com Washington sobre a operação na Venezuela?
De forma inequívoca, não. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do planeta - um verdadeiro diamante no portefólio de regimes sob a influência ruzza. Nas últimas duas décadas, a presença de moscovo levou a produção venezuelana a colapsar de 3,5 milhões de barris diários para apenas 500 mil a um milhão. No entanto, com tecnologia moderna, Caracas poderia facilmente atingir 10 milhões de barris por dia, o que, no médio prazo, derrubaria os preços globais e minaria a economia ruzza.
A súbita perda de controlo sobre aquele aliado estratégico foi um golpe profundo para o kremlin, que certamente não esperava tamanha facilidade na operação conduzida pelos EUA. Este revés diminui ainda mais o peso das narrativas de "vitória" ruzza e reforça, paradoxalmente, a posição de negociação da Ucrânia.
2. Qual o impacto direto na guerra contra a Ucrânia?
Ao contrário do regime cubano, nicolás maduro nunca chegou a enviar mercenários para o front ucraniano. Contudo, a Venezuela desempenhou um papel logístico crucial para o programa ruzzo‑iraniano de drones. No país funcionavam grandes oficinas de montagem de componentes eletrónicos - placas, processadores e módulos destinados aos chamados "shaheds".
Beneficiando de sanções menos severas e de mão‑de‑obra extremamente barata, Caracas tornou‑se um ponto ideal de produção. Não por acaso, o número de voos entre Caracas e moscovo disparou com o início dessa cooperação. Agora, com o desmantelamento dessa estrutura, é de esperar algum alívio para as defesas antiaéreas ucranianas.
3. Pode isto ser considerado uma derrota militar para moscovo?
Sem dúvida. Trata‑se de uma derrota pessoal de putin e de um desastre para o prestígio militar ruzzo. A lista de perdas materiais é impressionante: dois sistemas S‑300, nove "Buk", quarenta e quatro S‑125, catorze caças Su‑30 e até bombardeiros estratégicos Tu‑160 já tinham operado no país.
Tudo foi neutralizado numa operação americana que durou apenas algumas horas - um golpe cirúrgico que expôs a fragilidade do equipamento de moscovo. Tal como aconteceu na Síria, a lição é clara para os ditadores aliados da rúzzia: nem mesmo a promessa de asilo em moscovo é hoje uma garantia segura.
4. Estariam os Estados Unidos juridicamente e moralmente justificados?
Sim. A analogia com a invasão ruzza da Ucrânia não se aplica. Desde 2002, a Venezuela vive sob uma ditadura criminosa apoiada e treinada pelos serviços ruzzos. Em vinte e quatro anos, cerca de oito milhões de venezuelanos fugiram - número superior ao dos refugiados ucranianos, mesmo com uma população menor.
A repressão foi brutal: execuções extrajudiciais, prisões em massa e uma miséria extrema que levou o governo a incentivar a população a comer coelhos para "não desperdiçar proteína". Maduro, em associação direta com oficiais do FSB, dirigia o chamado "Cartel dos Sóis" - o maior cartel de narcotráfico do mundo. A recompensa anunciada por Washington insere‑se num processo criminal legítimo, tanto moral quanto juridicamente.
5. Por que se esperam protestos na União Europeia?
Há um factor sensível e raramente abordado abertamente: certos partidos socialistas europeus - e até alguns fora da Europa - continuam a ver maduro como um símbolo "progressista" da resistência anti‑imperialista. Essa leitura ideológica cega ignora o sofrimento de milhões de venezuelanos e cria tensões políticas entre os EUA e a UE.
Em contextos hispânicos, essa disputa adquire contornos quase históricos: tanto Cuba como a Venezuela conquistaram a independência da antiga potência colonial espanhola e reagem com desconfiança a qualquer sombra de paternalismo europeu. A simpatia por regimes como os de maduro ou castro é, para muitos, uma provocação direta.
6. E o que vem a seguir?
Para Kyiv, paradoxalmente, o desfecho é favorável. A operação americana neutralizou infraestruturas críticas (e muitas forças ruzzas) sem provocar grande reacção pública de Moscovo - um padrão já visto na Síria em 2018, quando centenas de mercenários ruzzos do grupo "Wagner" foram eliminados após tentarem capturar um campo petrolífero sob protecção norte‑americana.
O silêncio de putin, ontem e hoje, confirma o principal: a Rúzzia deixou de ter meios e credibilidade para proteger os seus próprios aliados - assassinos em massa e criminosos tão sanguinários quanto o próprio putin.
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Fonte: https://www.facebook.com/photo?fbid=32956254767354461&set=gm.32982248688088948&idorvanity=444704098936828
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Curiosa análise... que faz a intervenção ianque parecer menos má...

1 Comments:
Pra que o Trump se ocupa com questão do Terceiro Mundo? Quem comanda a política externa do governo Trump é Marco Rubio, um latino.
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