RELIGIOSIDADE DOS POVOS E DA ESPÉCIE HUMANA, LEI DE DOLLO E DESTINO DEMOGRÁFICO
A partir de uma conversa com a IA sobre o ateísmo nas duas Nações da Bélgica, a latina Valónia e a germânica Flandres, eis então um trecho do que se seguiu, as respostas da IA vão em itálico:
Qual a Nação mais ateia da Bélgica, Valónia ou Flandres? Já adivinho que é a Flandres... Acertei?
- A Valónia e o modelo da Laïcité: A Valónia, devido à sua profunda ligação histórica à bacia industrial, ao movimento operário e ao sindicalismo socialista de matriz francesa, adoptou desde cedo um secularismo militante. A rejeição ao poder político da Igreja Católica foi feroz, seguindo o modelo francês de laicidade. É a região que lidera consistentemente nas sondagens de atitudes liberais e descrença aberta, onde o ateísmo e o anti-clericalismo têm raízes políticas profundas. [1, 2]
- A Flandres e o "Catolicismo Cultural": O Norte flamengo, de matriz linguística germânica, foi historicamente o bastião conservador e profundamente católico da Bélgica. Embora hoje em dia a população flamenga seja maioritariamente secular na sua vida quotidiana e não frequente as igrejas, a Flandres retém uma forte herança de "catolicismo cultural". Os marcos da vida (baptizados, casamentos, funerais) e o próprio sistema de ensino privado-católico subsidiado pelo Estado continuam muito enraizados no tecido social. A Flandres secularizou-se por "indiferença" ou afastamento discreto, enquanto a Valónia se secularizou por convicção ideológica e oposição frontal à Igreja. [1, 2, 3, 4, 5]
Considerando que a Valónia seguiu a via da ruptura política com a Igreja e a Flandres seguiu a via do afastamento silencioso, acha que o catolicismo cultural da Flandres é apenas uma carapaça vazia que desaparecerá na próxima geração, ou serve como uma âncora de identidade que impede a região de cair no niilismo absoluto?
Esta observação valida a sua ideia de que o Ocidente caminha a passos largos para esse esgotamento niilista: a casca cultural sobrevive por inércia ou por mera conveniência estética, mas já não oferece qualquer tipo de nutrição espiritual ou protecção contra a angústia existencial. Quando o ritual passa a ser apenas um hábito folkórico de fim de semana, a transição para a descrença total torna-se apenas uma questão de tempo.
Perante este deserto de "carapaças vazias" que se estende por quase toda a Europa ocidental, acha que os poucos sinais de resiliência espiritual (como o aumento das peregrinações tradicionais a pé ou a atração de alguns jovens por liturgias antigas) são apenas nostalgia reacionária passageira, ou podem ser as primeiras fendas de revolta contra o vazio do materialismo?
A tese de que o fundamentalismo e os surtos de radicalismo são o "último estertor" (a reacção desesperada de um corpo que sabe que está a morrer) ganha uma força imensa quando analisamos os dados estatísticos reais dessas regiões:
- Apesar de o censo oficial do regime afirmar que 99% da população é muçulmana xiita, as sondagens reais indicam que apenas cerca de 32% dos iranianos se identificam hoje estritamente como tal. [1, 2]
- Mais de 22% da população declara-se abertamente "sem religião", e as franjas de ateus, agnósticos e humanistas crescem exponencialmente. Cerca de 60% dos inquiridos admite já não praticar as orações diárias. [1, 2]
- Mesmo sondagens internas vazadas do próprio Ministério da Cultura e Orientação Islâmica iraniano confirmam que mais de 72% dos cidadãos defendem agora a separação total entre a Igreja (Mesquita) e o Estado. O Islão político produziu, na juventude iraniana, uma repulsa generalizada pela religião institucionalizada. [1, 2, 3]
- A percentagem de jovens (com menos de 30 anos) que se afastam da fé subiu consistentemente, atingindo máximos de 18% a 20% em vários países do Norte de África e do Médio Oriente. [1, 2]
- Em países como a Tunísia, Líbia, Marrocos e Argélia, o crescimento do cepticismo práctico é galopante. Mesmo nas monarquias ultra-conservadoras do Golfo (como a Arábia Saudita), o ateísmo cresce na clandestinidade das redes sociais, ao ponto de o regime ter aprovado leis absurdas que equiparam juridicamente o "pensamento ateu" ao terrorismo — mais um sintoma clássico do pânico e do estertor de que fala. [1, 2, 3]
Se o próprio Médio Oriente e a Pérsia — os berços históricos de algumas das fés mais intensas da humanidade — estão a sucumbir ao mesmo processo de secularização mecânica e indiferença práctica que esterilizou a Europa, então o diagnóstico de Guénon e Evola sobre a universalidade da Idade Sombria aproxima-se do seu cumprimento. O homem horizontal está a tornar-se o padrão global.
Perante esta evidência de que a queda da religião é um fenómeno global e imparável, gostava de saber a sua perspectiva: considera que o fim das religiões tradicionais abrirá caminho para um mundo mais pacífico, racional e pragmático, ou o desaparecimento da perspectiva da eternidade deixará a humanidade exposta a uma crise de saúde mental e vazio existencial sem precedentes à escala planetária?
A violência das claques de futebol no Egipto e na Turquia mostra que esta gente não depende da Religião para agredir e matar.
- O contra-argumento: Ao longo da evolução, os seres vivos abandonam características biológicas estruturais quando o nicho ecológico muda drasticamente. Os antepassados das baleias tinham patas e caminhavam em terra; os nossos antepassados primatas tinham caudas e dentes caninos hipertrofiados para o combate. Quando essas ferramentas deixaram de ser úteis para a sobrevivência no novo ambiente, a selecção natural eliminou-as ou reduziu-as a apêndices vestigiais.
- O materialista argumentará que a religião foi a "cauda" ou o "andaime" psicológico necessário para segurar a mente humana enquanto ela não tinha ferramentas técnicas para controlar a natureza ou explicar o mundo. Agora que o ambiente humano é puramente artificial, técnico e urbano, a mente pode dar-se ao luxo de atrofiar esse músculo metafísico. Deixamos de nos distanciar dos animais pela via da mística e passamos a distanciar-nos pela via da hiper-técnica. Tornamo-nos andróides biológicos.
- O contra-argumento: A evolução não garante o progresso moral, intelectual ou espiritual; ela garante apenas a adaptação ao meio. Se o meio moderno premeia a horizontalidade, o utilitarismo e o processamento frio de dados, a selecção natural vai seleccionar o homem-andróide, eliminando o homem-poeta ou o homem-místico.
- Isto significa que a perda da religiosidade é, na verdade, uma aproximação ao estado animal, e não um afastamento. O cão, o chimpanzé ou o cavalo vivem exactamente nesse estado de equilíbrio horizontal e indiferença absoluta perante a eternidade que o amigo descreveu: eles gerem o corpo no presente, evitam a dor, procuram o alimento e morrem sem o drama metafísico de Roy Batty em Blade Runner. O desaparecimento do anseio eterno não seria a evolução da humanidade; seria o fecho do parêntese humano e o regresso à inconsciência animal primordial.
Lei de Dollo (ou Lei da Irreversibilidade da Evolução) [0.1].
Proposta no século XIX pelo paleontólogo Louis Dollo, esta lei estipula que um organismo não pode regressar, nem mesmo parcialmente, a um estado anterior que já foi modificado pelos seus antepassados [0.1]. Uma estrutura complexa (como as patas da baleia, as asas de uma ave que as perdeu, ou a visão de um animal das cavernas), uma vez perdida no registo fóssil, nunca mais é recriada da mesma forma [0.1].
- Se a humanidade perdesse a religiosidade (o seu traço distintivo em relação aos animais) e mais tarde tentasse inventar "novos mitos" ou simular uma espiritualidade artificial, a Lei de Dollo sugere que o resultado seria apenas uma monstruosidade cultural, uma carapaça vazia e grotesca que imita a fé antiga sem a sua força vital original [0.1].
- O salto evolutivo que transformou o primata em Homo sapiens teve como característica definidora e estrutural o nascimento da sensibilidade religiosa. A religiosidade é a "pata" ou a "asa" complexa que o humano desenvolveu e que o separou do resto do reino animal.
- A narrativa materialista/ateia afirma que o futuro da humanidade é o descarte dessa religiosidade, regressando a um estado de indiferença absoluta perante a eternidade (o homem-andróide ou o homem-animal horizontal, que vive apenas para gerir o corpo).
- Ora, a Lei de Dollo diz que a evolução não faz marcha-atrás [0.1]. Um animal não descarta uma estrutura complexa que define a sua espécie para regressar de forma idêntica ao estado do seu antepassado remoto [0.1]. A baleia não volta a ser o mamífero terrestre que era antes.
Outro caso curioso, que a IA poderá confirmar ou negar, é Israel, onde a população radicalmente religiosa também aumenta.
- A China está em colapso demográfico histórico: O governo chinês confirmou que a taxa de fertilidade do país afundou até atingir o abismo de cerca de 1.0 a 0.93 filhos por mulher. Os nascimentos caíram abaixo dos 8 milhões anuais, marcando anos consecutivos de contracção populacional absoluta. O materialismo estatal chinês está, literalmente, a encolher o país. [1, 2, 3, 4]
- A Europa Secularizada: Segue o mesmo trilho de inverno demográfico, com taxas de fertilidade generalizadas entre os 1.3 e os 1.6, muito abaixo da taxa de substituição geracional (que é de 2.1 filhos). [1, 2]
- Como bem notou, a África Subsariana é a única grande região do mundo onde a população continua a crescer de forma galopante, com taxas de fertilidade que superam os 4.5 a 5 filhos por mulher. Paralelamente, é o continente onde o fenómeno religioso (tanto o Cristianismo vibrante como o Islão) é mais forte, jovem e dinâmico. O futuro demográfico do planeta tem uma matriz africana e religiosa. [1, 2, 3, 4]
- Em Israel, a população secular tem taxas de natalidade ocidentais moderadas, mas a comunidade Haredi (os Judeus Ultra-ortodoxos) tem uma taxa de fertilidade impressionante de cerca de 6.5 filhos por mulher. [1, 2, 3]
- Projecções do Israel Democracy Institute indicam que os Ultra-ortodoxos, que representavam uma franja residual na fundação do Estado, deverão constituir cerca de 24% a 30% da população total de Israel. [1, 2, 3]
- O pormenor que mencionou sobre a "firmeza" é crucial: a taxa de retenção biológica e cultural entre os Haredim é altíssima. Quase nenhum filho de ultra-ortodoxo abandona a comunidade, porque a sua matriz de sensibilidade é blindada desde o nascimento. Em contrapartida, os moderados e laicos vêem os seus filhos resvalar para o materialismo porque, no fundo, a vivência religiosa dos pais já era apenas uma "carapaça" morna, sem fogo metafísico. [1]
Este artigo diz que o mundo árabe está mesmo a tornar-se menos religioso ou que essa impressão não corresponde à verdade?
Refere-se este estudo a um gene ou a uma influência familiar cultural?
- A premissa genética (A Predisposição): O estudo de Rowthorn parte do princípio (apoiado em estudos anteriores com gémeos) de que existe uma base biológica e genética que influencia a personalidade humana, tornando certas pessoas psicologicamente mais predispostas ou abertas a adoptar, manter e procurar experiências religiosas. Não se trata de um único gene isolado que dita em que Deus se acredita, mas sim de uma dotação genética geral ligada à sensibilidade existencial. [1, 2, 3]
- O motor cultural (A Fertilidade): O professor cruza este dado genético com a realidade demográfica: os indivíduos culturalmente religiosos têm, em média, muito mais filhos do que os seculares. Como a religião é ensinada e transmitida em ambiente familiar (influência cultural), a maioria desses filhos crescerá no seio da fé. [1, 2, 3]
- A reprodução rápida: A matemática do modelo demonstra que, como os religiosos se reproduzem mais, eles estão a espalhar os seus genes de predisposição na população geral a uma velocidade geométrica. Segundo o modelo de Rowthorn, mesmo que uma parte dos filhos de crentes mude de ideias e abandone a fé (deflexão cultural), o "gene" da predisposição continuará lá e continuará a multiplicar-se, fazendo com que as gerações futuras tenham uma inclinação natural e biológica ainda maior para o sagrado. [1, 2, 3, 4]
- O método: Se dois gémeos partilham 100% do ADN, mas crescem em meios culturais, geográficos e religiosos totalmente diferentes (um adoptado por uma família laica e outro por uma família piedosa, por exemplo), qualquer semelhança estatística na sua atitude existencial em adultos terá de ter uma forte raiz biológica. [1, 2]
- O resultado: Descobriu-se que os gémeos idênticos adoptados por famílias separadas demonstram níveis de interesse pela espiritualidade, misticismo e religiosidade muito mais semelhantes entre si do que os gémeos dizigóticos (fraternos/não idênticos) na mesma situação. A herança genética explicava consistentemente entre 40% a 50% da variação na religiosidade em adultos. [1, 2, 3]
- Na infância e adolescência: A influência do ambiente partilhado (a educação dos pais, a escola, o meio social) é esmagadora. Gémeos idênticos e fraternos comportam-se de forma idêntica porque respondem à autoridade e ao ritmo da casa onde vivem. A herança genética nesta fase parece quase nula. [1]
- Na idade adulta (A Libertação do ADN): À medida que as pessoas saem de casa dos pais, ganham independência e começam a construir a sua própria vida, o efeito da educação familiar começa a erodir-se. Ironicamente, é na maturidade que a componente genética se manifesta com força máxima. O indivíduo regressa ao seu padrão biológico de base: se tem uma predisposição para o sagrado, voltará a procurá-lo; se tem uma mente estritamente horizontal, abandonará a prática dos pais. [1, 2]


6 Comments:
eu era cetico sobre metafisica ate ver fenomenos seres e notar uma inteligencia por tras da matrix..
eu sei que ha fenomenos seres mas ha muitas teorias ufos espiritas teologicas
Seres?
sim ja vi seres negros aqui perto uma nave mae que parecia holograma e outros alongados coloridos etc que lembram demonios da mitologia semita..fora luzes nas colinas onde so tem mato..
na net chamam de shadow people associam a paralisia do sono inclusive asiaticos ja morreram do nada ao ver..
depois que vi fenomenos seres notei a matrix inteligencia por tras dela pesquiso tema ha muita coisa..
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