UCRÂNIA - OFENSIVA RUSSA PERDE COESÃO E CONSCIÊNCIA
Para os que gostam de ir acompanhando a situação na frente de batalha da Ucrânia, deixo hoje um facto interessante que os Zagostinhos Zostas, Tiaguinho Sonso e demais Azeredos Tancos não gostam de referir.
As forças armadas russas na Ucrânia foram obrigadas a abandonar mais de 200 quilómetros quadrados ao longo do eixo principal da sua ofensiva na região de Donetsk, perdendo uma cabeça de ponte estratégica perto de Lyman, a partir da qual planeavam atacar, pelo norte, a cintura de "cidades-fortaleza" do Donbas. Informação já confirmada pelo ISW e OSINT.
O ganho ucraniano dessa parcela na cabeça-de-ponte de Lyman não é, em si, um facto que altere o rumo da guerra. É um facto que confirma algo mais incómodo para Moscovo: que o problema russo já não é apenas de correlação de forças, é de integridade da informação dentro da própria cadeia de comando.
Ao longo de quatro meses, as Forças Armadas da Ucrânia conduziram uma progressão metódica: Novoye em Junho, Kolodezi em meados de Agosto, e finalmente a manobra entre Katerynivka e Novolyubivka que cortou o eixo de avanço russo. O resultado foi a reversão completa dos ganhos territoriais russos desde Março e a perda do trampolim a partir do qual Moscovo planeava envolver Sloviansk-Kramatorsk pelo norte. A operação ofensiva ucraniana denominada Vivaldi continua, tendo já libertado a aldeia de Seredne, na região de Donetsk, e empurrado o exército russo para perto de Shandryholovy.
Do ponto de vista puramente doutrinário, aquilo que resta às tropas russas na zona de Shandryholove aproxima-se de um cerco operacional, não um cerco táctico clássico, com a unidade isolada e sem qualquer ligação, mas uma situação em que a única linha de abastecimento remanescente é aérea, o que na prática significa capacidade de sustentação limitada, evacuação de baixas comprometida e uma degradação previsível da capacidade de combate ao longo de semanas, não de dias. É uma distinção que importa fazer com rigor: um cerco aéreo-dependente não colapsa da noite para o dia, mas também não se sustenta indefinidamente. É um relógio a contar.
O elemento mais relevante desta história não é geográfico, é institucional. O padrão é uma repetição quase idêntica do que já tinha acontecido em Kupyansk: relatos de sucesso russos à cadeia de comando e uma reviravolta que só é reconhecida quando já não há forma de a esconder. Os russos têm este problema sistémico de falsificação de relatórios à hierarquia superior, o que é, em qualquer exército do mundo, um sintoma muito mais grave do que uma derrota táctica isolada. Um exército pode perder terreno e recuperar; um exército que não consegue confiar nos seus próprios relatórios de situação perde a capacidade de decidir correctamente onde e quando concentrar reservas.
Convém não cometer o erro oposto, que é igualmente comum: ler este episódio como um ponto de viragem da guerra. Não é. A Rússia mantém a iniciativa estratégica noutros eixos, continua a pressionar o cinturão de "cidades-fortaleza" pelo sul, e as noticias vindas do Kremlin indicam que Putin continua a querer ocupar a totalidade da região de Donetsk num horizonte de seis meses. A este ritmo vai ser mais um degredo e um triturador de carne de jovens russos que nem sabem o que estão ali a fazer.
O que Lyman ensina não é que a Rússia esteja a perder a guerra. É que a Rússia está, uma vez mais, a perder a capacidade de saber que a está a perder, e é essa cegueira institucional, mais do que qualquer manobra ucraniana, que continuará a ditar o ritmo e o custo desta ofensiva no Donbas. Para a Ucrânia, a lição prática é distinta e mais sóbria: o êxito em Lyman compra tempo, não vitória, e o tempo só tem valor se for usado para consolidar posições e reconstituir reservas antes que Moscovo, mais cedo ou mais tarde, corrija a informação que chega ao topo da cadeia de comando.
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Fonte: https://www.facebook.com/photo/?fbid=10243577777881273&set=a.10226298788517338

6 Comments:
Sinceramente não estou a ver a Ucrânia perder esta guerra, neste momento é provavelmente a maior potência militar da Europa, o Putin tem dorzinha da queda da União Soviética, nunca recuperou e quem pagou isto foi o povo ucraniano com esta guerra cobarde feita pelo mesmo. E nisto dou uma palavra ao Reino Unido, pode estar completamente minado, e cheio de problemas com a imigração, é verdade, e aquilo tem que mudar nesse campo, mas desde a primeira hora que se colocaram do lado ucraniano e nunca os largaram.
eslavos se matando hitler bem falou que eram burros manipulados por saxoes jews
Sim, e nisso mostraram mais dignidade que a maior parte do resto da Europa. Por essas e por outras é que cada vez mete mais nojo ouvir os putinetes a culpar Boris Johnson pela guerra, só porque o gordo loiro (britânico) teve a hombridade de dizer a Zelensky que ele não tinha de aceitar as condições abjectas que o Kremlin queria impôr a Kyiv, que incluíam, não só a proibição de entrada da Ucrânia na OTAN, o que já de si seria escandalosa, mas também a alteração da constituição ucraniana, a obrigação de neutralidade da Ucrânia, a redução das forças militares ucranianas, a aceitação do Russo como segunda língua oficial, a «desnazificação», que, por menos definida que seja, implica sempre a ingerência russa na cultura e na política ucraniana. Quem quer que ache que a Ucrânia devia aceitar uma vergonha destas, já de si tem uma opinião asquerosa; quem, achando que a Ucrânia devia aceitar uma vergonha destas, ainda se diga «nacionalista», não é, provavelmente nunca foi, provavelmente jamais será nacionalista, pura e simplesmente gosta é da lei do mais forte e tem um potencial apreciável para ser criminoso ou cúmplice de criminosos. Um asco pegado.
Parece que Portugal é um dos países europeus onde a população mais apoia a Ucrânia. Bom sinal, se for verdade. Vejo carradas de putinetes nas redes sociais, e a falar na televisão - Agostinho Costa, Carlos Branco, Tiago André Lopes, Afonso Moura - mas pronto, podem realmente ser pequena minoria muito activa.
As sondagens dizem também que, em geral, os países cujas populações mais apoiam a Ucrânia são do norte europeu, não apenas os que estão mais perto da Rússia, compreensivelmente, mas também a Holanda e a Dinamarca - precisamente os países mais democráticos do mundo, logo, os países mais habituados ao civismo de contrariar a lei do mais forte.
O meu primeiro comentário é referente ao comentário do anónimo de 22 de Setembro de 2026 às 22:34:26, a começar em «Sinceramente»...
«eslavos se matando hitler bem falou que eram burros manipulados por saxoes jews»
Portanto, os «Saxões Jews» é que obrigaram o Putin a invadir a Ucrânia, foi isso?...
«eslavos se matando hitler bem falou»
Ai o Hitler bem falou... se calhar é porque o Hitler sabia nem o que era desprezar os Eslavos em bloco, considerá-los inferiores, massacrar milhões deles, mas ainda assim manipular alguns eslavos contra outros eslavos... Se calhar o próprio Hitler tinha parentesco «saxónico», que é germânico...
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