sexta-feira, janeiro 02, 2026

CELEBRE-SE O CULMINAR DA RECONQUISTA IBÉRICA - A QUEDA DE GRANADA EM 1492

Boabdil entrega Granada à coroa católica. Ilustração para Cristóvão Colombo do Conde Roselly de Lorgues


A dois de Janeiro de 1492 as forças hispânicas tomaram Granada aos Mouros, o que constituiu o corolário da gesta europeia que foi a Reconquista, vasto e longo movimento de resistência ao inimigo externo no seio do qual se forjaram, a ferro, fogo e sangue, os actuais países ibéricos.
É uma memória de grandeza para toda a Hispânia, Portugal incluído, dado que também houve forças militares portuguesas a participar neste derradeiro embate em solo ibérico. Um dia que urge celebrar, não apenas por uma questão do mais elementar brio nacional, europeu, mas também para avivar a consciência do valor que teve o combate para livrar solo europeu de presença inimiga alógena. Merecia bem um feriado europeu, a data, ou pelo menos ibérico.

Alguns pormenores da efeméride podem ser lidos aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tomada_de_Granada
As negociações com o último rei mouro de Granada, Boabdil, começam no Outubro de 1491. Na véspera do dia 1 de Janeiro de 1492 Boabdil envia cerca de 400 mouros como reféns, carregados de presentes para os reis, enquanto um grupo de oficiais toma a colina do Alhambra, a fim de ocupar pontos estratégicos. Na manhã do dia 2, segue Fernando de Aragão e a sua Corte, seguidos por Isabel com o príncipe João e as suas irmãs e, atrás, as tropas, ao encontro do rei mouro. Boabdil entrega as chaves da cidade diante de 100 000 espectadores muçulmanos, judeus, cristãos, castelhanos e estrangeiros e é içada, pela primeira, a bandeira dos reis de Espanha na mais alta torre do Alhambra.
Não houve pilhagem nem saque; a vitória era celebrada por vários dias de festejos e por isto outorgava-lhes o Papa Alexandre VI o título de «Reis Católicos».
Boabdil estava obrigado a aceitar as condições dos vencedores, como a liberdade de culto, a segurança das pessoas, e a liberdade de emigrar levando ou vendendo os bens. Esta opção rapidamente se mostrou inevitável, provavelmente devido às situações constrangedoras em que se veriam os muçulmanos no seguimento da derrota. As pressões acumulam-se — a Inquisição representava uma forte ameaça ao islamismo e os impostos eram insuportáveis — e grande parte dos vencidos decide retirar-se no Outono de 1492, à semelhança de Boabdil.
Rebentam as revoltas, pois as promessas dos Reis Católicos não estavam a ser cumpridas, e a Espanha vê-se vítima de represálias conduzidas a partir do Magrebe em algumas aldeias costeiras. A emigração assume agora um carácter de expulsão — que se coloca em paralelo com a dos judeus — e, com a recente descoberta da América (Índias Ocidentais).

quinta-feira, janeiro 01, 2026

COMEÇA O ANO E O MÊS DE JANUS, PRIMEIRO DOS DEUSES, SENHOR DAS PASSAGENS, PORTEIRO DO CÉU...

Janus, Deus dos Começos, o Primeiro dos Deuses, Porteiro dos Céus, Cuja chave como símbolo foi mais tarde «usurpada» por «São» Pedro, o porteiro do céu na tradição cristã... o Seu nome pode derivar do latim Dianus, do indo-europeu primordial *dia- < *dy-eð2 que por sua vez derivaria da raiz indo-europeia  *dey- , que expressa a ideia de céu brilhante e está por isso na origem dos termos «dies» (dia) e do teónimo Júpiter. Não há de qualquer modo registo histórico do nome Dianus. Outra etimologia proposta faz derivar o nome Janus da raiz indo-europeia *yā- < *y-eð2- tema II da raiz *ey- vai, que originou também o sânscrito "yana-" e o avéstico "yah-", em Latim com "i-" e em Grego com "ei-". Do nome de Janus poderá ter vindo a palavra portuguesa «janela».
Nos rituais era em regra a primeira Divindade a ser nomeada. Não tinha nenhum sacerdote específico, mas o rex sacrorum, o mais elevado dos sacerdotes romanos, levava a cabo os Seus ritos.
As portas do templo de Janus em Roma estavam abertas em tempo de guerra e fechadas em tempo de paz.
A celebração do Ano Novo em Janeiro é claramente de origem pagã, tendo inclusivamente sido combatida pelas autoridades cristãs. Há diversos testemunhos de que as igrejas cristãs a condenaram na Península Ibérica - condenaram o festejo das Calendas (primeiro dia) de Janeiro, festejo este que data do tempo da república romana. Martinho de Braga criticou no século VI o costume de celebrar o Ano Novo durante as calendas de Janeiro («De Correctione Rusticorum» 10, 1-2) e não durante a Páscoa, como mandava a tradição judaico-cristã primitiva. Antes disso, no século IV, o bispo Paciano de Barcino, de Barcelona, lamentou num texto (El Cervulus) que se continuasse a praticar o velho costume hispânico de trajar peles e cornos de animais (cervos, novilhos, touros) para festejar a entrada no Novo Ano durante as calendas de Janeiro, quando a população formava coros, cantava e bailava. O cânone do concílio IV  de Toledo (em 633) predica a dedicação de um dia especial, no início do ano, para jejum e abstinência, em contraposição ao costume pagão de celebrar a data. Esta tradição pagã está igualmente atestada no sul da Gália, segundo Cesareo de Arlés. E ainda hoje sucede que em Los Molinos, povoado da Serra de Madrid, se realizam mascaradas no começo do ano, em que homens se cobrem com peles e cornos taurinos (segundo J.M. Blázquez), o que também acontece noutras áreas da meseta ibérica e ainda nos Pirinéus, mas durante o Carnaval.

Em Portugal não sei, que este texto (a parte a itálico) saquei-o de uma site em Castelhano...


Agora Proclo:

Avé Mãe dos Deuses, de muitos nomes, Cujos filhos são belos
Avé, poderosa Hécate do Umbral
E avé também Tu, Antepassado Jano, Zeus Imperecível
Avé a Ti, Zeus altíssimo
Modela o curso da minha vida com Luz luminosa
E preenche-a com coisas boas
Leva a doença e o mal para longe dos meus membros
Purifica-me pelos Teus rituais
Sim, dá-me a Tua mão, rogo,
E quando eu estiver cansado, leva-me ao paraíso da piedade com os Teus ventos.
Avé, Mãe dos Deuses, de muitos nomes, Cujos filhos são belos
Avé, poderosa Hécate do Umbral
E avé também a Ti, Antepassado Jano, Zeus imperecível,
Avé a Ti, Zeus altíssimo

Proclus Diadochus (410-485 AD)