O GENOCÍDIO CRISTÃO DA PRÚSSIA
A primeira bandeira da Prússia, um dos estandartes mais antigos da Europa, representava os três Deuses principais do panteão nacional: da esquerda para a direita, Patulas, Deus dos Mortos, Perkunas, Deus do Trovão e Patrimpas, Deus da FertilidadeO nome «Prússia» costuma evocar a mais militarista das Alemanhas. Na verdade, os verdadeiros Prussianos não eram alemães, mas sim um dos povos bálticos, parentes dos Lituanos e dos Letões.
Pertenciam por isso ao ramo balta da família indo-europeia, não ao germânico.
O primeiro reino polaco, cristão, tinha pretensões sobre as terras dos Prussianos, que se mantinham pagãos, isto no século X. Ao mesmo tempo, o papa mandou Adalberto de Praga (bispo da dita cidade) evangelizar a Prússia.
Os missionários cristãos tinham o costume de cortar as árvores sagradas dos pagãos, especialmente os carvalhos, como fizeram por exemplo na Saxónia. Uma vez que as árvores estavam no centro do culto gentio, e eram habitadas por espíritos, os missionários queriam com isto mostrar aos pagãos que nenhum poder sobrenatural protegia esta vegetação contra a acção cristã. Adalberto de Praga entrou na Prússia, juntamente com a sua comitiva cristã, e resolveu deitar mãos ao trabalhinho... os prussianos avisaram-no, disseram-lhe que se mantivesse longe dos santuários de carvalhos, mas o valente soldado do Crucificado fez orelhas moucas a tal advertência, e, vai daí, acabou por ser morto pelos pagãos em 997. Os cristãos passaram então a considerar Adalberto de Praga como um dos mártires da Igreja e até o canonizaram. De tal maneira o adoraram que o seu corpo foi comprado pelo rei polaco em troca do seu peso em ouro...
O papa enviou em seu lugar outro missionário, Bruno of Querfurt, que foi igualmente «martirizado», em 1009.
Por seu turno, os Polacos aumentaram os ataques contra os Prussianos, durante os dois séculos seguintes, sendo todavia diversas vezes derrotados pelos resistentes pagãos; genericamente falando, havia avanços e recuos de ambos os lados; alguns prussianos convertiam-se ao Cristianismo como resultado da guerra, mas, assim que se encontravam em paz, retornavam ao Paganismo. E, num dos avanços militares bem sucedidos dos pagãos Prussianos, em 1215, obrigaram os conversos a voltarem às crenças dos seus ancestrais.
Devido à escalada do conflito, o papa Honório III emitiu em Março de 1217 uma bula papal a autorizar o bispo de Cister Cristiano de Oliva a realizar uma cruzada, bispo este que já era auxiliado, não apenas pelos duques polacos, mas também pelo rei da Dinamarca. No ano seguinte, os pagãos prussianos continuaram em contra-ataque e saquearam trezentas catedrais e igrejas.
Os cavaleiros da Cristandade da região, sobretudo polacos e alemães, começaram a reunir-se e em 1222 lançaram finalmente a a Cruzada Prussiana, isto é, a guerra católica pela conversão dos pagãos prussianos.
Formou-se uma ordem militar de cavalaria para atacar os gentios, a Ordem de Dobrzyń (ou Dobrin), mas os contra-ataques pagãos liquidaram-na.
Igualmente batida foi a Ordem de Calatrava, que tinha um poiso nestas paragens.
Devido ao desaire militar destas ordens de cavalaria, a Cristandade mobilizou então a Ordem Teutónica, que em 1226 iniciou o seu ataque contra a Prússia pagã, em conluio com as forças polacas.
Foi inicialmente bem sucedida, embora tenha sofrido algumas derrotas; mas, a dada altura, uma grande rebelião pagã prussiana abalou seriamente o poder desta Ordem germânica.
Cavaleiros de toda a Europa cristã foram engrossar as fileiras da Cruzada Prussiana, que durou sessenta anos. Atacados de todos os lados, os Prussianos acabaram por soçobrar. Por ordem do papado, a Prússia foi dividida em quatro bispados e ocupada por colonos alemães e polacos. No dealbar do século XVI, a sua língua e identidade estavam extintas, restando apenas alguns manuscritos na língua indígena, documentos nos quais os missionários tentavam converter os pagãos na língua destes. Ou seja, se não fossem os monges cristãos, não se sabia nada da antiga língua prussiana... mais uma magnífica contribuição cristã para a cultura europeia, sem dúvida...
Para mais desenvolvimentos e considerações, recomenda-se a leitura deste artigo.
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Etiquetas: Baltas, Genocídio, Religião, Resistência Pagã

