terça-feira, janeiro 27, 2026

CONFLITO ENTRE JUDEUS SOBRE IMIGRAÇÃO E ANTI-SEMITISMO...

Uma divergência sobre como definir as fontes do crescente anti-semitismo na Europa transformou-se em confronto público na semana passada entre dois proeminentes líderes judeus, com o bilionário da tecnologia Elon Musk a intervir para apoiar o enviado do governo dos EUA para o anti-semitismo em detrimento de um proeminente rabino europeu.
A controvérsia gira em torno de declarações feitas Mércores no Fórum Económico Mundial pelo rabino Pinchas Goldschmidt, presidente da Conferência de Rabinos Europeus, durante um painel de discussão sobre anti-semitismo, extremismo e coesão social.
Respondendo a uma pergunta sobre o aumento do anti-semitismo na Alemanha e em outros países, Goldschmidt disse que o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de Outubro de 2023 desencadeou um aumento dramático em todo o mundo nos incidentes anti-semitas, incluindo o que ele descreveu como actividade organizada e patrocinada pelo Estado em campi universitários e em espaços públicos. Goldschmidt relacionou então os desenvolvimentos políticos mais amplos na Europa com as ansiedades relativas à imigração: “Acredito que a ascensão da Extrema-Direita em muitos países europeus seja uma resposta à insegurança sentida pelos chamados europeus tradicionais em relação aos novos imigrantes vindos do Médio Oriente”, disse ele. Prosseguiu argumentando que o combate conjunto ao anti-semitismo e à islamofobia era do interesse comum das comunidades judaica e muçulmana, apontando para iniciativas inter-religiosas passadas que, segundo ele, ajudaram a promover a coesão social.
O rabino Yehuda Kaploun, enviado especial dos EUA para monitorizar e combater o anti-semitismo, criticou publicamente, na X, as declarações de Goldschmidt, classificando-as como uma interpretação equivocada dos factores que impulsionam o anti-semitismo contemporâneo na Europa. A intervenção representou uma das primeiras declarações públicas importantes de Kaploun desde a sua confirmação pelo Senado em Dezembro: Culpar a 'velha Europa' pelo actual aumento do anti-semitismo é vergonhoso”, escreveu Kaploun, argumentando, em vez disso, que a imigração em massa desempenhou um papel significativo na recente violência anti-semita e nas ameaças à segurança dos Judeus: Tenho orgulho de servir numa administração que entende que a imigração em massa é um grande impulsionador do anti-semitismo”, escreveu Kaploun. “Ela gera mudanças sociais drásticas e ameaça a segurança de todos os cidadãos. Esta administração, liderada pelo Presidente Trump e pelo Secretário Rubio, reconhece e enfrenta os desafios actuais com clareza. A imigração em massa, por si só, ameaça a segurança dos Judeus e de todas as comunidades.
Musk, o proprietário da X, amplificou a crítica de Kaploun ao republicar os seus comentários e responder: "Exactamente. Obrigado por se manifestar", uma atitude que rapidamente ampliou a disputa para além dos círculos comunitários judaicos.
Goldschmidt respondeu poucas horas depois, rejeitando a caracterização das suas declarações e afirmando que tinham sido tiradas de contexto. Ele disse que não culpava a cultura europeia pelo anti-semitismo e reiterou que considera que o anti-semitismo tem origem em múltiplas fontes ideológicas, incluindo a Extrema-Direita, a Extrema-Esquerda e a violência islâmica radical: “Eu nunca culpei a 'velha Europa' pelo actual aumento do anti-semitismo”, escreveu Goldschmidt, acrescentando que os seus comentários em Davos tinham a intenção de explicar as reacções políticas à imigração, e não de justificar ataques anti-semitas.
A troca de mensagens destaca uma crescente divisão entre líderes judeus sobre como abordar o anti-semitismo em debates polarizados sobre imigração, integração e segurança pública — debates que se têm infiltrado cada vez mais na política partidária nos Estados Unidos.
A ênfase de Kaploun na imigração ecoa a linguagem usada pelo vice-presidente J.D. Vance, que disse em Dezembro que reduzir a imigração era "a coisa mais importante" que os Estados Unidos poderiam fazer para conter o anti-semitismo, ao mesmo tempo em que descartava as alegações de crescente sentimento anti-semita dentro do Partido Republicano.
A disputa também reflete tensões institucionais de longa data. Kaploun é afiliado no movimento Chabad-Lubavitch, que se tornou numa força dominante na vida comunitária judaica na Rússia e em partes da Europa. Goldschmidt, ex-rabino-chefe de Moscovo que deixou a Rússia após recusar apoiar a guerra na Ucrânia, representa uma corrente rabínica europeia que, por vezes, entrou em conflito com o Chabad em questões de autoridade e representação.
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Fonte: https://www.timesofisrael.com/us-antisemitism-envoy-feuds-with-prominent-european-rabbi-drawing-praise-from-elon-musk/

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É bom sinal que haja cada vez mais judeus a pôr-se ao lado da luta europeia contra a iminvasão, sabendo que têm toda a conveniência nisso, uma vez que, sem Europa europeia, Israel vai ao ar em pouco tempo...