terça-feira, dezembro 30, 2025

PARA PARAR REALMENTE DE MENTIR SOBRE O QUE PUTIN SIGNIFICA DE FACTO PARA O OCIDENTE BRANCO


Este cada vez diz mais barracadas, é cada uma pior que a anterior. Salta à vista que
- Putin é abertamente contra o Nacionalismo étnico e contra o «racismo», declarando formalmente a intenção de «desnazificar» a Ucrânia,
- o seu projecto imperial é manifestamente anti-racista, assemelhando-se nisto ao Estado Novo, cujo slogan era «muitas raças, uma só Nação»,
mas esta espécie de jornalista ianque põe-se com estas tiradas azeiteiras de um ridículo atroz. Nem sequer há no Cristianismo qualquer base doutrinal para defender uma Nação branca, pelo que dizer «Nação branca e cristã» tem tanto nexo como dizer «Nação quente que joga hóquei», é tão somente uma descrição exterior que nada tem de intrínseco; chega inclusivamente a revelar-se ainda pior que isso, uma vez que o Cristianismo é eminentemente universalista, logo, contrário a zelos étnicos e, seguramente, incompatível com qualquer política anti-imigração como aquela que o público para o qual Carlson fala quer ver implementada no seu país.
A Rússia é uma Nação branca, sim, mas não graças a Putin - a Federação Russa é, por seu turno, multirracial, e, já agora, tem proporcionalmente mais muçulmanos do que a União Europeia...
Diga-se o que se disser, a melhor maneira de um ocidental branco ser religioso enquanto defende a identidade étnica é prestar culto ao Deus do Céu da herança etno-religiosa indo-europeia, sem qualquer referência ao carpinteiro crucificado no Médio Oriente, e, também, já agora, louvar Término, Deus das Fronteiras... e adorar Vesta, Deusa do Fogo Sacro do Lar e da Pátria...

ITÁLIA - DONO DA FLOTILHA PARA GAZA PRESO POR FINANCIAR O HAMAS


Nove pessoas foram detidas em Itália por suspeita de angariar fundos para o grupo extremista Hamas. Através de três associações humanitárias, os suspeitos terão enviado cerca de sete milhões de euros ao Hamas nos últimos dois anos. Entre eles está Mohamed Hannoun, de 63 anos, administrador de duas das organizações humanitárias envolvidas no engodo e grande apoiante da Flotilha Sumud, a mesma onde Mariana Mortágua esteve.
Nove pessoas foram detidas no Sáturnes, 27 de Dezembro, em Itália, por serem suspeitos de angariarem milhares de euros para financiar o grupo extremista palestiniano Hamas. Segundo o jornal “Corriere della Serra”, em causa está um esquema complexo de angariação de fundos através de três associações humanitárias, que diziam estar a ajudar o Povo Palestiniano, com sede em Milão e Génova.
Segundo as autoridades italianas, Mohamed Hannoun, – que as autoridades acreditam pertencer à ala estrangeira do Hamas e que seja, na realidade, o líder da sua célula em Itália – e outros oito indivíduos terão usado três instituições de caridade como fachada para angariar milhões de euros destinados ao Hamas, grupo militante que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e é classificado como organização terrorista por diversos países ocidentais.
Mohamed Hannoun, de 63 anos, arquitecto residente em Génova há quase quarenta anos, é uma figura proeminente no activismo pró-Palestina em Itália. Cidadão jordano, é presidente da Associação de Palestinos na Itália e fundador, em 1994, da Associação Beneficente de Solidariedade com o Povo Palestiniano (ABSPP).
Em 2023, o Departamento do Tesouro dos EUA incluiu Hannoun e a ABSPP na sua lista negra, acusando-os de envolvimento em financiamento do terrorismo. O activista negou consistentemente qualquer irregularidade, mantendo a natureza exclusivamente humanitária das iniciativas da associação. Mas as investigações sugerem que, sob o pretexto de auxílio humanitário, os fundos eram canalizados para actividades militares do Hamas, expondo a fragilidade dos mecanismos de controlo sobre transferências internacionais de dinheiro.
Em Agosto passado, ao comentar as acusações de que seria o líder do Hamas, classificou-as como uma “farsa”, descrevendo-se simplesmente como um palestiniano comprometido com a defesa dos direitos do seu Povo há décadas. Na ocasião, argumentou que o Hamas, tendo obtido mais de 70% dos votos em Gaza e na Cisjordânia, representa legitimamente uma parcela do Povo Palestiniano, declarando-se simpatizante de todas as facções que, na sua perspectiva, lutam por esses direitos.
O jornal italiano, “Affar 1 Taliani” avança que, após o ataque de 7 de Outubro, Hannoun participou em inúmeras manifestações de solidariedade com o povo de Gaza e foi particularmente activo no apoio à Flotilha Sumud, que também partiu de Génova com o objectivo de desafiar o bloqueio israelita, e onde participaram os portugueses Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte.
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Fonte: https://24horas.pt/dono-da-flotilha-preso-acusado-de-financiar-hamas/?fbclid=IwY2xjawPBTwlleHRuA2FlbQIxMABicmlkETBHMG0wMXA1cjA3Snd5cERRc3J0YwZhcHBfaWQQMjIyMDM5MTc4ODIwMDg5MgABHobJOiFLyBTE2Z77T3zGpjZTtIO-3PTpbSHTSGaQ2Tejuuh80KM3dfD0B2xT_aem_0rcQM3bUGGEX5LgBUaJPCg

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Que surpresa do camandro, os «islamófobos» tinham toda a razão sobre quem financiava a obscenidade flotilheira...
Resta saber o que comentarão os tugas que embarcaram nessa barracada marítima, mais especificamente Mariana Mortágua, que, à data, era deputada da Nação. Resta, aliás, saber se algum jornalista se lembrou de lhe ir perguntar alguma coisa... inclusivamente para averiguar até que ponto pode Mortágua estar envolvida com gente com financia o terrorismo islamista... 
Imagine-se que a flotilha ia apoiar um Povo de raiz europeia e que era financiada por terroristas de Ultra-Direita, e que um deputado do Chega tinha sido um dos tripulantes dessa aventura. Pode-se só imaginar o que seria o cagaçal histérico de ódio antifa canalizado de forma séria e profissional na investigação de toda a formação partidária de cima a baixo...

A DEMOCRACIA A ACTUAR - CHEGA CRESCE A OLHOS VISTOS


QUEM É O PRIMEIRO-MINISTRO TUGA - É QUEM DIZ QUE OS IMIGRANTES DEVEM SER VISTOS COMO «NOVOS PORTUGUESES»


A notícia é de há mais de um ano mas merece ainda registo, para que se perceba o que ainda é o PSD e o grosso da «Direitinha» parlamentar, com raras exceções. Há poucos portugueses?, metem-se mais imigras pelo país adentro, dá-se-lhes um bilhete de identidade nacional e pronto, aí está, é como quem tem uma garrafa de água do Luso pela metade, enche o que falta com vinagre e continuar a dizer que «é água do Luso porque o rótulo diz que é água do Luso, e não interessa que a cor já não seja a mesma, às vezes também há água amarela dos canos!» Para além do abaixamento dos salários das classes baixas, o que sempre agradou à «Direitinha» do grande capital, isto é, efectivamente, colaborar com uma substituição étnica, condizendo assim com os ditames morais da elite reinante, que oscila entre o anti-racismo militante e o pensamento a-racial, indiferente às identidades étnicas, o que deixa bem à vista que, neste momento, só há um partido na Assembleia da República a defender, na medida do possível, os Portugueses propriamente ditos, e este partido, custe o que custar a muitos, não é outro senão o Chega, que tem andado a ser favorecido, até ver, pela Democracia.

NOTICIA-SE QUE OS PORTUGUESES SÃO UM DOS POVOS EUROPEUS QUE MAIS APOIAM A UCRÂNIA

«Os Portugueses são os europeus que mais apoiam o esforço da Ucrânia para sobreviver»
Agradecimentos a quem aqui trouxe esta notícia: https://tvi.iol.pt/noticias/videos/os-portugueses-sao-os-europeus-que-mais-apoiam-o-esforco-da-ucrania-para-sobreviver/694675c70cf28fe430488b42

Entretanto, Portugal é também (ou pelo menos era, em 2024) o segundo país europeu - a seguir à Suécia - em que mais se apoia a entrada da Ucrânia na UE; outros países favoráveis a esta integração são os bálticos, a Polónia, o Reino Unido e a Dinamarca.
Por acaso andava com a impressão de que havia por cá muito «boa» gente que simpatizava com Putin, mas isso se calhar é porque vejo demasiado pessoal online de um certo sector ideológico que só respeita a lei do mais forte... Viva Portugal, Slava Ukraina



segunda-feira, dezembro 29, 2025

FRANÇA - CANDIDATA LÉSBICA DE PARTIDO ECOLOGISTA RETIRA A SUA CANDIDATURA MUNICIPAL «TALVEZ» PORQUE OS HABITANTES LOCAIS (MOUROS?) NÃO VOTASSEM NELA...

Sabrina Decanton, vereadora do partido Ecologistes (Partido Verde) em Saint-Ouen, França, anunciou que irá desistir da candidatura nas eleições municipais marcadas para Março de 2026. Entre os motivos que listou estão os comentários homofóbicos dentro do seu próprio grupo local, os Ecologistas, que afirmavam especificamente que ela era um “alvo de homofobia”, de acordo com o texto do seu anúncio publicado no X por Fdesouche“A minha orientação sexual é mencionada como obstáculo à minha candidatura e a uma possível vitória, alguns acreditando que seria incompatível com o apoio dos bairros da classe trabalhadora – uma posição que considero estigmatizante e discriminatória”, escreveu Decanton.
Vale destacar que o seu partido está provavelmente a ceder à pressão da população local de Saint-Ouen, conhecida por abrigar muitos imigrantes africanos e do Médio Oriente, aos quais [alguns] franceses chamam "classe trabalhadora". Por outras palavras, os residentes pertencentes a minorias, especialmente aqueles que são em grande parte imigrantes muçulmanos, não aceitarão uma lésbica como candidata. 
Decanton também menciona ter sofrido pressão para assinar um documento ilegal e antiético, caso fosse eleita, que teria relegado as decisões municipais a um “grupo restrito e secreto”. Um comentarista no fórum X observou que tais acordos são conhecidos por serem "relativamente comuns" em cidades com grande número de imigrantes, embora ele nunca tivesse ouvido falar de algum caso em que fossem colocados por escrito. 
Situada nos arredores de Paris, nos subúrbios do norte, Saint-Ouen-sur-Seine tem uma população de cerca de 47000 habitantes, dos quais 40% são estrangeiros, segundo estimativas do INSEE para 2023. O departamento de Seine-Saint-Denis, ao qual pertence Saint-Ouen, abrigava 7,8% dos imigrantes da França metropolitana, segundo dados do Ministério do Interior de 2021.
“Acredito profundamente que outra forma de fazer política é possível, mas recuso-me a comprometer os meus valores e a minha integridade”, acrescentou Decanton no seu anúncio.
Em publicação recente no Instagram, ela parece congratular Zohran Mamdani pela sua eleição como autarca da cidade de Nova York, chamando-lhe "um autarca multicultural para a cidade global que é Nova York".
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Fonte: https://rmx.news/article/france-green-party-lesbian-withdraws-municipal-candidacy-due-to-local-populations-inability-to-accept-homosexuals/

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Pode ser que venha a sofrer (mais?) efeitos dessa multiculturalidade que tanto aprecia... e, se assim for, há-de merecê-los...


MORTE DE BRIGITTE BARDOT


Morreu Brigitte Bardot, diva francesa do cinema. Grande Europeia, digna deste nome, verdadeira representante de muito do que a Europa tem de melhor - étnica e politicamente consciente contra a iminvasão, defensora dos verdadeiros Europeus, bem como dos direitos dos animais (não de certos animais), o que constitui mais um elemento da mais autêntica cultura europeia.
Recordo algumas das suas mais belas palavras: «Não lutei contra a Argélia francesa para agora aceitar a França argelina. Não faço mal à cultura, à identidade e aos costumes de outros, é melhor que não toquem nos meus.»
Descanse em paz nos Campos Elísios da vida eterna além-vida...

quinta-feira, dezembro 25, 2025

NATAL - ALVOR DA LUZ INVICTA


Relevo encontrado em Tróia de Setúbal, datado de entre 200 e 250 d.e.c., representando o banquete do Sol (ao centro) e de Mitra (à direita, com barrete frígio)




[M(ithrae)?] DEO INVICTO / SODALICIV(m) BRACA/RORVM STVDIVM SVAPENSA [sic] FECERVNT CVM (hedera) / 5 CRATERA TI[TVLVM?]’ DONA/VIT MESSIVS [M(arci) L(iberiiis)] [?] [ARTEJMIDO/RVS MAGISTER · [C(oloniaê)?] (hedera) P (acis?) (hedera) I (uliae?) (hedera ) 

"A Mitra (?), Deus Invicto. O sodalicio dos Brácaros fizeram (sic) a expensas suas um edifício com uma crátera. Méssio Artemidoro, liberto de Marcos (?), magistrado da Colónia de Pax Iulia (?), doou a inscrição."

"Sobre esta inscrição que está no Museu de Beja José d’Encarnação afirma: o texto assume uma importância documental ímpar, por ser «a única inscrição da Península que nos dá a conhecer uma organização mitríaca». De facto, para além do facto concreto que o monumento comemora e que, segundo a nossa interpretação, foi mandado perpetuar pelo magister de Pax Iulia através desta placa por ele doada (donavit resta evidente — como todos os autores já salientaram — que em Beja existiu em determinada altura (2.a metade do séc. II, precisa Scarlat Lambrino) um colégio de Brácaros devotos de Mitra, colégio ou tertúlia que, como salienta G. Fabre «devia permitir às gentes originárias de Brácara, que fossem aconselhadas e defendessem, se fosse caso disso, os seus interesses»." 

Dia 25 de Dezembro é data da celebração do Natalis Solis Invictus, isto é, do Nascimento do Sol Invencível, o momento em que o SOL inicia a Sua ascensão triunfante, representando, neste momento, a Luz que nunca morre e vence sempre. A celebração foi estabelecida em 274 e.c., pelo imperador Aureliano, depois do seu triunfo no oriente, e incluía corridas de cavalos - trinta bigas - em honra do Sol. O Sol Invicto, Luz que nunca morre e vence sempre, é pois um reflexo da Eternidade. 

O dia 25 de Dezembro é também a data do nascimento de Mitra, Guardião da Justiça, Cujo culto, vindo da Índia e do Irão arianos, chegou ao Império Romano no século I a.c. e aí se divulgou imensamente, desde a Ásia Menor até à Ibéria - parece ter havido um templo mitraico em Tróia de Setúbal, foi aí encontrado um baixo-relevo que representa provavelmente uma cena dum banquete mitraico, neste momento exposta no Museu Nacional de Arqueologia, na exposição «Religiões da Lusitânia». 
A Ibéria foi o território europeu com menos culto a Mitra na maior parte do espaço peninsular, excepto no noroeste, devido à presença aí de numerosos soldados romanos para dar resposta à relativa instabilidade da zona, em virtude do carácter mais indómito das gentes dessa região. Mitra foi portanto bem mais adorado no resto do Ocidente, nomeadamente na Gália, na Britânia e sobretudo na Germânia, que na Hispânia. Mitra, ou Mithras, Cujo nome significa, em Sânscrito (língua ariana da Índia), «Amigo»; em Persa, o mesmo nome quer dizer «Contrato». Trata-Se de um Deus luminoso, puro, combativo, que incita os homens a seguirem o Seu caminho no combate pela Luz contra as Trevas. O Seu culto confundiu-se, no Ocidente, com o do Sol Invictus, ou Sol Invencível; Mitra tem naturalmente um forte carácter solar (o que não significa que seja o Sol) e o Seu dia sagrado é o domingo (no Latim pagão, domingo é «Dies Solis», ou «Dia do Sol»). De acordo com algumas versões, Mitra nasceu duma pedra, o que constitui um símbolo da sua pureza; segundo outros, é filho duma virgem. Diz o mito que o Deus Máximo, Ahura Mazda, Lhe ordenou que matasse o toiro. O Sol foi o mensageiro que levou esta ordem a Mitra, O Qual a cumpriu, conseguindo levar o animal para uma caverna onde o sacrificou (por esse motivo, os fiéis de Mitra oficiavam as suas cerimónias religiosas em cavernas). Do sacrifício do toiro, o universo é renovado, pois que o sangue do bovino será o vinho e todo o seu corpo alimenta o cosmos, dando, entre outras coisas, o pão. A alma do toiro sacrificado subiu então aos céus para ficar junto do Deus Supremo. Depois de cumprida a Sua missão, Mitra realizou um banquete com os Seus fiéis, comendo pão e vinho, findo o qual ascendeu aos céus.




A religião mitraica compreendia uma iniciação de sete graus. Em cada grau aprender-se-iam novos e secretos conhecimentos. Tinha um carácter hierárquico e era vedada às mulheres. Os graus eram:

- corax (corvo);
- nymphus (noivo);
- miles (soldado);
- leo (leão);
- perses (persa);
- heliodromos (correio do Sol);
- pater (pai).





Mithraeum (reconstrução) ou templo de Mitra, em Saalburg num forte romano do chamado «Limes Germanicus», isto é, o limite ou fronteira da província romana da Germânia, Alemanha

Reconstrução de como seria o interior de um mithraeum ou templo de Mitra


É uma religião de soldados, de homens integrados num exército que cumprem ordens e são leais uns aos outros até que a morte os leve para o Outro Mundo.
Muito mais há a dizer sobre esta Divindade, valendo a pena lembrar as palavras de Renan, historiador bretão («francês») do século XIX segundo o qual «Se o Cristianismo tivesse sido detido por alguma doença mortal, o mundo seria mitraísta», observação que é de resto discutível, dada a parcialidade do culto - só iniciava homens - e ao carácter talvez acentuadamente oriental do mesmo, enquanto o seu grande inimigo, o Cristianismo, tendo uma índole porventura mais desenraizada e universalista, a tudo se adaptou.

Para ter mais umas luzes sobre o tema pode por exemplo visitar-se este site dedicado ao culto de Mitra na actualidade:


   


 
  


Antíoco I, soberano de Comagena (parte da Ásia Menor), com coroa de raios (possível origem das coroas monárquicas europeias) saudando Mitra, à direita, ornado de auréola solar

quarta-feira, dezembro 24, 2025

VIVÊNCIA DA IDENTIDADE ETNO-RELIGIOSA NA MAIOR FESTA DO OCIDENTE


É irónico, e bom sinal de saúde europeia, que, apesar dos pesados séculos de cristianização e domínio nominal judaico-cristão dado como facto adquirido e fundacional, apesar disso, dizia, a festa mais importante do Ocidente actual seja no essencial de raiz pagã, por mais que haja agora uma trupe de revisionistas cristãos a tentar compor um ramalhete de quadra com raiz cristã. O Natal é, de facto, descendente quase descaradamente directo da Saturnália, que já na antiga Roma pagã era a maior festa de Roma, considerando o poeta Catulo que a ocasião constituía «o melhor dia do ano», a Saturnália.
À frente e em cima do Natal, a Cristandade espetou-lhe com a figura do Menino Jesus. Mas até nisso a verdade veio ao de cima - de modo muito natural, foi-se impondo a imagem inocentemente folclórica do Pai Natal, o Santa Claus como lhe chamam os Americanos, coincidentemente na mesma terra donde este Santa seria originário, a Ásia Menor, foi em tempos adorado Santa ou Sanda, destacado Deus hitita. Ora o Pai Natal, formalmente originado na figura de S. Nicolau, corresponde a arquétipos divinos europeus do tempo do Paganismo: o aspecto físico, genericamente setentrional, a veste rubra, o semblante barbudo e jovial, o percurso nocturno de corrida pelos céus por sobre todas as terras... A ideia de que por esta altura existem forças sobrenaturais a percorrer as alturas durante a noite vem de há muito - quem o faz é a chamada «Hoste Furiosa», imenso e violento tropel de caçadores fantasmas, empenhados naquilo a que se chama «Caçada Selvagem», que é perseguição incansável, ora de um javali, ora de um cavalo, ora de belas virgens, ou ninfas. O mortal que visse este bando e dele troçasse, seria castigado; quem pelo contrário se Lhe juntasse, seria recompensado, eventualmente com ouro. A nível humano, parece haver correspondência desta tropa sobrenatural nas sociedades de guerreiros das quais já aqui se falou a propósito dos Caretos.
Os nomes e conceitos relativos a este mito europeu variam de etnia para etnia, mesmo de nação para nação nalguns casos:
- na Irlanda, é a Sluagh Sidhe espécie de espectros ou de fadas especialmente perigosas que tudo destroem e matam à sua passagem, e que são seguidos pelos seus Cu Sidhe (Cães das Fadas), igualmente saídos do inferno; o líder da hoste é o Deus Mannanan Mac Lir, ou, noutra variante, o lendário herói Fin Mac Cumhail, que conduz os seus Fianna;
- em Gales, trata-Se de Arawn, ou de Gwyn ap Nudd, Deus das Profundezas e da Morte, que conduz a Sua temível matilha vermelha e branca, a Cwn Annwn (Cães de Annwn ou Inferno) pelos ares desde o Outono até ao início da Primavera; noutras variantes, é o lendário Rei Artur quem conduz a caçada sobrenatural;
- também na Cornualha, nação céltica, se fala a este respeito dos «cães do diabo»; noutras partes do Reino Unido, crê-se que estes cães andam em busca de almas perdidas;
- na Bretanha (nação céltica do noroeste do Estado Francês), é o lendário rei Artur quem dirige a caçada;
- em certas partes de Inglaterra, é Herla, rei que ficou demasiado tempo com as Fadas e quando voltou já tinham passado cinco séculos; outras personagens do folclore inglês que supostamente dirigem esta caçada são Herne, Old Nick, ou então o histórico Sir Francis Drake; naturalmente que a Inglaterra, sendo uma nação germânica, também teve no seu folclore a crença de que esta hoste furiosa era dirigida por Woden, Deus germânico da Sabedoria e do Combate;
- na Holanda, é, tradicionalmente, Wodan, o mesmo que Woden;

- em certas partes da Alemanha, é a Deusa Diana, ou uma certa feiticeira de nome Holda, Quem conduz esta atroadora tropa; e, claro, sucede o mesmo na Alemanha que na Inglaterra e na Holanda a respeito do mais antigo condutor desta cavalgada sobrenatural, o Seu nome é Wotan;


-no norte de França é Hallequin, espírito sobrenatural demoníaco, ou então Carlos Magno e Rolando...

A versão  europeia mais conhecida, que aliás pode bem estar na origem das outras todas, é a germânica-escandinava, que vê nesta tenebrosa Hoste das Alturas os guerreiros mortos do Valhalla a correrem na esteira das Valquírias, todos conduzidos por Odin (nome escandinavo de Wodan), o terrível zargo, Deus da Sabedoria e da Morte em Combate... há até quem vislumbre o Seu sinistro semblante por debaixo do disfarce de Pai Natal, enquanto outros vêem na rubra indumentária, na longa barba, no físico avantajado e no afável temperamento do velhote natalício um eco da roupagem vermelha e da barba ruiva do brutal mas jovial Thor, Deus do Trovão, que dirige um carro puxado, não por renas, mas por bodes...
Foi-Se pois enevoando até passar a ser visto com nova forma...

Para ler algo mais sobre a possível genealogia do Pai Natal, clique aqui. Por cá, o equivalente galaico-português será talvez o Secular das Nuvens, ou Escolar das Nuvens, ou Nubeiro, na Galiza, do Qual já se falou no Gladius - IIIIII, e que se pode também ler aqui, onde há também textos centrados na figura do Nubeiro. Diz o folclore galego que o Nubeiro cobre-se de peles caprinas, o que remete aos bodes sagrados que puxam o carro de Thor... por outro lado tem sido considerado o equivalente de Odin, que, como acima se vê, dirige a Cavalgada SelvagemOutras vezes o Nubeiro ou Secular das Nuvens é representado como uma espécie de génio da Tempestade, o que mais uma vez corresponde à figura odínica, dado que Wodan/Odin radica em Wode, Entidade da tempestade Cujo nome designa «fúria».

Pode entretanto haver nos «Caretos» um eco físico e social deste mito, pois que também estes parecem personificar entidades sobrenaturais que nesta altura do ano fazem uma espécie de «raide» fantasmagórico pelas povoações.

Não surpreende que nesta época do ano os média de entretenimento, cinema e televisão, apresentem sempre uma dose maior de filmes de fantasia do que o habitual. E este ano até calha a Lua Cheia no dia de Natal, a ajudar à festa de quem aprecie a dimensão feérica da quadra. A usual expressão «magia do Natal» não tem perdido o vigor por ser cada vez mais lugar-comum. 

De resto, cambada, deixo aqui uma citação à laia de conselho para este Natal e seguintes:

“(…) Que ninguém tenha actividades públicas nem privadas durante as festas, salvo no que se refere aos jogos, às diversões e ao prazer. Apenas os cozinheiros e pasteleiros podem trabalhar. Que todos tenham igualdade de direitos, os escravos e os livres, os pobres e os ricos (…)”

Saturnália, descrição do famoso festival em honra de Saturno, por Luciano de Samósata (125-181 d.C.)ÊNC

terça-feira, dezembro 23, 2025

SOBRE AS RAÍZES ÉTNICAS EUROPEIAS DO MITO DO PAI NATAL

 



Embora alguns de vós, leitores, possam pensar que o Natal é uma treta ou consumista ou beata, enquanto outros, com mais bom gosto, acreditem que quem nestas longas noites percorre os ares é um velhote a quem chamam Pai Natal, fiquem em vez disso a saber que na verdade a ideia de que por esta altura existem forças sobrenaturais a correr os céus das longas noites vem de há muito - só que quem o faz é a chamada «Hoste Furiosa», imenso e violento tropel de caçadores fantasmas, empenhados naquilo a que se chama «Caçada Selvagem», que é perseguição incansável, ora de um javali, ora de um cavalo, ora de belas virgens, ou ninfas... O mortal que visse este bando e dele troçasse, seria castigado; quem pelo contrário se Lhe juntasse, seria recompensado, eventualmente com ouro...
A nível humano, parece haver correspondência desta tropa sobrenatural nas sociedades de guerreiros das quais já aqui se falou a propósito dos Caretos.

Os nomes e conceitos relativos a este mito norte-europeu variam de etnia para etnia, mesmo de Nação para Nação nalguns casos:
- na Irlanda, é a Sluagh Sidhe

,espécie de espectros ou de fadas especialmente perigosas que tudo destroem e matam à sua passagem, e que são seguidos pelos seus Cu Sidhe (Cães das Fadas), igualmente saídos do inferno; o líder da hoste é o Deus Mannanan Mac Lir, ou, noutra variante, o lendário herói Fin Mac Cumhail, que conduz os seus Fianna;
- em Gales, trata-Se de Arawn, ou de Gwyn ap Nudd, Deus das Profundezas e da Morte, que conduz a sua temível matilha vermelha e branca, a Cwn Annwn (Cães de Annwn ou Inferno) pelos ares desde o Outono até ao início da Primavera; noutras variantes, é o lendário Rei Artur quem conduz a caçada sobrenatural;
- também na Cornualha, Nação céltica, se fala a este respeito dos «cães do diabo»; noutras partes do Reino Unido, crê-se que estes cães andam em busca de almas perdidas;
- na Bretanha (Nação céltica do noroeste do Estado Francês), é o supra
citado lendário rei Artur quem dirige a caçada;
- em certas partes de Inglaterra, é Herla, rei que ficou demasiado tempo com as Fadas e quando voltou já tinham passado cinco séculos; outras personagens do folclore inglês que supostamente dirigem esta caçada são Herne, Old Nick, ou até o famoso e histórico Sir Francis Drake; naturalmente que a Inglaterra, sendo uma Nação germânica, também teve no seu folclore a crença de que esta hoste furiosa era dirigida por Woden, Deus germânico da Sabedoria e do Combate;
- na Holanda, é, tradicionalmente, Wodan, que é o mesmo que Woden, como é fácil de ver;
- em certas partes da Alemanha, é a Deusa Diana, ou uma certa feiticeira de nome Holda, Quem conduz esta atroadora tropa; e, claro, sucede o mesmo na Alemanha que na Inglaterra e na Holanda a respeito do mais antigo condutor desta cavalgada sobrenatural, ou seja, o Seu nome é Wotan;
-no norte de França, é Hallequin, espírito sobrenatural demoníaco, ou então Carlos Magno e Rolando...

A versão mais conhecida, que aliás pode bem estar na origem das outras todas, é a germânica-escandinava, que vê nesta tenebrosa Hoste das Alturas os guerreiros mortos do Valhalla a correrem na esteira das Valquírias, todos conduzidos por Odin (nome escandinavo de Wodan), o terrível zargo, Deus da Sabedoria e da Morte em Combate... há até quem vislumbre o Seu sinistro semblante por debaixo do disfarce de Pai Natal, enquanto outros vêem na rubra indumentária, na longa barba, no físico avantajado e no afável temperamento do velhote natalício um eco da roupagem vermelha e da barba ruiva do brutal mas jovial Thor, Deus do Trovão, que dirige um carro puxado, não por renas, mas por bodes...
Veja-se a «evolução» abaixo:



Foi-Se pois enevoando até passar a ser visto com nova forma...

Para ler algo mais sobre a possível genealogia do Pai Natal, clique aqui. Tenho para mim que, de todos os panteões antigos, o Deus com Quem o Pai Natal mais se parece é o romano Saturno, Deus da Idade de Oiro, da Agricultura e da Abundância, celebrado precisamente na Saturnália, que, nunca é demais dizer, vai de 17 a 23 de Dezembro, isto sem contar que também na Brumália é Saturno celebrado, e esta temporada festiva começa a 24 de Novembro e culmina a 25 de Dezembro, o que, bem vistas as coisas, coincide mais, no tempo celebratório, com o actual Natal ocidental, mas como talvez fosse de origem mais helénica, ou menor dimensão, é menos vezes lembrada...
Por cá, a Entidade galaico-portuguesa que lidera a Cavalgada Selvagem será talvez o Secular das Nuvens, ou Escolar das Nuvens, ou, na Galiza, Nubeiro, do Qual já se falou no Gladius - IIIIII, e que se pode também ler aqui, onde há também textos centrados na figura do Nubeiro. Ora é interessante observar que de acordo com o folclore galego, o Nubeiro cobre-Se de peles caprinas, o que remete aos bodes sagrados que puxam o carro de Thor... por outro lado tem sido considerado o equivalente de Odin, que, como acima se vê, dirige a Cavalgada Selvagem, o que aqui se pode ler.
Outras vezes são estes vultos folclóricos representados como uma espécie de génios da Tempestade.



Pode haver nos «Caretos» um eco físico e social deste mito, pois que também estes parecem personificar entidades sobrenaturais que nesta altura do ano fazem uma espécie de «raide» fantasmagórico pelas povoações...

A propósito de tempestade, é de notar que em Roma o dia 23 de Dezembro era precisamente consagrado a Tempestas, o Nume, ou Entidade Divina, da tempestade que Se manifestou durante uma batalha naval entre Roma e Cartago, ajudando a primeira a arrasar a frota da segunda.

O dia é no calendário romano igualmente consagrado a Bruma, Deusa do Inverno, e também aos Lares Permarinis (espíritos-guias nos caminhos), a Acca Larentia, a Hércules, a Diana, a Juno Regina e a Júpiter. Hoje é, também, o culminar da Saturnália, celebração presidida pelo já referido Saturno, o Deus das Sementeiras e da Idade de Oiro...

domingo, dezembro 21, 2025

TÁCITA - GUARDA DO POVO, DA PRUDÊNCIA E DA PALAVRA


Tácita, em arte da italiana Stella Elleonora

                   

Data da noite mais longa do ano, dia que em Roma era dedicado à Divália (palavra que, por coincidência ou não, se assemelha a Diwali, festival de luz hindu, realizado não muito longe deste dia), celebração da deusa Dia, ou Angerona, daí que esta festividade também se chamasse Angeronália. 
Angerona é também conhecida como Tácita, Deusa do Silêncio necessário para que se não profiram palavras indevidas. Angerona é por alguns tida como a protectora sagrada de Roma.
Muito a norte de tudo isto, os Germanos consideravam este dia como o primeiro da Cavalgada Selvagem de Odin e das Suas Valquírias, e dos Seus Einherjar (fantasmas dos combatentes), pelas alturas celestes, o que estará eventualmente na raiz da história do velhote de barbas nórdico trajado de vermelho que anda pelas céus nocturnos do mundo a distribuir prendas...

sexta-feira, dezembro 19, 2025

OPÁLIA - IO, SATURNÀLIA


Dia XIX de Dezembro é consagrado a ÓPIS, Deusa da Fertilidade e da Abundância, tida como consorte de SATURNO. Ao Seu nome liga-se a «Opulência». Esta celebração integra-se naturalmente no âmbito da SATURNÁLIA, que é a grande celebração da época.
A Opália, Opiconsivia ou Opeconsiva, é um antigo festival religioso romano celebrado no dia 25 de Agosto em honra de Ops («Abundância»), mais conhecida na época como Opis, Deusa dos recursos da agricultura e da riqueza. O festival marcava o fim da colheita, e tinha um festival correspondente no dia 19 de Dezembro a respeito do armazenamento dos cereais. 
O nome de Opis (Opis é a única forma atestada nos textos clássicos, Ops é o nominativo singular, mas não se lê nos autores da época) parece significar «Abundância, Riqueza, Dádivas, Munificiência». A palavra está também relacionada com «opus», ou «trabalho», no sentido de «trabalho da terra». O nome Opis parece ter a mesma origem indo-europeia que o sânscrito «Ápnas», ou «Bens», «Propriedade».
O culto de Opis foi lendariamente instituído pelo rei sabino Tito Tácio. Havia um famoso templo Seu no Capitólio. Inicialmente tinha um festival a 10 de Agosto.
Ops aparece representada em posição sentada, como é comum nas Divindades ctónicas, e tem na mão um ceptro ou um feixe de milho. 
A palavra latina consivia (ou consiva) deriva de conserere (semear). Opis era considerada como Deusa ctónica (subterrânea) que fazia a vegetação crescer. Uma vez que a Sua morada se situa debaixo da terra, Ops é invocada pelos Seus adoradores que se posicionam sentados com as mãos a tocar o solo, isto segundo diz Macrobius (Saturnália, I:10).
Consus poderia ser um nome alternativo de Saturno no aspecto ctónico como consorte de Ops, uma vez que, tal como SaturnoConsus também é considerado esposo de OpsConsus é o protector do cereal e dos silos de armazenamento subterrâneo. O festival de Consus, Consuália, era celebrado duas vezes por ano, sempre precedendo por poucos dias o de Ops: a 21 de Agosto, depois da colheita, e a 15 de Dezembro, depois das plantações.

A Opiconsívia ou Opália era supervisionada pelas vestais e pelo flâmine de Quirinus, arcaico Deus sabino (que alguns diziam ser Rómulo, fundador de Roma, deificado). A principal sacerdotisa na regia (sede do colégio dos pontífices) usava um véu branco, característico das virgens vestais. Uma corrida de carroças era levada a cabo no Circo Máximo. Cavalos e mulas eram coroados com flores e tomavam também parte na celebração.

É considerada por alguns como equivalente a CYBELE e a RHEA, Esposa de CRONUS, Mãe de ZEUS; os Seus sacerdotes eram os Coribantes.

"A Festa do O, em 18 de Dezembro, é assim descrita por Viterbo: «Beberete ou merenda, convite que se dava nas catedrais, colegiadas e mosteiros, em cada um dos sete dias antes do nascimento do filho de Deus; principiando nas primeiras vésperas da festa da Espectação, que também foi chamada Festa do O. É porque nestes sete dias se cantam as sete antífonas que todas principiam por O. Do O das antífonas passou o nome para os convites e merendas... Porém dos convites ou pitanças apenas hoje restam memórias entre as comunidades que vivem no claustro e que mais tenacidade mostram em conservar as antigualhas primitivas.» Viterbo cita um trecho das Memórias Cronológicas dos Prelados de Lamego sobre estes banquetes do Natal: «D'antigamente ta gora foi costume em esta nossa Sé e Cathedral de se fazerem e darem sete Os, ou convites por sete dias antes da Festa do Natal ao Cabido e clerezia da dita Sé, de vinhos brancos, e vermelhos, e fructas e tamaras e passas: cada hum segundo mais avondosamente podia. E como se hi juntava muita gente de desvairadas maneiras, entre as quaes eram vis pessoas, que depois de beberem diziam e faziam muitas enormidades e alevantavam arruidos e contendas, que eram azo de se seguirem algumas violências...» As consoadas do Natal são uma continuação destes convites."
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In «O Povo Português nos Seus Costumes, Crenças e Tradições», Volume II, por Teófilo Braga, páginas 225-6, Publicações Dom Quixote, Lisboa, originalmente publicado em 1885.