segunda-feira, maio 31, 2004

Mais Uma Máscara Arrancada

Reproduzo um texto do Diário de Notícias, da autoria de Vasco Graça Moura:

Casos de cárcere privado, com tortura e violenta agressão física; centenas de prisões arbitrárias; detenções sem invocação de razões e sem processo ao longo de meses e meses; interrogatórios à noite e não reduzidos a escrito; recusa de assistência de advogado; casos de tortura sistemática, de agressão violenta e de maus tratos físicos, por vezes com espancamento dos presos por vários agressores simultâneos; «sevícias sistemáticas sobre presos, com o fim de os humilhar e lhes infligir castigos corporais, traduzidos em agressões, rastejamento no solo, corridas forçadas, banhos frios com mangueira e imposição de beijarem as insígnias de uma unidade militar, incrustadas no pavimento»; tortura moral por insultos, intimidação e ameaças com armas de fogo; coacção psicológica por ameaça de prisão de familiares; vexames e enxovalhos públicos; subtracção de valores ou objectos na efectivação das prisões ou nas buscas às celas; incomunicabilidades, isolamentos, privação de correspondência, de artigos de higiene e de recepção de encomendas, até cinco meses; privação de exercício físico ao ar livre; desrespeito pelo natural pudor das pessoas na admissão dos detidos; graves deficiências de assistência médica, chegando a registar-se a morte de presos; impedimento de assistência a actos de culto...

E ainda queixas de simulações de execução; de agressão à dentada, espancamento e tentativa de violação de uma presa; de choques eléctricos nos ouvidos, sexo e nariz de um preso; de sevícias e torturas ao filho de outro preso, na frente deste, para extorsão de uma confissão.

Tão extremosas manifestações de humanidade não se devem à PIDE, nem aos franceses na Argélia, nem à guerra do Vietname, nem ao regime de Saddam, nem aos guardas de Guantánamo, nem às práticas sinistras de alguns militares americanos no Iraque.

Devem-se a militares e civis alinhados com o PCP e a UDP no rutilante Portugal dos cravos de 1974-75.

Dá-se aqui só uma pálida ideia de algumas das 56 conclusões do documento de 143 páginas publicado em 1976 pela Presidência da República, sob o título de Relatório da comissão de averiguação de violências sobre presos sujeitos às autoridades militares.

A brandura dos nossos costumes revolucionários no seu máximo esplendor torna ainda mais grotesco o enlevo de algumas lúgubres vestais comunistas e trotskistas, nas celebrações do 25 de Abril.

Oficiaram com estridor sobre a imprescritível «memória do fascismo». Mas a barulheira não abafa as memórias, assim edificantes e patrióticas, da gloriosa «construção do socialismo».

Na democracia norte-americana, conhecidas as sevícias nojentas perpetradas por alguns militares no Iraque, os nomes e fotografias dos responsáveis foram publicados, as autoridades exprimiram o seu repúdio, a comunicação social e a opinião pública fizeram livremente a sua avaliação indignada, os arguidos irão a tribunal e hão-de ser severamente punidos.

Na democracia francesa, as torturas na Argélia têm vindo a ser investigadas a quase cinquenta anos de distância.

Mas dá-se um doce a quem se lembrar de um só caso de julgamento em Portugal pelas selvajarias acima referidas.

Espera-se que comunistas, trotskistas e mais fauna da extrema-esquerda, que hoje tanto se abnegam pelos direitos humanos, façam o obséquio de esclarecer como, quando e onde, condenaram publicamente o que se passou entre nós naquela altura.

Já. Antes de guincharem mais.



De cada vez que oiço certo tipo de esquerdalha a mandar bocas, como se fosse detentora de toda a Boa Moral, sinto sempre asco. Sinto asco, não só pela arrogância do seu espírito totalitário, de quem se pretende único mensageiro da verdade absoluta que tem de ser aceite dê lá por onde der, mas também porque tentam sempre colar uma ideologia a uma determinada actuação criminosa como se isso invalidasse essa mesma ideologia: assim, segundo eles, não se pode, por exemplo, ser a favor da preservação e diferenciação das raças porque os nazis mataram, em nome da Raça, seis milhões de pessoas. Ora, para além da evidência de que em nome de qualquer doutrina se pode cometer qualquer acto criminoso, o que acaba sempre por vir ao de cima é que do lado da Esquerda os crimes não foram menores. Mas os defensores ou desculpabilizadores - ou partidários demasiado cobardes e desonestos para admitirem que o são - dessa Esquerda deitam essa parte para trás das costas com uma leveza extraordinária, puf, já está, que simples e limpinho é o seu revoltante e abjecto descaramento, próprio da gentalha mete-nojo.

quinta-feira, maio 27, 2004

CAVALO DE TRÓIA... BOMBISTA

Noticia o Expresso, em

http://online.expresso.pt/1pagina/artigo.asp?id=24744634

que (vai em escrita itálica, o excerto do Expresso) Abu Hamza, 44 anos, natural do Egipto, luta desde Abril de 2003 contra uma decisão do governo de lhe retirar a cidadania britânica, adquirida através de um casamento em 1981, entretanto objecto de divórcio.

O governo britânico pretendia retirar-lhe a cidadania inglesa e expulsá-lo para o Egipto, mas o pedido de extradição proveniente dos Estados Unidos alterou a situação, segundo a polícia.

As autoridades britânicas acusam Hamza de servir de conselheiro e dar apoio a grupos terroristas, incluindo a Al-Qaeda.

O religioso islâmico é também procurado pelas autoridades do Iémen, por suspeita de orquestrar actos terroristas naquele país a partir do Reino Unido.

Abu Hamza deverá ser presente ao Tribunal de Magistrados de Bow Street, localizado na prisão de Belmarsh, ainda hoje, anunciou a polícia.


É revoltante o modo como a escumalha terrorista tenta usar as leis ocidentais contra o próprio Ocidente.

É muitíssimo evidente que o sujeito em questão está em Inglaterra para conspirar contra o país e contra todo o Ocidente, e, ainda assim, a lei dá-lhe força para exigir a sua permanência no país que ele quer destruir.
Isto é mais ultrajante do que um simples cavalo de Tróia, isto é um vírus reivindicativo, uma doença que se protege e propaga por meio de um sindicato.

Razão tinha John Locke quando disse que o Estado devia tolerar todas as religiões, EXCEPTO as que pusessem em causa a segurança da Pátria.

A CRÍTICA E OS CRÍTICOS

Jorge Leitão Ramos escreveu, sua última crónica do Expresso, uma crítica aos críticos. «Para que servimos nós, os críticos, se o público não nos liga?»

Mas leia-se, é curto:

«Não houve texto crítico na nossa esfera lusitana que não carregasse «Van Helsing» das mais ferozes diatribes. Todavia, visto na clareza dos números das bilheteiras, verifica-se que, só na primeira semana de exibição, o filme fez mais de 80 mil espectadores, plantando-se muito firmemente no primeiro lugar do «box office» português (consultável em http://www.icam.pt/tops/6-12mai.pdf). Parece que a negatividade dos críticos não chegou minimamente ao público. Quer dizer que ninguém nos liga?

Ora bem: a função de um crítico não é a de ser «maître d'hotel». Não se trata de, entre os pratos do dia, indicar ao cliente se deve preferir a açorda ou o rodovalho. Não se trata de ser pastor de almas, arrebanhador de espectadores e, ainda menos, polícia à entrada das salas de cinema. A crítica não serve para fazer ou desfazer êxitos - embora todos saibamos que uma pequena parcela de poder lhe está atribuída.

A crítica serve - se a tanto conseguir chegar - para iluminar um filme, para acrescentar um ponto de vista ao ponto de vista do espectador, para fazer triângulo. Serve - no melhor dos casos - para abrir uma janela numa direcção que surpreenda, para chamar a atenção para algo em que não se tinha reparado, para fazer pedagogia se o leitor lhe der continuidade e se o crítico for crítico que baste.

O sonho de um crítico não é convencer o leitor do seu ponto de vista, não é fabricar um sucesso com a sua voz ou condenar um filme à morte com o seu veredicto. O sonho de um crítico é conseguir transmitir um pouco do seu entusiasmo por uma fita, partilhar os êxtases - que os filmes horríveis são apenas ossos do ofício e não há nada melhor que gostar e dizer que se gosta. O sonho de um crítico é que o leitor, quando discordar violentamente da opinião que vê expressa no jornal, mesmo assim não dê por perdido o seu tempo. O sonho do crítico não é ter razão - é que a sua prosa contribua um pouco, um poucochinho que seja, para que todos percebamos melhor o cinema. E que o amemos.


in

http://online.expresso.pt/1pagina/artigo.asp?id=24744519&wcomm=true&pg=3#comentarios

Leitão Ramos dissertou neste artigo sobre algo que de quando em vez me passa pela cabeça.
O referido crítico, ao ser suficientemente honesto para perceber o que percebeu e suficientemente corajoso («suicida!», poderão gritar alguns dos seus colegas que porventura sintam o tachito a tremer...) para o escrever publicamente, tem o aspecto de quem está a tentar dar um ar mais gracioso e «dialogante» à sua classe, como se pedisse tréguas, dizendo, por outras palavras, «Não nos abandonem, olhem que nós não somos tão arrogantes como parecemos, o que nós queremos no fundo é trocar impressões com o público...».

Soa como admissão de uma incapacidade. Note-se que Leitão Ramos começa por revelar a sua desorientação e mesmo desapontamento pelo facto de os críticos não conseguirem influenciar o público...

Mas pronto, doura-se a pílula, como a raposa que maldizia as uvas que não conseguiraa alcançar.

E assim, os críticos já não são os ditadores do bom gosto - são, quando muito, conselheiros estéticos...



Eu, pessoalmente, até gosto de ler crítica de cinema, aprecio ler, e escrever (para mim e para os meus amigos, que lêm o meu blogue, enfim...), comentários de filmes, mas eu assumo desde o início a minha ideologia e não ando a querer fazer passar uma mensagem política sob o disfarce do «bom gosto artístico».

UM CAVALO DE TRÓIA QUE É TRANSPARENTE

Numa reportagem da tsf, emitida ontem à tarde, incluiu-se uma entrevista a um imigrante turco que tem um restaurante na Alemanha. O locutor da tsf admirou-se muito pelo facto de o turco dizer que, de um modo geral, gostava que a Alemanha perdesse. Só havia dois outros países que ele e os outros turcos queriam que perdesse em jogo contra a Alemanha, que eram a França e a Inglaterra.

Portanto, a turcalhada odeia a Alemanha, a França e a Inglaterra mais do que todas as outras nações. O que não admira, pois que, na Europa, os Estados mais poderosos, que melhor podem defender a Europa contra não europeus, são precisamente esses três, juntamente com a Itália e, também, a Espanha.

E, o que é mais significativo é que, mesmo não gostando nada da Germânia, os orientais que hoje habitam na Ásia Menor (é a Turquia, para quem não souber e pensar que tal país fica na Europa...) continuam a imigrar precisamente para lá. É só por pobreza, ou, dirigidos talvez por cabeças pensantes, querem, com a força do número, impor algo em concreto?

Regionalismos Criminosos

É realmente triste e mesmo revoltante que haja por aí certa «tugaria», fanaticamente clubista, que não gostou da vitória do FCP. O que mereciam era que lhes acabassem com os clubezinhos e pronto. E note-se que digo isto e sou pela equipa da Águia Rubra, a da Luz, Benfica de seu nome.
A tal ponto desceu a auto-estima nacional que acabaram por surgir uns quantos bandalhos que, não sentindo nada pela Nação, preferem apegar-se a um clube como a sua verdadeira «Pátria». As consequências desta mentalidade tornam-se mais graves quando a esta bastardia se juntam os odiozinhos regionais instigados pelos caciques mete-nojo e por seus lacaios, fanáticos clubísticos de todo.
Recordo-me de há uns meses ter ouvido na rádio uma historieta narrada por um conhecido psicólogo, Júlio Machado Vaz. Contou ele que o seu filho, durante uma estadia em Barcelona, metia conversa com um taxista, dizendo-lhe «Nós lá no Porto também somos como vocês, somos muito regionalistas!...», ao que o catalão respondeu, com desprezo, «Pois, mas eu não sou regionalista, sou nacionalista.»

Em cheio.

Pior exemplo foi dado pela própria RTP, num programa transmitido há uns anos, apresentado por Maria Elisa. Certa vez, o tema foi o casamento entre pessoas de grupos muito diferentes. E apareciam como exemplos alguns casais de branco/a com negra/o... e um que se compunha de uma rapariga do norte do país e um rapaz do sul. Ora colocar-se uma diferença regional ao nível de uma diferença racial é, ou pura estupidez e incapacidade de distinguir o essencial do acessório, ou então um abuso canalha da falta de cultura das pessoas, com o intuito de espalhar uma ideia divisionista, que dará mais força, no futuro, aos tacanhos e traidores caciques locais.


Os Catalães, ainda hoje debaixo do poder de outra nação - Castela - resistem tanto quanto podem à assimilação castelhanizante.
Os Portugueses, não têm esse problema desde a época de 1640 e isso contribui para que se esqueçam do valor da Nação em si, independentemente das rivalidades regionais. E é por isso que há certos tugas que, como o filho de Júlio Machado Vaz, confundem, por ignorância, por ausência de educação apropriadamente nacionalista, confundem, dizia, Nação com região, Nacionalismo com regionalismo, orgulho nacional com mesquinhez conflituosa e divisionista e, em última análise, traidora.


Vitória Desportiva

Não costumo falar sobre futebol, e lamento a influência estupidificante que esse desporto tem tido sobre as massas lusas, mas não devo deixar de saudar a vitória do Futebol Clube do Porto, ontem à noite, na final dos Campeões Europeus. Pinto da Costa, apesar de por vezes parecer um cacique perigoso para a unidade nacional - e se algum dia deixar de parecer e passar a ser, perde o valor todo - dá um exemplo de firmeza e de disciplina que deve servir para todos os outros portugueses.
E prova-se mais uma vez que o único obstáculo à glória portuguesa é o seu costumaz laxismo.
Por isso, Pinto da Costa e todos os desportistas do FCP estão de parabéns pela perseverança e pelo trabalho realizado.

Adereços «Salazar»...

Vale a pena ir ver

http://www.cafeshops.com/salazargear

É de rir, não haja dúvida.
A junção de um símbolo que está ligado a um Portugal fechado, solene,
tacanho e algo sentimental, rural, com um estilo americano
juvenil «oh yeah» «cool» até servia para um sketch humorístico.

Enfim, desde que certa vez vi um meio-skin bêbado com um carro a gritar, num concerto nacionalista, «Salazar skin!», este tipo de coisas surpreende-me cada vez menos...

quarta-feira, maio 26, 2004

O PAÍS NÃO MERECIA UMA COISA DESTAS

Ontem à noite, pôde ver-se Miguel Sousa Tavares a dizer de sua «justiça» sobre o modo como, segundo ele, o Futebol Clube do Porto tem sido tratado pela comunicação social.
Disse ele que nos últimos dias se deu muito mais destaque ao caso do Benfica poder perder a taça do que ao jogo de hoje do FCP, que decidirá o vencedor da Liga dos Campeões.

Ora, sabendo-se que os média, com a sua habitual pobreza de espírito, quase que não têm falado de outra coisa para além desse jogo, chega-se à conclusão que Miguel Sousa Tavares está fanatizado. Mas fanatizado de um modo particularmente imbecil, como bem o demonstra aquela pérola de tristeza labrega, cito, «Este país não merece o FCP».

Durante um quarto de hora, ou pouco mais, houve outra notícia do futebol que também deu que falar e, por isso, o país não merece o FCP. Até parece ter sido dito por algum hooligan tocado pela pinga que está a tentar arranjar motivos para andar à bordoada, mas não, foi proferido, na televisão, em horário nobre, por um conhecido «opinion maker», jornalista muito afamado, comentador político e, ao que parece, também desportivo (no Portugal de hoje em dia, todo o bicho careta se mete na bola) e que também é advogado.

Isto é sintomático - que uma das figuras mais conhecidas do pensamento mediático, fazedora de opiniões, licenciada e engravatada de todo, dando um imenso ar solene a si própria, se lembre de largar uma bacorada saloia de tal quilate, mostra bem como é que o País está estupidificado pela acção do esférico correndo sobre a relva.

A Pátria que se forjou na guerra de uma Nação europeia contra a Moirama, palmo a palmo, regando a terra com sangue e suor e que, mais tarde, deu sal dos seus olhos às águas de Neptuno, a Pátria que, num canto pobre da Europa, preservou o último Império Europeu em paragens longínquas e que, mais importante do que isso, tem insistido, ao longo dos séculos, em ser dona do seu Destino - esta Pátria merecia gente melhor do que a que neste momento a domina.

Não é o País que não merece o FCP.
É esta gente que, transformada em maralhal ridiculamente mesquinho, não merece o País que tem.


sexta-feira, maio 21, 2004

BATALHAS DE PORTUGAL

Um belo sítio internético onde se pode estudar as diversas batalhas da História Pátria:


http://www.terravista.pt/ancora/1627/

LIVROS

Começa hoje mais uma feira do livro.
É sempre bom constatar que ao longos dos anos se tem mantido uma iniciativa que permite combater a tão criticada falta de cultura da população portuguesa.
Como dizia já não sei quem, um livro é uma ferramenta útil e um amigo: informa, repete as vezes que se quiser aquilo que se quiser entender melhor, pode pôr-se de parte quando tal apetecer e voltar depois quando for chamado, não faz barulho, não tem altos custos de manutenção (basta limpar-lhe o pó...), dura décadas ou mesmo séculos, é flexível e pode levar-se para qualquer lado.

E, se não estiver meio rasgado, amachucado ou demasiadamente encardido, também serve como elemento decorativo.

É verdade que o livro diz sempre a mesma coisa, seja o que for que se lhe pergunte; mas também há por aí muitos fulanos que são autênticas cassetes humanas - o livro, ao menos, tem a vantagem de não impor a ninguém um incomodativo mau hálito ou uns desagradáveis olhos esbugalhados de fanatismo.
Platão, nascido há dois mil e tal anos, desprezava a escrita, porque, segundo ele, o texto não se defendia quando atacado, além de que incentivava à preguiça da memória, servindo de muleta a quem não quisesse fazer um esforço mental para guardar em si o conhecimento. Os sábios celtas, os Druidas, por sua vez, teriam no seu sacerdócio uma espécie qualquer de proibição do uso da escrita para registar coisas importantes.
Não obstante, no mundo populoso e rigidamente dominado pelas limitações do tempo e das conveniências materiais, o livro tornou-se essencial como fonte mais ou menos segura de conhecimento e, sobretudo, de acesso relativamente fácil e regular a uma extensa quantidade de informações, de ideias, de sentimentos. Não é fácil nem praticável para o indivíduo comum deslocar-se a qualquer parte do mundo com o intuito de aprender com este ou com aquele mestre, oralmente, com perguntas e respostas, à maneira socrático-platónica. Além do mais, o livro oferece a grande vantagem de, como disse acima, permitir um estudo mais detalhado, pausado e reflexivo do que é afirmado por outrem, e, uma vez que dura décadas e mesmo séculos, confere ainda a possibilidade de abordar determinada informação ou ideia, ou sentimento, em épocas diferentes da História, tanto ao nível individual (ler uma mesma obra filosófica aos vinte ou aos trinta anos, não é a mesma coisa) como ao nível dos povos e das modas de cada época. Para além das correntes, das marés, dos gostos e dos desgostos de cada geração, fica o livro, sempre fiel ao que lhe ditou a intenção primordial com que foi escrito.
O livro é também um portal que permite circular entre pensamentos, ideias, mundos diversos, polos opostos, eras distantes ou mundos fantásticos.

Por isso, e por outros motivos que possam porventura existir mas que de momento não me ocorrem, ide comprar livros, leitores, ide.
São caros?
Sim, a maior parte dos livros são vendidos por preços exagerados, mas, na sua maioria, têm um preço perfeitamente acessível para a média dos cidadãos, e mesmo para os de fracos recursos - entretanto, quanto não se gasta em divertimentos festivos, em noites de copos, em roupas cujo preço levariam os prudentes a optar por peças de vestuário igualmente úteis mas sem o peso monetário que determinada marca famosa impõe?

É, na maior parte dos casos, uma questão de prioridades e de opções.

De qualquer modo, existem bibliotecas, onde a leitura é gratuita.

Sendo assim, levantem os entorpecidos corpos da frente do ecrã e vão à feira adquirir (sem roubar) resmas de papel com letras impressas, instruam-se, alienem o miolo, tomem contacto com ideias estranhas que nunca vos passaram nem passariam pela mona, ou então passem umas horas de monótona mas tranquila leitura, e depois não digam que não sou vosso amigo.

HOMENAGEM A PLATÃO, HONRA AO IDEALISMO

No ano de 427 antes da era cristã, nasceu, neste dia, uma das maiores figuras da cultura ocidental, Platão, alcunha que lhe puseram os colegas de ginásio, na adolescência, pelo facto de ter ombros largos.

Platão, o fundador do Idealismo, defendia estrita e escrupulosamente a religião tradicional helénica, afirmava que uma guerra entre cidades-estado gregas era uma guerra civil, uma vez que a etnia-nação grega é só uma, e preconizou uma estratificação social - filósofos, guardiães, produtores, foi nas obras «República» e «Leis» que apresentou esta hierarquia, cujo critério é o da espiritualidade de cada função, isto é, do topo, mais espiritual, até à base, mais material - que parece ser uma racionalização da arcaica mentalidade indo-europeia trifuncionalista, do mesmo modo que também a sua concepção metafísica da transcendência das ideias, que é aquilo a que se chama propriamente Idealismo (isto é, que existe um plano de existência superior, o mundo das ideias, o mundo da verdade perfeita, em contraste com o da matéria, que é imperfeito, aí se insere a alegoria da caverna, segundo a qual o mundo visível é um reflexo imperfeito do invisível) parece uma sistematização racional de uma antiga concepção religiosa tradicional. Desta visão das coisas se desenvolveu a sua teoria da imortalidade da alma, magistral e limpidamente descrita na obra «Fedon», na qual o seu mestre Sócrates explica porque não se deve temer a morte.

É também característica de povos indo-europeus ou arianos a valorização que fazia da verdade, do saber, bem como da justa medida (proporção correcta do saber e do prazer).

MEMÓRIA DO ROUBO

Devia ter publicado isto ontem, mas ainda vou a tempo.

A negrito, ou bold, escrevo o meu comentário no fim.

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Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org

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«Problema ibérico: A integração do Estado português, pela reintegração de Olivença».
Fernando Pessoa («Portugal, Sebastianismo e Quinto Império»)

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USURPAÇÃO DE OLIVENÇA: OFENSA À CULTURA E À LÍNGUA PORTUGUESAS!

Em 20 de Maio de 1801, a «Nobre, Leal e Notável Vila de Olivença» foi ocupada militarmente pelos exércitos de Espanha. Passam hoje 203 anos.
O ocupante iniciou e prosseguiu desde então, sem pudor, a colonização e a espanholização de um território onde, desde sempre, florescera a cultura portuguesa.
Impediu-se o contacto de Olivença com o resto do país, escondeu-se aos oliventinos a sua origem, a sua história, a sua cultura, castelhanizaram-se os nomes, proibiu-se o uso da língua portuguesa.
O processo de colonização, aculturação e espanholização, necessariamente apoiado na força e na repressão militar e policial, encontrando a resistência surda mas permanente dos oliventinos, continua ainda nos nossos dias.
Portugal e a cultura portuguesa defrontam-se com a ocupação e o sequestro de uma parte de si. A língua portuguesa – a pátria de Fernando Pessoa! – encontra-se diminuída na sua universalidade. Aqui, à nossa beira, em Olivença.
Em contraponto, também hoje, comemora-se o segundo aniversário da República Democrática de Timor Leste, proclamada em 20 de Maio de 2002. No outro lado do Mundo.
Tal como Timor Lorosae afastou o ocupante estrangeiro e iniciou a construção do seu próprio Estado, reservando à língua portuguesa uma particular importância, também Olivença há-de obter Justiça, resgatando a sua Identidade, a sua História e a sua Liberdade, reencontrando-se com a Cultura e a Língua de Camões e de Pessoa!
Contra o silêncio e a indignidade, um passo por Olivença!

Lx., 20 de Maio de 2004.
A Direcção


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Este estado de coisas é sintomático e evidencia bem a degradação ética do País. É inaceitável que os governos «portugueses» não façam mais pressão, junto do governo espanhol ou mesmo ao nível europeu e mundial, do que aquela que demonstram fazer, para que Portugal possa reaver o que é seu por direito e que foi considerado como português num tratado assinado pelos próprios Espanhóis.

Contra esta legitimidade, há ainda quem afirme que a maior parte da população oliventina não quer ser portuguesa.

Pois que não queira. Daí não virá mal ao mundo - se não quiserem ser portugueses, basta que saiam de Olivença, terra que pertence a Portugal, sem discussão.
O território pertence pois aos Portugueses, independentemente das gentes de origem não portuguesa que os Castelhanos tenham entretanto para aí transportado.


quinta-feira, maio 20, 2004

UM PASSO

Anda por aí uma caravana, transportando vários intelectuais, que pretende infundir orgulho aos Portugueses.Resolveram considerar o dia de hoje como o Dia P, que é como quem diz Dia Portugal, para tentar dar ânimo aos tristonhos lusos e melhorar a auto-estima dos tugas, que adoram falar mal do País por tudo e por nada, como se cada um dos que assim fala não fosse português (quem é que veio injectar o vírus bandalho da «apatrite» - doença do apátrida - aqui ao povo mais ocidental da Europa continental?).

É certo que a iniciativa tem um ar um bocado novo-riquista, especialmente com essa americanice/yuppiisse/foleiró-modernice, nem sei o que lhe hei-de chamar, do «dia p»,
mas enfim, é uma reacção ao estado de espírito deprimido e deprimente (é contagioso) de um povo que, se desde há muito se mostra triste, nada o obriga, contudo, a ser maso-maledicente (masoquista e maledicente) para o resto da vida.

quarta-feira, maio 19, 2004

DELENDA CARTHAGO

Chamo a vossa atenção para dois sites imensamente úteis e interessantes,

http://www.alternativa2000.org/Contraoterrorislamico.html

que é português, e

http://www.geocities.com/AntiJihad/home.html

com os quais concordamos em quase tudo o escrevemos e que apresentam argumentos que eu próprio já aqui tinha mencionado, tais como a desonestidade com que se salienta, em Portugal, a suposta ligação «de sangue» entre Portugueses e Árabes e, mais flagrante ainda, a dualidade de critérios com que a comunicação social trata o conflito na Palestina: fala em «ataques bombistas» palestinos quando terroristas palestinos matam israelitas inocentes, e martela o termo «assassinato» quando o Estado de Israel, mui legitimamente, elimina fisicamente os seus maiores inimigos, que nunca reconheceram sequer a existência do Estado judaico.

Saliento também outro aspecto que não vejo devidamente tratado por ninguém: o argumento segundo o qual os muçulmanos são religiosamente tolerantes, enquanto os cristãos sempre foram impositivos.
De facto, esta última asserção não é de todo falsa; mas afirmar-se que o Islão é tolerante porque tolera, relativamente, o Judaísmo e o Cristianismo, é, ou ingenuidade, ou desonestidade intelectual.

O que se passa, de facto, é que o Islão reconhece Jesus como profeta e o Antigo Testamento como sendo de origem divina. Ou seja, do ponto de vista islâmico, a religião de Maomé é a continuação e corolário das outras duas referidas. Isto é o mesmo que dizer que tanto o credo de Moisés como o do crucificado fazem parte da herança religiosa do Islão. É por isso, e só por isso, que os islâmicos toleram, relativamente, os cristãos e os judeus.

Não procedem do mesmo modo em relação a outras religiões.

O Corão manda perseguir e exterminar os pagãos - na Índia, por exemplo, destruíram centenas senão milhares de templos hindus e massacraram milhões de pessoas.


NÃO SE PODE VIVER PAREDES-MEIAS COM GENTE ASSIM

Um cigano apanhou vinte e cinco anos de prisão por assassinato ocorrido na sequência de uma rixa de trânsito.

Um português censurou-lhe o estacionamento do automóvel no passeio, e vaí daí o lello sacou de uma pistola de 7,56 mm e matou-o. Outros dois homens ficaram seriamente feridos.

O que revolta é o modo como uma reles escumalha que nem sequer é do Povo no seio do qual vive pode causar tais males a cidadãos nacionais, e de um modo tão injusto.

A propósito, quantos ciganos terão armas sem a correspondente autorização para as possuir?

Triste(s) exemplo(s)

Manuel Maria Carrilho, considerado como uma das principais figuras da cultura nacional, esteve numa reunião de homens de letras de vários países hispânicos. Embora rodeado de portugueses, espanhóis, argentinos e outros, de línguas ibéricas, resolveu dizer a sua parte em Francês.

Só estava presente um francês, e, ainda assim, o sujeito achou por bem fazer a sua palestra na língua de Rosseau.

Quando, indignados, os outros participantes da tertúlia lhe perguntaram porque não tinha discursado em Português, ele respondeu «Eu nestas coisas, só falo em Francês ou em Inglês».

Pode chamar-se a isto subserviência cultural e saloice da mais novo-riquista, mas é demasiado óbvio para estar a dizê-lo.

Poderia dizer-se que é uma vergonha ter «vultos culturais» desta índole a representar Portugal, mas eu, sinceramente, não acho que tenha sentido ficar-se envergonhado só porque uma pessoa do Povo ao qual se pertence comete um acto desprezível ou ridículo.

O que interessa mais salientar é que este indivíduo foi ministro da cultura em Portugal. O facto de ter chegado a ocupar tal cargo, e a continuar a dar que falar como homem de cultura, é talvez indício do estado actual da intelectualidade nacional. Perante exemplos destes, não é de admirar que haja tão poucas obras importantes editadas em Portugal - é que, enquanto os Espanhóis, por exemplo, traduzem tudo o que podem para o seu idioma, os manda-chuvas das letras tugas, quando os seus alunos, nas universidades, lhes perguntam o que podem ler sobre determinada matéria, respondem simplesmente que é preciso saber ler noutras línguas, e que quem não lê noutras línguas não pode tirar um curso superior, o que, não sendo mentira, não passa de um laxismo intelectual de quem despreza o valor da própria língua, o valor da comunicação cultural na sua própria língua como vector dinamizador de um desenvolvimento, de uma vida nacional intelectualmente autónoma.

segunda-feira, maio 17, 2004

POR UMA EUROPA NÃO CRISTÃ

Para quem, tal como eu, quiser subscrever um apelo contra a inclusão da referência ao Cristianismo na futura «constituição europeia», apresento o seguinte texto, com o elo de ligação em baixo. Parece que a iniciativa é organizada por um grupo de esquerda, paciência.



APELO PELA ELIMINAÇÃO DO ARTIGO I-51 DO PROJECTO DE CONSTITUIÇÃO PARA A EUROPA


Os abaixo assinados,

Tendo em consideração a proposta de resolução para uma Constituição Europeia Laica apresentada por Maurizio Turco e 256 deputados europeus e apoiada por 320 deputados dos 15 Estados Membros da União Europeia.

Considerando que o artigo I-51 do projecto de Tratado estabelecendo uma Constituição para a Europa:

a) Contradiz o princípio de separação entre instituições públicas e instituições religiosas;

b) Obriga a UE a um diálogo regular com as igrejas e comunidades religiosas reconhecendo assim um direito de ingerência das instituições religiosas no exercício dos poderes públicos europeus;

c) Garante a perpetuação dos privilégios adquiridos ao nível nacional pelas instuições religiosas, impedindo que seja verificada a sua compatibilidade com os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos europeus assim como com as políticas e o direito da UE;

d) Está redigido com uma terminologia desapropriada para um texto constitucional e susceptível de originar numerosas controvérsias jurídicas;

Considerando que a liberdade de organização e acção das organizações confessionais já é garantida pelo artigo 10 da Carta dos Direitos Fundamentais assim como pelo artigo I-46 do projecto de tratado constitucional relativo às associações representativas da sociedade civil;

Apoiamos a proposta de resolução, promovida por Maurizio Turco e assinada até agora por 136 membros do Parlamento Europeu, pedindo ao Conselho, à Comissão e aos Estados Membros a eliminação do artigo I-51 do projecto de tratado estabelecendo uma Constituição para a Europa e, em particular, aos representantes da Bélgica, da França, do Luxemburgo e da Suécia que utilizem o seu direito de veto, no âmbito dos trabalhos da CIG, dando assim continuidade às emendas no sentido de eliminar o artigo I-51 que apresentaram durante a Convenção."



(8/4/2004)


http://www.geocities.com/CapitolHill/Senate/4801/Comunicados/8-4-2004.htm


As pretensões de Manuel Monteiro

Manuel Monteiro ficou todo indignado porque o PS e PSD/PP recusaram um debate com ele a sós, só aceitando a sua presença se estivessem também presentes todos os representantes de todas as outras formações políticas.

Por uma vez, os partidos grandes agem como deve ser. Pois quem pensa MM(Manuel Monteiro) que é para que lhe seja dado um tratamento de excepção, ele que só ontem criou o partideco da nova democracia o qual, de bom, só tem o símbolo? Já queria ser considerado um dos «grandes», esse copinho de leite com perfil facial de bruxa?

E porque cargas de água é que a imprensa o leva ao colo mais a sua tropa neo-democrata? Será que alguém nos bastidores se quer servir deles para cortar o PP ao meio e, desse modo, enfraquecer Paulo Portas e o governo? Ou não se tratará simplesmente de um caso em que poderosos empresários e alguma rica gente «de direita», yuppies e católicos multi-racialistas, resolveram sustentar um partido que sirva os seus interesses?

O mais irritante é andar-se a dizer que Monteiro é «nacionalista». Como já disse aqui, Monteiro não é nacionalista - será, quando muito, patriota, e é se se lhe quiser reconhecer honestidade política, da qual eu, de facto, não tenho razão para duvidar, até ver.
O que é certo é que quem apoia a imigração para dentro de Portugal, não é, de certeza, um nacionalista. Enquadra-se, isso sim, nas fileiras dos patrioto-burgueses que amam um Portugal que vai do Minho até Timor todo dentro das fronteiras portuguesas, para que o País fique ainda mais cheio de africanos do que já está. Cada vez dá mais a sensação, ao passar em certas zonas de Lisboa, de que se está perante um cartaz de propaganda turística a dizer «Vá para fora cá dentro», e, não obstante, os yuppies monteiristas querem ainda mais africanos em Portugal, para servir o amor pela mão-de-obra barata que é típico de certos empresários.

O capital não tem pátria e esta gente nem raça quer ter.

Seriedades - Sinais dos tempos

A diferença de temas dos fóruns(ou fora, como diriam os latinistas mais puristas) da tsf de hoje são talvez sintomáticos do que se vai passando na actualidade, no que respeita às diferenças entre os sexos.

O forum da manhã, mais antigo e conhecido, centrou-se na vitória futebolística da Águia sobre o Dragão. Mesmo tendo um forum só sobre futebol, todas as noites («Bancada Central»), a tsf é useira e vezeira em dedicar o forum da manhã ao futebol.
O forum da tarde, por seu turno, é o chamado «Forum Mulher», no qual só participam pessoas do sexo feminino, programa que se inscreve na mentalidade da discriminação positiva a favor do belo sexo, com o intuito de tornar as mulheres mais participativas na vida social e política do País. É uma discriminação que trata as mulheres de um modo paternalista, pois que nunca ninguém proibiu a participação feminina no forum da manhã, mas enfim, siga.

Ora, hoje, enquanto o da manhã discutiu a bola e a taça, o da tarde discutirá o assassinato do presidente iraquiano e o consequente agravamento da situação no Iraque.

E tem sido cada vez mais assim, nos fora da tsf: os homens entretidos com infantilidades, e as mulheres, lentamente, a prestar mais e mais atenção ao que é mais sério.

domingo, maio 16, 2004

O CAVALO DE TRÓIA

Bem me parecia que era catita demais para ser verdade. Fazerem um filme decente sobre a Ilíada? Isso é que era bom.

Tecnicamente, nada tenho a apontar ao filme. Primeiro, porque não sou um entendido em cinema, depois porque me pareceu que, a esse nível, tudo estava bem: trabalho dos actores (mesmo que o perfil do rosto de Bradd Pitt não seja muito apropriado, dado o seu aspecto negróide, mas enfim), guarda-roupa, cenas de batalha (a técnica de combate de Aquiles é bela de se ver, nomeadamente o seu salto de ataque lateral), cenário, etc..

Quanto à história e diálogos, as alterações ao texto original chegam a ser vergonhosas. O mais grave de tudo é a forma por vezes sarcástica e mesmo insultuosa com que os dois maiores heróis do filme (que coincidência, logo os dois heróis principais...) se comportam, em palavras e actos, para com os Deuses.
Já topo de ginjeira a mentalidade que está por detrás desse tipo de coisas: a ideologia dos auto-proclamados «rebeldes anti-tradição», pretensos detentores Do «sentido crítico», únicos possuidores da verdade, que se lançam como incansáveis percevejos contra a religião (a total ausência dos Deuses no filme «Tróia» já quer dizer algo, quando se sabe que, na Ilíada, texto original, há Divindades por toda a parte, actuando a todo o momento de um modo decisivo...), esforçando-se por convencer tudo e todos de que o culto aos Deuses é coisa de fracos e que os Fortes & Inteligentes, Lda. ou nos Deuses não acreditam ou, se acreditam, não Os respeitam.
Por isso, é bom que se saiba: não é verdade que Aquiles tenha destruído um templo de Apolo, não é verdade que tenha cortado a cabeça a uma das estátuas de Apolo, não é verdade que o Deus não se tenha vingado logo do rapto de uma filha (Criseide) de um dos Seus sacerdotes (Crises) e aliás, a peste que o Deus lançou sobre os Gregos mostrou-se de tal modo destrutiva, que foi mesmo por isso que Agamémnon teve de libertar Criseide e, para não ficar desfavorecido neste episódio, resolveu tirar uma escrava a Aquiles, e foi aí que começou a inimizade entre estes dois homens.
Também não é verdade que Heitor mandasse umas bocas desrespeitosas aos Deuses. Isso foi TUDO inventado pelo autor do filme.
Convém também saber que Odisseus (Ulisses) se introduziu de noite na cidade de Tróia, disfarçado, para levar o Palladium (estátua de madeira da Deusa Atena), uma vez que tinha tomado conhecimento que uma profecia vaticinava o fim da cidade se esta perdesse o referido objecto sagrado, caído do céu

Pelo meio, há também uma mensagem anti-nacionalista: o «mau da fita», Agamémnon (outra deturpação tipicamente humanista, que herda isso do judaico-cristianismo, pois que, na Ilíada, não há encarnações do mal, todos lutam pelo que querem, com mais ou menos ética, mas fazendo sobretudo o que podem), falando de Aquiles, com quem não se dá bem, diz, mais que uma vez: «Aquiles não respeita pátrias nem bandeiras, nem combate por Nações, mas só por si próprio».

Está-se mesmo a ver onde é o que autor quer chegar com isto: o mau da fita, Agamémnon, só quer é guerra, por isso é que ele lidera a Nação grega... o herói Aquiles, é um «puro», um «jovem irreverente» que, mesmo sendo imensamente violento, não passa ao fim ao cabo de um moço com bons sentimentos, selvagem mas bonzinho lá no fundo, que não se dá bem com Agamémnon porque é demasiado independente, ama a sua liberdade (ai que lindo!...) e é por isso que não combate por Nação alguma...

Pois...

É tão descarada e primariamente politicamente correcto que até mete nojo.

Ao fazer-se passar este filme como uma versão fiel da obra de Homero, o que se faz de facto é introduzir um cavalo de Tróia nas mentes das pesssoas a respeito do que pensavam os antigos dos seus Deuses.

O autor, Wolfgang Petersen, conseguiu verba suficiente para edificar esta construção cinematográfica. O filme é de Hollywood.

Ora, mesmo correndo o risco de parecer paranóico, tenho de perguntar: quem é que manda em Hollwood e no resto da América?
Judeus, cristãos devotos, esquerdo-liberais.
Os Judeus, nunca respeitaram as religiões dos outros povos.
Os cristãos, herdaram esse desprezo judaico pelos Deuses dos outros povos e transformaram-no em intolerância militante, motivo pelo qual sempre perseguiram e tentaram destruir todos os paganismos do mundo.
Os esquerdo-liberais, herdando, em parte, esse ódio cristão aos povos pagãos orgulhosos, também não têm qualquer respeito pelas antigas culturas europeias, pelo menos no que diz respeito ao seu aspecto bélico e épico (cá em Portugal, os intelectuais de esquerda sempre quiseram fazer crer que Camões lírico era melhor do que Camões épico, de tal modo se sentem desagradados pelo épico...) e, sobretudo, com o pendor ateu que sempre os caracterizou, aproveitam toda e qualquer oportunidade para baterem na religião. E batem em todas as religiões e mais algumas (pouco ou nada no Islão, o que é curioso... e sintomático), inclusivamente na do Nazareno.

Só que essa, a da cruz, se tem detractores, também tem protectores, como Mel Gibson, que executou uma obra cinematográfica de se lhe tirar o chapéu, fiel ao texto, falada nas línguas da época retratada.

Quando haverá um Mel Gibson pagão, que se atreva a realizar um mega-filme que seja o mais fiel possível à obra de Homero, que represente o esplendor divino dos Deuses e Deusas da Hélade, raiz da Europa, que o faça com actores Gregos falando o Grego antigo?

sexta-feira, maio 14, 2004

MAIS UMA FUTEBOLADA

É terceiro-mundista a atitude do primeiro-ministro Durão Barroso que cancela uma visita de Estado ao México, que cancela uma ida ao Parlamento, só para ir assistir a um jogo de futebol que nem sequer envolve a selecção nacional, mas apenas um dos clubes portugueses. O futebol está cada vez mais para os Portugueses como o carnaval está para os Brasileiros - um momento fugaz de divertimento e folia, de esforço corporal e caloroso, perante um quotidiano de mediocridade e de miséria.

Durão Barroso evoca o exemplo do rei de Espanha que assistiu a uma final na Corunha, mas esquece que o equivalente português ao monarca castelhano não é o primeiro-ministro, mas sim o presidente da república.
Afirma também que se trata de uma questão de prestígio nacional... mas algum país fica prestigiado se o seu governante deixar de ir a um encontro entre chefes de Estado para ir ver a bola?

E uma parte da cambada deputadeira - os deputados - quer também ir no rol, tudo junto, porreiro, vai tudo assistir ao esférico correndo sobre a relva, em viagem paga pelo Estado.

Bem, já que a coisa é assim tão importante, seria talvez avisado colocar-se um televisorzinho - ou mesmo um bom ecrã de dimensões consideráveis - na Assembleia da República, posicionado de modo a que todos os deputados pudessem assistir ao jogo, enquanto iam ouvindo as intervenções de uns e de outros a discorrer sobre o estado da Nação, e cada deputado, com um olho no burro e outro no cigano, ia acompanhando o desenrolar dos acontecimentos, nessas duas esferas essenciais da actividade humana, a do poder temporal (político) e a do poder desportivo. Só um deputado iria ao Estádio onde se desenrolasse o evento desportivo, como presença simbólica. Assim, poupava-se dinheiro, numa época em que se procura a «contenção das despesas».

E não será de todo impossível que um dia, numa importante visita de Estado, o primeiro-ministro português seja portador de um pequeno rádio de pilha encostado ao ouvido, para lhe permitir ouvir o relato.


Trata-se pois de mais um exemplo de como a obsessão do futebol está a estupidificar o País. O futebol tudo invade e é cada vez mais colocado em pé de igualdade com a política: um divertimento alçado ao nível da governação do Estado.


quinta-feira, maio 13, 2004

SERÁ....? ...

São muito intrigantes as declarações da mulher soldado americana que é acusada de ter torturado prisioneiros iraquianos, nomeadamente no que diz respeito ao motivo pelo qual ela e outros soldados do seu país procederam do modo monstruoso que se pôde ver nas imagens (e até pior, disse ela): afirma a militar que estava simplesmente a cumprir ordens, que as cenas eram fotografadas, que militares de superior patente as observavam e aprovavam, dizendo algo como «é isto mesmo que queremos».

Daqui donde escrevemos, conhecemos pouca coisa do que se passa no Iraque e, por isso, só podemos especular, por enquanto, sobre a estranha justificação dada pela mulher soldado. Digamos, pois, uns quantos serás:

Será que há gente nas Forças Armadas Americanas interessada em sabotar o esforço de guerra dos E.U.A., criando situações destas, divulgando-as, queimando a imagem do governo yanke que mandou os seus soldados para a guerra e obrigando-o, se possível, a retirar as tropas do Iraque, mediante pressão da opinião pública escandalizada?

Na Bósnia, não houve escândalos destes a respeito dos Americanos.

Porque seria?
Seria porque os soldados americanos enviados para os Balcãs eram moralmente mais bem formados, bons escuteirinhos, enquanto os soldados americanos que agora estão no Iraque são todos tenebrosos carrascos formados pelo «fascista» Bush?

É que nessa altura, quem mandava no governo norte-americano, eram os «democratas», os esquerdistas politicamente correctos de Bill Clinton, ao passo que quem agora lidera o maior império do mundo é a direita conservadora. Portanto, os média estão muito mais atentos a todo e qualque deslize dos «fascistas»...

MAIS UMA CANALHICE INTELECTUAL

O Bloco de Esquerda resolveu exigir ao governo português que esclareça se sabia ou não das torturas que alguns soldados americanos infligiram a prisioneiros iraquianos.

Esta atitude, tipicamente b.e., destaca-se, tal como todas as suas intervenções, pela demagogia abjecta e desonesta.

Os mete-nojo dessa nojenta formação política sabem muito bem que o tipo de abusos a que se referem, são comuns a todas as guerras de todos os tempos de todos os espaços, e sabem também que nenhum Bush mandaria que os seus militares torturassem cruel e vergonhosamente os prisioneiros de guerra e que ainda por cima filmassem tais cenas para depois correrem o risco de que estas um dia fossem apanhadas pelos média e divulgas.

Qualquer pessoa com um mínimo de discernimento político - e do mais elementar bom senso - percebe isto, mas a gentalha do Beco Esquerdista aposta nos «jovens» mais ingénuos e na parte do povo que reflecte menos para atacar o governo a partir de exigências deste teor, e ainda por cima faz figura de activo e «inteligente», de tropa política a fazer perguntas «pertinentes».

segunda-feira, maio 10, 2004

NACIONALISTAS...

Anda-se por aí a dizer que Manuel Monteiro é nacionalista. O site do PNR informa que o sujeito chegou mesmo a proclamar-se como tal numa entrevista televisiva.

Ora, é preciso ter em conta o que significa ao certo o termo «Nacionalista».

Nacionalista é alguém que põe a Nação acima de tudo, considerando que a sua preservação é o valor supremo de toda a actividade política.

E o que é a Nação?

Nação é um conceito étnico.
Uma Nação é um grupo humano cujos indivíduos têm em comum uma língua nacional, uma cultura, isto é, um folclore (cantares, danças, costumes, tradições várias, lendas e mitos tradicionais) e uma consciência de Nação.


Em Espanha, por exemplo, há muitas Nações: Galiza, Castela, País Basco, Catalunha, diferenciam-se entre si pelo idioma nacional de cada uma destas realidades nacionais. Isso não impede que a Espanha seja uma Pátria, isto é, um Estado unitário.
Ou seja, em Espanha, um patriota terá como prioridade máxima a defesa da Espanha, mas um nacionalista.... é preciso saber de que parte da Espanha é o nacionalista. Se for galego, ele valoriza antes de mais, não a Espanha, cujo poder tem sede em Madrid e é apanágio dos Castelhanos, mas sim a Galiza. No caso dos Bascos, o caso é similar: um nacionalista basco ama acima de tudo a sua Nação, Euskadi ou País Basco e é frequentemente adverso à permanência do País Basco no Estado Espanhol. Um patriota basco, por sua vez, será talvez partidário de que Euskadi continue a ser parte de Espanha.

Em Portugal, não é existe este problema pois que Portugal, sendo um Estado-Nação, consiste, como se deduz, numa Nação que tem um Estado soberano e num Estado soberano que rege uma só Nação.
É por isso que em Portugal há muita gente que não compreende a diferença entre ser nacionalista e ser patriota.

É o caso dos que ingenuamente considerarem Manuel Monteiro como um «nacionalista».
Ora, quem afirma que Portugal tem de receber mais imigrantes, fazendo assim perigar a preservação da etnia nacional, não é nacionalista de certeza. Poderá, quando muito, ser patriota, se e só se acreditar genuinamente que o País fica melhor se receber mais imigrantes.
Por conseguinte, concedendo a Manuel Monteiro o benefício da dúvida, dir-se-á que o líder do PND é um patriota. Mas não é, de modo algum, um nacionalista.

O facto de MM ser também a favor da entrada da Turquia(país de raiz não europeia, inimigo de Nações europeias como a Grécia e que traz para dentro da Europa um poder asiático de peso, diminuindo a influência dos Europeus sobre o seu próprio continente) na Europa, completa o quadro: MM é um patriota capitalista, e nunca, de maneira nenhuma, um nacionalista.

Só há em Portugal um partido nacionalista: o P.N.R..




CANALHICES DA SOLDADESCA YANKE

Os abjectos maus tratos que certa soldadesca yanke da mais sórdida dispensa a prisioneiros árabes têm dado que falar.

Têm dado que falar porque boa parte dos média está apostada em usar tudo o que puder para denegrir os E.U.A..

É verdade que os Norte-Americanos não deveriam nunca estar à frente dos destinos do Ocidente, mas é também verdade que quase só eles é que se chegam à frente quando se torna necessário tomar decisões de força. Os Europeus, por seu turno, até querem é reduzir mais e mais as suas despesas com armamento...

O que sucedeu no caso das torturas aos prisioneiros é comum a todas as guerras desde que o homem existe. É hediondo, mas não é incomum.

O que parece incomum é o modo como o conteúdo das cassetes vídeo exibindo cenas obscenas chegaram ao público.
Quem os fez chegar ao público?
E para quê?
Porque se estavam os soldados yankes a rir nessas cenas, fazendo questão de aparecer ostensivamente, com ar de satisfação, em todas elas?

Já que não faltam teorias de conspiração que consideram a Alcaida como uma invenção americana para manter os povos do mundo debaixo da necessidade de tutela yanke,
enfim,
a mentalidade «paranóica» tem de funcionar para os dois lados,
e,
já que de Americanos se trata (com tudo o que isso implica de estratagemas cientos (de C.I.A.) conspirativos que os filmes americanos mostram), porque não suspeitar que anda ali mão dos democratas (inimigos dos republicanos) para sabotar o esforço de guerra da administração Bush?

De qualquer modo, sabe-se que na América há toda a casta de monstros, país dos extremismos que sempre foi, das repressões, do abismo cavado entre «vencedores» ou «winners» e «vencidos» ou «losers» (aliás, o primeiro insulto de que o americano típico se lembra quando quer ofender alguém, é habitualmente «loser!», o que pode estar relacionado com a mentalidade calvinista americana que considera que o sucesso é um sinal de eleição divina, logo, o fracasso significa maldição do próprio Deus...)abismo este que leva certos «losers» a cair em nauseabundas vinganças «contra a sociedade», que incluem coisas como cadáveres massacrados e comidos, etc.. Não admira que alguns destes «losers» - ou, quem sabe, arrogantes «winners»... - se sintam no direito de pisotear os derrotados.

Castigue-se pois, duramente, essa gentalha infra-humana que cometeu esses crimes e siga-se em frente.

sexta-feira, maio 07, 2004

PARA QUEM TEM OS OLHOS FECHADOS E AINDA QUISER IR A TEMPO DE OS ABRIR

A Alcaida oferece dez quilos de ouro a quem matar Kofi Anan.

Afinal, ó anti-bushistas, não é só o Bush que faz mal aos coitadinhos dos Árabes... parece que estes têm razões de queixa de outros, alguns deles tão pacifistas como Kofi Anan, que toda a Esquerda gosta de elogiar.

A PERSISTÊNCIA DITADA PELO DEVER

Ontem, não houve artigo aqui no blogue, mas não faz mal, até porque a quinta-feira era o dia de folga dos antigos Romanos no tempo do paganismo (quinta-feira, Dies Iovis, Dia de Júpiter, o Deus Máximo).

Hoje, divulga-se um comunicado dos patriotas Amigos de Olivença:


Grupo dos Amigos de Olivença

www.olivenca.org

*
Da agência de notícias EUROPA PRESS:

http://www.europapress.es/europa2003/noticia.aspx?cod=20040504142843&tabID=1

El Grupo Amigos de Olivenza pide a Zapatero una solución a la soberanía de la localidad pacense


MÉRIDA, 4 May. (EUROPA PRESS)

El Grupo Amigos de Olivenza, que reclama la soberanía lusa de la localidad pacense de Olivenza, ha pedido al presidente del Gobierno español, José Luis Rodríguez Zapatero, que dentro de la nueva política exterior preconizada por el mismo aplique "una apertura y búsqueda de solución para el problema de Olivenza".

En un comunicado remitido a Europa Press, el colectivo portugués considera que la "cuestión" de Olivenza está "presente" en la realidad política luso-española, a pesar de no estar incluida en la agenda diplomática peninsular.

En este sentido, añade que "el litigio por la soberanía de Olivenza provoca desconfianza y reservas entre los dos estados peninsulares, tiene efectos reales y negativos en sus relaciones y es causa de muchas dificultades y malos entendidos en la política bilateral de ambos estados".


quarta-feira, maio 05, 2004

Um Limite para as futilidades

A vitória do Futebol Clube do Porto, ontem à noite, foi brilhante e toda a equipa está de parabéns por ter andado a glorificar o futebol nacional ao longo dos anos, demonstrando o triunfo da disciplina e do espírito de equipa sobre o vedetismo e do poder do dinheiro a ele associado: com os jogadores de nível médio que tem, bateu uma das mais ricas equipas do mundo, o Manchester United.

Entretanto, é de uma ironia flagrante o facto de que os portistas, que passam a vida a falar mal do «mouros», isto é, dos portugueses meridionais, terem como treinador triunfante um homem do sul chamado... Mourinho...

Dito isto, é preciso colocar as coisas no seu devido lugar. Futebol é futebol, é divertimento. É idiota dedicar um forum da tsf ao evento, quando nem sequer de uma vitória final se trata e quando têm um forum só para futebol, todos as noites...

segunda-feira, maio 03, 2004

Futilidades, Cultura Pop, Super-heróis, enfim, não leiam se procuram apenas política e «assuntos sérios».

João Pereira Coutinho, na sua secção em estilo de blogue, sita na revista Maxmen, resolveu mandar umas bocas sobre a banda desenhada de super-heróis.

JPC fez uma análise que é correcta em grande parte dos casos, mas que se torna simplista e mesmo simplória quando aplicada à essência do tema.

Neste meu texto, as partes das introduções vão em itálico para facilitar o pensamento a quem se perder na leitura.

Considero, de um modo geral, que a influência cultural americana é nociva à Europa e que a sua bastardia, ultra kitsh devido à sua quase completa ausência de raizes - e, por vezes, mesmo revoltosa contra as próprias raizes milenares do seu sangue, ou não fossem os Americanos, em grande parte, descendentes de europeus repelidos pela e zangados com a Europa - deve ser sempre colocada em segundo plano quando concorrer com a europeia.

Dito isto, tenho também de dizer que há mais coisas entre as páginas da b.d. super-heroística do que alguns possam pensar.

É verdade que existe por ali muito kitsch e muita escrita de má qualidade, alguma falta de cultura por vezes. De resto, é também verdade que - falando de um modo geral e no que respeita ao aspecto intelectual - em todos os estilos há lugar para todos os degraus entre o esgoto e o pico da montanha mais sublime.

A história de super-heróis consiste pura e simplesmente numa narrativa de acção cujo herói é um indivíduo uniformizado dedicado a combater as injustiças.
Um super-herói é pois uma espécie de super-polícia ou de super-soldado.
O brilho e esplendor tantas vezes frequente nos uniformes de super-heróis, adicionado ao seu carácter de guerreiros por conta e consciência própria, só lhes dá um ar mais cavaleiresco: são, por assim dizer, uma moderna encarnação (da imagem romântica) dos cavaleiros medievais.

O que há de particularmente idiota nisto? À partida, nada.
O que impede a realização de obras de arte neste género de ficção? À partida, nada.

O facto de, em princípio, os super-heróis possuírem super-poderes (daí, o termo «super-») isto é, capacidades físicas e/ou mentais e/ou tecnológicas supra-humanas, coloca este estilo de ficção no campo da Fantasia - trata-se pois de um sub-género da Fantasia, a par da Ficção Científica (Guerras nas Estrelas), da Espada e Feitiçaria (Conan, Senhor dos Anéis), dos Contos de Fadas (Cinderela), das Viagens Fantásticas (Gulliver, Alice no País das Maravilhas), do Sobrenatural (Drácula).
Não tem pois a intenção de «parecer real», embora lhe fique bem uma certa verosimilhança, mas dentro de uma lógica na qual cabem coisas que não existem no mundo real.
A intenção é, à partida, divertir, fazer voar a imaginação, deslumbrar.
Que não se goste de tal tipo de alienação, é uma coisa, mas que se diga que os super-heróis são uma cretinice porque «aquilo não é possível», é por demais absurdo. Quem não gosta de Fantasia, não gosta, que não consuma, acabou, fora de cena quem não é de cena.
Por isso é que não percebo o que diz JPC quando afirma, depois de invocar S. Tomé, que não se pode acreditar nos super-heróis.

Mas acreditar como? Acreditar na sua existência?
Mas algum petiz normal com mais de dez anos de idade acredita que existe uma chusma de guerreiros urbanos que voam, deitam lume pelas gânfias e combatem criminosos?

Ou acreditar noutro sentido qualquer... como se alguém quisesse transformar em profetas ou em modelos de virtude certas figuras do imaginário pop como Super-homem, Homem-Aranha, Batman, Mulher Maravilha, quem sabe?...

Aliás - ainda bem que não existem super-heróis. Se existissem, não teria vontade, falando por mim, de ler as suas aventuras - prestar atenção a tais epopeias seria vagamente semelhante a acompanhar as vivências íntimas das figuras públicas nas revistas da moda - teria um certo ar de subserviência...

Ler histórias de super-heróis não serve para nada, dirão. Falar sobre os ditos, muito menos.
E ver jogos de futebol, para que serve? E ir para a televisão, de gravata, falando com tromba séria em horário nobre, sobre a magna problemática de saber se num jogo qualquer foi ou não foi penálti, para que serve isso?

Para nada - a não ser para puro divertimento. Não tem a importância da política ou da religião, mas também não é para ter. É só para divertir.

As histórias de super-heróis são frequentemente imbecis, é certo - pudera, escritas por americanos... aliás, eles próprios o sabem, os yankes, e é por isso que, a dada altura, as editoras de super-heróis começaram a dar prioridade a autores ingleses, tais como Alan Moore.

Será que a cretinice de algum romance de cordel, de emotividade pimba, tira valor a Romeu e Julieta? Enfim, ambas são produções literárias agrupáveis no género de Histórias de Amor...
Um género de leitura não é nem brilhante nem idiota à partida. É só um imenso campo de potencialidades com as quais os autores poderão criar novos mundos - como na teogonia grega os primeiros Seres deram forma ao Universo a partir do Caos (que significa, à letra, «abertura», isto é, estado em que tudo é potencial, e não necessariamente desordem e destruição).

Na revista Maxmen, ou JPC ou alguém da redacção resolveu ilustrar as linhas do autor a respeito do tema com um desenho representando Capitão América a esmurrar Caveira Vermelha, um «nazi»... é sintomático o modo como foram buscar um dos exemplos mais kitsch da b.d. de super-heróis. Nada disso se compara com obras da qualidade de «Batman, Cavaleiro das Trevas», de Frank Miller, ou com «Watchmen» e com «A Liga dos Cavalheiros Extraordinários»(não confundir com o filme, que, não sendo mau de todo, atira no entanto para o lado da palhaçada infantilizante) do acima citado Alan Moore.

Super-heróis é coisa de Anglo-Saxões, visto que os países onde tal tipo de leitura tem mais êxito são os E.U.A. e o Reino Unido; certo escriba internético, que assina a coluna «Fool Britania» no site «Silver Bullet», pretende explicar isso, recorrendo para o efeito ao facto de os protestantes terem sido privados da rica pluralidade dos santos - segundo o autor, isso fez com que precisarem de encher a imaginação com uma diversidade de figuras, de ícones quase veneráveis. Em França e na Bélgica, a b.d. é de mais alta qualidade, mais cuidada e muito mais respeitada. Não há quase nenhum super-herói em França, na Bélgica, na Itália, países do mais refinado bom gosto.

Eles, Anglo-Saxões, em cuja(s) cultura(s) surgiram os super-heróis, é que lutam, mal ou bem, inteligente ou estupidamente, só eles, no Ocidente, é que estão dispostos a pegar em armas. Eles acham bem que se use uniforme e se faça justiça, a tempo inteiro, com o poder da força e a legitimidade da ética.
A intelectualada de excelentíssimo sentido crítico franze o focinho num sorrisinho espertó-saloio perante este tipo de mentalidade, porque, como eles bem sabem, as coisas não se resolvem à bordoada, pois não, só têm é de convencer os islâmicos radicais (e os criminosos de rua também) disso mesmo, depois tudo correrá bem e o mundo será para sempre um paraíso; as coisas não se resolvem à bordoada, pois não, mas se lhes metem uma bomba em casa, eles aceitam obedecer ao que os bombistas lhes mandam fazer; as coisas não se resolvem à bordoada, pois não, mas se lhes mandam ir para a rua berrar, em rebanho, para que os terroristas não matem três reféns, eles obedecem prontamente, vão imediatamente para a estrada ladrar, conforme lhes manda o dono - seria de louvar se se tratasse apenas de uma questão de salvamento de vidas do seu próprio povo, mas o degradante disto é que nunca se revoltam contra quem os chantageia desse modo.
De facto, as coisas não se resolvem à bordoada, pois não, só é pena é eles ficarem todos contentes com a derrota militar do Nacional-Socialismo e do Fascismo: se não se esquecessem, por momentos, de ser coerentes, diriam que nunca os aliados deviam ter feito frente bélica a Hitler e a Mussolini, mas tão somente dialogado. Cá no burgo, voltam a esquecer-se disso a respeito do 25 de Abril, que foi feito por militares de armas na mão, e não por tranquilos dialogantes que, em amena cavaqueira, tenham convencido Marcello Caetano e a Pide a abdicarem do poder.
Ou talvez pensem, sem se atreverem a dizê-lo frontalmente, que as armas só devem ser usadas quando se combate contra irmãos; quando se tem de enfrentar gente de raças estranhas, deve-se, pelo contrário, ser bonzinho e até dar a outra face se preciso for... pois... quem não os conhecer, que os compre.


Talvez eu continue este já longo artigo, se me apetecer ou se me lembrar de algo mais para dizer sobre o assunto, sabendo, claro, que quanto mais o prolongar mais desencorajo os potenciais leitores, dado que, actualmente, poucos se dispõem a ler um texto com mais de vinte linhas (se eu pudesse escrever partes do texto com corzinhas diferentes, fazia-o, caro leitor, para facilitar a leitura, mas não posso, lamento).


João Pereira Coutinho e os seus escritos na Maxmen

João Pereira Coutinho é um escriba com o qual concordo em grande parte dos casos - na edição deste mês, aquilo que diz sobre a relação dos Portugueses com a polícia está soberbo, acerta em cheio no problema - e, perante a intencionalmente esmagadora pressão da emotividade politicamente correcta, mostra uma coragem digna de menção quando afirma que o sofrimento de pessoas em África não lhe diz nada (a mim, também raramente me comoveu).

Não deixo entretanto de recordar que João Pereira Coutinho mete nojo nalgumas das coisas que afirma, nomeadamente no que diz respeito ao Nacionalismo e à consciência racial da extrema-direita: arauto do pensamento liberal-capitalista com pendor conservador - isto é, um yanke republicano - JPC sente-se naturalmente incomodado com a ascensão dos Le Pens pela Europa fora, claro, a gente como JCP aprecia imenso o panorama que mais convém aos grandes empresários, que é terem à sua disposição uma catrefa de trabalhadores a vergar a mola por baixos salários; a presença do imigrante, ao aumentar a mão-de-obra disponível, faz com que o trabalhador europeu tenha de se sujeitar a empregos com baixos ordenados, porque, se não os aceitar, há mais quem os queira.
Havendo muita gente para trabalhar e poucos postos de trabalho, os que querem trabalhar e não têm emprego têm de sujeitar aos poucos postos de trabalho que existirem, sejam quais forem as suas condições.
Isto é, falando curto e grosso, se o trabalhador europeu não quer um trabalho pelo qual lhe paguem noventa contos mensais, o empresário vai buscar um negro que aceita o posto quase de certeza, ficando o europeu no desemprego, e o empresário borrifa-se para isso.

Curiosamente, nunca leio nada do autor que se refira a uma das consequências da política imigracionista dos seus «patrões» : o problema das gangues. Em vez disso, prefere mostrar a sua arrogância «snob» de intelectualóide armado em esperto nas suas mui imbecis diatribes contra os taxistas racistas e assim.

A JUSTIÇA TARDA MAS NÃO FALHA

Tomei conhecimento, já há alguns meses - só agora digo porque me lembrei de o fazer - que está para chegar às salas de cinema um filme sobre a tomada Guerra de Tróia.

Alvíssaras!

Já não eram sem tempo - depois de décadas e décadas de super-produções yankes a celebrar heróis hebraicos -
Moisés, os Dez Mandamentos, não sei quantos filmes e séries sobre Jesus, até fizeram um sobre Maomé, e até arranjaram maneira de realizar um filme em honra de Ben-Hur: no contexto da Antiguidade Greco-Romana, raiz cultural do Heroísmo como o Ocidente o conhece, época dos heróis por excelência, os gringos lá arranjaram maneira de desencantar um campeão judeu... tal é o poder que a estrela de David tem do outro lado do Atlântico
- lá se lembraram de deixar, em película produzida à grande, uma homenagem à cultura antiga da Europa.

PRIMEIRO DE MAIO

Diz a mitologia do Eire, a Verde Ilha à qual os invasores Ingleses acrescentaram o seu germânico termo «land» - daí, Ireland - que, num Primeiro de Maio, veio, do norte ocidental, a raça dos Tuatha de Dannan, que constitui precisamente a estirpe dos Deuses propriamente ditos, estando para a Irlanda como os Deuses do Olimpo estão para a Grécia.

http://www.irishclans.com/articles/tuathadedannan.html

O Primeiro de Maio, que na Gália seria «Giamonios» e na tradição irlandesa se chama Beltaine - o Fogo de Bel, sendo Bel eventualmente uma Deidade luminosa e ígnea, equivalente ao gaulês Bellenos, Deus solar - é portanto a data sagrada que marca a chegada das forças da vida e da luz.

Em Roma, outra das raizes essenciais da nossa identidade, o princípio de Maio é celebrado em honra da Boa Deusa, ou Bona Dea, Deusa da Fertilidade e da Terra, bem como de Flora, Deusa, como o próprio nome indica, das Flores.

Tanto num lado como noutro, celebra-se a vinda da luz e da vida, talvez da alegria, que é talvez sentida como uma libertação - no caso irlandês, os Tuatha de Dannan combateram os Fomoros, criaturas aberrantes que dominavam a Irlanda, Ilha Esmeralda à qual os Romanos chamaram Iérne e, os Gregos, Hibernia.

Haverá alguma ligação entre esse sentimento e o da emoção ligada ao Dia do Trabalhador?

Vejamos.

Não surgiu esta data do calendário democrático num contexto de luta pelos direitos do Homem? De certo modo, sim; e houve já quem falasse, a propósito disto, na Primavera dos Povos, ou então sou eu que estou a inventar, mas acho que não é a mente a pregar-me partidas.

De um modo ou de outra, qualquer destas celebrações é genuinamente ocidental: as de carácter religioso acima referidas, são etnicamente ocidentais e isso basta; a última, é ocidental no seu espírito prometeico de libertação do homem contra poderes opressores, na insubmissão do indivíduo perante as fatalidades das hierarquias sócio-económicas, atitude tão tipicamente ocidental e que diferencia a Europa do resto do mundo - já Tácito mostrava admiração pelos Germanos, puros ocidentais, quando gabava o seu amor pela liberdade e pela independência, assumidas a título individual: em «A Germânia», Tácito faz questão de comparar este amor germânico pela liberdade, com a submissão dócil em que vivem os orientais das grandes civilizações, muito requintadas, mas nas quais os senhores oprimem os seus súbditos. Salienta o autor romano, Tácito, que não é pelo facto de serem mais organizados e disciplinados que os orientais dão mais que fazer às legiões romanas, antes pelo contrário pois que, ainda de acordo com o autor, o medo que a ferocidade dos homens livres nórdicos infunde aos civilizados romanos tornou-se assaz conhecido... Aqui, Tácito diz o mesmo que já César - em «De Bello Gallico» - tinha afirmado sobre os Germanos: na sua independência e capacidade de viver como lhes apetece reside o seu carácter indómito, que tanto pavor causou aos soldados romanos - os quais, note-se, acabaram por triunfar quase sempre, graças precisamente à sua superior organização.

Contradigo-me, nesta última frase?

Não. No que à disciplina e à liberdade diz respeito, o meio-termo é o ideal - já Platão dizia que o sentido de medida era a melhor coisa do mundo... - e os povos ocidentais conseguem-no desde há milhares de anos. Os Romanos, conquanto estritamente rigorosos e organizados - contrastando, estranhamente, com os seus actuais descendentes latinos... - sempre amaram a liberdade e o motivo do respeito e da admiração de César e de Tácito pelos Germanos diz mais a respeito deles próprios, César e Tácito, do que a respeito dos Germanos.

Não muito longe dali, noutro ponto do Ocidente, já Heródoto tinha dito que os Gregos eram superiores porque... eram racionais e livres... a leste e a sul, os bárbaros orientais, eram igualmente capazes de gerar cultura e viviam bem organizados, mas eram «fracos, não amavam a liberdade» e por isso viviam «justamente subjugados»(sic); a norte e a ocidente, os bárbaros ocidentais viviam na maior confusão, não se entendiam entre si, mas eram livres e valorosos... portanto, o que havia de comum entre Gregos e bárbaros ocidentais - Celtas, Germânicos, Ilírios, Trácios - era o que hoje constitui um dos elos de ligação espiritual entre os Europeus: a Liberdade.

É por isso que o Dia do Trabalhador só podia ter surgido na Europa.