terça-feira, janeiro 27, 2026

A RESPEITO DE NETON, DEUS DA GUERRA CELTIBÉRICO


https://www.youtube.com/watch?v=KSfzK1_y_Z8

Um vídeo sucinto e muito valioso sobre Neton, Deus da Guerra adorado na antiga Celtibéria e provavelmente também na Lusitânia e na Galécia. Refere com algum desenvolvimento os Seus paralelos, quando não identificações, com outros Deuses da Guerra da antiga Europa indo-europeia, nomeadamente o Nuadu da Irlanda e o Tyr da Germânia/Escandinávia, na medida em que nestes três casos - celtibérico, irlandês e germânico - há o tema da mão/braço direita/o ritual e/ou miticamente salientada/o: Tyr perde a mão direita na boca do lobo Fenrir, Nuadu perde um braço em combate, passando a designar-se como Nuadu Airgedlam ou Nuadu do Braço de Prata, enquanto, no norte da Hispânia, os Lusitanos/Galaicos/Ástures/Celtíberos? sacrificavam «aos Deuses» (segundo Estrabão) as mãos direitas dos guerreiros inimigos. Mais fascinante ainda é o facto de na antiga Cítia - onde é hoje a Ucrânia e o sul da Rússia, grosso modo - o Deus da Guerra receber o sacrifício dos braços direitos dos guerreiros inimigos, segundo conta Heródoto... Acresce que este Deus cita, Cujo nome Heródoto não teve a amabilidade de escrever, era representado com uma espada sobre uma rocha, e, coincidência ou não, a espada é a arma de Nuadu por excelência. Mais interessante se torna este paralelo pelo facto de que, na tradição mitológica irlandesa, duas das mais relevantes tribos sobrenaturais, a dos Filhos de Nemed e a dos Filhos de Mil, serem remotamente originárias da Cítia... com passagem, no segundo caso - Filhos de Mil ou Milesianos, também chamados Miles Easpáin - pelo Egipto, onde, por mais uma extraordinária coincidência, havia uma outra Deidade da Guerra denominada Neith, neste caso uma Deusa... daí, os Milesianos passaram então à Ibéria e, depois, à Irlanda...
O autor do vídeo sugere que seria então ao referido Tyr que os Godos sacrificavam armas penduradas em árvores - de acordo com Jordanes, que todavia não refere o nome do Deus - o que seria uma conexão mais ousada, passar de braços a armas, embora talvez não deva ser posta de parte.

A coincidência mais fabulosa, entretanto, é que, no século XX, a maior indústria militar portuguesa esteve sediada, não no norte do país, onde se localizava a maior parte da indústria, mas sim numa zona lisbonense que se chama precisamente Braço de Prata, devendo este nome ao facto de o seu original proprietário ter perdido um braço em combate...

POLÓNIA - CRESCE O CULTO AOS DEUSES NACIONAIS

Estátua do Deus Światowid em Gajowniki




Embora traços do sistema de crenças pagãs pré-cristãs da Polónia estejam embutidos na cultura e nas tradições polacas, a prática da fé em si desapareceu amplamente nos séculos seguintes à adopção do Cristianismo no País. No entanto, um pequeno, mas crescente número de polacos está agora a reviver estas crenças antigas numa religião pagã moderna conhecida como Rodzimowierstwo – Fé Autóctone.
Assim como outras religiões têm denominações ou ramos, também existem diferentes grupos de crentes dentro da Fé Autóctone. Para serem oficialmente reconhecidos, tais grupos devem-se registar como organizações religiosas no Ministério do Interior na Polónia.
Isto fornece aos membros vários direitos legais, incluindo solicitar dias de folga do trabalho para feriados religiosos e para que os seus filhos aprendam as suas crenças durante aulas de religião oferecidas nas escolas. Também permite que a agência estatística estadual (GUS) recolha dados sobre a organização.
De acordo com o último relatório da GUS sobre denominações religiosas, publicado em 2022, há quatro organizações de Fé Autóctone na Polónia, com um total entre 3300 e 3400 membros. A maior — a Igreja Indígena da Polónia (RKP) — tem vindo a crescer ano a ano desde 2011 e tem 2723 membros em 2021.
Além disso, no final de Janeiro, uma nova organização de Fé Indígena – a Associação Religiosa dos Crentes Indígenas Polacos “Ród” – foi registada no Ministério do Interior.
A Fé Indígena é, portanto, uma religião pequena, mas crescente, embora seja difícil estimar o seu verdadeiro tamanho, pois nem todos os seus seguidores – Rodzimowiercy em Polaco – pertencem a organizações registadas.
A fé sobreviveu a várias reviravoltas da história, desde a cristianização original da Polónia em 966, até à detenção de líderes religiosos durante o período estalinista, até ao vandalismo de um monumento religioso nos dias actuais.

Fé Indígena é então uma religião politeísta que enfatiza a conexão com várias Divindades, bem como com os ancestrais e com a natureza. Os seus seguidores vêem-na como uma continuação das crenças religiosas e práticas rituais dos eslavos que viviam na Polónia pré-cristã. “Os seus principais fundamentos são baseados no respeito e na vida em harmonia com a natureza ao nosso redor, derivados de tradições transmitidas por gerações”, diz Ratomir Wilkowski, representante do conselho do RKP e ż erca – um padre da Fé Indígena.
De acordo com a sua tradição, o destino do mundo é determinado pelo Deus supremo, uma força cósmica que cerca o universo. No RKP, este Deus chama-Se Świętowit, mas outros nomes são usados ​​entre diferentes organizações de Fé Indígena. Em vez de ser definido por uma dicotomia bem-mal, acredita-se que Świętowit transcende o que Rodzimowiercy vê como critérios subjectivos e feitos pelo homem.
Os seguidores também acreditam num panteão de várias outras Divindades, que derivam da força unificadora do Deus supremo e podem servir como patronos de elementos, lugares ou fenómenos específicos. Entre eles estão Mokosz, Deusa-Mãe associada ao destino e à fertilidade das mulheres, e Swaróg, o Deus do fogo, do céu e do sol.

No final do século X, a Polónia entrou em período de cristianização e transição política, caracterizado como “um período de turbulência, conflito e derramamento de sangue” pela historiadora Anita Prazmowska na sua História da PolóniaPelo menos uma revolta pagã contra a igreja católica romana ocorreu na década de 1030, desestabilizando a igreja e o país. As Cruzadas do Norte do século XII viram a supressão violenta da religião pagã, tanto na Polónia quanto na região mais ampla do Báltico. Ou, como diz o RKP, este foi um período em que a igreja “tentou destruir brutalmente tudo o que estava conectado com o mundo espiritual dos nossos ancestrais”.
Um processo de reconstrução começou juntamente com o renascimento popular da Era Romântica no século XIX. Eventualmente, no período entre guerras, as primeiras organizações modernas de Fé Indígena começaram a aparecer na Polónia, mas os seus líderes foram presos durante a repressão estalinista do período comunista do pós-guerra.

O que hoje constitui a Fé Indígena começou na década de 1990, quando organizações como a RKP e a Igreja Eslava Polaca (PKS) foram fundadas, trazendo a fé para os dias modernos e lentamente conquistando um número maior de seguidores.
Séculos de Cristianismo a ser a religião dominante significam que o paganismo moderno é um “típico de acto de reconstrução”, diz Scott Simpson, um palestrante da Universidade Jaguelónica que é especialista em estudos rituais e paganismo contemporâneo na Europa Central e Oriental. “Alguns pedaços e partes da tradição estão danificados, fragmentados ou completamente perdidos.”
No entanto, os seguidores da fé enfatizam que não estão a reencenar a história ou a ressuscitar uma mitologia “morta”: “Fé Indígena eslava – como uma fé viva e contemporânea – não se trata tanto de retornar a uma cultura anterior, pré-cristã, mas sim da sua continuação, manutenção, desenvolvimento e popularização”, diz Wilkowski.
Isto significa que o que não pode ser reconstruído a partir de crónicas do século X ou fontes académicas é desenvolvido a partir de escolhas feitas por Rodzimowiercy e de “inspiração religiosa sincera”, explica Simpson.
Cultura e identidade também são vitais para a Fé Indígena. “A base de tudo isto é a eslavicidade, esta cultura, este núcleo comum que nos conecta a todos”, diz Szymon Bronimir Gilis, um żerca da nova organização Ród e membro do seu corpo administrativo, os Anciãos.
Celebrações religiosas seguem os ciclos da natureza, incluindo solstícios e equinócios, cada um dos quais marca um feriado. Entre estes está Noc Kupały (Noite de Kupala) – o Solstício de Verão – que celebra o amor, a fertilidade, o sol e a lua. Durante a Noite de Kupala, os Rodzimowiercy saltam sobre fogueiras para se purificarem e se protegerem do mal e participam em banhos em massa em corpos de água próximos. Outros rituais incluem canto e o uso de coroas feitas de flores silvestres e ervas.
Embora a Fé Indígena tenha líderes, a contribuição colectiva para o culto é uma parte fundamental de sua prática religiosa. “Um dos elementos centrais de um ritual é passar um chifre de álcool juntamente com brindes. Cada pessoa joga um pedacinho de teologia, e o grupo elogia como aceitável e bom”, diz Simpson. “É quase o oposto de uma autoridade a dizer no que se deve acreditar.”
Para muitos na Polónia, a fé católica romana tornou-se sinónimo da cultura e identidade do país. Embora a participação religiosa esteja em declínio acentuado, os dados mais recentes do censo mostram que 71% dos Polacos ainda se identificam como católicos romanos.
“Há um senso muito forte no catolicismo romano hoje na Polónia de que ele é o depósito de valores polacos, e ouvem-se políticos a dizer isso”, diz Simpson. No entanto, “havia coisas antes do catolicismo romano chegar, e há coisas hoje que podem sinceramente ser consideradas como valores polacos e não são católicos romanos”, como costumes e tradições populares.


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Fonte: https://notesfrompoland.com/2024/05/22/paganism-in-poland-native-faith-on-the-rise/?fbclid=IwY2xjawGG5mpleHRuA2FlbQIxMQABHZ9M8DauzNv8N3RZMz9fsNYqcoc24najV2CNLOY8nxVSA9S29oA1OxS3Tg_aem_mD28VxUUta3YFQexm6Y5aQ

NOVO ESTUDO INDICA QUE A LUSITÂNIA FOI MAIS NEGOCIADA DO QUE PROPRIAMENTE CONQUISTADA PELOS ROMANOS

Um estudo académico recente, publicado na revista Hispania Antigua pelo pesquisador Eduardo Sánchez Moreno, da Universidade Autónoma de Madrid, desafia a visão tradicional da conquista romana da Península Ibérica. O trabalho concentra a sua análise no período turbulento entre o fim da Guerra Viriata (139 a.C.) e o fim do Conflito Sertoriano (72 a.C.), e propõe um modelo de interacção muito mais complexo do que um simples confronto entre conquistadores e conquistados.
A pesquisa situa-se na bacia do rio Tejo, na Extremadura, região que se encontrava então nas margens setentrionais da província romana da Hispânia Ulterior. Longe de ser uma fronteira nítida, este espaço tornou-se no que o autor denomina, utilizando um conceito do historiador Richard White, uma terra intermediária. Ou seja, um ambiente física e socialmente muito partilhado, onde romanos, itálicos, lusitanos, vetões e possivelmente grupos deslocados de outros lugares se confrontavam, mas também conviviam, comerciavam e negociavam.
Um dos pilares do estudo é a crítica aos estereótipos que as fontes literárias greco-romanas transmitiram sobre os Povos da península ocidental. Sánchez Moreno observa que o clichê do "banditismo" lusitano tem sido um fardo historiográfico que, por muito tempo, distorceu, simplificou e até anulou a capacidade política, económica e militar dessas sociedades. O artigo argumenta que, longe de serem hordas desorganizadas, Lusitanos e Vetões eram comunidades complexas. Viviam em ópidos (assentamentos fortificados) e castros, eram liderados por aristocracias guerreiras, mantinham redes de troca de longa distância que alcançavam o Mediterrâneo e o Atlântico, e possuíam as suas próprias estruturas institucionais, como assembleias e magistrados. Não careciam de tecido urbano […] nem eram institucionalmente desarticulados […] nem geograficamente isolados, afirma o texto. A sua participação em grandes campanhas militares, como as incursões no vale do Guadalquivir ou a sua aliança com Sertório, deve ser lida, segundo o autor, em termos de conectividade (militar, diplomática, territorial, cultural…) e não como meros ataques lusitanos.
O estudo reconhece a grande limitação das fontes escritas para esse período: elas são escassas, fragmentárias e carregadas de preconceitos. Os relatos de Apiano ou Plutarco oferecem vislumbres, muitas vezes focados em anedotas ou julgamentos morais, mas deixam enormes lacunas.
No entanto, esta obscuridade está a ser iluminada por duas ferramentas essenciais: a epigrafia e, sobretudo, a arqueologia. A descoberta mais significativa é o Bronze de Alcântara (104 a.C.), um documento excepcional que regista os termos da rendição (deditio) de um Povo, os Seano (ou Seanocii), ao governador romano Lúcio Céstio. Este documento não só comprova a existência de negociações formais, como também detalha as suas condições: a comunidade entrega prisioneiros e cavalos, mas recupera as suas terras, leis e edifícios, sob a cláusula de que tudo permanece válido enquanto o povo e o Senado Romano assim o desejarem. Trata-se de um pacto revogável que estabelece uma relação de submissão, mas também de certa autonomia tutelar.
Além disso, os avanços na arqueologia militar republicana estão a revelar uma presença romana mais complexa do que uma simples linha de batalha: acampamentos, pequenas fortificações, moedas e cultura material itálica dispersas por todo o território. Isto evidencia uma presença militar não apenas ofensiva, mas também de controle e vigilância em território instável.
O sítio principal desta pesquisa é o povoado de Villasviejas del Tamuja (Botija, Cáceres). Este castro, identificado com a casa da moeda celtibérica de Tamúsia, é apresentado como um cenário paradigmático dos processos de interacção.
O sítio arqueológico apresenta sinais de ocupação desde o século IV a.C., mas é entre o final do século II e a primeira metade do século I a.C. que ocorre uma transformação notável. As suas defesas são reforçadas, novos materiais aparecem e, sobretudo, a sua principal necrópole, El Romazal I, oferece um testemunho fascinante: as suas oferendas funerárias incluem armas de tipo celta (espadas de La Tène), arreios de cavalos e objectos de prestígio itálico-romanos, como uma espectacular cabeçada de cavalo de bronze e estrígilos (instrumentos de banho).
O que significa isto? Para Sánchez Moreno, é altamente provável que tenha havido uma presença temporária de tropas auxiliares, com componentes mistos, no assentamento. Não se tratava de uma substituição da população local, mas de uma coabitação entre os nativos Vetões e contingentes estrangeiros (talvez celtiberos, itálicos ou romanos) em contexto de pressão militar. O Recinto B, que domina visualmente o assentamento original (Recinto A), poderia ter sido um espaço restrito para esta guarnição, um exemplo do exército romano "oculto" ou "silencioso" integrado em habitats preexistentes.
Esta hibridização também se manifesta noutros indicadores: grafites que misturam escrita paleo-hispânica e latina, possíveis símbolos de hospitalidade (pactos de aliança) e as próprias moedas de Tamúsia, cunhadas inicialmente com inscrição em alfabeto celtibérico e posteriormente numa série bilíngue com latim. Trata-se da materialização de um espaço misto, uma verdadeira “terra do meio” onde identidades e lealdades eram negociadas.
O artigo também analisa outra dinâmica crucial da época: os deslocamentos populacionais forçados. As fontes mencionam a realocação de comunidades por comandantes romanos, como os lusitanos reassentados por Júnio Bruto ou os sobreviventes da cidade de Lauro, deportados para a Lusitânia por Sertório após a sua vitória em 75 a.C.. Estes movimentos, forçados ou negociados, contribuíram para a pacificação, a colonização estratégica e a reconfiguração do mapa populacional da região.
O conflito sertoriano (82-72 a.C.) é visto como um momento culminante desta complexidade. Longe de ser apenas um capítulo da guerra civil romana na Hispânia, foi um conflito multifacetado no qual as comunidades indígenas não eram meros figurantes. A embaixada lusitana enviada a África para buscar Sertório como líder, a entrega simbólica da corça branca como gesto de lealdade, ou a contribuição de milhares de soldados de infantaria e cavaleiros hispânicos para o seu exército, são factos que o autor defende interpretar como evidência da intervenção activa dos Povos indígenas, com as suas próprias estratégias e cálculos políticos dentro do conflito romano.
A pesquisa conclui que, no vale do Tejo, entre 139 e 72 a.C., não ocorreu uma conquista linear e unidireccional. Em vez disso, houve um processo de interacção múltipla, negociação plural e acomodação, marcado pela coerção militar romana, mas também pela capacidade de acção das populações locais.
O autor defende a superação definitiva da visão dos Lusitanos e Vetões como Povos primitivos e passivos. A sua interacção com Roma foi a de sociedades complexas que, em contexto de grande tensão e violência, empregaram diversas estratégias: resistência, negociação de rendições, aliança militar com facções romanas e convivência prática em espaços partilhados.
A frase que talvez melhor resuma o espírito do estudo é aquela que critica a visão tradicional: o que aconteceu não foi tanto a implantação de um actor político sobre os outros ou a relegacão de substratos culturais […] mas sim uma coexistência complexa, uma negociação plural e poliédrica não isenta de episódios violentos.
Em última análise, a obra de Sánchez Moreno pinta um retrato muito mais rico e humano da transição para o domínio romano. A Lusitânia não foi simplesmente ocupada; era uma terra intermediária onde, entre a ansiedade e a violência, os alicerces de uma nova província foram tecidos através da força, do diálogo e da hibridização.
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Agradecimentos a quem aqui trouxe esta notícia: https://www.labrujulaverde.com/en/2026/01/lusitania-was-not-conquered-it-was-negotiated-a-study-reveals-the-complex-interaction-between-romans-and-indigenous-peoples-in-the-tagus-valley/

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Talvez por estas e por outras tenhamos uma língua cuja sonoridade parece mais leste-europeia do que mediterrânica, se calhar foi porque sempre houve aqui uma resistência interior e um subsequente distanciamento que as armas romanas nunca conseguiram cruzar, sabe-se lá...
De uma maneira ou doutra, a verdade é que a nossa língua é latina, pelo que o poder das armas acaba sempre por ser soberano. Dois mil cento e tal anos depois, as leis da existência humana ainda não mudaram grande coisa no que diz respeito a tão incontornável evidência.

«VENTURA DIVIDE O PAÍS!»

Na SIC, Paulo Portas aproveitou anteontem a sua rubrica de análise da semana ou lá o que é para manifestar as razões pelas quais votará no candidato presidencial A. J. Seguro.
Só se surpreenderia quem alguma vez tivesse acreditado que Portas seria «de Extrema-Direita». Sempre me irritou essa «acusação» que lhe lançavam aqui há vinte e tal anos ou coisa que o valha, só porque ele disse uma vez que «há demasiados angolanos em Portugal», enquanto tudo o resto no seu discurso era democrata-cristão e pró-imigração.
Nessa altura já havia notório cagaçal noutros países ocidentais, mormente em França, sobre a ascensão da Extrema-Direita, e então os caganifrates cá do burgo também se queriam juntar ao coro condenatório contra os «neo-fachos», para se sentirem importantes ou porque emprenhavam pelos ouvidos, e então também queriam ter o seu vilão extremo-direitista, e como não havia na Tugaria política nada que se visse mais à Direita de Portas, tau, atiravam-lhe com essa, a Paulo Portas, acreditando porventura que estavam a fazer boa figura diante do povo.
Ora então tanto encheram bocas & foles com uma por si odiada Extrema-Direita dessas... que agora levam com o Chega a toda a brida, até guincham.
Agora confirma-se, também, que Portas está entre os que mais se opõem a esse sector ideológico «amaldiçoado» pelas elites, o que sempre foi óbvio. Se o centrista considerasse a hipótese de votar em Ventura é que era estranho.
Tudo no democrata-cristão é previsível e o seu discurso anteontem à noite a respeito do candidato do Chega foi ainda mais previsível do que o por mim previsto... a já mais que batida, e desonesta, ou autista, argumentação segundo a qual «Ventura veio dividir o Povo!»
Portas especifica: diz que Ventura divide «em raças, etnias, religiões e...»
Ora Ventura não divide coisíssima nenhuma. É, pelo contrário, um dos que mais une - se parece certo que, na prática, a maior parte do seu eleitorado se encontra nas classes baixas, não se revela menos verdadeiro que o cerne do seu discurso se configura como o mais inter-classista de todos, precisamente porque é tribal, e a tribo somos todos, de baixo a cima, de cima a baixo, da esquerda à direita e da direita à esquerda.
Isto explica, aliás, que boa parte do seu eleitorado tenha sido arrancada ao PCP como um garboso revolucionário tira os parcos pertences a um usurpador moribundo.
De facto, quando Ventura se refere a outras etnias, não está a dividir mesmo nada - não se divide o que nunca esteve unido.
Os Portugueses são isto e só isto - uma entidade étnica. Mais concretamente, uma Nação branca e latina do sudoeste europeu. Uma etnia europeia como outra qualquer, ou como a maioria das etnias autóctones da Europa, que são de raiz indo-europeia.
Os pauloportas não gostam disto porque querem fronteiras abertas - portas escancaradas. A seu ver, um País é um sítio administrativo, exactamente isto, um sítio, um sítio administrativo, um clube, no qual eles deixam entrar quem lhes apetece, dando a quem entra um cartãozinho a dizer que «este é cidadão aqui do sítio».
Os pauloportas estão então perfeitamente convencidos, com toda a arrogância moral que é neles mui natural, que o País lhes pertence, pelo que podem dar «naturalidade» a quem quiserem.
Não podem. Conscientemente ou não, o povo não vai nisso. Os paulosportas dão por adquirido o sofisma segundo o qual a Nação tem muitas raças e etnias, só porque os pauloportas & companhia dizem que sim, que tem, mas essa ideia não permeou numa as classes populares. Os pauloportas que se ponham então a perorar e e arengar o que lhes apetecer, a partir do seus púlpitos televisivos - tudo o que eles dizem sobre isto pura e simplesmente não pega.
Nunca pegou. A diferença, relativamente à política anterior ao surgimento do Chega, é que, há umas décadas, os pauloportas não tinham bem noção do que o povo realmente sentia, porque não havia redes sociais e só eles e seus correligionários anti-racistas podiam falar na televisão, na rádio, nos jornais, e vai daí convenceram-se de que a opinião publicada era a opinião pública.
Nunca foi. Nunca foi mas os pauloportas ou não o perceberam ou pura e simplesmente nem sequer quiseram saber disso.
Efectivamente, direitinhas e esquerdalheiros em peso sempre meteram nojo e a questão é esta, é que não sabiam que metiam nojo, aqui é que bate o ponto. Ouviam o povo a desabafar sobre «os políticos e a corrupção!», mas nunca perceberam a dimensão do asco que eles próprios inspiravam com a sua petulância e as suas lições de moral cosmopolitas. Diante dos votos do Chega, ficam em pânico, porque nunca pensaram que uma coisa destas podia acontecer, e nem sequer foi por completa falta de aviso... Quando, aqui há tempos, Salazar «ganhou» o concurso de «Maior Português de Sempre», as elite ficaram chocadas diante da «ignorância» do «povinho», mas julgaram que isso era só atrasadice e o conhecido pensamento popularucho segundo o qual «antigamente é que era bom». Não foi só isso, não... Foi, mais do que tudo, por uma brutal vontade de agredir as elites. De resto, é altamente duvidoso que o povo quisesse mesmo votar num partido salazarista, se este existisse. Note-se, além do mais, que o próprio Ventura já se demarcou claramente do Estado Novo, afirmou que Salazar atrasou o país, e as suas votações não deixaram de crescer a olhos vistos.
A questão, em crescendo e mais viva hoje do que nunca, é pois bem outra - um sentir popular contra uma classe reinante cujos representantes lhe impõem o que lhes apetece, incluindo imigração em larga escala, enquanto têm o topete de insultar intelectual e moralmente todo aquele que se lhes opõe, embora por outro lado guinchem aos sete ventos que são democráticos...

FRANÇA - MOURO JÁ COM ORDEM DE DEPORTAÇÃO INVADE DOMICÍLIO E VIOLA MULHER DE NOVENTA ANOS DE IDADE

Após as autoridades francesas prenderem um imigrante tunisino pelo estupro brutal de uma mulher de 90 anos no bairro de Madeleine na última Vernes, 23 de Janeiro de 2026, foi revelado que o homem tinha uma ordem de deportação em aberto“O indivíduo que cometeu o estupro abominável de uma mulher de 90 anos no Boulevard de la Madeleine, em Nice, estava sob ordem de deportação! Mais uma vez, alguém que não tinha o direito de estar em França comete uma abominação. Quando vamos pôr fim a essa política criminosa?!”, escreveu Eric Ciotti, presidente do partido UPA e deputado em Nice.
Segundo fontes policiais confiáveis, uma mulher de 90 anos teria sido estuprada após um invasor entrar em sua casa. Um suspeito foi detido logo após o incidente.
Segundo um comunicado divulgado sobre o incidente, “A vítima relatou que por volta das 4h ou 5h da manhã, um indivíduo invadiu seu apartamento e a penetrou violentamente diversas vezes. Ela foi hospitalizada com ferimentos nas mãos, braços e pernas, resultando em um período de cinco dias de incapacidade total para o trabalho.”
Segundo o jornal francês Nice Matin, quando o desconhecido bateu à porta da vítima, "ela pensou que fosse a visita de uma enfermeira" e abriu sem hesitar. Assim que entrou, o homem imediatamente se tornou violento. O suspeito teria forçado a mulher a praticar sexo oral e submeteu-a a diversos abusos físicos.
A filha da vítima alertou a polícia nacional pouco depois das 6h da manhã, dando início a uma busca imediata. Os polícias localizaram com sucesso um suspeito, que foi preso num imóvel ocupado ilegalmente nas proximidades.
A vítima idosa foi atendida por paramédicos e levada ao hospital Pasteur 2 para receber cuidados médicos. Segundo relatos, ela sofreu ferimentos físicos graves e danos psicológicos.
A Brigada Criminal do Serviço de Polícia Judiciária Local de Nice (SLPJ) está actualmente a interrogar o indivíduo sob investigação por flagrante delito de estupro de pessoa vulnerável.
O indivíduo também estava aparentemente embriagado durante o incidente, conforme o comunicado informava ainda: “No momento da detenção, o suspeito apresentava um nível de álcool no sangue de 0,86 mg/l e testou positivo para canabis e cocaína. Embora tenha admitido ter entrado no apartamento da vítima, negou o estupro. Nascido na Tunísia em 1997, o suspeito tinha recebido uma ordem de deportação e estava em prisão domiciliar pela câmara de Saône-et-Loire desde 11 de Janeiro de 2026. Desconhecido da polícia e sem antecedentes criminais, ele será apresentado a um juiz amanhã de manhã como parte de uma investigação preliminar por estupro de pessoa vulnerável.”
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Fonte: https://rmx.news/article/she-thought-it-was-a-visit-from-a-nurse-tunisian-migrant-arrested-for-raping-a-90-year-old-frenchwoman-in-nice-had-an-open-deportation-order/

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Cuidado pois com as declarações das elites reinantes e governantes a jurar «com papéis na mão» que há imigrantes a serem deportados e que por isso o «povinho» deve ter calma e não votar na Ultra-Direita, porque «não é preciso» votar na Ultra-Direita, pois se as deportações de criminosos «estão a acontecer»...
Este é pois mais um caso em que as elites se revelam moralmente culpadas por sofrimento europeu.


ITÁLIA - MOURO AGRIDE, TORTURA E VIOLA NAMORADA DEFICIENTE

Um julgamento angustiante está em andamento na cidade italiana de Treviso. O caso envolve um cidadão marroquino de 41 anos, acusado de agredir e estuprar brutalmente uma mulher deficiente de 49 anos em Janeiro de 2025.
Durante a audiência de 22 de Janeiro de 2026, a vítima prestou um depoimento chocante, detalhando uma noite de tortura e violência sexual que a deixou inconsciente e gravemente ferida.
A vítima confirmou a extensão da tortura, dizendo no tribunal: "Fui espancada, torturada com um estilete e depois ele também me estuprou com uma garrafa."

O relacionamento entre a vítima e o acusado, que tem histórico de dependência de drogas e álcool, começou anos atrás. Apesar de o homem ter uma condenação anterior por maus-tratos à mulher e ao filho pequeno do casal, a vítima permitiu que ele voltasse para casa após a sua libertação, segundo o portal de notícias italiano Treviso Today.

Segundo relatos, ela esperava que ele a ajudasse a lidar com sua deficiência, acreditando em sua promessa: "Eu mudei, vais ver que agora as coisas vão funcionar entre nós".

No entanto, a situação deteriorou-se rapidamente em Setembro de 2024. O réu ter-se-ia tornado cada vez mais agressivo, dando socos na cabeça da mulher e ameaçando-a com uma faca de cozinha enquanto declarava: "Nós os dois vamos morrer aqui esta noite".

A violência atingiu o seu ápice a 5 de Janeiro de 2025. Sob efeito de álcool e cocaína, o homem é acusado de espancar brutalmente a sua companheira antes de arrastá-la para os lavabos. O tribunal ouviu depoimentos de que ele a "jogou contra o bidé até que ela perdesse a consciência".

Depois disso, a polícia descobriu que a mulher tinha sido cortada com um estilete, e os investigadores encontraram a garrafa com a qual, segundo a promotoria, o homem a estuprou.

Quando os serviços de emergência chegaram na manhã seguinte, depois de a mulher conseguir ligar para o 118 dizendo: "Venham, ele massacrou-me", depararam-se com uma cena de "verdadeiro horror". Havia sangue por todo o apartamento — nos pisos, nos móveis e no terraço. O réu foi encontrado deitado numa cama cercado por apetrechos para uso de drogas, incluindo papel alumínio e um cachimbo para crack.

O réu, actualmente detido na prisão de Santa Bona, continua a negar as acusações. Alegou que um ferimento grave no pescoço da vítima foi simplesmente um acidente sofrido enquanto ela caminhava até aos lavabos.
No entanto, as evidências biológicas parecem contradizer a sua versão. Embora algumas amostras de ADN recolhidas por meio de uma cotonete vaginal tenham sido excluídas do processo devido a questões processuais, outras “evidências biológicas incriminam-no”. Os investigadores encontraram sangue do réu no cabo do estilete usado no ataque, enquanto o sangue da vítima foi encontrado na lâmina.
Acusado de maus-tratos, lesão corporal agravada e violência sexual, o homem de 41 anos permanece sob custódia. A vítima, com medo do seu suposto agressor, foi autorizada a depor atrás de uma tela de protecção.

O veredicto e a sentença serão proferidos no dia 19 de Fevereiro.
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Fonte: https://rmx.news/article/i-was-beaten-tortured-with-a-box-cutter-and-then-he-also-raped-me-with-a-bottle-moroccan-migrant-convicted-for-torturing-and-raping-disabled-woman/