segunda-feira, setembro 14, 2026

IRLANDA DO NORTE, ALBA E CYMRU ASSINAM MEMORANDO DE ENTENDIMENTO EM DIRECÇÃO À SOBERANIA DAS SUAS NAÇÕES


Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte exigem de Londres uma maior autonomia
A imprensa britânica chama-lhe a “aliança celta”, formada por movimentos de três das quatro nações do Reino Unido – na Escócia e no País de Gales, a favor da independência de Londres e, na Irlanda do Norte, por uma reunificação com a Irlanda. Os representantes destes três partidos independentistas, reforçados pelo que dizem ser o "novo ímpeto" dado aos seus movimentos, assinaram nesta Lues, em Cardiff, um memorando de entendimento no qual dizem acreditar que "uma mudança constitucional para breve" que abra caminho à realização de novos referendos.
Em várias eleições realizadas em Maio, o independentista Plaid Cymru (O Partido do País de Gales) venceu pela primeira vez no Senedd (Parlamento galês), até então dominado pelo Partido Trabalhista. Na mesma data, John Swinney renovou o domínio no Parlamento escocês do independentista Partido Nacional Escocês, partido que lidera. Isto depois de, em 2022, o Sinn Féin, partido nacionalista irlandês, ter sido o mais votado nas eleições para a Assembleia de Belfast, pela primeira vez desde 1921, com direito a indicar a pessoa a liderar o Executivo. A pessoa escolhida para primeira-ministra do Governo de partilha de poder na Irlanda do Norte foi Michelle O’Neill.
“O panorama político nas ilhas está a mudar”, argumentaram os três líderes, em representação dos respectivos partidos, para apelar ao Governo britânico que “prepare, planeie e facilite a mudança constitucional” em cada uma destas três nações do Reino Unido para permitir a realização de referendos.
"Nenhum Governo de Westminster tem o direito de bloquear a democracia ou pôr em causa o poder dos nossos povos a decidirem o seu próprio futuro", declararam. E embora o Plaid Cymru tenha excluído a realização de um referendo sobre a independência do País de Gales, durante o seu primeiro mandato, essa é a vontade de alguns dos seus governantes, à semelhança do que pretendem a Escócia e a Irlanda do Norte, explicou o jornal The Guardian. Estudos de opinião, citados por este jornal, indicam que o apoio à independência na Escócia não passa dos 45% a 50% desde o referendo de 2014 enquanto essa opção tem ganhado adeptos na Irlanda do Norte e no País de Gales.
A primeira-ministra do Governo de partilha de poder na Irlanda do Norte, Michelle O’Neill, reconheceu que as três nações são "distintamente diferentes", mantendo cada uma as suas prioridades. Mas acrescentou: "A causa comum aqui é que Westminster não serve e não servirá bem os nossos povos." O poder executivo em Belfast é partilhado com o Partido Unionista Democrático (DUP), com Emma Little-Pengelly no cargo de vice-primeira-ministra, que acusou Michelle O’Neill de tentar “usar a função de primeira-ministra como uma arma”. Também de Londres, o Labour acusou o Plaid Cymru de usar a sua posição no País de Gales para "desmembrar o Reino Unido".
O diário escocês The Scotsman lembra que os governos do Reino Unido têm sido “de forma consistente” contra a realização de referendos sobre a secessão desde o referendo sobre a independência da Escócia de 2014, e que qualquer eventual entusiasmo que pudesse existir foi refreado na semana passada com quando foi esclarecida a posição do primeiro-ministro Andy Burnham. Na semana passada, Burnham dirigiu-se a Swinney, dizendo que um novo referendo sobre a independência da Escócia estava “fora de questão”.
O primeiro-ministro “acredita profundamente na união”, disse o porta-voz de Burnham, em reacção à assinatura do acordo, acrescentando que este tem as prioridades políticas centradas na economia e no alívio do poder de compra das famílias, e não na entrada em “debates constitucionais ou mais referendos”.
*

* * *

A bem de uma Europa das Nações Livres e a bem da Justiça...
Entretanto, facilmente se pergunta, cá, o que temos nós, Portugueses, a ver com a luta independentista de Nações do noroeste europeu, a milhares de quilómetros de distância. 
Temos a ver com isso, sim, temos um bocado a ver com isso.
Como Estado-Nação de dimensão média à escala europeia, Portugal é obviamente mais pequeno e fraco que os grandes potentados europeus - Espanha, França, Alemanha, Reino Unido. Quem diz Portugal diz vários outros países europeus, muitos deles mais pequenos que Portugal: Grécia, Bélgica, Holanda, Croácia, Eslovénia, Eslováquia, Chéquia, Áustria, Lituânia, Letónia, Dinamarca, para citar menos de metade deles. Ora grande parte dos conflitos dentro da UE deve-se à discrepância de poderio e influência entre países grandes e países pequenos. Mais igualdade entre os países traria mais harmonia entre as Nações. Mais igualdade entre países menos grandes reforçaria também a sua necessidade de aliança e fortalecimento de laços entre si. A UE tornar-se-ia ainda mais coesa, em confronto com a pressão externa dos grandes gigantes não europeus, mormente a China e a Rússia e, em muito menor medida, os EUA (que, supostamente, ainda são aliados dos Europeus, por assim dizer...), e agora, mais recentemente, diante da nova «NATO dos muçulmanos» (Turquia, Arábia Saudita, Paquistão). 
É consabido o ódio que se tem votado à Alemanha no seio da UE, acusada de querer submeter os demais países, é também de recordar os conflitos que se geraram entre o Reino Unido e outros países europeus, que ajudou ao Brexit. Faria bem à UE o retorno ao seu seio do Reino Unido? Em vez de voltar a levar com este pequeno império lá dentro, a UE teria muito mais a ganhar com a reunificação da Irlanda e com a adição da Escócia e de Gales, e, depois, possivelmente, de Inglaterra.
Outro tanto se poderá um dia efectivar com as possíveis soberanias futuras da Galiza, das Astúrias, da Catalunha, de Euskadi, da Bretanha, da Occitânia, da Bavária ou Baviera, enfim, sonhar é fácil mas tudo começa pelo sonho.