quarta-feira, abril 08, 2026

ONU APROVA RESOLUÇÃO QUE CLASSIFICA A ESCRAVATURA COMO O MAIOR CRIME DA HUMANIDADE, SEM MENCIONAR O PAPEL DE AFRICANOS E MÉDIO-ORIENTAIS NESSE PROCESSO

Em artigo publicado no Le Figaro Histoire intitulado “Porque nunca falamos sobre a responsabilidade dos Africanos na escravização do seu próprio povo?”, Marie-Claude Mosimann-Barbier faz um apelo para que os Africanos reconheçam o papel que desempenharam no tráfico de escravos “como fornecedores, intermediários ou organizadores”. Ela também convoca instituições ocidentais, como as Nações Unidas, a pararem de ignorar o assunto.
O artigo surge na sequência da resolução da Assembleia Geral da ONU, adoptada no mês passado, que designou o tráfico atlântico de escravos e seu envolvimento na escravização de africanos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Segundo um comunicado da ONU, a resolução busca uma ordem que “enfrente a verdade histórica e, ao mesmo tempo, construa mecanismos para futuros equitativos”.
No entanto, o claro envolvimento de várias Nações Africanas e do Médio Oriente no comércio de escravos africanos continua a ser um "tabu", muitas vezes totalmente excluído da discussão, escreve Mosimann-Barbier, que é professora honorária da École normale supérieure de Paris-Saclay e membro do GRER (grupo de pesquisa sobre racismo e eugenia) da Universidade Paris-Cité.
Como Mosimann-Barbier destaca, “desde os primórdios do comércio transaariano de escravos no século VII, os Africanos vendiam escravos a árabes muçulmanos”, e, à medida que a demanda do Novo Mundo cresceu séculos depois, os Africanos étnicos atenderam-na de bom grado. Muito antes da chegada dos Europeus e do desenvolvimento do tráfico atlântico de escravos, a escravidão interna era uma realidade estrutural na maioria das sociedades africanas”, escreve ela.
O tráfico árabe de escravos envolveu a  escravização de aproximadamente 1 milhão de europeus brancos ao longo da vasta costa da Europa. Árabes e persas também tiveram ampla participação  no tráfico de escravos africanos.
Segundo estudiosos, qualquer não-muçulmano poderia ser escravizado de acordo com a doutrina islâmica, e antes do século XX, o número de escravos variava entre 12 e 15 milhões, o que supera substancialmente o número de escravos nos Estados Unidos, que chegou a 4 milhões no seu auge.
Mesmo na era moderna, estima-se que existam 40 milhões de escravos em todo o mundo, e quase nenhuma dessas redes de escravidão existe em países ocidentais.
O que Mosimann-Barbier considera mais alarmante é que a resolução foi idealizada pelo presidente de Gana, John Mahama, que exigiu reparações, pedidos formais de desculpas das Nações escravistas e a devolução de artefactos culturais saqueados para combater as desigualdades sistémicas e duradouras da escravidão. Mosimann-Barbier observa que o Reino Ashanti, localizado no actual Gana, foi um dos grupos étnicos responsáveis ​​pela escravização e venda de escravos. Congo, Camarões, Benim e Nigéria foram outras Nações conhecidas por abrigarem comerciantes de escravos activos, de origem africana. Ela também mencionou o intenso comércio de escravos (e marfim) na África Oriental, administrado por árabes muçulmanos.
Em 2006, o governo do Gana pediu desculpas formalmente pelo papel que desempenhou na escravidão, incentivando outras Nações Africanas a fazerem o mesmo. Outro pedido público de desculpas ocorreu em 2022, feito pelo reitor da Universidade de Excelência Obokese à diáspora africana em evento da ONU.
“A alegação do Gana parece um tanto surreal: como pode o vendedor eximir-se de toda a responsabilidade na transacção e transferir todo o ónus para o comprador?” No entanto, Mosimann-Barbier questiona: Um dia antes da votação, o presidente John Mahama disse: "Esta resolução é uma salvaguarda contra o esquecimento".
Recentemente, Ferghane Azihari, colunista da revista Figaro e autor do novo livro "O Islão contra a Modernidade", destacou que a escravidão era generalizada fora da Europa e continuou a ser disseminada mesmo após o seu fim na Europa. “Antes da colonização ocidental, a maioria das sociedades muçulmanas era totalmente autoritária e estratificada, sendo, além disso, sociedades escravistas que praticavam a escravidão em proporções por vezes superiores às encontradas nos Estados Unidos. O Califado de Sokoto, no que é hoje a Nigéria, foi uma das maiores sociedades escravistas da sua época. É importante lembrar que estas sociedades eram incapazes de abolir a escravidão por iniciativa própria.” Noutra entrevista, ele afirmou: “Foram os Franceses que forçaram os Argelinos a abandonar o tráfico de escravos, como era conhecido na época, em 1848. Foram os Franceses que fecharam os mercados de escravos em Marrocos… Não estou a dizer que o Islão tem o monopólio da escravidão. Estou a dizer que, diferentemente do Ocidente, o Islão não conseguiu desafiar esta instituição. O tráfico de escravos, senhora, é uma invenção do Islão. Foram os muçulmanos que inventaram o primeiro circuito de escravos. E porque nunca conseguiram eles desafiá-lo?”
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Fonte: https://rmx.news/article/new-un-resolution-on-slavery-omits-african-and-middle-eastern-slave-trades-ignores-millions-enslaved-by-islam/

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«Desde os primórdios do comércio transaariano de escravos no século VII, os Africanos vendiam escravos a árabes muçulmanos» - logo à cabeça, esta passagem é só a ponta do iceberg do que está em causa - e logo aí se constata o gigantismo da obscenidade que é culpar «o branco» pela escravização do negro-coitadinho. Uma obscenidade que não deriva nem de estupidez nem tampouco de ignorância mas sim de ódio e ressentimento de maus perdedores, de um lado e, do outro, e muito mais determinante e influente, de complexo de culpa branco, produto laico da moral cristã do pecado original colectivo, da ordem de dar a outra face e da incitação ao ódio dentro da própria família, como Jesus abertamente declarou mais de uma vez. É toda uma sensibilidadezinha que encontra a plena satisfação e concretização do sentido da vida ao ajoelhar-se perante o Sagrado Alógeno para fazer mea culpa pelos actos de avoengos de casa do caralho mais velho e pelos seus próprios micro-actos de merda sem relevância alguma (as «micro-agressões») e, à falta disso, castigar-se pelos seus pecados em pensamento. Não fiquei minimamente surpreendido quando, aqui há uns quinze anos, uma jovem portuguesa me disse que, de cada vez que tinha um pensamento racista, punia-se a si própria, é que não me admirei mesmo nada, zero surpresa, e não tive dúvida de que a moça estava a falar a sério.