Sim e não, parte do L como o L3 etc é de origem eurasian, como podes ler: http://dienekes.blogspot.com/2018/01/eurasian-origin-of-mtdna-l3-and-y.html E parte das outras linhagens do L (L1, L2) entraram na Europa há imenso tempo e divergiram das que dominam nos SSA.
Ou seja, no passado quando diziam que Portugal marcava 5% mtdna subsariano L, e recordo que isto diz pouco ou nada sobre mistura, porque nem é 1% do adn de pessoa x, na verdade era menos de metade disso: https://postimg.cc/fkvWDpy1
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Não encontrei neste estudo
https://www.nature.com/articles/s41586-025-09437-6
a primeira imagem, a de cima, que mostra as diferentes componentes genéticas dos países europeus, mas não me custa acreditar que corresponda à verdade, depois de todos os anteriores estudos que têm sido revelados aqui ao longo das décadas.
Que os Portugueses tenham mais «sangue» norte-europeu que os demais países do sul europeu, tirando a França, que nem é bem sul, não me surpreende, desde a infância que tenho essa impressão, mormente no que respeita à comparação do modo de estar dos Portugueses com o de «Espanhóis» e italianos», mas, muito mais do que isso, pela diferença dos sons dos idiomas, dado que a sonoridade lusa é geralmente considerada como semelhante à dos países de leste, ou seja, a gentes do «frio», mais fechadas e sóbrias, em contraste com a abertura de sons das gentes meridionais.
Quanto ao elemento da Ásia Ocidental (AO), é curioso que haja mais em Portugal do que em «Espanha», imagino que a cifra referente a este último país seja uma média nacional, pois que o sul espanhol terá recebido muito mais influência de Povos mediterrânicos do que a área que é hoje Portugal, a menos que este elemento AO tenha permanecido mais em território português do que no sul espanhol devido às matanças que ocorriam no lado espanhol durante a Reconquista, aparentemente muito mais sanguinárias do que as cometidas pelos Portugueses, e há também a eventualidade de este elemento AO ser abundante nos judeus que vieram parar à Ibéria e foram depois muito mais escorraçados e expulsos de Espanha do que de Portugal.
Pode, a meu ver, indicar-se uma explicação alternativa, a de ter havido substancial influência dessa área do Mediterrâneo aquando das movimentações dos chamados Povos do Mar, entre 1200 e 1000 a.c., que eram maioritariamente indo-europeus, e dos quais alguns migrantes podem ter chegado ao território actualmente português, sobretudo no sul, conforme se lê nos livros dos irmãos Ferreira do Amaral, nomeadamente «Neo-Hititas em Portugal» e «Os Filhos de Caim e Portugal - Povos e Migrações no II Milénio a.c.»
No que toca à presença quase total do elemento báltico em toda a Europa, inclusivamente no outro extremo da Europa, ou seja, Portugal, não deixa de ser curiosa, podendo talvez dever-se ou a um estrato indo-europeu arcaico pré-céltico, ou a alguma componente genética balto-eslava em vários dos Povos do grupo oriental dos Germânicos - Visigodos, Ostrogodos, Longobardos, Hérulos, Burgúndios, Vândalos - que, oriundos da área que é hoje a Polónia, invadiram a Europa Ocidental a partir do final do mundo antigo.
A título de curiosidade etnográfica, é interessante constatar que a Nederlândia parece ser o país com mais componente germânica ocidental propriamente dita («North Sea Zone» ou «Zona do Mar do Norte»), nicho onde mais se preservou a herança genética do grupo ocidental dos Germânicos, que incluía três sub-grupos, os Irminones (das margens do Elba, como os Suevos, e, ainda, a raiz principal da actual língua alemã), os Istvaeones (das margens do Weser, que incluíam sobretudo os Francos e estão na origem da actual língua holandesa) e os Ingvaones (da margem sul do Mar do Norte, ou seja, do norte da Alemanha e da antiga Dinamarca, incluindo os Saxões, os Anglos, os Jutos e os Frísios, e estão na origem essencial da língua inglesa, daí que a língua frísia, hoje falada por uns milhares de pessoas em solo maioritariamente holandês, seja, de todos as línguas do mundo, a que está mais próxima do Inglês antigo).
Entretanto a população da Alemanha não é exclusivamente de raiz germânica, longe disso, tem aliás componentes célticas e balto-eslavas notórias.
Quanto à Inglaterra, é notório como aqui se confirma na genética a sua raiz germânica, contrastando com os seus vizinhos territoriais mais próximos, nomeadamente os Galeses, na medida em que os Ingleses têm notoriamente menos sangue céltico e mais sangue germânico do que todos os outros Povos das Ilhas Britânicas, aliás, os Ingleses têm até mais do elemento germano-nórdico do que os Alemães, o que confirma uma outra suspeita minha já desde há umas décadas.