terça-feira, março 30, 2010

JARE GODY 2010 - PRIMAVERA ESLAVA CELEBRADA NA POLÓNIA

Não sabemos donde viemos, nem sabemos para onde vamos, o único facto que é certo é o nosso nascimento, a explosão de energia que vai crescer e crescer todos os dias, e que temos de usar do melhor modo que pudermos. Acreditamos nos Deuses Eslavos. Acreditamos na sabedoria, na bondade e na beleza escondidos sob os Seus semblantes. Os Deuses Eslavos são fontes de vida, de poder e de felicidade. A crença nos nossos Deuses é a herança à qual damos continuidade.
Os Deuses Eslavos, adorados por milénios, são as mais belas imagens do Poder Divino e as que estão mais próximas dos nossos corações. Os Deuses criaram uma ordem hierárquica, multi-pessoal, mutuamente complementar. A ordem que emergiu do caos.
Acreditamos que os Deuses dão sentido à nossa existência, acreditamos que Eles protegem do esquecimento as acções dos nossos avós, as nossas acções e as dos nossos filhos e netos. As coisas mais valiosas serão passadas em diante e irão existir no ciclo eterno da vida a renascer.
Assumimos que a morte do homem termina um certo estádio. É a condição da transformação em novas formas de existência. É um derramamento de uma forma velha e exausta. Os nobres e persistentes serão recompensados com a entrada nos níveis de existência continuamente mais altos, mais conscientes, mais significativos e mais perto dos Deuses.
Defendemos os nossos valores, famílias e a nossa comunidade. Defendemos o direito de viver no nosso próprio território, defendemos o espaço da nossa civilização.
Os nossos rituais cultivam a relação com a nossa comunidade espiritual e étnica. Refeições e orações comuns. Homenagem prestada aos nossos ancestrais. Os sacrifícios feitos aos nossos Deuses. Trazemos de volta o sentido das nossas antigas festas nativas.
Para ver mais fotos do evento, clicar aqui.

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terça-feira, março 25, 2008

RELATÓRIO DA CONFERÊNCIA UNIVERSITÁRIA SOBRE NEO-PAGANISMO NA POLÓNIA


Um dos participantes da Conferência Universitária sobre Neo-Paganismo aqui anunciada neste tópico, fez, num fórum dedicado à Religião Eslava, um resumo sobre o que foi dito pelos vários oradores do evento.

A Conferência foi organizada por Agnieszka Gajda, e foi aprovada pela Associação dos Estudantes Doutorais da Univerdade de Jagiellonian e pelo Instituto de Ciência Política e Relações Internacionais da Universidade de Jagiellonian. O professor Jacek Majchrowski, presidente da cidade de Cracóvia, foi o patrono oficial da Conferência. A sessão teve lugar na sala de seminários do Centro de Estudos Europeus da Universidade de Jagiellonian.

O professor Jacek Majchrowski abriu a primeira sessão com uma curta apresentação do actual estado da pesquisa. Apontou também uma série de questões que têm de ser abordadas, incluindo a necessidade de definições aceites e uma resposta à pressão social para lidar com «cultos perigosos».

Sessão 1 - Precursores do Neo-Paganismo
O Dr. Leonard Pebka discutiu a presença de ideias neo-pagãs na Filosofia Nacional de Bronisbaw Ferdynand Trentowski, do século XIX, precursor dos modernos grupos neo-pagãos.
Mibosz Papla falou a respeito de «Ideias Messiânicas e Eslavófilas Nas Organizações Políticas Polacas Durante a Segunda Guerra Mundial».
Agnieszka Gajda, organizador da conferência, falou da «Eslavitude Pagã na Literatura Polaca», focando os autores que representaram a ligação mais directa ao moderno Neo-Paganismo.

(Almoço)

Sessão 2 - O Neo-Paganismo na Vida Pública
O Dr. Maciej Strutyñski falou da «Visão da Vida Política no Moderno Meio Neo-Pagão».
O Dr. Tomasz Szczepañski falou e about «Neo-Paganismo Polaco (Rodzimowierstwo) e Vida Pública Após 1989».
Grzegorz Antosik falou da «Imagem do Neo-Paganismo Eslavo no Início do Século XXI nas Páginas da Imprensa Polaca», incluindo gráficos de frequência ao longo dos tempos.
Anna Zaczkowska falou do «Neo-Paganismo Russo: Procurando a Identidade na Rússia Pós-Comunista», incluindo uma comparação com grupos similares polacos.

(Pausa para café).

Sessão 3 - Neo-Paganismo nos Estudos Etnográficos e Religiosos
Mariusz Filip falou do «Paganismo Polaco(Rodzimowierstwo) Como Sujeito de Descrição Etnográfica.»
Scott Simpson falou sobre «As Estruturas do Beber Ritual: Três Interpretações Inspiradas pelos Linguistas».
O professor Zbigniew Pasek falou sobre «Neo-Paganismo na Polónia e Novos Movimentos Religiosos».

(Jantar e bebidas).

Sessão 4 - Neo-Paganismo e Civilização
O Dr. Stanis³aw Potrzebowski começou o segundo dia da Conferência falando a respeito da «Civilização Ário-Védica da Indo-Europa: Nova Era Versus Judaico-Cristianismo».
Tymoteusz S³owiñski apresentou o ensaio do seu pai, o Dr. Zdzis³aw S³owiñski (que, por motivo de doença, não pôde comparecer) - o título do trabalho foi «O Neo-Paganismo Polaco à Luz das Teorias Sistemáticas de Cultura».
Alicja Barcikowska falou do «Fenómeno do Paganismo Moderno - Entre a Inconsciência e a Consciência», abordando o tema a partir duma perspectiva psicológica, usando modelos de Fromm e de Wilbur.

Sessão 5 - Neo-Paganismo não eslavo
O Prof. Ryszard Danka abriu a sua sessão com um hino e uma libação antes de falar da «História de Ausran desde 1954», focando o Klan Ausran, que segue crenças indo-europeias (como se pode ler aqui, em Italiano).
O Prof. Krzysztof Witczak falou dos «Hinos de Culto do Klan Ausran», revelando o significado e a origem de alguns exemplos do vasto arquivo dos hinos do grupo Ausran.
O Dr. Dorota Ziêtek falou sobre «Indianistas e Neo-Pagãos», mostrando cidadãos polacos que seguem a cultura e as crenças dos Índios norte-americanos, contrastando-os com os que neo-pagãos eslavos.

O Prof. Krzysztof Biliñski resumiu os dois dias da conferência com o seu discurso intitulado «Reflexões Sobre os Objectivos Fundamentais dos Movimentos Neo-Pagãos».

Sessão 6 - Discussões abertas
Discutiu-se a questão da nomenclatura do Neo-Paganismo, abordando o significado e conotação de vários termos usados na cultura e na imprensa para designar o movimento.
Neopogañstwo foi considerado como sendo mais abrangente, incluindo a moderna Wicca e também o Rodzimowierstwo. Em geral, os participantes mostraram tendência para rejeitar nomenclaturas estrangeiras.
O termo Rodzimowierstwo é um neologismo polaco que se popularizou a partir do ano 2000. Actualmente, está muito divulgado e tornou-se numa auto-identificação muito generalizada. O Rodzimowierstwo é, digamos, a «Fé Nativa», e constitui de longe a forma de neo-paganismo mais divulgada e praticada na Polónia (uma lufada de ar fresco em comparação com o que se passa na Europa Ocidental, onde a Wicca parece maioritária - nota do bloguista).


Discussão Aberta Sobre a Actividade Neo-Pagã na Vida Pública
Todos os participantes da conferência concordaram em como há um vasto leque de indivíduos e grupos que podem ser considerados como neo-pagãos. Enfatizou-se o compromisso pessoal e a actividade na vida pública. O Dr. Zbigniew Pasek, considerando que os novos movimentos religiosos podem ser genericamente divididos entre afirmadores-do-mundo e rejeitadores-do-mundo, classificou o Neo-Paganismo como estando claramente situado no primeiro grupo. Houve menos consenso a respeito do relacionamento das actividades políticas com a prática do Rodzimowierstwo. O Dr. Szymon BeŸnic indicou o carácter político dum eminente grupo neo-pagão que não é propriamente religioso (Niklot). Igor Gorewicz (político activo) sugeriu que a actividade política era uma consequência necessária da crença religiosa sincera na Fé Nacional (Rodzimowierstwo), embora o Rodzimowierstwo não seja um movimento político em si.

Encarou-se com grande entusiasmo a eventualidade de se realizarem mais conferências deste tipo, tendo como título «Neo-Paganismo na Internet» e «Neo-Paganismo nas Artes Visuais».

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segunda-feira, março 24, 2008

JARE GODY 2008 - CELEBRAÇÃO RELIGIOSA NA POLÓNIA



Algures na Polónia - celebração religiosa eslava da Jare Gody, ou chegada da Primavera.


Pode ler-se no site deste grupo a seguinte interpretação da Primavera:
O primeiro golpe do trovão nesta estação significa o novo começo.
Aguardamos a tempestade e a chuva da Primavera, que dão novos poderes à Terra. Pequenos ribeiros transformam-se em pujantes correntes e assim o sangue das nossas veias começa a correr mais depressa.
Não sabemos donde viemos, nem sabemos para onde vamos, o único facto que é certo é o nosso nascimento, a explosão de energia que vai crescer e crescer todos os dias, e que temos de usar do melhor modo que pudermos.

No que acreditam estes gentios, Europeus despertos e leais à sua Sagrada Herança?
«Acreditamos nos Deuses Eslavos. Acreditamos na sabedoria, na bondade e na beleza escondidos sob os Seus semblantes. Os Deuses Eslavos são fontes de vida, de poder e de felicidade. A crença nos nossos Deuses é a herança à qual damos continuidade.
Os Deuses Eslavos, adorados por milénios, são as mais belas imagens do Poder Divino e as que estão mais próximas dos nossos corações. Os Deuses criaram uma ordem hierárquica, multi-pessoal, mutuamente complementar. A ordem que emergiu do caos.
Acreditamos que os Deuses dão sentido à nossa existência, acreditamos que Eles protegem do esquecimento as acções dos nossos avós, as nossas acções e as dos nossos filhos e netos. As coisas mais valiosas serão passadas em diante e irão existir no ciclo eterno da vida a renascer.
Assumimos que a morte do homem termina um certo estádio. É a condição da transformação em novas formas de existência. É um derramamento de uma forma velha e exausta. Os nobres e persistentes serão recompensados com a entrada nos níveis de existência continuamente mais altos, mais conscientes, mais significativos e mais perto dos Deuses.
(...)
Defendemos os nossos valores, famílias e a nossa comunidade. Defendemos o direito de viver no nosso próprio território, defendemos o espaço da nossa civilização.
(...)
Os nossos rituais centram-se no ritmo da natureza, em encontrar sabedoria nas leis da natureza e nos direitos divinos nela presentes. Os nossos rituais cultivam a relação com a nossa comunidade espiritual e étnica. Refeições e orações comuns. Homenagem prestada aos nossos ancestrais. Os sacrifícios feitos aos nossos Deuses. Trazemos de volta o sentido das nossas antigas festas nativas.»
(...)
Fama aos Deuses, Memória aos Ancestrais!


Podem ver-se mais fotos e ler-se mais explicações neste magnífico local internáutico.

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sexta-feira, fevereiro 22, 2008

O RECRUDESCER DA RELIGIÃO NACIONAL NA RÚSSIA

Perun X Veles
Apesar de ser evidentemente parcial e frontalmente anti-pagão, por beatice ou não, o texto seguinte merece alguma atenção pela panorâmica actualizada que dá no que respeita ao fenómeno da divulgação da religião étnica eslava no seio daquela que é a maior potência militar europeia e uma das maiores do planeta, bem como uma das melhores esperanças da raça branca indo-europeia: prossegue na Rússia a marcha do retorno às celebrações pagãs, em que os praticantes se ligam à Mãe Terra.


Como é costume neste blogue, o texto original será traduzido e apresentado a itálico, os meus comentários serão redigidos a escrita normal:

«Um mapa oficial do Losiny Ostrov, parque nacional de Moscovo, mostra um templo pagão - um de entre os sete templos pagãos activos na capital. Ao todo, há cerca de dezassete organizações religiosas pagãs registadas no Ministério da Justiça (a maior parte delas localizadas na República de Mary El), mas os especialistas em religião dizem que há várias centenas de comunidades gentias na Rússia. Isto é muito mais do que o número de comunidades católicas na Rússia. E note-se que a maioria dos russos pagãos não precisa sequer de registo oficial: não necessitam de permissão para ir à floresta. "Para vir para o Paganismo precisas de sair de casa e seguir um caminho indiscernível que leva à floresta. Uma vez lá, deves ouvir o sussurro das folhas, o ranger dos altos pinheiros e o murmúrio da baía, e o Paganismo virá e cativar-te-á", diz Magus Ingeld, figura proeminente do actual paganismo russo.

Pode parecer que o Paganismo Russo é um movimento marginal. Mas faça-se um passeio matinal em Tsaritsyno ou no Parque Bitsa após o Dia de Ivan Kupala (7 de Julho) ou do 25 de Dezembro e ver-se-á uma fogueira recente, laços de várias cores nas árvores e grãos de trigo e flores sacrificadas aos espíritos das florestas.
Embora os pagãos quase nunca se envolvam em trabalho missionário, os seus coloridos rituais atraem sempre milhares de espectadores. Cada cidade da Rússia central tem a sua própria "árvore sagrada", enquanto em lugares como Suzdal ou Pereslavl-Zalessky, multidões de turistas «adoram» os santuários pagãos - a Montanha de Perun e o Rochedo Azul. Os pagãos também contam no seu lote os muitos milhões de russos que - mesmo que possam não estar conscientes disto - participam em ritos pré-cristãos tais como decorar abetos de Natal, deixando vodka e pão nas campas dos seus familiares, entregando-se a práticas divinatórias ou cuspindo por cima do seu ombro direito.

De acordo com o Centro de Estudos Religiosos e Sociais britânico, a Rússia tem o quarto maior número de pagãos na Europa. A vizinha Ucrânia está na terceira posição. A Noruega é a segunda e a Islândia tem o primeiro lugar.


Fé para Diletantes
Estudiosos sérios negam a autenticidade dos «neo-pagãos» russos, vendo-os como fingidores, simulacros.»

Seria bom que o autor se dignasse apontar algum argumento desses alegados estudiosos sérios, ou pelo menos uma fonte que permitisse observar de perto os pontos de vista de tais autores.

Prossigamos...

«Um caso destacado é o artigo de V. A. Shnirelman, publicado na última edição do Slavyanovedeniye, jornal de estudos eslavos. A atenção que esta publicação respeitável dá tradicionalmente ao «neo-paganismo» salienta a seriedade do fenómeno que assentou raízes profundas. Por exemplo, a peça "Branca de Neve" de Aleksandr N. Ostrovsky, encenada no teatro Satirikon, acaba com um hino espiritual ao Deus Yarila, o que já arrancou protestos aos Cristãos Ortodoxos. Shnirelman mostra-se aborrecido pelo "diletantismo exibicionista" dos ideólogos do Paganismo Russo. Mas este é um defeito típico de qualquer cultura popular: para atrair as "massas", a mensagem pagã tem de falar alto e bom som, e ser primitiva.»

Até parece que o Cristianismo original não era assim, primitivo e exibicionista, para além de apelar precisamente às massas, e às massas mais desfavorecidas cultural, económica e socialmente, isto com a agravante de que, segundo o filósofo Celso (século II d.c.), os pregadores da palavra do Judeu Morto afastavam-se por sistema dos sábios e dos mais letrados em geral:
«Eis algumas das suas (dos cristãos) máximas: "Para longe daqui todo o que possuir alguma cultura, alguma sabedoria ou algum discernimento; são más recomendações a nossos olhos; mas se alguém for ignorante, limitado, inculto, simples de espírito, que venha a nós afoitamente!" (...) Escutemos agora que canalha os cristãos convidam para os seus mistérios: "Quem for pecador, quem não tiver inteligência, quem for fraco de espírito, numa palavra, quem for miserável, que se aproxime, o Reino de Deus pertence-lhe." Ora, ao dizer-se pecador, que se deve entender senão o homem injusto, o salteador, o arrombador de portas, o envenenador, o sacrílego, o violador de túmulos? Além destes, que outros pensaria um chefe de ladrões recrutar para a sua tropa?»
Continuando o texto sobre o Paganismo na Rússia...
«Obviamente, não há tradição pagã - i.e., transmissão contínua de crenças, ritos e customes, de geração para geração - seja na Rússia ou em qualquer outro ponto da Europa. Os Pagãos estão a "restaurar" a sua fé pedaço a pedaço a partir daquilo que foi preservado na tradição cristã, basicamente em duas formas: citações de toda a espécie de tratados anti-pagãos e folclore e do passado.»

De facto, assim é, genericamente falando, excepto talvez num ou noutro caso; entre os melhores exemplos, contam-se o aprazível, sintético e prático «Sobre os Deuses e o Cosmos», de Sallustius, o excelente «Contra os Galileus» de Juliano e o magnífico «Discurso Verdadeiro Contra os Cristãos», de Celso. Talvez estes dois últimos só tenham sido conservados no contexto dum tratado anti-pagão; seja como for, como «citações» não são nada pequenas.
Percebe-se, por outro lado, o que está por detrás desta conversa por parte do autor do texto - dar uma ideia de fragmentação e pobreza no que respeita aos vestígios directos do Paganismo. Não é sempre verdade; mas, dum modo ou doutro, a referida escassez de fontes originais a respeito do tema só serve para mostrar o quão destrutiva foi a actuação cristã.

De qualquer modo, ainda que pouco ou nada se soubesse a respeito do modo de culto antigo e das atribuições dos Deuses ancestrais... serviria sempre de resposta à Cristandade aquilo que o poeta José Régio disse noutro contexto: Não sei por onde vou, Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí! Porque fora do culto aos verdadeiros Deuses do Ocidente, pura e simplesmente não há caminho religioso apropriado aos Europeus. Não há. E é seguramente preferível ir para o abismo da «perdição eterna» do que dobrar a cervical perante um Deus alienígena.
É verdade que não há de facto continuidade religiosa pagã na Europa, em termos formais, ou seja, no que respeita à consciência dos Povos. Adorar um santo, inventado ou não pela Igreja, não tem o mesmo significado que prestar culto a um Deus Europeu, embora constitua o mais das vezes resquício desse culto. As forças da Cristandade assassinaram os Paganismos da Europa.

Assassinaram as religiões sim - mas não os Deuses. Pois como poderia um Deus morrer?

E, assim, pegando no que tenha sobrevivido, por várias vias, à tentativa cristã de exterminar os cultos alheios, os actuais Europeus podem reabrir os portais de comunicação com as Potências Celestiais Cujo culto constitui o vértice superior da herança étnica ancestral.

Continuando...

«Na Rússia, que tem estado na orla do mundo cristão, estes vestígios são especialmente numerosos. Até à data, nos sermões da Páscoa e do Natal, os padres ortodoxos apelam ao seu rebanho para que não pratiquem festas funerárias nas sepulturas dos seus parentes nem se dêem a práticas divinatórias na época natalícia. Mas estes costumes estão profundamente enraizados: os pagãos modernos estão a agarrar-se a eles no seu ambicioso empenho de revitalizar a "fé natural" da Rússia.»

Pois é, rapaziada do crucifixo - não conseguiram nunca completar o trabalhinho sujo e agora o «morto» que afinal escapou à tentativa de assassínio está a regressar.


«De que lado sobre o vento
O moderno paganismo russo anda entre o primitivo Nazismo e um Nova Era pós-cristão.
O Paganismo de estilo nazi atrai seguidores de movimentos jovens radicais tais como a Unidade Nacional Russa ou o Partido Nacional Bolchevique. A sua ideologia é construída sobre o ódio ao Cristianismo como variação de "religião de Judeus", que prega ao Povo Russo a obediência e a submissão.
O Paganismo Nova Era é muito mais refinado e elitista. Não está em guerra contra o Cristianismo; "ultrapassa" o Cristianismo apontando os seus "falhanços históricos". O Paganismo Nova Era é criação do mundo pós-cristão, secular e liberal. Pegou em alguns dos elementos mais na moda do mundo: "consciência ecológica", "amor livre", feminismo e música "étnica". Mas, mais importante, traz consigo um quarto elemento, a dimensão mística - uma «nova experiência espiritual» que uma pessoa moderna do Ocidente já não procurará no Cristianismo banal, tradicional. Além disso, não há necessidade de viajar demasiado longe - ao Tibete ou aos Índios do Amazonas - para adquirir esta "nova experiência espiritual". Parece que "as grandes forças da terra" e os "segredos dos predecessores" são escondidos mesmo aqui, na mátria histórica: uma pessoa tem só de sacudir o pó do Cristianismo. "Retornar às raízes" no estilo Nova Era, é coisa que acontece muito confortavelmente e sem abandonar quaisquer valores e hábitos modernos. Este é o apelo do Paganismo Ocidental.
»

É bom que haja cada vez mais pagãos a entender que não precisam de ir para o meio dos bosques para serem pagãos... efectivamente, a cultura urbana era, originalmente, pagã... a tecnologia, bem como a escolha individual, é algo familiar aos pagãos... não sucederia o mesmo com os cristãos que, em querendo cumprir realmente os preceitos do seu Crucificado, nada teriam de seu nem seriam capazes sequer de se defender ou de ter exércitos e polícias...

Adiante.

«Retornemos à Rússia. Há aqui algumas dificuldades em "ultrapassar o Cristianismo". Primeiro, não é inteiramente claro se nalgum ponto da sua história a Rússia foi um país completamente cristão. De acordo com Nikolai Leskov, "Rus (a antiga Rússia) foi baptizada mas não iluminada."
Segundo, setenta anos de ateísmo agressivo fez os nossos concidadãos extremamente ignorantes e ineptos em matérias religiosas.
»

Que chatice, ter de chamar ignorante ao seu próprio Povo só para fazer ver que a escolha pagã está errada... «noblesse oblige», como diriam certos pretensos aristocratas do intelecto.

«Terceiro, no final dos anos oitenta, inícios dos anos noventa, a Cristandade Ortodoxa saiu de moda, dando lugar a um desapontamento com a liderança da Igreja. Hoje, vinte anos depois do "segundo baptismo da Rússia", é caso para dizer: o reviver da religião, tal como era visto no final dos anos oitenta, falhou. Por um lado, milhares de igrejas e centenas de mosteiros foram abertos, mas, por outro, não há mudanças aparentes para melhor na moralidade e na mentalidade públicas: o crime está a aumentar; a Rússia tem a maior população prisional do mundo e há uma crescente alienação e indiferença entre as pessoas.

Tanto os patriotas como os "ocidentalizados" estão infelizes com a liderança da Igreja Ortodoxa Russa. Os primeiros atacam-na pelo seu falhanço em defender os interesses nacionais dos Russos étnicos como "cerne do Estado" e entregam o seu caso às autoridades reinantes. Os segundos - isto é, os ocidentalizados - culpam a Ortodoxia pelo falhanço da Rússia em integrar-se no "mundo civilizado".

O Paganismo já fez os seus nichos apropriados tanto para os patriotas como para os ocidentalizados. Para os patriotas, a Igreja Navi, nazi; para os ocidentalizados, a respeitável comunidade Ingling. Todavia, o Nacionalismo - ou seja, o racismo - é um elemento predominante no paganismo russo. Magus Dobroslav (A. Dobrovolsky), uma respeitável figura na comunidade pagã de Moscovo, formula assim a sua posição fundamental: "A pureza do sangue é um grande tesouro. Manchá-la significa perder para sempre a ligação aos Ancestrais/Protectores." O Racismo/Nacionalismo tornou-se num estandarte da União das Comunidades Eslavas, a maior associação gentia russa. O seu oponente liberal é a Associação da Tradição Gentia, que há quatro anos apresentou o chamado apelo Bitsa, condenando o racismo e o Nazismo no seio do movimento pagão russo.

Poucos no seio da Igreja Ortodoxa Russa levam a sério a "ameaça pagã". É uma pena. Será difícil enfrentar a crescente popularidade do Paganismo se se usarem os mesmos métodos que podem ser usados contra os "missionários viajantes".
Primeiro,
os pagãos não são "estranhos" a esta terra; pelo contrário, apelam às antigas tradições e crenças populares.Segundo, não necessitam de propriedade religiosa ou de estatuto oficial legal, e portanto é mais difícil controlá-los ao nível puramente administrativo.
Em terceiro lugar, o Paganismo moderno está muito mais bem adaptado aos valores e estilo de vida da sociedade tecnocrática secular do que a fé cristã, que é oposta ao mundo "que chafurda em pecado e em maldade".


Dossier:
O Dia de Ivan Kupala é um dia sagrado que tem existido desde os tempos pagãos. Originalmente, era conhecido como "Dia Solntsevorot", que se refere ao dia do Solstício de Verão, o mais longo dia e a mais curta noite do ano. Esta semana, o Dia de Ivan Kupala foi celebrado a 23/24 de Junho (de acordo com o antigo calendário). A crença antiga era de que o Sol era forçado a descer do seu caminho e uma rapariga de belos olhos, Zarya (Aurora), ajuda-o a prosseguir o seu caminho novamente. Ela lava-o com o orvalho da madrugada, tirado dos verdes campos. As pessoas acreditavam que a água deste dia tinha uma força especialmente purificadora. É por isso que muitos ritos deste dia estão ligados à água. A palavra "Kupala" tem a mesma raiz que a palavra russa "Kupat'sya", que significa "banhar-se". Originalmente, o dia era simplesmente chamado "Kupala", em nome da Deusa pagã. Mas é também neste dia que a Igreja Ortodoxa Russa celebra o nascimento de São João Batista (cujo nome é pronunciado em Russo é "Ioann" ou "Ivan").
Esa é a origem da primeira parte do nome do dia. Dois outros dias santos - o nascimento de São João e o Dia de Kupala - fundiram-se num só, mas as celebrações permanecem maioritariamente de natureza pagã.
De acordo com o moderno calendário, o Dia de Ivan Kupala é celebrado a sete de Julho, mas as festividades começam durante a noite, de dia seis para dia sete. Um dos mais importantes atributos desta festividade é a fogueira de Kupala. Estas fogueiras, feitas através do friccionar de madeiras, eram chamadas "fogo vivo". O fogo é a representação simbólica do poder solar e o culto ritual é baseado na crescente capacidade reprodutiva tantos de humanos como da Natureza (a fertilidade da terra e as frutificação nas árvores). As pessoas reúniam-se em torno de fogueiras, cantavam, dançavam, jogavam jogos barulhentos e saltavam sobre o fogo, acreditando que assim ficavam purificados dos seus pecados. Os casais saltavam de mãos dadas através do fogo. Se conseguissem não soltar as mãos ao saltar, era sinal de que ficariam juntos por muito tempo.
Fonte.


Perun é o mais elevado dos Deuses do Panteão, Senhor do Trovão e do Relâmpago. Os Seus outros atributos eram a Montanha, o Carvalho, o Firmamento (nas línguas indo-europeias, isto estava ligado à noção do céu como sendo feito de pedra), cavalos e carros, armas (o Martelo, o Machado e a Flecha), a Guerra e o Fogo. Foram-Lhe primeiramente associadas as armas de pedra e mais tarde as de metal.
Na Rússia, Perun era representado com cabelo prateado e bigodes dourados. Dizia-se que os Seus raios eram rochas e flechas de pedra. De acordo com as crenças folclóricas, os fulgurites e os belemnites e por vezes até as ferramentas antigas são vestígios destas armas de pedra. Vários países eslavos também chamam a estes restos "pedras de Perun", "pedras de raio", "cunhas de raio" e "flecha de Perun"; outros nomes não relacionados para estes objectos incluem "dedo do diabo", "dedo de Deus" e «dedo da Mãe de Deus", e, na Lituânia, "dedo de Berkun". Dizia-se que estas pedras de raio era por vezes enviadas dse volta para o céu pelo vento ou "anetnik". As armas de Perun protegiam contra a má sorte, a magia malévola, a doença e - naturalmente - contra o próprio raio.

No esquema classificativo de Georges Dumézil, Perun era o Deus da segunda função (poder físico e militar). Os membros de esquadrões eslavos juravam em Seu nome.
Tal como acontece com Thor, a hipóstase vegetal de Perun era o carvalho, especialmente um particularmente distinto ou proeminente. Sob este carvalho, encontrava-se um lugar de culto e de sacrifícios (boi, touro, carneiro e ovos). Na tradição eslava meridional, as fronteiras assinalavam-se com carvalhos marcados; as comunidades destas posições eram visitadas durante os dias sagrados das aldeias no final da Primavera e durante o Verão. Perun também está ligado às plantas "perunika" e "perin", nas tradições sérvia e russa.

Uma forte correlação com o quase idêntico Perkunas da mitologia lituana e Perkons da mitologia letã, sugere a grande afinidade e a comum origem das tribos Balto-Eslavas. Na religião védica, este Deus é Varuna. As semelhanças entre Perun e o Deus Thor da mitologia nórdica causaram uma amálgama dos dois Deuses na zona dos Rus de Kiev [actual Ucrânia]. Perun pode também ser comparado com Júpiter Quernus.
A Cristandade substituiu Perun por São Elijah, o Trovejante


De facto, também Júpiter é Deus do Trovão e do Relâmpago, e também a Ele estão associados a Montanha, o Carvalho, o Céu em geral e, em tempos arcaicos, era representado num dos Seus mais antigos templos por uma pedra alegadamente caída do céu, a chamada Iuppiter Lapis.
Quanto ao texto acima traduzido, creio que há aí confusão a respeito da tradição védica. O equivalente indiano de Perun não seria Varuna mas sim Indra, o Deus do Trovão e da Guerra; há ainda outra Divindade indiana, Parjanya, Deus da Chuva e da Trovoada, Cujo nome se assemelha ao de Perun. O nome original do Deus Indo-Europeu do Trovão poderia ser *Perkwunos, se o Seu nome se tiver formado a partir da raiz *Perkw-, similar à palavra latina «Quercus», que significa, justamente, «Carvalho». Uma alternativa seria a onomatopeia *Tar-, que por sua vez originaria os teónimos Taranis (Deus do Trovão gaulês) e Tarhunt (Deus do Trovão hitita).
A este propósito, vale a pena observar a extraordinária semelhança entre um símbolo representado numa estátua de Taranis e um símbolo folclórico russo que é atribuído a Perun:

Roda de Taranis


Gromoviti Znaci
Coincidentemente ou não, uma imagem pós-medieval de Júpiter representa-O com um escudo no qual se pode ver idêntico símbolo:
Quanto às armas atribuídas a Perun, o Machado e a Flecha, é interessante verificar o paralelismo desta panóplia com a de Hércules, o maior herói mítico da Grécia e do mundo clássico em geral: a Maça, equivalente ao Machado, e o Arco e flecha.
Há aliás quem pense que Hércules (ou Herákles, nome grego) é o representante helénico do Deus do Trovão Indo-Europeu, pelo Seu temperamento, força e valor marcial. Nas famosas Eddas, texto de carácter mitológico da tradição nórdica, Hércules é considerado o mesmo que Thor.
Naturalmente que o Deus do Trovão grego é Zeus. Zeus apresenta-Se como uma grande Deidade bélica de carácter celestial e luminoso, vencedor do monstro reptilínio. Sucede contudo que o nome Zeus deriva do indo-europeu *Deiwos, que é eventualmente o Deus do Céu dos Indo-Europeus primordiais; mas, neste Panteão indo-europeu primordial, haveria, além do Deus do Céu, também o Deus do Trovão e da Guerra, o acima referido *Perkwunos. Existem versões de *Perkwunos nos vários Panteões indo-europeus historicamente conhecidos: é Perkunas no Báltico, Perun entre os Eslavos, Parjanya/Indra na Índia Ariana, Taranis na Gália céltica e Tarhunt na cultura hitita, mas parece estar ausente do Panteão helénico. Crê-se então que, no contexto religioso grego, o Deus do Céu absorveu as funções do Deus do Trovão, e por isso Zeus é o Deus do Céu que também comanda o Raio e vence o Réptil monstruoso; todavia, é possível que, consciente ou inconscientemente, tenha ficado no seio do povo grego arcaico uma memória do ancestral Deus do Raio, pelo que as Suas características seriam plasmadas, não apenas em Zeus, mas também no Seu filho Hérakles, que não é propriamente um Deus e sim um semi-Deus.
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* - termo elaborado pelos linguistas com base no método comparativo. Não se trata dum nome historicamente conhecido, mas sim duma hipótese reconstrutiva científica.


Aqui ficam, já agora, três dos muitos vídeos a exibir cerimónias religiosas russas que se encontram no You Tube: este e este, relativos à Kupala de 2006, e uma curta reportagem inglesa com depoimentos de vários gentios russos.

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