SOBRE A MUI IDEOLÓGICA E ORIENTAL RAIVA DUGÍNICA À RAÇA BRANCA
Agradecimentos a quem aqui trouxe esta notícia: https://x.com/AGDugin/status/2051760588850602469?s=20
Alexander Dugin, que é, aparentemente, um dos mais influentes intelectuais russos no Kremlin, disse o que acima se lê na sua conta do X:
«Brancos? Destruíram o mundo e a si próprios. Ser branco significa ser nihilista. É uma raça que se odeia a si própria. Causou tantos sarilhos a outros e a si própria. Perdeu o direito a ser algo. Não há argumentos que apoiem a sua existência.»
Já anteriormente tinha o delirante russo escrito coisas destas contra a raça branca; desta vez foi ainda mais agressivamente anti-branco, mostrando-se destarte genocida a respeito da sua própria estirpe.
Não surpreende. O seu «multipolarismo» eurasiático é só título pomposo para mais um imperialismo oriental, totalitário, baseado na lei do mais forte, com total desprezo para com as identidades em si mesmas se não estiverem subordinadas a um poder político «trans-nacional», ou seja, elitista etnicamente desenraizado. Mais mais globalismo, ou seja, universalismo militante, fruto indirecto do universalismo cristão.
Não surpreende. O seu «multipolarismo» eurasiático é só título pomposo para mais um imperialismo oriental, totalitário, baseado na lei do mais forte, com total desprezo para com as identidades em si mesmas se não estiverem subordinadas a um poder político «trans-nacional», ou seja, elitista etnicamente desenraizado. Mais mais globalismo, ou seja, universalismo militante, fruto indirecto do universalismo cristão.
Mais tarde, comentou isto que a seguir se lê, talvez a ver se compunha o ramalhete, porventura depois de ter sido fortemente criticado pelos seus leitores:
«Sou mais branco do que (quase) todos vocês. Sou indo-europeu (ariano) e orgulhoso de o ser. Vocês são arianos errados. Liberais, fracos, pervertidos. Vocês são modernos. Este tipo de brancura é vergonha. Os verdadeiros brancos são iranianos, indianos, evolianos. Tudo o resto é lixo.»
Salganhada vergonhosa, como é bom de ver. Mistura definições estritamente étnicas, de modo quase infantil, com as suas próprias referências ideológicas. Serve-se da velha questão de só os Iranianos e os Indianos (do norte) poderem ser cientificamente designados como «Arianos» - porque, historicamente, não há prova sólida de que outros Povos indo-europeus o tenham feito - para fazer de conta que isto significa algum tipo de pureza racial, quando esta determinação científica nunca teve corno a ver com quaisquer purezas étnicas mas tão somente com uma questão de nomenclatura: não é por serem mais puramente indo-europeus que só os Iranianos e os Indianos podem ser chamados «arianos» mas sim porque o termo «ariano» só por eles foi utilizado historicamente. Já há décadas que ninguém no mundo académico sustenta a noção de que o Sânscrito, antigo idioma ariano da Índia, seja puramente indo-europeu, e no entanto continua evidentemente a ser considerado como ariano, não por ser mais puro que os demais, mas sim porque os seus falantes chamaram a si próprios «Árias» há milhares de anos. Até é possível que, por exemplo, os Gregos arcaicos ou os Bálticos fossem mais puramente indo-europeus do que os Iranianos e os Indianos, mas não podem ser chamados «arianos» pura e simplesmente porque nada prova (para além de qualquer dúvida razoável) que estes arcaicos indo-europeus tivessem usado o termo «Ária» para se designarem a si mesmos.
A seguir, espeta-lhe com os «evolianos», ou seguidores de Julius Evola, pensador tradicionalista italiano, um dos mentores de uma certa Direita anti-democrática, usualmente descrito como «fascista», designação que recusou em julgamento ocorrido pouco depois da II Guerra Mundial, quando foi preso por ser «anti-democrático», pois que, conforme asseverou, não era fascista simplesmente porque estava ainda mais à Direita do que o Fascismo (uma vez que rejeitava por completo as massas humanas, base do poder político fascista). Ora Evola parecia valorizar imensamente a estirpe ariana, sobretudo no campo espiritual, dado que definia a mentalidade indo-europeia como uma «síntese entre a virilidade e a espiritualidade», enquanto dizia que a verdadeira raça era «espiritual», o que abriu caminho para certo anti-racismo «subtil» no seio dos seus seguidores.
O italiano, promotor do ideal bélico imperial, contrastava com outro autor da sua época, também tradicionalista, o francês René Guénon, na medida em que este último, Guénon, se declarava oriental - «sou totalmente oriental», ele próprio o disse, tanto que acabou por se converter ao Islão e ir viver para o Egipto, onde casou, teve filhos e viveu até à morte - isto porque Guénon privilegiava a Contemplação acima da Acção e o Sacerdote acima do Guerreiro, ao passo que Evola se considerava um ocidental por preferir a via da Acção e por dizer que o Guerreiro não era inferior ao Sacerdote, antes pelo contrário. Explicou assim as diferenças entre ambas, cito de memória: «Enquanto Guénon é um brâmane, eu sou um xátria», constituindo os brâmanes a casta sacerdotal da Índia e os xátrias a sua casta guerreira. Aproveito para salientar que Guénon é mais claro e directo e, em certa medida, motivador, na sua obra principal, «A Crise do Mundo Moderno», do que Evola na sua principal obra, «Revolta Contra o Mundo Moderno», e digo «em certa medida» porque, como apreciador do manancial etno-espiritual indo-europeu, as referências concretas de Evola agradaram-me muito mais do que as do francês, ainda que o estilo da mensagem deste último fosse mais explícito e inspirador do que o do italiano.
Veio-me a parecer, de resto, que Evola era menos ocidental do que dizia. No fundo da sua visão das coisas, estava uma base abraâmica, universalista, mais concretamente a ideia de que «a» espiritualidade é guardada por uma «Tradição» única, original, comum a toda a humanidade (perenialismo), isto para além do facto que o seu elitismo hierarquizante e o seu desprezo pela Democracia o situam moralmente mui a oriente, por assim dizer... não foi por acaso que, a respeito, por exemplo, das Guerras Médicas, Evola mostrou clara preferência pelo Império Persa contra a democrática Atenas... pior - apesar da fama «pagã» que granjeou, nunca apelou directamente ao culto dos antigos Deuses, tanto quanto sei, ficando-se por um certo «paganismo» abstracto e «solar» (ainda acreditava na «escola» que identificava o «solar» com o heroísmo e o masculino, e o «lunar» com a passividade e o feminino, perspectiva moderna do século XIX entretanto já desactualizada), misturado com os seus conceitos de «ascese» em espiritualíssima caldeirada com o Budismo, outra espiritualidade oriental...
Topa-se no essencial do que diz Dugin uma fortíssima influência evoliana. Há até uma passagem de um dos seus artigos em que ele parece estar como que a dirigir a palavra aos evolianos ocidentais, não a cito de memória mas «traduzo-a» para o que creio que quis dizer: «somos nós, os Russos, somos a concretização do que Evola queria para o futuro! (juntem-se a nós sem demora!)»
O seu ódio ao «liberal» Ocidente é produto da sua orientalice nata. Já dizia Aristóteles que o mundo se dividia em três grandes greis: ao centro, os Gregos, inteligentes e livres; a norte e oeste, os bárbaros Ocidentais, que viviam «em confusão» mas amavam a liberdade; a oriente e a sul, os bárbaros orientais, tão capazes como os Gregos de criar cultura, mas sem amor à liberdade, vivendo por isso justamente subjugados. Sim, o que já nessa altura havia em comum entre os Gregos e os bárbaros a norte/oeste era a Liberdade - é por isso que o Ocidente actual, brotando da civilização helénica e do sangue ocidental, constitui o polo original da Democracia. Fica portanto à vista o que está representado em Evola e, sobretudo, em Dugin, dois inimigos viscerais da Democracia, logo, do cerne do verdadeiro Ocidente.
Só se engana com isto quem quer, sobretudo se nutrir ódio «aos democratas», claro está, a ponto tal que acabe por trocar a própria lealdade racial por um projecto de «ordem», e não é grande surpresa se certos «nacionalistas» que por aí andam embarcarem nessa...


9 Comments:
O mais incrível é que o filho de 30 putas, Putin, que decidiu genocidar um povo branco na Ucrânia por questões "patrióticas", é visto como aliado por muitos da "extrema direita" europeia, e ainda culpam o Zelenski.
Isto não surpreende ninguém, a juntar a isso ao recalcamento do Putin com a queda da União Soviética e uma suposta humilhação ocidental e temos o que se vê na Ucrânia. Já há quase 10 anos atrás o Putin dizia isto: https://www.youtube.com/watch?v=ou8mI_ce80s Que as fronteiras da Rússia não têm fim, é um imperialista. Felizmente os ucranianos resistiram e estão a ganhar a iniciativa.
eu entendo ele 50% de mim acha a raça branca burra e degenerada ou 50% dela
E pensar que há milhares de nacinalistas(?) no mundo Ocidental que admiram este traste (Dugin)...
Dugin comete o erro de achar que língua corresponde 100% a genética. Um húngaro mesmo que fale uma língua não indoeuropeia tem mais dna indoeuropeu que um iraniano ou um indiano. Se caucasoide não significa ser exclusivamente indoeuropeu do ponto de vista linguístico ou genético (veja-se os sardos, arianos de língua mas não muito de genética ou os húngaros, arianos de genética mas não de língua, ou até mesmo os libaneses, não arianos de genética nem de língua).
O que interessa aqui são os valores europeus e o ser europeu, por isso concordo com o que dizes quando assemelhas os gregos livres e civilizados mais aos bárbaros livres e selvagens do que aos orientais não-livres e civilizados. Um finlandês possivelmente tem menos dna caucasóide que um libanês ou tunisino, mas tem valores europeus ao contrário dos outros dois.
Em relação ao sânscrito, li algures que o lituano é a língua que mais se assemelha ao protoindoeuropeu.
Entretanto na Gagauzia, região autónoma túrquica da Moldávia, teve lugar o Hederlez, festival de celebração da chegada da Primavera de origens no pagãs túrquicas
https://www.moldpres.md/eng/society/president-congratulates-residents-of-gagauzia-on-the-occasion-of-the-hederlez-holiday-this-day-reminds-us-how-important-are-the-roots-and-values-we-share
https://www.reddit.com/media?url=https%3A%2F%2Fpreview.redd.it%2Fa-map-showing-yamnayan-sintashan-genetic-impact-on-modern-v0-as89e8xl6k991.jpg%3Fauto%3Dwebp%26s%3D31eab54e49d8003c18e7c3c6cc09b38554898c3d
Sim, a verdade é como o azeite, sobretudo quando é uma verdade azeiteira. É pessoal que nunca foi nacionalista mas sim imperialista, patriota no máximo, e sempre orientada pelo princípio da lei do mais forte. Aparece um líder anti-democrático com poder político, um líder que ameaça a Democracia ocidental, e ei-los felizes de todo, dispostos a trocar tudo e mais o respectivo ânus juntamente com a quantia de oito a dez tostões para se vingarem, em espírito, da Democracia.
O ódio ao Zelensky é outra característica dos invertebrados. É um ódio especialmente palerma na boca dos ditos nacionalistas - andaram a inútil vida toda a guinchar que é preciso promover «os valores, os valores! da virilidade e da Pátria!, dos nossos antepassados que lutavam até à morte contra um inimigo muito mais numeroso!», e afinal querem que o Zelensky se renda e culpam-no pelas mortes dos Ucranianos, então afinal que é feito da valorização de quem defende a Pátria contra o invasor?, metem um soberano nojo sem sequer se aperceberem disso, e não se apercebem disso porque não têm suficiente dignidade para disso se aperceberem, e se alguém os acusasse de ser fortes com os fracos e fracos com os fortes, ou de promoverem quem assim age, eles viravam-se e das duas, uma, ou pura e simplesmente não respondem, ou então, se respondem, dizem «então e depois?, assim é que é correcto, é a lei da Natureza».
Claro que é um imperialista, e muitos dos que no Ocidente lhe lambem as patas também o são, o pior é se o imperialismo putineiro entrasse em choque com o imperialismo tuga, aí já viam as coisas doutra maneira, ou então nem isso - quando aqui há meses a Rússia saudou Angola por se ter libertado do imperialismo português, não vi nenhum putineiro tuga a comentá-lo, meteram todos a viola no saco e assobiaram para o ar.
É o resultado prático, e previsível, do ódio «aos democratas» a ponto tal que acabam por trocar a própria lealdade racial por um projecto de «ordem»... É pessoal cuja estrutura mental os faz estar moral e até identitariamente dependentes de um gangue e de um chefe. Vêem tudo por este prisma - ou se é «dos fortes/bons» ou dos «fracos», e, se se é dos «fortes/bons», então há que seguir o chefe dos «fortes/bons», dê lá por onde der, nem que o dito patrão espiritual lhes cague no focinho. Quando se agarram a um boss, depois primeiro que o larguem é um caso sério. Investem muito, emocionalmente, nessa lealdade ovina. Odiando de morte a sociedade que não só não os deixa pisar quem lhes apeteça como ainda por cima não lhes dá nenhum privilégio de gangue, impondo-lhes em vez disso uma igualdade com gente que, por motivos usualmente adolescentes ou, em geral, fúteis, desprezam, o que é que acontece?, aderem então de alma e coração a qualquer causa que lhes permita revoltarem-se «contra isto tudo!»...
Afortunado é o Movimento Nacionalista sério, democrático, ocidentalista, que não esteja liderado por pessoal deste.
O Dugin borrifa-se para a genética e não quer saber da língua. Usa o conceito étnico como uma cenoura para guiar burros. Está um autêntico flautista de Hamelin, a guiar ratos para a desgraça - primeiro, ratos, depois, crianças. Não tenho muitas dúvidas de que prefere um húngaro fiel do que qualquer russo que prefira a Democracia; e, se tiver de escolher entre um húngaro branco como a cal, mas com dúvidas, e um tunguz ou, quem sabe, um norte-coreano totalmente devoto ao ideal «multipolar» russo, provavelmente também não hesita muito.
Quanto aos Finlandeses, calma que eles são mais caucasóides que os Tunisinos, embora pareçam ser menos caucasóides que os Libaneses.
De entre as línguas indo-europeias vivas, o Lituano é a mais puramente indo-europeia, sim, lembro-me de ter lido isso num cartaz colocado à entrada do pavilhão da Lituânia na Expo98.
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