SOBRE O NOSSO NATAL, QUE HOJE CULMINA, E AS DECLARAÇÕES DO PATRIARCADO DE LISBOA NO MÊS PASSADO
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Alguns nacionalistas ingénuos, órfãos mentais, sempre em busca ou de um paizinho ou de um líder ou de uma estrutura que os defenda, gostam muito de declarações eclesiásticas pronunciadas em prol da «nossa» cultura. Mas qual «nossa» cultura? O padralhame não se engana sobre isto e é sempre coerente - a «nossa» cultura de que fala não é «a nossa Europa branca!» que os nacionalistas adoram mas sim a Cristandade, que a Igreja quer poder continuar a identificar com o Ocidente de maneira a manter ou, aliás, a recuperar os Ocidentais para o seu rebanho, sempre são setecentos milhões na Europa e mais quinhentos milhões, grosso modo, do outro lado do Atlântico, a habitar a maior parte das potências mundiais: EUA, RU, França, Itália, Alemanha, não é coisa pouca. Queriam, aliás, ter a UE em peso sob a sua égide, mas os gajos que fizeram o Tratado da UE nunca lá incluíram qualquer referência ao Cristianismo como fundamento da sua união - Grécia e Roma, sim, Jesus na cruz é que não, para incómodo do beatame, a começar pelo papa João Paulo II, que falhou nessa campanha.
Ora este credo é, como já foi aqui dito e comprovado à saciedade, é, como agora diz o patriarcado de Lisboa, a raiz do universalismo militante que traz toneladas de imigrantes para a Europa. Isto está, como é bom de ver, nas antípodas vitais, mentais, espirituais, intestinais, figadais, pancreatais, coracionais, uteronais & prostatais, nas antípodas totais do que é o mais crucial interesse nacionalista europeu. Quando a Igreja proclama por isso a urgência de defender a «nossa» tradição «europeia», está precisamente a fazê-lo em nome de um ideal diametralmente contrário e absolutamente inimigo do Nacionalismo. É, de resto, uma brutal ironia histórica que seja precisamente esta mentalidade cristã que forma a raiz moral da actual sanha imigracionista das elites ocidentais, inclusivamente, afinal, da própria ICAR. A diferença entre os imigracionistas laicos e os imigracionistas cristãos é que estes dizem «imigração sim, mas com vocês todos a perceberem que isto acontece por causa de Cristo e que é Cristo quem manda aqui!», o que pode afinal não vir a suceder, uma vez que o Islão é se calhar mais sedutor para muitos imigrantes do que a doutrina do Crucificado, mas, seja qual for o resultado das suas conversões, a verdadeira Europa nada tem com isso e só pode ficar a perder com a permanência de tudo isso no espaço europeu.
Natal sim, mas o verdadeiro, o original, o da raiz - igualdade, fraternidade e abundância em nome de Saturno, Deus da Idade de Oiro e da Agricultura, com verduras iluminadas e decorativas, muitos presentes e muita comezaina em família e amigos. O resto que fique para lá das fronteiras continentais europeias.


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