quarta-feira, fevereiro 20, 2013

MODERNOS PAGÃOS EM TERRA ISLÂMICA

Alguns testemunhos de pagãos que vivem na região do Médio Oriente sobre o que por lá se passa em matéria de intolerância religiosa ajudam a compor o quadro do que é numa sociedade em que o Islão se fortaleça.
Um pagão norte-americano, que tem contactos internéticos com oito pagãos desta vasta região de domínio islâmico - três no Egipto e cinco na Síria - dá a conhecer o que alguns destes seus conhecidos lhe transmitiram:

 - no Egipto - os pagãos egípcios ficaram esperançosos depois da queda de Mubarak, julgando que o país poder-se-ia tornar desta feita verdadeiramente democrático. Começaram todavia a ficar preocupados com a ascensão da Irmandade Muçulmana. Um destes pagãos, Karim, começou a temer tal organização, tanto por causa do que poderia acontecer ao seu país como por causa do que lhe poderia acontecer a ele, em particular. Nos últimos meses tornou-se mais politicamente participativo, em manifestações. Receia nomeadamente o que possa acontecer às minorias religiosas, acreditando na eventualidade de os cristãos estarem dispostos a sacrificar as minorias ainda mais pequenas, entre as quais se inclui a de Karim, no intuito de apaziguar os muçulmanos. Os outros dois pagãos egípcios que o referido norte-americano conhece seguem basicamente o mesmo padrão de Karim - depois da preocupação, do medo e da determinação em participar... o silêncio. Não mais falaram, até ver, desde há três meses, parece.

 - na Síria - a situação parece ser aí mais grave, de acordo com as últimas mensagens recebidas pelo norte-americano. Sucedem-se os combates; há cada vez mais locais semelhantes a Beirute, com os seus edifícios feitos em pedaços, as ruas pejadas de entulho. Vizinhos seus, destes pagãos, desapareceram. Há patrulhas islamistas que vigiam o comportamento da população e tomam atitudes violentas contra as pessoas que não obedecem às regras islâmicas. Estes pagãos começaram, alguns, a destruir os seus próprios altares. Três deles começaram até a ir à mesquita local, para ostentarem um comportamento devotamente muçulmano. O americano recebeu o último e-mail em Junho de 2012, de uma pagã chamada Yana. Outro pagão, Bayan, diz que nada sabe de Yana e que há patrulhas de muçulmanos em busca de jovens de ambos os sexos, para lhes bater; há rumores de violações. Yana poderá ter ido para uma área mais segura ou então está em silêncio para evitar que a detectem.
É perigoso discutir religião neste país, tanto nas áreas controladas pelos rebeldes como nas controladas pelo Estado.

Um outro pagão na região que o americano conhece, Adon, no Líbano, sabe que pelo menos três pagãos da Síria foram para outros países, nomeadamente Argélia e Emirados Árabes Unidos, e entretanto perdeu contacto com eles. Os outros estão em silêncio - escondidos ou talvez pior.
Os pagãos da região já antes da «Primavera Árabe» contactavam relativamente pouco entre si, até mesmo no Líbano, onde a sociedade é relativamente mais aberta em termos religiosos.


17 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Interessante. Mas que tipo de Paganismo será que eles seguem? Étnico ou "Moderno"? (Embora qualquer coisa seja melhor que o Islão). E não consegui abrir o link.

20 de fevereiro de 2013 às 23:20:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Caturo,

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_20/Hamburgo-transforma-cruzes-cristas-em-crescentes-islamicos/

21 de fevereiro de 2013 às 02:19:00 WET  
Blogger legião 1143 said...

hoje no correio da manhã vem uma noticia onde se lê que um angolano violou o filho e sobrinhos , no entanto no correio online a mesma noticia não tem tantos pormenores , o link fica aqui se puderes compara com a que está no jornal até era bom pores as duas lado a lado , caso não fosse dizer SEF na noticia e ela passava como outra qualquer , vá lá no jornal desta vez foi escrita sem esconder o que habitualmente se pretende esconder

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/detido-por-abuso-sexual-de-criancas181430873

já nesta a certa altura dizem um dos assaltantes falava português ! espera aí então quer dizer que os outros não falavam , correcto ?
já o tipo de português que falava não sabemos e mesmo que fosse português no mais correcto sotaque , isso hoje quer dizer por acaso que de um português se trate ? quantos andam por aí de papel passado já com perfeito sotaque ? quantos desde que nasceram não ouvem a língua de Camões ?

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/portugal/gang-assalta-idosa-e-agride-empregada

21 de fevereiro de 2013 às 13:30:00 WET  
Anonymous Wergeld said...

Em Março, o Canal História vai estrear uma série intitulada Vikings, que, aparentemente, é um misto de história e ficção. O criador de Vikings é Michael Hirst, autor das séries The Tudors e Camelot - dificilmente exemplos de rigor histórico. A série é descrita desta forma: «Vikings will chronicle the adventures of Ragnar Lothbrock, an actual Norse hero from the Viking Age, as he rises to head of the Viking tribes». Mas, para começar, Ragnar Lothbrock, que se dizia descendente de Odin, provavelmente nunca existiu: é uma personagem fictícia, que figura no poema Ragnarsdrápa (final do século IX ou início do século X), inventada a partir de outras personagens que, provavelmente, também não existiram. Os relatos mitológicos dos deuses e heróis nórdicos que chegaram até nós foram quase todos escritos entre os séculos X e XIII (por cronistas islandeses), num período em que os chamados vikings já se tinham convertido ao cristianismo, e encontram-se impregnados de alusões cristãs, como no relato da morte de Odin, pendurado, perfurado por uma lança e ressuscitado poucos dias depois. A influência dos Evangelhos e dos relatos cristãos apócrifos na escrita destes materiais é, pois, um assunto que merece um estudo profundo.

A imagem popularizada por Hollywood (e, adivinha-se, por esta série) não corresponde à verdade histórica e é construída, em grande parte, pelas concepções imaginadas a partir de finais do século XVIII, durante o revivalismo viking que se operou durante o Romantismo (houve vários revivalismos durante o Romantismo: o grego, o romano, o egípcio, etc.). A própria palavra "viking" é altamente ambígua, porque, segundo as fontes mais antigas, apenas significa "viagem". Outra palavra da mesma família, "vikingr", surge em contextos nos quais os indivíduos citados se dedicam à pesca ou à pirataria; portanto, relacionada com o mar. Em suma: a palavra "viking" não é nenhum etnónimo. Existiram famílias e clãs escandinavos (dinamarqueses, suecos, noruegueses) que se dedicaram à pilhagem e à exploração marítima, mas nunca existiu nenhum povo "viking".

E estes escandinavos a que chamamos de vikings foram cristãos: o período das explorações "vikings" começou em Junho de 793, com a pilhagem do mosteiro de Lindisfarne, na costa norte inglesa, mas poucos anos depois, durante a primeira metade do século IX, estes indivíduos foram-se convertendo ao cristianismo. A rapidez com que essa conversão aconteceu indica a forte probabilidade de alguns deles já serem cristãos, para começar. Os escandinavos foram, acima de tudo, politeístas: adoptar mais um deus, cristão ou não, não era nenhum sacrifício - e Cristo, como é sabido, partilha muitas características do arquétipo de um deus solar, o que, sem dúvida, ajudou a uma adopção mais rápida. No século X, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca tornaram-se, oficialmente, reinos cristãos. Leif Eriksson, o famoso viking, filho de Erik, o Vermelho, cristianizou a Gronelândia. Não obstante, existiu um povo nórdico - povo, de facto - que recusou o cristianismo até ao século XIX, altura em que foi pressionado pela Noruega a abandonar os seus costumes ancestrais: os Sami (Lapões) - não os vikings.

Mas, enfim, a imagem romântica criada pelos produtos de entretenimento irá sempre ser mais apelativa que a verdade histórica: agricultores escandinavos, de vários clãs e etnias, tornados comerciantes e sobretudo piratas, tanto pela ganância como pela infertilidade dos solos nórdicos. Não foram nenhum povo, nem de bárbaros, nem de nobres "pagãos", mas indivíduos obrigados pelo desespero à diáspora. Nunca usaram capacetes com cornos (quem usou capacetes com cornos foram os gauleses), mas deixaram-nos uma lição que se calhar nesta altura que atravessamos é mais importante ainda: quando se tem fome, a gente adapta-se a tudo - até se adapta a deixar a nossa terra, porque ela não dá pão suficiente...

21 de fevereiro de 2013 às 15:10:00 WET  
Anonymous Wergeld said...

Artist - Iron Maiden
Song - Invaders
Album - The Number of the Beast
Songwriter - Steve Harris

Lyrics -
Longboats have been sighted the evidence of war has begun
Many Nordic fighting men their swords and shields all gleam in the sun
Call to arms defend yourselves get ready to stand and fight for your lives
Judgement day has come around so be prepared don't run stand your ground

They're coming in from the sea
they've come the enemy
beneath the blazing sun
the battle has to be won
Invaders ... Pillaging
Invaders ... Looting

Set ablaze the campfires alert the other men from inland
Warning must be given there's not enough men here for a stand
The Vikings are too many too powerful to take on our own
We must have reinforcements we cannot fight this battle alone

They're coming over the hill
they've come to attack
they're coming in for the kill
there's no turning back
Invaders ... Fighting
Invaders ... Marauding

Axes grind and maces clash as wounded fighters fall to the ground
Severed limbs and fatal woundings bloody corpses lay all around
The smell of death and burning flesh the battle weary fight to the end
The Saxons have been overpowered victims of the mighty Norsemen

You'd better scatter and run
the battle's lost and not won
you'd better get away
to fight another day
Invaders ... Raping
Invaders ... Plundering

21 de fevereiro de 2013 às 15:11:00 WET  
Blogger Caturo said...

«No século X, a Noruega, a Suécia e a Dinamarca tornaram-se, oficialmente, reinos cristãos. Leif Eriksson, o famoso viking, filho de Erik, o Vermelho, cristianizou a Gronelândia.»

Não esquecer entretanto que a Islândia converteu-se ao Cristianismo por pressão político-económica e por chantagem pura e simples.

21 de fevereiro de 2013 às 18:23:00 WET  
Blogger Caturo said...

A propósito de Metal, uma das melhores malhas que conheço a respeito do tema, um verdadeiro clássico:

http://www.youtube.com/watch?v=NU6uISqdn-s

Åretak hørtes, vakre langskip fosset frem
Som en vind fra nord, kom våre fedre i land
Horder, Ryger og Egder, samlet til felles strid
Staute menn ten frykt
Sverdslag knuste kristmanns skalle

Lenge hersket vi, Nordens konger
Mange slag vi vant ved Midgards strender
Men, sveket av våre egne, ble vi tvunget net i kne

Når vinden nå igjen jager, vender tankene omsider hjem
Vi skal reise oss i vår prakt
Sannelig skal kvitehorden skjelve

"Vi falt som menn
Derfor døde vi ei hen
Veik er den som fiender elsker
Svik ei ditt opphav"




Golpes de remos podiam ser ouvidos
Belos navios atravessaram os mares
Como um vento do norte
Os nossos ancestrais atingiram a costa
Homens de Hordaland, Rogaland e Adger reuniram-se para a batalha em comum
Homens orgulhosos sem medo
Golpes de espada esmagaram os crânios de cristãos

Durante muito tempo mandámos, reis do norte
Muitas batalhas ganhámos, nas baías de Midgard
Mas, traídos pelos nossos próprios irmãos,
Formos forçados a ficar de joelhos
Agora que o vento mais uma vez assobia
Os pensamentos voltam a casa
Iremos erguer-nos na nossa glória
A horda branca irá certamente tremer

“Morremos como homens
Por isso nunca desaparecemos
Fraco é aquele que o inimigo ama
Nunca traias a tua raiz.”

21 de fevereiro de 2013 às 18:42:00 WET  
Blogger Caturo said...

A propósito da letra, é curioso que aqui há três anos uma obra sobre o tema provocou certa polémica ao afirmar a possibilidade de que boa parte da motivação viquingue para atacar a Europa Ocidental poderia ter a ver com uma reacção armada ao totalitarismo cristão:

http://gladio.blogspot.pt/2010/01/e-se-os-ataques-viquingues-tivessem.html

21 de fevereiro de 2013 às 18:45:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"Não esquecer entretanto que a Islândia converteu-se ao Cristianismo por pressão político-económica e por chantagem pura e simples."

Isso é muito importante mais de 1000 anos depois.

21 de fevereiro de 2013 às 18:48:00 WET  
Blogger Caturo said...

Sim, é. E há-de sê-lo eternamente, pelo menos enquanto houver Europeus. E deve ser lembrado constantemente.

22 de fevereiro de 2013 às 00:44:00 WET  
Blogger Unknown said...

Isso é muito importante mais de 1000 anos depois.

21 de Fevereiro de 2013 à0 18:48:00 WET

UM POVO SEM HISTORIA NEM DNA/BIO-MATERIALIDADE PRESERVADO DE ADULTERAÇÕES DEGENERATIVAS SIMIOIDES BESTIALIENSIS NÃO TEM RAÍZES, NÃO É NADA PORTANTO

22 de fevereiro de 2013 às 07:12:00 WET  
Blogger Unknown said...

Caturo disse...
Sim, é. E há-de sê-lo eternamente, pelo menos enquanto houver Europeus. E deve ser lembrado constantemente.

22 de Fevereiro de 2013 à0 00:44:00 WET

PRA ELE UMA ARVORE PODE EXISTIR SEM RAIZES A ALICERÇANDO SOBRE O SOLO..HEHE

22 de fevereiro de 2013 às 07:13:00 WET  
Blogger Caturo said...

«Mas que tipo de Paganismo será que eles seguem? Étnico ou "Moderno"? (Embora qualquer coisa seja melhor que o Islão). E não consegui abrir o link.»

Tenta novamente porque está a abrir, e até tem uns quantos comentários politicamente interessantes, nomeadamente sobre o facto de, ao contrário do que supõem os pagãos liberais de Esquerda, ter sido com Reagan que o Paganismo conseguiu ser incluído como religião a nível estatal nacional.

Quanto ao Paganismo que estes pagãos próximo-orientais seguem, é, creio, sobretudo um Paganismo predominantemente étnico oriental, seja o egípcio - actualmente designado como «kemético» - seja o semita politeísta da Fenícia e da Babilónia, e da Assíria.

22 de fevereiro de 2013 às 16:47:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

"UM POVO SEM HISTORIA NEM DNA/BIO-MATERIALIDADE PRESERVADO DE ADULTERAÇÕES DEGENERATIVAS SIMIOIDES BESTIALIENSIS NÃO TEM RAÍZES, NÃO É NADA PORTANTO"

Ninguém quer tirar a História dos europeus. Só se acha que certos acontecimentos históricos são irrelevantes para os perigos que os europeus enfrentam.

22 de fevereiro de 2013 às 21:25:00 WET  
Blogger Caturo said...

Pois, mas este acontecimento histórico é dos mais relevantes e significativos da História europeia.

22 de fevereiro de 2013 às 23:07:00 WET  
Anonymous Anónimo said...

Bem, os islandeses não vão deixar de cristãos por causa dele, e também não se vão tornar nacionalistas, e portanto o facto de estares a repisar esse acontecimento histórico não te trará nada do que tu queiras.

22 de fevereiro de 2013 às 23:17:00 WET  
Blogger Caturo said...

Bem, para já deixa claro que o Cristianismo lá foi uma imposição, não uma «escolha natural do Povo», como alguns quiseram fazer crer, do mesmo modo que há quem queira fazer crer que «os Europeus» querem a imigração.
Isto mostra com clareza a natureza totalitária do Cristianismo e a sua pegada na raiz do que é o totalitarismo mental actual.

Quanto a não servir para os Islandeses deixarem de ser cristãos, ou para passarem a ser nacionalistas, isso logo se vê, a História da Islândia ainda não acabou.

De momento, entretanto, o Paganismo na Islândia cresce a olhos vistos enquanto o Cristianismo não tem grande aderência por parte da maior parte dos seus «crentes oficiais»:

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Membership_in_non-Christian_religious_organizations_in_Iceland.svg

23 de fevereiro de 2013 às 00:29:00 WET  

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