ALEMANHA - VITÓRIA FOLGADA DA AFD NO ESTADO DA SAXÓNIA-ANHALT
Nas eleições da Saxónia-Anhalt, Estado do nordeste alemão, a AfD alcançou ontem 41% ou 45% dos votos, segundo diferentes números que tenho visto. Está portanto perto da maioria absoluta.
Como foi isto possível, contra toda a elite reinante? Repito pela caralhésima vez - a Democracia é aliada do Nacionalismo. Quanto mais os nacionalistas falam em discurso directo ao povo, mais despertam no povo a pulsão tribal, logo, mais o povo concorda com a proposta nacionalista. Não é uma questão de instruir ou de enganar a população mas sim de apelar ao que há na Grei - às suas tendências naturais. Ao que nela é potencial, esteja ou não manifesto. Do lado contrário, a elite pôde andar décadas a querer mentalizar o povo no sentido do anti-racismo e da imigração, usando para isso as escolas, a televisão, os discursos políticos de toda a ordem entre o sentimentalismo e a intimidação - tudo isto teve afinal um efeito relativamente modesto, notoriamente superficial, pura e simplesmente porque não há na massa popular um eco profundo, um potencial para aceitar de boa vontade o ideal universalista. Se não gosto de jazz e gosto de metal, podem pôr-me um dia inteiro a ouvir jazz, uma semana, um mês, que o mais que pode acontecer é eu começar a habituar-me a esse estilo musical na medida do possível - mas bastará que oiça dez segundos de metal para que de imediato a minha disposição mude. É como é, não se muda isto.
Revela-se entretanto tristemente perigoso que a AfD evidencie clara simpatia pela Rússia contra a Ucrânia. Foi nisto que o povo votou? Não, na sua maioria.
A maior parte da população alemã é contra a imigração, bem entendido.
Ao mesmo tempo, a maior parte da população alemã é favorável à Ucrânia e vê a Rússia como ameaça.
Sucede então que, em tendo de escolher entre uma coisa e outra, o cidadão médio põe as prioridades do seu dia-a-dia em primeiro lugar. No que respeita à matéria mais imediata, de maior urgência, os gangues do terceiro-mundo nas ruas, escolas e transportes públicos da Alemanha são mais perigosos para o alemão médio do que os exércitos russos que invadem a Ucrânia.
Acresce que, já agora, uma Ucrânia russificada não deixará de ser europeia, mas uma Alemanha imigracionada deixará garantidamente de ser europeia. Ou por outra - não deixará de ser europeia a Ucrânia, ponto e vírgula, pois que a Rússia já demonstrou não ter pejo em importar toneladas de pessoal do terceiro-mundo para suprir as suas necessidades.
Em suma - ao contrário do que alguns, à Direita e à Esquerda, tentam fazer crer, de acordo com os respectivos interesses ideológicos, não há rigorosamente nenhuma ligação lógica entre ser contra a imigração e ser a favor da Rússia, nada de nada, pelo contrário; a prova disso está nas próprias sondagens que evidenciam esta distinção óbvia na mente dos que respondem às perguntas, isto para além do facto de que, na mesmíssima Europa, dois dos governos europeus mais favoráveis à Ucrânia são também dois dos mais contrários à imigração: Itália e Dinamarca.
Porque é então tão putineira a formação da AfD? Quando há uma forte presença do pensamento universalista no seio das elites cultural e socialmente dominantes, muitos dos que rejeitam este pensamento situam-se nas áreas mais anti-sociais e violentas do espectro ideológico; e, nestas regiões da Política, muitos são os que apoiam a lei do mais forte e um pendor anti-democrático, logo, simpatizam com o estilo e procedimento putineiro. Por outras palavras, quanto mais se empurra o Nacionalismo para a marginalidade, mais probabilidade há de o Nacionalismo se encher de marginais de vários tipos.
As elites se calhar sabem disto, mas acharam que era melhor assim, não esperavam era que o «povinho» resolvesse mesmo votar nos «marginais». Não esperavam que o «povinho» se revoltasse. Não esperavam que a pulsão tribal fosse tão forte como é. Agora está o chanceler Merz a ter o descaramento de se dizer «chocado» com este resultado. Que continue então sem expulsar criminosos alógenos, que continue então a deixar entrar mais imigrantes, depois continue a queixar-se ou a «chocar-se».
Felizmente que, pelo menos no que respeita ao Irão e a Israel, a AfD é um bocadito mais ocidentalista. Condena o regime aiatola como inimigo do país do Magen David e financiador do Hezbollah e do Hamas; critica o governo alemão por ser brando para com o regime iraniano, critica igualmente a diplomacia mole da UE nos acordos nucleares com Teerão. Simplesmente não quer grande envolvimento alemão em guerras nesses sítios do globo (logo se vê o que diz Trump destes seus «amigos»...).
Considera o Estado Judaico como um aliado natural do Ocidente, Alice Weidel chega a dizer que o seu partido é o «único protector do Povo Judeu» na Alemanha; este partido propôs iniciativas no parlamento para proibir todas as actividades da Hezbollah em solo alemão e para criminalizar o movimento de boicote a Israel (BDS), para além de defender o reconhecimento de Jerusalém como capital israelita. Que haja um ou outro militante de aparência anti-semita não muda o que esta formação partidária tem mostrado ser.
E se agora a influência da AfD começar a prejudicar gravemente o apoio alemão, logo, europeu, à Ucrânia, de quem é a culpa? Da AfD, claro. É também dos eleitores da AfD? Não. É culpa das elites que na prática obrigaram o «povinho» a votar na AfD.


16 Comments:
Caturo. Depois dá uma olhada na tradução dessa obra de um tal de Cornuto aqui. Parece ser algo parecido com aquela obra de teologia greco-romana de Salústio, mas mais estoica do que platônica, veja depois se já conhecia:
https://www.researchgate.net/publication/367035150_Ps_Lucio_Aneu_Cornuto_Epitome_de_Tradicoes_Teologicas_Gregas_-_Notas_Introdutorias_e_Traducao_Parte_1_Ps_Lucius_Annaeus_Cornutus_Epitome_of_Greek_Theological_Traditions_-_Introductory_Notes_and_Transl
A AFD não é de extrema-direita!
.
A extrema-direita travestida (os partidos-do-sistema: sociais democratas, socialistas, verdes, etc) é da mesma laia da extrema-direita não-travestida:
---> NÃO ACEITAM A DEVOLUÇÃO SE TERRITÓRIOS ROUBADOS:
- consequência: financiaram os ucranianos anti-devolução de territórios roubados (leia-se: a guerra colonial ucraniana).
.
Pelo contrário:
- a AfD não quer um conflito com a Rússia, sim: a AFD aceita a devolução de territórios roubados!
[nota: o comunismo ladrão roubou territórios à Rússia para dar à Ucrânia]
[nota 2: nas regiões roubadas à Rússia... chegou a ser proibida a língua russa!?!... tudo financiado pela extrema-direita (travestida e não travestida) europeia]
.
.
.
P.S.
Mais, a extrema-direita travestida (sociais democratas, socialistas, verdes, etc) é que é da mesma laia dos hitlerianos:
-> discurso de ódio para com a existência de outros... nomeadamente, a existência de povos autóctones que reivindicam a liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo.
Muito obrigado, vou ver se lhe dou uma vista de olhos.
Mas quais territórios «roubados»? Os únicos territórios verdadeiramente roubados foram os da Ucrânia toda quando há mais de cem anos a URSS dominou pela força os Ucranianos, não os deixando ser livres. Muito mais tarde, deu à Ucrânia territórios do Donbass, e dado não é roubado, além de que o território verdadeiramente ucraniano a leste seria se calhar mais extenso do que o Donbass.
Chamar à resistência militar ucraniana uma «guerra colonial ucraniana» é só mais um cúmulo do nojo descarado, propaganda russa da mais rasteira, e eu sinceramente acho que o Gladius tinha direito a propaganda de nível mais elevado.
Entretanto, é aldrabice que o idioma russo algum dia tenha sido proibido no Donbass. Simplesmente deixou de ser obrigatório, e muitíssimo bem. Muito bananas teriam de ser os Ucranianos se permitissem qualquer outro cenário.
Quanto ao «discurso de ódio para com a existência de outros... nomeadamente, a existência de povos autóctones que reivindicam a liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo», é só ouvir Putin a falar para ouvir esse mesmo discurso de ódio FORMAL E DECLARADAMENTE anti-nacionalista.
So acho triste a posição desse partido em relação a questão da Ucrânia.
Eu até acho que se o idioma russo tivesse sido proibido estaria muito certo.
Existem membros desses partidos que são anti-Nato e de penetrar nas mais altas esferas do Estado alemão para espionar em favor da Rússia, inclusive, na Defesa. Outra coisa estranha, eles defendem o ensino do russo como obrigatório nas escolas.
Gozado, se muitos alemães, britânicos, franceses e etc., estão votando nos nacionalistas para defender seus países e culturas, pq, então, os ucranianos não podem defender o país deles? Pq a Ucrânia deve entregar-se a uma potência colonizadora?
Vc está enganado qd diz que uma Ucrânia com a a Rússia ainda seria uma “Ucrânia europeia”. Eu creio que vc não entende muito bem o que se passa na Rússia. A Rússia renega suas origens europeias e se coloca como uma nação asiática, quase 30 milhões de muçulmanos autóctones lá ( não são imigrantes, mas nativos), vario povos asiáticos e mongóis, uma miscelânea de povos, religião islâmica protegida na constituição, o nacionalismo e racismo sao criminalizados, nacionalistas sendo presos, torturados e até assassinados, qualquer tentativa de se defender o eslavismo é enquadrado como crime de extremismo. Parar de ajudar a Ucrânia é exatamente o que o Putin quer! Isso é a agenda russa! A propaganda russa se utiliza da insatisfação dos europeus com a imigração para leva-los a votar em partidos favoráveis a a Rússia.
«Eu até acho que se o idioma russo tivesse sido proibido estaria muito certo»
Objectivamente, seria um direito, sem dúvida, ainda que, humanamente, se tenha evitado, para que a minoria russa não fosse brutalmente encostada à parede com a perda de alguma possibilidade de comunicação, e porque há presença histórica e tal. À medida que escrevo estas palavras vou entretanto mudando de ideias - eventualmente, era mesmo isso que devia ter sido feito depois da transferência de populações russas para o outro lado da fronteira, se calhar assim o filhadaputa do ex-KGB que agora manda no Kremlin não teria o ridiculamente falso pretexto de ir «defender» a minoria russa.
Outro tanto talvez devessem ter feito a Estónia, a Letónia e a Lituânia com as suas respectivas minorias russas, para não haver «rumores» sobre a sua «opressão» em território báltico.
« eles defendem o ensino do russo como obrigatório nas escolas»
Pois, é o sonho da aliança entre dois impérios, o russo e o alemão, que depois conduz a uma «Eurosibéria», a tal que vai «de Brest a Vladivostok», ou «de Lisboa a Vladivostok», porque isto é pessoal que nunca valorizou as Nações, só os impérios, ou seja, a lei do mais forte. Quando depois são condenados por quem escreve a História, queixam-se de que isso é influência judaica, maçónica ou liberal ou «decadente» ou a real puta que os pariu.
De momento, estão a cavalgar a onda anti-imigração, bem como, a nível mais local, o desencanto do leste do país relativamente à sociedade capitalista, que lhe tirou a medíocre «segurança» comunista e se calhar não lhe deu grande coisa que aprecie ou saiba apreciar, porventura nada mais do que mais comida, mais consumo, pouco mais, e as pessoas aborrecem-se. Aparentemente, nem no leste do país é dominante a simpatia para com a Rússia, mas isso de momento parece menos urgente do que o travão à imigração, é compreensível, eventualmente também eu votaria na AfD se lá estivesse.
« triste a posição desse partido em relação a questão da Ucrânia.»
Pior que triste, é abjecta - e rapidamente se pode tornar trágica.
«Pq a Ucrânia deve entregar-se a uma potência colonizadora?»
Porque os «might-is-right», os da lei do mais forte, desprezam as Nações mais pequenas, e embora a Ucrânia seja país grande à escala europeia, é muito mais pequena que a Rússia, e os putinetes estão com pressa de a engolir, e os mentalmente capados que torcem pelo seu paizinho do Kremlin querem ver isso a acontecer, é como se estivessem a assistir aos últimos minutos de um jogo de bola, torcem por uma equipa e querem que a outra pare de jogar, e que todas as faltas sejam contra ela marcadas.
Repare-se que muitos dos que «torcem» contra a Ucrânia, andaram a vida toda a pregar os valores da Pátria, e da antiga virilidade de quem luta até à morte pela honra patriótica!, e agora acusam Zelensky de ser um carniceiro, um sanguinário que «está a matar o seu próprio povo!» porque ele se atreve a resistir ao bosse do Kremlin, mui querido dos putinetes. Para estes, só se pode ser orgulhosamente patriótico-até-à-morte se não se for ucraniano, porque o ucraniano deve é baixar a bolinha, porque é isso que o «daddy» Putin lhes diz.
«A Rússia renega suas origens europeias e se coloca como uma nação asiática,»
Por isso mesmo é que eu também disse «Ou por outra - não deixará de ser europeia a Ucrânia, ponto e vírgula, pois que a Rússia já demonstrou não ter pejo em importar toneladas de pessoal do terceiro-mundo para suprir as suas necessidades.»
A Rússia é realmente um império multirracial, e, pelos vistos, não apenas multirracial mas também multirracialista, quer impingir o fim do Nacionalismo, para bem do seu ideal imperial.
Não há rigorosamente nada na pior extrema-esquerda europeia que seja pior que isto.
O ideal é a fragmentação da Rússia. Ela ser dividida entre várias nações, semelhante a desintegração da URSS. A parte habitada por eslavos se torna um país, outros os povos, bem, ficam cada um com seu quinhão e pronto!
«O ideal é a fragmentação da Rússia. Ela ser dividida entre várias nações, semelhante a desintegração da URSS. A parte habitada por eslavos se torna um país,»
Sim, isso seria o ideal - a cada Nação, um Estado; em cada Estado, uma só Nação.
Enviar um comentário
<< Home