«VENTURA DIVIDE O PAÍS!»
Na SIC, Paulo Portas aproveitou anteontem a sua rubrica de análise da semana ou lá o que é para manifestar as razões pelas quais votará no candidato presidencial A. J. Seguro.
Só se surpreenderia quem alguma vez tivesse acreditado que Portas seria «de Extrema-Direita». Sempre me irritou essa «acusação» que lhe lançavam aqui há vinte e tal anos ou coisa que o valha, só porque ele disse uma vez que «há demasiados angolanos em Portugal», enquanto tudo o resto no seu discurso era democrata-cristão e pró-imigração.
Nessa altura já havia notório cagaçal noutros países ocidentais, mormente em França, sobre a ascensão da Extrema-Direita, e então os caganifrates cá do burgo também se queriam juntar ao coro condenatório contra os «neo-fachos», para se sentirem importantes ou porque emprenhavam pelos ouvidos, e então também queriam ter o seu vilão extremo-direitista, e como não havia na Tugaria política nada que se visse mais à Direita de Portas, tau, atiravam-lhe com essa, a Paulo Portas, acreditando porventura que estavam a fazer boa figura diante do povo.
Ora então tanto encheram bocas & foles com uma por si odiada Extrema-Direita dessas... que agora levam com o Chega a toda a brida, até guincham.
Agora confirma-se, também, que Portas está entre os que mais se opõem a esse sector ideológico «amaldiçoado» pelas elites, o que sempre foi óbvio. Se o centrista considerasse a hipótese de votar em Ventura é que era estranho.
Tudo no democrata-cristão é previsível e o seu discurso anteontem à noite a respeito do candidato do Chega foi ainda mais previsível do que o por mim previsto... a já mais que batida, e desonesta, ou autista, argumentação segundo a qual «Ventura veio dividir o Povo!»
Portas especifica: diz que Ventura divide «em raças, etnias, religiões e...»
Ora Ventura não divide coisíssima nenhuma. É, pelo contrário, um dos que mais une - se parece certo que, na prática, a maior parte do seu eleitorado se encontra nas classes baixas, não se revela menos verdadeiro que o cerne do seu discurso se configura como o mais inter-classista de todos, precisamente porque é tribal, e a tribo somos todos, de baixo a cima, de cima a baixo, da esquerda à direita e da direita à esquerda.
Isto explica, aliás, que boa parte do seu eleitorado tenha sido arrancada ao PCP como um garboso revolucionário tira os parcos pertences a um usurpador moribundo.
De facto, quando Ventura se refere a outras etnias, não está a dividir mesmo nada - não se divide o que nunca esteve unido.
Os Portugueses são isto e só isto - uma entidade étnica. Mais concretamente, uma Nação branca e latina do sudoeste europeu. Uma etnia europeia como outra qualquer, ou como a maioria das etnias autóctones da Europa, que são de raiz indo-europeia.
Os pauloportas não gostam disto porque querem fronteiras abertas - portas escancaradas. A seu ver, um País é um sítio administrativo, exactamente isto, um sítio, um sítio administrativo, um clube, no qual eles deixam entrar quem lhes apetece, dando a quem entra um cartãozinho a dizer que «este é cidadão aqui do sítio».
Os pauloportas estão então perfeitamente convencidos, com toda a arrogância moral que é neles mui natural, que o País lhes pertence, pelo que podem dar «naturalidade» a quem quiserem.
Não podem. Conscientemente ou não, o povo não vai nisso. Os paulosportas dão por adquirido o sofisma segundo o qual a Nação tem muitas raças e etnias, só porque os pauloportas & companhia dizem que sim, que tem, mas essa ideia não permeou numa as classes populares. Os pauloportas que se ponham então a perorar e e arengar o que lhes apetecer, a partir do seus púlpitos televisivos - tudo o que eles dizem sobre isto pura e simplesmente não pega.
Nunca pegou. A diferença, relativamente à política anterior ao surgimento do Chega, é que, há umas décadas, os pauloportas não tinham bem noção do que o povo realmente sentia, porque não havia redes sociais e só eles e seus correligionários anti-racistas podiam falar na televisão, na rádio, nos jornais, e vai daí convenceram-se de que a opinião publicada era a opinião pública.
Nunca foi. Nunca foi mas os pauloportas ou não o perceberam ou pura e simplesmente nem sequer quiseram saber disso.
Efectivamente, direitinhas e esquerdalheiros em peso sempre meteram nojo e a questão é esta, é que não sabiam que metiam nojo, aqui é que bate o ponto. Ouviam o povo a desabafar sobre «os políticos e a corrupção!», mas nunca perceberam a dimensão do asco que eles próprios inspiravam com a sua petulância e as suas lições de moral cosmopolitas. Diante dos votos do Chega, ficam em pânico, porque nunca pensaram que uma coisa destas podia acontecer, e nem sequer foi por completa falta de aviso... Quando, aqui há tempos, Salazar «ganhou» o concurso de «Maior Português de Sempre», as elite ficaram chocadas diante da «ignorância» do «povinho», mas julgaram que isso era só atrasadice e o conhecido pensamento popularucho segundo o qual «antigamente é que era bom». Não foi só isso, não... Foi, mais do que tudo, por uma brutal vontade de agredir as elites. De resto, é altamente duvidoso que o povo quisesse mesmo votar num partido salazarista, se este existisse. Note-se, além do mais, que o próprio Ventura já se demarcou claramente do Estado Novo, afirmou que Salazar atrasou o país, e as suas votações não deixaram de crescer a olhos vistos.
A questão, em crescendo e mais viva hoje do que nunca, é pois bem outra - um sentir popular contra uma classe reinante cujos representantes lhe impõem o que lhes apetece, incluindo imigração em larga escala, enquanto têm o topete de insultar intelectual e moralmente todo aquele que se lhes opõe, embora por outro lado guinchem aos sete ventos que são democráticos...


2 Comments:
Não posso deixar de acrescentar isto ao teu excelente post, Caturo: ao longo dos anos, houve várias pessoas que, neste blogue, disseram que iam votar no CDS do Portas em vez do PNR porque "o PNR não tinha a mínima hipótese de entrar na AR e seria um voto desperdiçado".
Espero que ontem, ao ouvir/ler as palavras do Portas, essas pessoas tenham morrido de vergonha, metaforicamente. Além dos atrasados mentais que nem sequer votam, ainda tivemos muitos outros nacionalistas(?) que insistiram em deixar-se enganar e votar em escroques.
Onde é que já poderíamos estar se todos tivessem cumprido o seu dever? Pensar nisto é a parte que mais me custa...
Obrigado. A mim também custa, mas há uma consolação: uma das coisas boas da Democracia é que tende - tende - a dar às pessoas aquilo que as pessoas merecem. Claro que, vivendo num mundo meramente humano, limitado, relativo, onde nada é absoluto, não é então possível que haja justiça perfeita em todos os casos, mas pode pelo menos haver justiça na maioria dos casos, e se «as pessoas», na generalidade, votam mal, então «as pessoas», na generalidade, hão-de pagar por isso.
Em tudo isto, o que mete mais nojo são os atrasados mentais que nem sequer votam e até apelam a que não se vote, estes verdadeiros atrasos de vida - literalmente - concentram em si tudo o que está mal no Nacionalismo e um dos motivos pelos quais o Nacionalismo está atrasado no seu desenvolvimento. É bom que pelo menos não tenham grande capacidade de divulgação da sua estúpida mensagem, ao menos isso.
Quanto aos que votaram Portas, às vezes foi mesmo só por ingenuidade. Uma ingenuidade perigosa e eventualmente suicidária. Muitos ainda não perceberam a real natureza do que está em causa, daquilo que os pauloportas realmente significam, e se calhar ficam brutalmente surpreendidos com isto. Aliás, muitos dos eleitores do Chega também não viram ainda a real dimensão da situação, acham que isto tudo é só uma questão de «combater a corrupção e os políticos e os interesses instalados!!!!» e não toparam ainda que o seu próprio mundo como o conhecem - branco, europeu, latino, sossegado, familiar - está mortalmente ameaçado. Vá lá que pelo menos votam bem, valha isso.
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